{"id":133874,"date":"2020-09-16T12:30:46","date_gmt":"2020-09-16T15:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133874"},"modified":"2020-09-15T20:20:52","modified_gmt":"2020-09-15T23:20:52","slug":"as-florestas-do-leste-e-nordeste-da-amazonia-abrigam-arvores-com-mais-de-80-metros-de-altura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/as-florestas-do-leste-e-nordeste-da-amazonia-abrigam-arvores-com-mais-de-80-metros-de-altura\/","title":{"rendered":"As florestas do leste e nordeste da Amaz\u00f4nia abrigam \u00e1rvores com mais de 80 metros de altura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-133875\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores de norte a sul do Brasil est\u00e3o progredindo na identifica\u00e7\u00e3o das raras \u00e1rvores monumentais do pa\u00eds, que se destacam sobre a floresta e mant\u00eam redes de intera\u00e7\u00f5es com animais e outras plantas, e tentando entender as particularidades que lhes permitem atingir di\u00e2metros quase do comprimento de um fusca e a altura de um pr\u00e9dio de 30 andares.<\/p>\n<p>Com base em sobrevoos e sensores de luminosidade, pesquisadores de Minas Gerais, do Amap\u00e1 e de S\u00e3o Paulo verificaram que a floresta Amaz\u00f4nica no oeste do Amap\u00e1 e nordeste do Par\u00e1 abriga pelo menos 20 exemplares de \u00e1rvores com mais de 70 metros (m) de altura, dos quais seis com mais de 80 m, mais que o dobro da altura do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. S\u00e3o as chamadas \u00e1rvores gigantes ou mega-\u00e1rvores, definidas como as que t\u00eam pelo menos 70 cent\u00edmetros (cm) de di\u00e2metro, mais f\u00e1cil de medir do que a altura, que pode variar de 25 m no cerrad\u00e3o, a fei\u00e7\u00e3o florestal do Cerrado, a 80 m na Amaz\u00f4nia. Essas medidas s\u00e3o cerca de cinco vezes as medidas m\u00e9dias da maioria das \u00e1rvores encontradas nas cidades ou nos parques urbanos.<\/p>\n<p>\u201cCertamente existem muito mais \u00e1rvores gigantes na Amaz\u00f4nia\u201d, diz o engenheiro florestal Eric Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Murici (UFVJM) e coordenador do estudo, publicado em maio como preprint no reposit\u00f3rio bioRxiv. Nesse trabalho, pesquisadores da UFVJM, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisaram 754 \u00e1reas de 375 hectares cada (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados) por meio da t\u00e9cnica LiDAR (Light Detection and Ranging), que registra a velocidade de luz refletida pelas \u00e1rvores. \u201cA \u00e1rea total analisada equivale a 100 vezes a examinada em estudos de campo, mas ainda \u00e9 apenas 0,18% da \u00e1rea da Amaz\u00f4nia\u201d, ele argumenta (ver mapa).<\/p>\n<p>Gorgens viu pela primeira vez as \u00e1rvores gigantes do leste da Amaz\u00f4nia no in\u00edcio da tarde de 16 de agosto de 2019. Era o segundo dia de uma expedi\u00e7\u00e3o com 30 pessoas que subia o encachoeirado rio Jari, na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1, na divisa com o Amap\u00e1. \u00c0s margens havia suma\u00famas (Ceiba pentandra), parquias (Parquia pendula) e castanheiras (Bertholletia excelsa) com troncos de 2 a 3 m de di\u00e2metro. No alto dos morros vizinhos reinavam os angelins (Dinizia excelsa), cujos ramos formam esferas de folhas semelhantes a pompons de l\u00e3. Medindo-as por meio de cordas lan\u00e7adas do alto por um escalador, os pesquisadores encontraram algumas com 82 m de altura.<\/p>\n<p>Antes da viagem, com base em imagens de LiDAR, os pesquisadores haviam identificado um prov\u00e1vel angelim de 88,5 m, a \u00e1rvore mais alta j\u00e1 encontrada no Brasil, noticiada em um artigo publicado em agosto de 2019 na revista cient\u00edfica Frontiers in Ecology and the Environment. N\u00e3o o viram, por\u00e9m, embora tenham chegado a 3 quil\u00f4metros (km) de onde deveria estar. \u201cTivemos de desistir por causa da dificuldade para avan\u00e7ar em meio \u00e0 mata fechada e da limita\u00e7\u00e3o de tempo\u201d, conta Gorgens. \u201cOptamos por coletar informa\u00e7\u00f5es de uma regi\u00e3o em que localizamos uma grande quantidade de \u00e1rvores gigantes juntas.\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 frente de outro levantamento regional, o engenheiro florestal Marcelo Scipioni, da Universidade Federal de Santa Catarina, viajou 7 mil km por terra desde 2012 e encontrou cerca de 50 grandes \u00e1rvores, das quais 35 s\u00e3o arauc\u00e1rias (Araucaria angustifolia) com tronco de pelo menos 1,5 m de di\u00e2metro, nos tr\u00eas estados da regi\u00e3o Sul, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, registradas em seu site (www.arvoresgigantes.org). Em um artigo publicado em maio de 2019 na Scientia Agricola, ele apresentou uma arauc\u00e1ria com um tronco de 3,2 m de di\u00e2metro, 42 m de altura e estimados mais de mil anos de idade, no interior de Santa Catarina.