{"id":133383,"date":"2020-10-31T09:30:05","date_gmt":"2020-10-31T12:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133383"},"modified":"2020-10-31T11:03:41","modified_gmt":"2020-10-31T14:03:41","slug":"a-baia-de-guanabara-mudou-na-quarentena-pescadores-dizem-que-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-baia-de-guanabara-mudou-na-quarentena-pescadores-dizem-que-sim\/","title":{"rendered":"A Ba\u00eda de Guanabara mudou na quarentena? pescadores dizem que sim"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-133384\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O isolamento social provocado pela pandemia do coronav\u00edrus em 2020 revelou, em muitos lugares pelo mundo, como a diminui\u00e7\u00e3o de atividades humanas promoveu melhorias significativas no ambiente. Como essa quarentena for\u00e7ada afetaria a t\u00e3o pressionada Ba\u00eda de Guanabara? Essa, que \u00e9 uma das maiores ba\u00edas do Brasil (384 km\u00b2), \u00e9 um dos grandes cart\u00f5es-postais do pa\u00eds. A \u00e1rea abrange 16 munic\u00edpios e ocupa 4.080 km\u00b2. Mais de 11 milh\u00f5es de pessoas vivem nessa regi\u00e3o. Atualmente, 65% da \u00e1rea da bacia est\u00e1 urbanizada e\/ou antropizada.<\/p>\n<p>De um momento para outro, ind\u00fastrias paradas, navios estacionados, estradas com menos carros, pessoas em casa. Como verificar as mudan\u00e7as que certamente estariam ocorrendo nessa grande massa d\u2019\u00e1gua nesse momento? An\u00e1lises f\u00edsico-qu\u00edmicas da \u00e1gua e do ar n\u00e3o seriam poss\u00edveis de serem feitas j\u00e1 que muitos laborat\u00f3rios tamb\u00e9m estavam fechados, nem outrora simples sa\u00eddas embarcadas de observa\u00e7\u00e3o visual poderiam ser feitas a fim de evitar a aproxima\u00e7\u00e3o entre pessoas num barco.<\/p>\n<p>Mas uma classe profissional atuante nessa ba\u00eda n\u00e3o p\u00f4de parar completamente, tanto pela necessidade de levar alimento para casa quanto pelas reservas insuficientes para passar um longo per\u00edodo sem trabalhar. A equipe gestora da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Guapi-Mirim e Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, junto com pesquisadores que atuam na regi\u00e3o e uma lideran\u00e7a de pesca artesanal, decidiram acionar os pescadores artesanais para verificar a percep\u00e7\u00e3o desses conhecedores emp\u00edricos do ambiente quanto a poss\u00edveis mudan\u00e7as. No per\u00edodo de 02 de junho a 09 de julho de 2020, foram feitas entrevistas com 26 pescadores artesanais das cinco principais comunidades pesqueiras da regi\u00e3o da APA de Guapi-Mirim e ESEC Guanabara: Itaoca (munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo), Itambi (munic\u00edpio de Itabora\u00ed), Roncador, Piedade e Suru\u00ed (munic\u00edpio de Mag\u00e9). Todos eles estavam trabalhando com regularidade, sendo 19 homens e 7 mulheres, aos quais foram feitas 16 perguntas sobre a percep\u00e7\u00e3o de cada um em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as na qualidade ambiental, na quantidade de lixo, na ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies da fauna e na pr\u00f3pria atividade de pesca.<\/p>\n<figure id=\"attachment_84789\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84789\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84789\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC.png\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC.png 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC-300x136.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC-1024x465.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC-600x272.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa-BaiaGuanabara-APA-ESEC-640x291.png 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"291\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84789\" class=\"wp-caption-text\">Ba\u00eda de Guanabara, com destaque para a APA de Guapi-Mirim (verde) e ESEC da Guanabara (laranja).<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_84790\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84790\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84790\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia-600x424.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Mapa_area-de-pesca-e-moradia-640x453.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"453\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84790\" class=\"wp-caption-text\">Locais de moradia e de pesca dos entrevistados.