{"id":133419,"date":"2020-09-07T15:00:14","date_gmt":"2020-09-07T18:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133419"},"modified":"2020-09-07T09:35:51","modified_gmt":"2020-09-07T12:35:51","slug":"queimadas-ja-consumiram-12-do-pantanal-e-tendencia-e-piorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/queimadas-ja-consumiram-12-do-pantanal-e-tendencia-e-piorar\/","title":{"rendered":"Queimadas j\u00e1 consumiram 12% do Pantanal \u2013 e tend\u00eancia \u00e9 piorar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-1sg8adi\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-133420\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Reportagem documentou o avan\u00e7o dos inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense, onde n\u00famero de focos de queima bateu recordes nos meses de julho e agosto. Chuvas costumam chegar em outubro.<\/h2>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"queimadas pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-21.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"queimadas pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Uma neblina espessa de fuma\u00e7a encobre vastas \u00e1reas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tendo chegado no Paran\u00e1 esta semana. Pesquisadores apontam o avan\u00e7o do desmatamento no pr\u00f3prio bioma e na Amaz\u00f4nia e a consequente mudan\u00e7a no regime de chuvas como raz\u00f5es da pior seca dos \u00faltimos 47 anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p><strong>De Pocon\u00e9, Mato Grosso.\u00a0<\/strong>Um forte ru\u00eddo de tempestade anuncia a aproxima\u00e7\u00e3o das labaredas na estrada de terra que corta uma das in\u00fameras fazendas do Pantanal matogrossense. A ironia cruel \u00e9 refor\u00e7ada pela chuva de fagulhas e cinzas que antecede a chegada das chamas e tinge de laranja avermelhado toda a paisagem. O cen\u00e1rio \u00e9 complementado por cantos de alerta de acu\u00e3s e outras aves do Pantanal, enquanto outros animais menos h\u00e1beis ficam pelo caminho para serem carbonizados.<\/p>\n<p>Foi uma vis\u00e3o semelhante a essa que bateu \u00e0 porta do aposentado Marcos Rond\u00e3o, nesse 15 de agosto, quando sua casa, \u00e0s margens da rodovia Transpantaneira, foi quase engolida pelas chamas, que atravessaram barreiras feitas pelos bombeiros e at\u00e9 mesmo a estrada. \u201cFoi assustador. Durante a noite, aquelas labaredas avan\u00e7ando; saltaram o aceiro a 10 km daqui, queimaram a fazenda vizinha. E ca\u00eda aquela chuva de fagulha queimando; morria de medo que uma delas incendiasse o quintal.\u201d<\/p>\n<p>Acima da propriedade de Rond\u00e3o, uma nuvem de fuma\u00e7a se espalhava de acordo com o vento ou com a falta dele, encobrindo a paisagem com um manto amarelado por um raio de mais de 80 km no sul de Mato Grosso, entre os munic\u00edpios de Pocon\u00e9 e Bar\u00e3o de Melga\u00e7o, e deixando um cheiro de madeira queimada. \u201c\u00c9 dia e noite convivendo com essa fuma\u00e7a cada vez que a gente abre a porta de casa. Desde que o fogo quase destruiu a pousada, h\u00e1 mais de duas semanas, tem dias que n\u00e3o se v\u00ea cinco metros adiante\u201d, reclama Eduardo Falc\u00e3o, dono de outra propriedade \u00e0s margens da Transpantaneira.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-20.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-20.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-20.jpg?w=1280&amp;h=855\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"queimadas pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-20.jpg?w=1600&amp;h=1069\" alt=\"queimadas pantanal\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Bois e cavalos dividem um pasto ralo de fazenda em Pocon\u00e9 (MT). Al\u00e9m do preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, fazendeiros relatam enormes gastos para n\u00e3o deixar o gado morrer de fome.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-3.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-3.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"cavalos pantaneiros\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-3.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"cavalos pantaneiros\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Cavalos pantaneiros sofrem para encontrar comida em meio \u00e0 seca e \u00e0s queimadas. A ra\u00e7a, que se desenvolveu naturalmente no Pantanal ao longo dos \u00faltimos 200 anos, possui casco fechado e pequeno que reduz a ades\u00e3o da lama \u2013 o ideal para terrenos alagados.