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-84049 lazyloaded\" src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-936x1024.jpg\" sizes=\"(max-width: 936px) 100vw, 936px\" srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-936x1024.jpg 936w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-274x300.jpg 274w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-768x840.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-696x761.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-1068x1168.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-384x420.jpg 384w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2.jpg 1117w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"700\" data-srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-936x1024.jpg 936w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-274x300.jpg 274w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-768x840.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-696x761.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-1068x1168.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-384x420.jpg 384w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2.jpg 1117w\" data-src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-2-936x1024.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<h3><strong>\u00c1rvores milenares<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cNo estado de S\u00e3o Paulo, apesar do desmatamento intenso, ainda \u00e9 poss\u00edvel encontrar \u00e1rvores monumentais e hist\u00f3ricas\u201d, diz o engenheiro-agr\u00f4nomo Mario Tomazello Filho, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), que estuda a idade das \u00e1rvores desde a d\u00e9cada de 1980. \u00c9 o caso dos jequitib\u00e1s-rosa (Cariniana legalis), \u00e1rvore-s\u00edmbolo do estado, no Parque Estadual Vassununga, no munic\u00edpio de Santa Rita do Passa Quatro, com at\u00e9 45 m de altura e tronco de 16 m de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Segundo ele, erros de c\u00e1lculo de idade s\u00e3o comuns. Inicialmente estimada em 3 mil anos, a dos jequitib\u00e1s-rosa gigantes de Vassununga foi depois reavaliada para 600 a 800 anos por meio da dendrocronologia, uma t\u00e9cnica de data\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores pela an\u00e1lise dos an\u00e9is de crescimento anuais do tronco. Essa metodologia levou \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de imbuia (Phoebe porosa) e de arauc\u00e1ria (Araucaria angustifolia) com 400 a 500 anos no Brasil, de alerces (Fitzroya cupressoides) com 3.622 anos no Chile e de pinheiros (Pinus longaeva) com 4.847 anos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cNa regi\u00e3o Sul do Brasil\u201d, diz Scipioni, \u201cas arauc\u00e1rias de maior porte s\u00e3o remanescentes das grandes florestas do passado\u201d. No Nordeste tamb\u00e9m. O ec\u00f3logo Marcelo Tabarelli, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), encontrou pela primeira vez no in\u00edcio de agosto algumas das grandes \u00e1rvores da Caatinga, ambiente que ele estuda h\u00e1 20 anos. Eram tamboris (Enterolobium contortisiliquum) com 2 m de di\u00e2metro e angicos (Anadenanthera colubrina), aroeiras (Myracrodruom urundeuva), jatob\u00e1s (Hymenaea courbaril) e paus-ferro (Libidibia ferrea) com pelo menos 1 m de di\u00e2metro, quase todas com cerca de 25 m altura, o que \u00e9 muito para esse ambiente, em florestas preservadas em fazendas do sert\u00e3o da Para\u00edba. \u201c\u00c9 uma regi\u00e3o muito seca, onde chove no m\u00e1ximo 500 mil\u00edmetros por ano\u201d, observa.<\/p>\n<p>Tabarelli estima que o Brasil deva abrigar pelo menos 200 das cerca de 1.500 esp\u00e9cies de \u00e1rvores gigantes j\u00e1 identificadas no mundo, embora as esp\u00e9cies tropicais sejam bem menos estudadas que as de clima temperado da Am\u00e9rica do Norte e Europa. A mais alta de uma floresta tropical j\u00e1 identificada \u00e9 uma meranti-amarela (Shorea faguetiana), com 100,8 m, na Mal\u00e1sia. A mais alta do mundo \u00e9 uma sequoia vermelha (Sequoia sempervirens) com 115,6 m, em uma \u00e1rea de clima temperado no norte da Calif\u00f3rnia, Estados Unidos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-84047 lazyloaded\" src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1024x422.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1024x422.jpg 1024w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-300x124.jpg 300w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-768x317.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-696x287.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1068x440.