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a cor da \u00e1gua, 73% dos entrevistados afirmou que a \u00e1gua estava mais clara, em compara\u00e7\u00e3o aos anos anteriores. No entanto, apenas 38% afirmou ter menos \u00f3leo na \u00e1gua, atribuindo isso a menor circula\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es na ba\u00eda. A maioria afirmou n\u00e3o perceber diferen\u00e7a. Quanto \u00e0 presen\u00e7a de lixo (na \u00e1gua e nas margens) as opini\u00f5es foram mais diversas, provavelmente pelas diferen\u00e7as entre os bairros onde os pescadores moram e as \u00e1reas mais visitadas para pesca. Os que afirmaram que havia menos lixo, apontaram que com menos gente andando na rua, menos lixo vai para a ba\u00eda. Os que apontaram haver mais lixo, destacaram os ac\u00famulos nas \u00e1reas ribeirinhas:<\/p>\n<p><em>\u201cNa \u00e1rea de Suru\u00ed, Mag\u00e9, o lixo est\u00e1 muito nas encostas porque tem muitas casas na beira-rio e como as pessoas est\u00e3o em casa, sem sair pra trabalhar, est\u00e3o consumindo muito mais, produzindo mais lixo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Quanto ao ar, metade dos entrevistados considerou que ar est\u00e1 menos polu\u00eddo, o que vai de acordo com Programa de Monitoramento da Qualidade do Ar do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><em>\u201cMuitas f\u00e1bricas pararam de produzir, o ar est\u00e1 mais leve, mais puro.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO ar est\u00e1 mais puro porque tem menos carro, pessoal ficou mais em casa.\u201d<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_84791\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84791\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84791\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Grafico-Respostas.jpg\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Grafico-Respostas.jpg 850w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Grafico-Respostas-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Grafico-Respostas-600x389.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Grafico-Respostas-640x415.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"415\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84791\" class=\"wp-caption-text\">Percentual de respostas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1gua e ar na Ba\u00eda de Guanabara.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quanto a frequ\u00eancia de avistamento de animais e poss\u00edveis mudan\u00e7as na sua din\u00e2mica espacial, os pescadores afirmaram ver mais capivaras, quatis, lontras, jacar\u00e9s, gavi\u00f5es e maritacas. Alguns citaram o avistamento de animais mais raros na regi\u00e3o como tucanos e tamandu\u00e1s:<\/p>\n<p><em>\u201cAqui no nosso porto, apareceram 2 casais de tucanos, que eu nunca tinha visto, faz uns 5 dias. Os antigos falaram que tinha antes.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAqui perto tem um tamandu\u00e1 que a gente v\u00ea sempre. Ele teve filhote! Agora estamos vendo os filhote.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Importante ressaltar a observa\u00e7\u00e3o de um pescador quanto a presen\u00e7a de biguatinga (<em>Anhinga<\/em>), esp\u00e9cie de ave considerada amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><em>\u201cEst\u00e1 tendo [mais] agrupamento de biguatingas, mais f\u00eameas que machos, que \u00e9 o comum. Na vala da Palha, num trecho curto, outro dia, vi tr\u00eas f\u00eameas e um macho. Geralmente eu vejo mais no Guara\u00ed, provavelmente tinha mais.\u201d<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_84792\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84792\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84792\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Biguatinga-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84792\" class=\"wp-caption-text\">Biguatinga (<em>Anhinga anhinga<\/em>). Foto: Irm\u00e3os Mello<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diversos pescadores citaram a maior presen\u00e7a de tartarugas no fundo de ba\u00eda, inclusive perto das fozes dos rios. Para explicar essas mudan\u00e7as, os pescadores citaram novamente a menor movimenta\u00e7\u00e3o na ba\u00eda:<\/p>\n<p><em>\u201cOs animais est\u00e3o mais espalhados, como quati, capivara, mico. Est\u00e3o deixando de se esconder porque o ser humano diminui a presen\u00e7a\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTem menos pescador porque os idosos n\u00e3o est\u00e3o saindo, as mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Alguns peixes n\u00e3o t\u00e3o comumente pescados na ba\u00eda, como sargo, chicharro, pira\u00fana, xer\u00e9u-amarelo, xerelete, guaibira e arraia mijona, foram observados. Entretanto, 69% dos entrevistados citaram diminui\u00e7\u00e3o da captura de peixes e alguns relacionaram esse fato a \u00e1gua estar mais clara e mais fria. Uma maior transpar\u00eancia da \u00e1gua afetaria a efici\u00eancia de algumas t\u00e9cnicas de pesca, especialmente a captura por redes de espera:<\/p>\n<p><em>\u201cA tainha n\u00e3o est\u00e1 emalhando como anteriormente, provavelmente devido \u00e0 \u00e1gua clara.