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>De janeiro at\u00e9 o final de agosto, o fogo no Pantanal brasileiro j\u00e1 havia queimado uma \u00e1rea correspondente a\u00a012 cidades de S\u00e3o Paulo \u2013 18.646 km<sup>2<\/sup>, cerca de 12% da \u00e1rea total do bioma \u2013, segundo dados do\u00a0<a href=\"https:\/\/lasa.ufrj.br\/\">Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais<\/a>\u00a0divulgados pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/queimadas.dgi.inpe.br\/queimadas\/aq1km\/#nota\">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais<\/a>. O Inpe tamb\u00e9m detectou 10.316 focos de queima desde o in\u00edcio do ano at\u00e9 3 de setembro, o maior n\u00famero para o per\u00edodo desde o in\u00edcio dos registros, em 1998. E o pior ainda pode estar por vir \u2013 setembro \u00e9 o m\u00eas com a m\u00e9dia mais alta de focos e a chuvas costumam chegar na segunda metade de outubro. Pelo menos em Mato Grosso, 95% da destrui\u00e7\u00e3o ocorreu em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa: campos de gram\u00edneas e ervas, florestas, palmerais, arbustos e toda a fauna que se aproveita desses ecossistemas perdidos para as chamas, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icv.org.br\/website\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/caracterizacao-das-areas-atingidas-por-incendios-mt.pdf\">Instituto Centro de Vida<\/a>\u00a0(ICV).<\/p>\n<p>As queimadas ligaram o alerta at\u00e9 mesmo das secretarias\u00a0de Sa\u00fade, que temem uma alta na demanda por leitos para tratamento de doen\u00e7as respirat\u00f3rias, j\u00e1 lotados por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus. Em estado de emerg\u00eancia desde fim de mar\u00e7o, a secretaria de sa\u00fade de Mato Grosso do Sul alertou,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/queimadas-sao-o-novo-fator-de-risco-para-a-saude-das-populacoes\/\">em nota publicada no fim de julho<\/a>,\u00a0para um aumento de atendimentos relacionados \u00e0 m\u00e1 qualidade do ar. \u201cNenhum munic\u00edpio est\u00e1 cem por cento preparado para enfrentar dois eventos desta natureza\u201d, declarou, na nota, Rog\u00e9rio Leite,\u00a0secret\u00e1rio de sa\u00fade de Corumb\u00e1.<\/p>\n<p>Terra de superlativos, 60% dos 250.000 km<sup>2<\/sup>\u00a0Pantanal \u2013 uma \u00e1rea maior que o Reino Unido \u2013 fica no Brasil, o resto \u00e9 dividido entre Bol\u00edvia e Paraguai. O bioma \u00e9 considerado o mais preservado do pa\u00eds, com 83% de cobertura vegetal nativa, e apresenta a maior densidade de esp\u00e9cies de mam\u00edferos do mundo, com uma concentra\u00e7\u00e3o nove vezes maior que a vizinha Amaz\u00f4nia, de onde recebe parte das \u00e1guas que o inunda todos os anos. \u00c9 esse ambiente que vem queimando com for\u00e7a extrema nunca vista, segundo brigadistas do Prevfogo (Sistema Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate aos Inc\u00eandios Florestais, do Ibama), desde o final de julho.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-29.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-29.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"resgate de anta no pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-29.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"resgate de anta no pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Com as quatro patas queimadas, esta anta n\u00e3o conseguia andar e se refugiou em um charco dentro de uma propriedade pr\u00f3xima \u00e0 rodovia Transpantaneira. Depois de resgatada e sedada por volunt\u00e1rios, foi levada para ser tratada em Campo Grande (MS).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-30.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-30.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"pata anta queimada por incendio pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-30.