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1019x420.jpg 1019w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3.jpg 1140w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"263\" data-srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1024x422.jpg 1024w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-300x124.jpg 300w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-768x317.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-696x287.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1068x440.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1019x420.jpg 1019w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3.jpg 1140w\" data-src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-3-1024x422.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Expedi\u00e7\u00e3o Jari-Paru, agosto de 2019: vista da copa de um angelim vermelho (<em>Dinizia excelsa<\/em>), com estimados 82 metros, na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1;<br \/>\no escalador Fabiano Moraes, da AmazonTreeClibing, na copa de um angelim vermelho gigante, para estimar altura e recolher amostras de ramos para identifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie;<br \/>\nrio Jari com suas corredeiras e redemoinhos.<br \/>\n<em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o | Expedi\u00e7\u00e3o Jari-Paru<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h3><strong>Redes de intera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Respons\u00e1veis, por causa do tamanho, por metade da biomassa das florestas, embora respondam por menos de 5% do n\u00famero total de \u00e1rvores, as mega-\u00e1rvores t\u00eam um grande papel ecol\u00f3gico, detalhado pelo grupo da UFPE em um artigo publicado em mar\u00e7o na Advances in Ecological Research. De acordo com esse estudo, os galhos das gigantes servem de suporte para orqu\u00eddeas e brom\u00e9lias que dependem de condi\u00e7\u00f5es microambientais espec\u00edficas de luminosidade e umidade n\u00e3o encontradas em \u00e1rvores de menor porte. Por sua vez, aves, primatas, morcegos, anf\u00edbios, r\u00e9pteis, aranhas e insetos usam suas cavidades como abrigo ou ninhos.<\/p>\n<p>\u201cO decl\u00ednio de grandes \u00e1rvores em florestas tropicais representa a perda de uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas, muitas delas relacionadas a uma complexa rede de intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas\u201d, afirma Bruno Pinho, pesquisador da UFPE e principal autor do artigo. Os pesquisadores observaram que as ra\u00edzes que saem da terra quando as \u00e1rvores tombam formam crateras que se enchem de \u00e1gua de chuva e s\u00e3o ocupadas por porcos selvagens e girinos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-84046 lazyloaded\" src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1024x768.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-768x576.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-80x60.jpg 80w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-265x198.jpg 265w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-696x522.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1068x801.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-560x420.jpg 560w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4.jpg 1140w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" data-srcset=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-768x576.jpg 768w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-80x60.jpg 80w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-265x198.jpg 265w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-696x522.jpg 696w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1068x801.jpg 1068w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-560x420.jpg 560w, https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4.jpg 1140w\" data-src=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores-gigantes-4-1024x768.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Marcelo Tabarelli, da Universidade Federal de Pernambuco, e Helder Ara\u00fajo,<br \/>\nda Universidade Federal da Paraiba, sob uma Timba\u00faba (<em>Enterolobium contorstisoliquum<\/em>), em agosto de 2020, na Fazenda Salambaia, em Cabaceiras, Para\u00edba.<br \/>\n<em>Foto: Inara Roberta Leal | UFPE<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h3><strong>Crescimento lento<\/strong><\/h3>\n<p>Os pesquisadores tentam entender tamb\u00e9m como as grandes \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia conseguem crescer tanto. Em seu estudo mais recente, Gorgens, com seu grupo, relatou que elas se desenvolvem em solos pobres em nutrientes e profundos, capazes de abrigar suas longas ra\u00edzes. O maior perigo \u00e9 o vento. \u201cA copa das grandes \u00e1rvores imp\u00f5e uma resist\u00eancia ao vento, como as velas de um barco\u201d, diz Tommazello. \u201cSe o vento \u00e9 intenso, a copa ou o pr\u00f3prio tronco podem quebrar.