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201co peixe precisa se esconder\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u201co peixe enxerga a rede\u201d<\/em><\/p>\n<p>Entre os pescadores que consideraram que a pesca melhorou, consideram que isso possivelmente se deu por alguns motivos: menos polui\u00e7\u00e3o, menos barcos pescando, menos navios de grande porte trafegando.<\/p>\n<figure id=\"attachment_84793\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84793\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84793\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Foto-pescador.jpeg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Foto-pescador.jpeg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Foto-pescador-253x300.jpeg 253w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"758\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84793\" class=\"wp-caption-text\">Um pescador de robalo que relatou aumento da pesca. Ao fundo, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica na cidade do Rio de Janeiro, que metade dos entrevistados disse ter diminu\u00eddo. Foto: Diego Alves da Silva.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u201cA pesca melhorou muito. Antes tinha muito navio, com as luzes acesas. Eles agora est\u00e3o desligados \u2013 a\u00ed n\u00e3o tem \u00f3leo, n\u00e3o tem luz. Agora parece que abriram a entrada. Sardinha aumentou muito, que quase n\u00e3o tinha mais.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cNo meio da ba\u00eda tem corvina grande, acima de 3 kg, que a gente n\u00e3o via h\u00e1 uns 4 anos. O motivo talvez seja a menor quantidade de navios circulando. A corvina, diferente, do robalo, que entra perto das pedras, ela entra pelo canal.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Alguns pescadores (19%) citaram espontaneamente o aumento na captura de camar\u00f5es:<\/p>\n<p><em>\u201cA sardinha maromba est\u00e1 desovando dentro da ba\u00eda e isso j\u00e1 n\u00e3o acontecia h\u00e1 uns tr\u00eas anos. Camar\u00e3o que n\u00e3o era t\u00edpico dessa \u00e9poca, t\u00e1 aparecendo bastante. Esses dois casos, mais em \u00e1rea de canal, mais profunda.\u201d<\/em><\/p>\n<p>A melhora da qualidade ambiental parece ter se refletido de forma mais marcante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s aves e mam\u00edferos.<\/p>\n<p><em>\u201cOs animais est\u00e3o mais \u00e0 vontade. Antes com muito barulho, quase n\u00e3o apareciam. Agora com menos barulho, est\u00e3o aparecendo mais.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO mar est\u00e1 mais tranquilo, os animais tamb\u00e9m. Os p\u00e1ssaros est\u00e3o deixando a gente chegar mais perto, est\u00e3o chegando mais perto da praia, eles est\u00e3o com menos medo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Quando questionados se a quarentena mudou os ambientes para melhor ou pior, ou se n\u00e3o houve mudan\u00e7a, mais da metade achou que as condi\u00e7\u00f5es da ba\u00eda melhoraram no per\u00edodo. Atribui-se a melhora especialmente aos fatores citados anteriormente, como menor fluxo de embarca\u00e7\u00f5es e menos gente pescando. Dentre os que consideraram que o ambiente piorou foram citados como causas a maior produ\u00e7\u00e3o de esgoto n\u00e3o-tratado nas \u00e1reas residenciais e de lixo residencial com disposi\u00e7\u00e3o inadequada.<\/p>\n<p>Os pescadores que participaram nas entrevistas t\u00eam muitos anos na Ba\u00eda de Guanabara e devem levar consigo perspectivas de melhoras na qualidade ambiental, que ambientalmente n\u00e3o acontecem em um espa\u00e7o curto de tempo como foi a quarentena. A percep\u00e7\u00e3o deles sobre a qualidade da Ba\u00eda de Guanabara em um momento de menos atividades humanas nos traz uma vis\u00e3o de melhorias, mas ainda n\u00e3o refletem o cen\u00e1rio desejado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_84797\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84797\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84797\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/4-Eduardo-V-de-Almeida-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84797\" class=\"wp-caption-text\">Ba\u00eda de Guanabara. Foto: Eduardo V de Almeida.