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"pata anta queimada por incendio pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Eduarda Fernandes, guia e agente de turismo, e Roberto Macedo, seu s\u00f3cio, tratam queimaduras na pata da anta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3>Fauna em risco<\/h3>\n<p>Com tantas queimadas, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar animais mortos ao longo de estradas e caminhos; muitos dos que resistem exigem socorro veterin\u00e1rio, que tardou semanas a ser disponibilizado pelo poder p\u00fablico. Em resposta a isso, Eduarda Fernandes, 20 anos, guia e agente de turismo, articulou uma equipe de volunt\u00e1rios e uma vaquinha para tentar mitigar os efeitos do fogo associado \u00e0 seca, que j\u00e1 passa de 100 dias, e do calor, que superou a marca dos 35\u00baC v\u00e1rias vezes durante o m\u00eas de agosto. \u201cMe chamam de pirralha teimosa, mas divulguei em redes que est\u00e1vamos buscando profissionais para este projeto, e foi \u00f3timo saber que eu n\u00e3o estava sozinha\u201d, comenta a jovem, referindo-se ao grupo de veterin\u00e1rios e bi\u00f3loga que se deslocaram at\u00e9 o meio da Transpantaneira para ajudar.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico veterin\u00e1rio Jorge Salom\u00e3o, de 36 anos, dirigiu por mais de 1.700 km para se juntar \u00e0 equipe. Respons\u00e1vel t\u00e9cnico por \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o, Salom\u00e3o se mostra realista com a empreitada: \u201cN\u00e3o h\u00e1 como romantizar, achando que vamos fazer muita diferen\u00e7a; somos muito poucos para uma multid\u00e3o de animais. O impacto ser\u00e1, sim, sobre esses indiv\u00edduos que conseguirmos atingir\u201d, afirma, criticando a falta de estrutura na regi\u00e3o. \u201cEsperamos tamb\u00e9m mobilizar o poder p\u00fablico, porque \u00e9 inconceb\u00edvel que a regi\u00e3o com maior biodiversidade e com inc\u00eandios recorrentes n\u00e3o tenha uma \u00e1rea de cuidados, um centro de reabilita\u00e7\u00e3o de animais\u201d. Salom\u00e3o conta que cada animal socorrido, por mais limitado que seja o impacto, \u00e9 o que faz o trabalho valer a pena.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira (28\/08), a equipe foi chamada por um morador para socorrer uma anta com dificuldades de se locomover e uma grande queimadura na coxa direita. Assustado, mas sem condi\u00e7\u00f5es de fugir, o animal de 200 kg se refugiou em um pequeno charco dentro da propriedade de Antonio Satyro. Foram necess\u00e1rias cinco pessoas para puxar a f\u00eamea sedada at\u00e9 uma carreta, na qual foi levada \u00e0 pousada do sogro de Eduarda, esp\u00e9cie de base improvisada para socorrer animais silvestres. O veterin\u00e1rio mineiro Felipe Batista se encarregou de orientar a limpeza dos ferimentos, enquanto equilibrava a seda\u00e7\u00e3o entre o necess\u00e1rio para que a anta n\u00e3o sentisse dor \u2013 o que poderia resultar em um golpe ou uma mordida \u2013 e n\u00e3o coloc\u00e1-la em coma.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-1.jpg?w=768&amp;h=518\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-1.jpg?w=1024&amp;h=690\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-1.jpg?w=1280&amp;h=863\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Ip\u00ea-roxo em meio a fuma\u00e7a\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-1.jpg?w=1600&amp;h=1078\" alt=\"Ip\u00ea-roxo em meio a fuma\u00e7a\" width=\"638\" height=\"430\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Ip\u00eas contrastam com a fuma\u00e7a dos inc\u00eandios em Pocon\u00e9 (MT). A secretaria de sa\u00fade de Mato Grosso do Sul alerta para um aumento de atendimentos relacionados \u00e0 m\u00e1 qualidade do ar devido \u00e0s queimadas, o que pode pressionar ainda mais um sistema j\u00e1 sobrecarregado pela pandemia de coronav\u00edrus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"pontes da transpantaneira ameacadas\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-19.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"pontes da transpantaneira ameacadas\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A fim de evitar que queimem com os inc\u00eandios, equipe de volunt\u00e1rios trabalha na manuten\u00e7\u00e3o de pontes de madeira ao longo da rodovia Transpantaneira, que liga Pocon\u00e9 a Porto Jofre, em Mato Grosso. At\u00e9 29 de agosto, quatro pontes haviam queimado na regi\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">\u201cO osso da falange, do dedo, j\u00e1 est\u00e1 exposto, tamanha a gravidade da queimadura. \u00c9 trat\u00e1vel, mas precisa de um ambiente especializado porque isso pode espalhar para tend\u00f5es, nervos. Se ela ficar aqui, vai acabar morrendo por causa da infec\u00e7\u00e3o, e ser\u00e1 lento e muito doloroso\u201d, alerta o veterin\u00e1rio, que mora em Betim (MG), a 24 horas de viagem dali.