\u201d Por essa raz\u00e3o \u00e9 que precisam de clima calmo, com muitas nuvens e baixa insola\u00e7\u00e3o \u2013 o excesso de sol tamb\u00e9m pode ser prejudicial, j\u00e1 que suas copas est\u00e3o a dezenas de metros acima da das outras \u00e1rvores.<\/p>\n<p>O bot\u00e2nico Rafael de Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), observa que as \u00e1rvores monumentais devem ter mecanismos fisiol\u00f3gicos pr\u00f3prios, que lhes permitem crescer de modo mais lento do que outras esp\u00e9cies. \u201cAs \u00e1rvores de crescimento lento t\u00eam formas pr\u00f3prias de gerenciar o estoque de \u00e1gua\u201d, comenta. Inversamente, as de crescimento r\u00e1pido tendem a ser mais vulner\u00e1veis \u00e0 seca, como o grupo da Unicamp mostrou em um artigo publicado em mar\u00e7o de 2018 na revista Plant, Cell &amp; Environment. Segundo ele, al\u00e9m do mecanismo habitual de transporte de \u00e1gua \u2013 por diferen\u00e7a de umidade, que faz a \u00e1gua do solo chegar \u00e0s folhas \u2013, as gigantes devem ter uma compartimentaliza\u00e7\u00e3o do xilema, os vasos que transportam \u00e1gua, com divis\u00f5es que poderiam funcionar como as v\u00e1lvulas das veias fazem o sangue voltar ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Oliveira viu as grandes \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia em novembro de 2019, quando descia o rio Amapari, no Amap\u00e1, com tr\u00eas pesquisadores da Unicamp, uma da USP e o diretor do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o engenheiro florestal Christoph Jaster. As \u00e1rvores formavam grupos de 10 a 20 exemplares da mesma esp\u00e9cie em meio \u00e0 mata densa do parque, a maior unidade de conserva\u00e7\u00e3o de floresta tropical do mundo, no norte do Amap\u00e1. Eles fixaram sensores de crescimento e varia\u00e7\u00e3o de temperatura e umidade, com planos de voltar assim que poss\u00edvel para recolher as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando encontram as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, podem crescer mais, embora o destino delas seja incerto. Perobas (Aspidosperma spp.), cedros (Cedrela spp.), canelas (Ocotea spp.), ip\u00eas (Tabebuia spp.), jatob\u00e1s (Hymenaea spp.), jacarand\u00e1s (Dalbergia spp.) e ma\u00e7arandubas (Manilkara spp.) e outras \u00e1rvores encorpadas s\u00e3o usadas intensamente desde o Brasil Col\u00f4nia para a constru\u00e7\u00e3o de pilares, tetos ou assoalhos de casas, m\u00f3veis e barcos \u2013 e ainda hoje s\u00e3o exploradas por fornecerem as madeiras mais duras e de maior valor comercial. \u201cAs esp\u00e9cies podem n\u00e3o desaparecer, mas os indiv\u00edduos maiores e mais velhos se tornam cada vez mais raros\u201d, alerta Tabarelli.<\/p>\n<h4><strong>Artigos cient\u00edficos<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>GORGENS, E. B. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/fee.2085\">The giant trees of the Amazon basin<\/a>. Frontiers in Ecology and the Environment. v. 17, n. 7, p. 373-4. 29 ago. 2019.<\/li>\n<li>GORGENS, E. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2020.05.15.097683v2\">Resource availability and disturbance shape maximum tree height across the Amazon<\/a>. BioRxiv. 19 mai. 2020.<\/li>\n<li>PINHO, B. X. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2020.05.15.097683v2\">Critical role and collapse of tropical mega-trees: A key global resource<\/a>. Advances in Ecological Research. v. 62, p. 253-94. 21 mar. 2020.<\/li>\n<li>ELLER, C. B. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/pce.13106\">Xylem hydraulic safety and construction costs determine tropical tree growth<\/a>. Plant, Cell &amp; Environment. v. 41, n. 3, p. 548-62. 29 mar. 2018.<\/li>\n<li>SCIPIONI, M. C. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0103-90162019001300220&amp;script=sci_arttext\">The last giant Araucaria trees in southern Brazil<\/a>. Scientia Agricola. v. 76, n. 3, p. 220-6. mai. 2019.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores de norte a sul do Brasil est\u00e3o progredindo na identifica\u00e7\u00e3o das raras \u00e1rvores monumentais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/arvores_gigantes.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores de norte a sul do Brasil est\u00e3o progredindo na identifica\u00e7\u00e3o das raras \u00e1rvores monumentais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133874"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133874\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}