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Na manh\u00e3 daquele dia,\u00a0a equipe havia rodado por estradas e aceiros \u2013 trechos de mata abertos com escavadeiras para conter o avan\u00e7o dos inc\u00eandios \u2013 distribuindo cochos com \u00e1gua e frutas em \u00e1reas secas, em uma tentativa de diminuir um pouco o tamanho do estrago feito em uma gera\u00e7\u00e3o inteira de animais.<\/p>\n<h3>Gera\u00e7\u00e3o perdida<\/h3>\n<p>Os relatos de choque com os inc\u00eandios e o clima se repetem a cada morador ouvido. \u201cNunca vi um fogo terr\u00edvel desses. Enquanto lutava para n\u00e3o queimar a casa do vizinho, nos abrigamos nas margens do rio Cuiab\u00e1 para n\u00e3o morrermos queimados\u201d, conta o pescador Salvador de Campos Silva, morador da regi\u00e3o desde que nasceu, h\u00e1 57 anos. J\u00e1 Benedito da Silva, 79 anos, um dos dois \u00fanicos seres humanos que ainda habitam a Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, teve que ser retirado \u00e0s pressas de sua casa. \u201cO fogo pulou o rio Cuiab\u00e1 e veio queimar aqui perto. Me falaram para sair antes que eu morresse\u201d, conta o pantaneiro, cuja casa de barro, coberta com folhas de acuri, foi encharcada com \u00e1gua para n\u00e3o queimar, enquanto todos os poucos m\u00f3veis dormiram dias \u00e0 beira do rio.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Vinicius Correia, arrendat\u00e1rio de uma fazenda de gado, contabiliza o preju\u00edzo. Com a falta de pasto, todo consumido pelo fogo, ter\u00e1 de gastar, nos pr\u00f3ximos meses, R$ 900 por dia para impedir que os animais, j\u00e1 magros, morram. \u201c\u00c9 isso ou deixar eles com fome, com esse restinho de pasto ralo\u201d, diz, apontando para um trecho onde h\u00e1 mais areia que grama.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-9.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-9.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"morador rppn sesc pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-9.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"morador rppn sesc pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Depois de colocar os m\u00f3veis na beira do rio e encharcar o telhado de folhas de acuri com \u00e1gua, seu Benedito da Silva, o Dito Verde, 79 anos, deixou \u00e0s pressas a casa onde vive desde os 15 dentro da RPPN Sesc Pantanal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"morador rppn sesc pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-8.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"morador rppn sesc pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Seu Manuel Ambr\u00f3sio, 84 anos, faz rapadura em sua propriedade no meio da RPPN Sesc Pantanal, em Mato Grosso. Ele \u00e9 um dos dois \u00faltimos moradores na reserva, onde vive, sem luz el\u00e9trica e \u00e1gua encanada, desde 1972.<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt5675.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt5675.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Andre Tuhronyi conversa no r\u00e1dio com bombeiros que ficaram sem combust\u00edvel no meio de um inc\u00eandio. ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt5675.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"Andre Tuhronyi conversa no r\u00e1dio com bombeiros que ficaram sem combust\u00edvel no meio de um inc\u00eandio. ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Andre Tuhronyi conversa no r\u00e1dio com bombeiros que ficaram sem combust\u00edvel no meio de um inc\u00eandio. Tuhronyi diz ter gasto R$ 18 mil para manter o fog longe de suas terras, \u00e0s margens da Transpantaneira.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">Gram\u00edneas e arbustos renascem em at\u00e9 cinco anos, mas as florestas, os cambarais e a fauna levar\u00e3o entre 20 e 30 anos para se recuperarem completamente, calcula C\u00e1tia Nunes da Cunha, professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso e pesquisadora do <a href=\"http:\/\/www.cppantanal.org.br\/\">Centro de Pesquisas do Pantanal<\/a>. \u201c\u00c9 dif\u00edcil calcularmos ao certo com as poucas pesquisas que s\u00e3o financiadas, mas o ambiente levou mais de 30 anos para se recuperar do ciclo de estiagens e queimadas observadas na d\u00e9cada de 1960\u201d, comenta, lembrando um per\u00edodo em que os mais velhos temiam morrer de sede.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Nascida e criada em Pocon\u00e9 (MT), Nunes vem estudando, entre outros temas, as din\u00e2micas clim\u00e1ticas do Pantanal, e alerta para o risco deste ser o in\u00edcio de um longo per\u00edodo de secas, fruto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, que poder\u00e1 resultar\u00a0em inc\u00eandios ainda maiores. Utilizando registros da Marinha sobre o calado do rio Paraguai desde 1900, Nunes observou que, entre 1961 e 1973, o Pantanal passou por um longo per\u00edodo de secas, seguido por tr\u00eas d\u00e9cadas de alta umidade, o que alterou n\u00e3o apenas a economia da regi\u00e3o, mas toda a paisagem.<\/p>\n<p>\u201cA partir da d\u00e9cada de 1970, o Pantanal tem um decl\u00ednio da pecu\u00e1ria extensiva em campos nativos, com o abandono e esvaziamento de fazendas de gado, ao mesmo tempo que esp\u00e9cies de arbusto de madeira leve, altamente inflam\u00e1vel, aproveitaram as inunda\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a elas para se proliferar&#8221;, explica Nunes. &#8220;[Isso] acumulou muita biomassa, que agora vem servindo de combust\u00edvel para os inc\u00eandios.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o Pantanal vem recebendo menos chuvas, at\u00e9 que 2020 registrou a maior seca em 47 anos, superando os n\u00fameros registrados na d\u00e9cada de 1960. Mesmo o per\u00edodo chuvoso recebeu a metade das precipita\u00e7\u00f5es esperadas. Segundo ela, foi essa somat\u00f3ria de elementos \u2013 seca recorde, ac\u00famulo de biomassa inflam\u00e1vel e a\u00e7\u00e3o humana \u2013 que resultou no maior inc\u00eandio j\u00e1 registrado no bioma. \u201cTemos que lembrar que no Pantanal n\u00e3o h\u00e1, normalmente, incid\u00eancia de fogo espont\u00e2neo no inverno&#8221;, destaca. &#8220;Al\u00e9m dos inc\u00eandios causados pelo homem, h\u00e1 outras modifica\u00e7\u00f5es como o represamento dos rios que inundam o Pantanal e a destrui\u00e7\u00e3o de suas matas ciliares nas cabeceiras, que tornam toda a regi\u00e3o mais seca e quente.\u201d Apesar de conhecido pela \u00e1gua \u2013 rios, lagoas e alagados \u2013, o bioma n\u00e3o possui nascentes. Como uma enorme banheira, a plan\u00edcie apenas recebe as \u00e1guas dos rios que brotam nos planaltos que a circundam.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-14.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-14.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-14.jpg?w=1280&amp;h=855\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"bombeiros contra queimadas pantanal \" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-14.jpg?w=1600&amp;h=1069\" alt=\"bombeiros contra queimadas pantanal \" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Brigadistas tentam conter chamas em uma propriedade em Pocon\u00e9 (MT). Cerca de 160 profissionais \u2013 entre bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, militares, brigadistas do Prevfogo, do Ibama, do ICMBio e at\u00e9 do Sesc \u2013 fazem parte do esfor\u00e7o de combate aos inc\u00eandios.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"aviao combate incendio no pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-11.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"aviao combate incendio no pantanal\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Um pequeno avi\u00e3o do ICMBio tenta conter o inc\u00eandio na\u00a0propriedade do\u00a0fazendeiro Celso Figueiredo, na zona rural de Pocon\u00e9 (MT).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">Por meio de imagens de sat\u00e9lites, o ICV mapeou a origem dos inc\u00eandios que vem abrindo uma cicatriz carbonizada sem controle ao longo do Pantanal Norte. Foram nove pontos de origem, um na Terra Ind\u00edgena Perigara, que teve 75% de sua \u00e1rea afetada pelo fogo, e oito em fazendas em ambas margens do rio Cuiab\u00e1, afluente do rio Paraguai que tamb\u00e9m margeia a RPPN Sesc Pantanal. Todos s\u00e3o considerados irregulares, uma vez que o uso do fogo para limpeza e manejo de territ\u00f3rios foi proibido no Mato Grosso entre 1\u00ba de Julho e 30 de Setembro. Quem provoca queimadas pode ser punido com reclus\u00e3o de dois a quatro anos e multa a partir de R$ 5.000 por hectare.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<h3>Laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto<\/h3>\n<p>O Sesc Pantanal possui a maior unidade de conserva\u00e7\u00e3o particular do pa\u00eds, com 108.000 km<sup>2<\/sup>, mas tem sido alvo de cr\u00edticas de fazendeiros e mesmo ribeirinhos vizinhos por n\u00e3o realizar a limpeza de esp\u00e9cies arbustivas que crescem em \u00e1reas que, antes de seu estabelecimento, em 1997, seriam de campos e pastagens. \u201cNo meio do mato, n\u00e3o tem bicho nenhum, nem mesmo jacar\u00e9. Quando era campo, havia mais diversidade\u201d, reclama o aposentado Eleci Viana, vizinho da reserva.<\/p>\n<p>A pesquisadora C\u00e1tia Nunes vem observando, na \u00faltima d\u00e9cada, essa ocupa\u00e7\u00e3o dos antigos campos por arbustos, um processo que acaba diminuindo tanto a variedade quanto a quantidade de animais no habitat. Segundo ela, \u00e9 um fen\u00f4meno que deve ser combatido com intuito de \u201cgerar variados benefi\u0301cios para a biodiversidade e para as populac\u0327o\u0303es humanas\u201d, como a restaura\u00e7\u00e3o dos campos de ervas e manuten\u00e7\u00e3o de habitats para a fauna local.<\/p>\n<p>O manejo apontado pela pesquisadora faz uso de fogo e do gado em pecu\u00e1ria extensiva, pr\u00e1tica defendida tamb\u00e9m pelo pioneiro no ecoturismo Andr\u00e9 Thuronyi. Residente local h\u00e1 40 anos, ele ajudava a retirar uma escavadeira que ficou sem combust\u00edvel em meio a um inc\u00eandio em uma fazenda vizinha, enquanto explicava a id\u00e9ia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-18.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-18.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-18.jpg?w=1280&amp;h=855\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"fogo queima casa pantaneiro\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-18.jpg?w=1600&amp;h=1069\" alt=\"fogo queima casa pantaneiro\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A casa do aposentado Vicente Garcia, 94 anos, quase foi engolida pelo fogo enquanto ele visitava familiares na \u00e1rea urbana de Pocon\u00e9. O vizinho conseguiu ajuda com operadores de retroescavadeiras, que salvaram a propriedade cavando um pequeno aceiro em volta da casa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"rppn sesc pantanal\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-incendio-fogo-pantanal-22.jpg?w=710&amp;h=471\" alt=\"rppn sesc pantanal\" width=\"640\" height=\"425\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Trecho da RPPN Sesc Pantanal completamente consumido pelo fogo. Fechado desde mar\u00e7o por causa da pandemia, o hotel do Sesc virou uma base para pesquisadores, volunt\u00e1rios, brigadistas e jornalistas \u2013 incluindo o autor desta reportagem\u00a0 \u2013, que chegam para combater e documentar as queimadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">\u201cO boi, al\u00e9m de consumir o campo, deixando ele baixo, e assim queimando mais lento, ainda se desloca sempre em fila indiana, deixando caminhos pelo pasto que funcionam como mini aceiros. O fogo, que j\u00e1 est\u00e1 baixo, chega nessas linhas e morre naturalmente\u201d, disse ele. \u201cDesde que me mudei para c\u00e1, \u00e9 o terceiro inc\u00eandio, mas este supera os outros dois somados; vencemos o fogo no final de julho, mas agora, um m\u00eas depois, parece que ele deu toda a volta e apareceu do outro lado. \u00c9 exaustivo isso.&#8221; Thuronyi, que diz ter gasto R$ 18 mil nos \u00faltimos dois meses tentando manter o fogo longe de suas terras, alugou um peda\u00e7o do terreno para o vizinho, Celso Figueiredo, que teve 95% de sua fazenda queimada. Segundo estimativas oficiais, o trabalho de preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios florestais \u00e9 entre 15 a 20 vezes mais barato que o combate.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Mesmo defensores da aplica\u00e7\u00e3o do \u2018boi bombeiro\u2019, como \u00e9 conhecida a pr\u00e1tica do uso do gado como redutor da biomassa dispon\u00edvel para queima, n\u00e3o acreditam em sua aplica\u00e7\u00e3o em unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaeletronica.icmbio.gov.br\/index.php\/BioBR\/article\/view\/776\">artigo de 2019<\/a>, C\u00e1tia Nunes\u00a0<a>questiona\u00a0<\/a>se \u00e9 possi\u0301vel compatibilizar o uso de gado e fogo como instrumentos para conservac\u0327a\u0303o e manutenc\u0327a\u0303o de campos nativos em \u00e1reas protegidas. A opini\u00e3o de Thuronyi \u00e9 enf\u00e1tica: \u201cNunca em unidades de conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto Ibama e ICMBio estudam maneiras de fazer o manejo integrado do fogo em \u00e1reas protegidas, a RPPN faz um trabalho preventivo abrindo, no in\u00edcio do per\u00edodo mais seco, 200 km de aceiros em suas divisas. \u201cTodos os anos temos que refazer essas barreiras, que s\u00e3o desfeitas com as cheias, porque h\u00e1 terrenos vizinhos que provocam queimadas constantemente\u201d, explica Cristina Cuiab\u00e1lia, ge\u00f3grafa, gerente de pesquisa e meio ambiente do Sesc Pantanal, e respons\u00e1vel pela reserva, que neste m\u00eas de agosto teve metade de sua \u00e1rea destru\u00edda pelo fogo. Com uma m\u00e9dia de 6 metros de largura, s\u00e3o 1.200 km<sup>2\u00a0<\/sup>de aceiros abertos na vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u2013 uma \u00e1rea do tamanho da cidade do Rio de Janeiro \u2013 para tentar conter fogos causados fora das fronteiras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt6083.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt6083.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Bombeiro combate inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense. As equipes evitam trabalhar durante&amp;nbsp;as horas mais quentes do dia, ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/queimadas-pantanal-mt6083.jpg?w=710&amp;h=475\" alt=\"Bombeiro combate inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense. As equipes evitam trabalhar durante&amp;nbsp;as horas mais quentes do dia, ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Bombeiro combate inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense. As equipes evitam trabalhar durante\u00a0as horas mais quentes do dia, quando a efetividade no combate a chama \u00e9 bem menor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">\u201cImporta muito menos se a vegeta\u00e7\u00e3o da reserva \u00e9 mais ou menos inflam\u00e1vel do que quem risca o f\u00f3sforo\u201d, reclama a pesquisadora, que diz viver h\u00e1 mais de um m\u00eas em estado permanente de alerta, participando diretamente dos trabalhos no centro de comando instalado dentro do Sesc Pantanal para a tentativa de combate aos fogos. \u201cA RPPN \u00e9 a \u00e1rea do Pantanal com a maior concentra\u00e7\u00e3o de pesquisas cient\u00edficas; \u00e9 um banco de dados muito rico constru\u00eddo com pesquisadores com quem fazemos constantes parcerias\u201d, orgulha-se Cuiab\u00e1lia, enquanto observa parte do seu laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto ainda fumegando e pouco confiante com a chegada das chuvas em outubro, como ocorre normalmente.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Ao todo, 160 profissionais \u2013 entre bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, militares, brigadistas do Prevfogo, do Ibama, do ICMBio e contratados pelo Sesc \u2013 trabalham na conten\u00e7\u00e3o do fogo. \u201cConcentramos os esfor\u00e7os de manh\u00e3 e fim de tarde, porque na hora mais quente \u00e9 como enxugar gelo; a\u00ed o moral da equipe vai l\u00e1 embaixo, e precisamos parar, respirar e planejar o resto do dia\u201d, conta o tenente dos bombeiros Lucas Callegario, coordenador de equipes que combatem o fogo na regi\u00e3o da Transpantaneira. Detentos tamb\u00e9m foram mobilizados pelo governo de Mato Grosso para trabalhar no controle das queimadas.<\/p>\n<p>No entanto, devido \u00e0 viol\u00eancia das chamas, a equipe tem somado mais derrotas que vit\u00f3rias. \u201cCada tentativa de combate direto ao fogo, independente do aparato utilizado ou de quem est\u00e1 no\u00a0<em>front<\/em>, est\u00e1 sendo perdida&#8221;, explica um profissional especializado em inc\u00eandios florestais que preferiu n\u00e3o se identificar. &#8220;Agora, o que resta \u00e9 definir alvos a serem defendidos com a defesa indireta, e rezar para que S\u00e3o Pedro fa\u00e7a seu trabalho.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem documentou o avan\u00e7o dos inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense, onde n\u00famero de focos de queima<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Reportagem documentou o avan\u00e7o dos inc\u00eandios no Pantanal Matogrossense, onde n\u00famero de focos de queima","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133419"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}