<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 alguns projetos de lei estaduais que tratam de saneamento b\u00e1sico na Ba\u00eda de Guanabara e o fundeio de embarca\u00e7\u00f5es. Os assuntos vieram \u00e0 tona na \u00e9poca dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2016 mas depois perderam for\u00e7a. \u00c9 urgente que tais medidas sejam realizadas, para melhorias da qualidade ambiental e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Propomos ainda que sejam feitos estudos para determinar um corredor na \u00e1rea de fundeio e de tr\u00e1fego de navios, que hoje fazem uma barreira f\u00edsica e ac\u00fastica \u00e0 pesca artesanal e \u00e0 entrada e sa\u00edda de animais da ba\u00eda. Essa medida permitiria uma maior mobilidade dos animais, como o boto-cinza e os peixes que necessitam realizar a migra\u00e7\u00e3o entre ambientes salinos e salobros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_84795\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-84795\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-84795\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes.png\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes.png 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes-300x145.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes-1024x493.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes-600x289.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes-640x308.png 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Figura-Embarcacoes-379x183.png 379w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"308\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84795\" class=\"wp-caption-text\">Grandes embarca\u00e7\u00f5es trafegando ou fundeados na Ba\u00eda de Guanabara (VesselFinder.com \u2013 19\/8\/2020)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Agradecemos especialmente aos pescadores, catadores de caranguejo e de guaiamum, mulheres e homens com muita experi\u00eancia e conhecimento sobre o mar e os manguezais.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Especial da Ba\u00eda de Guanabara. 2016. 347 p.<\/p>\n<p>Bergallo, H.G.; Rocha, C.F.D.; Monique V. Sluys &amp; Alves, M. A.S. A Fauna Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o do Estado do Rio de Janeiro. EdUERJ, 2000.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0025326X14002380?via%3Dihub#!\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Bittencourt, L.; Carvalho, L.L.; Lailson-Brito, J.; Azevedo<\/a>, A.F.\u00a0 Underwater noise pollution in a coastal tropical environment. Marine Pollution Bulletin, v<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/journal\/0025326X\/83\/1\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">olume 83, issue 1<\/a>, p. 331-336. 2014.<\/p>\n<p>KCI Technologies. Diagn\u00f3stico do Estado da Ba\u00eda de Guanabara. 496 p.\u00a0 2016.<\/p>\n<p>Kjerfve, B.; Ribeiro, C.H.A; Dias, G..T.M.; Filippo, A.M.; Quaresma, V. da S. Oceanographic characteristics of an impacted coastal bay: Ba\u00eda de Guanabara, Rio de Janeiro, Brazil.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/journal\/02784343\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Continental Shelf Research<\/a>, v<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/journal\/02784343\/17\/13\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">olume 17, issue 13<\/a>, p. 1609-1643. 1997.<\/p>\n<p>Programa de Monitoramento da Qualidade do Ar do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro.\u00a0<a href=\"http:\/\/jeap.rio.rj.gov.br\/je-metinfosmac\/\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">http:\/\/jeap.rio.rj.gov.br\/je-metinfosmac\/<\/a>\u00a0.<\/p>\n<p>Programa de Saneamento Ambiental dos Munic\u00edpios do Entorno da Ba\u00eda de Guanabara (PSAM). Panorama do Saneamento B\u00e1sico na RHBG. www.psam.eco.br.<\/p>\n<p>Silva, R.F. da. O Rio Antes do Rio. Rio de Janeiro (2a ed.) Babil\u00f4nia Cultural. 432 p. 2015.<\/p>\n<p><strong>Autores<\/strong><\/p>\n<p>Juliana C. Fukuda e Olivar Bendelak \u2013 servidores do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (APA de Guapi-Mirim e ESEC da Guanabara \u2013 ICMBio)<\/p>\n<p>Eduardo V. de Almeida \u2013 professor e pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/p>\n<p>Alexandre de F. Azevedo \u2013 professor e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos e Bioindicadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)<\/p>\n<p>Larissa G. Paiva \u2013 educadora ambiental da ONG Guardi\u00f5es do Mar<\/p>\n<p>Flavio D. G. Lontro \u2013 pescador artesanal, coordenador geral da Comiss\u00e3o Nacional de\u00a0Fortalecimento\u00a0das\u00a0Reservas\u00a0Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (CONFREM)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O isolamento social provocado pela pandemia do coronav\u00edrus em 2020 revelou, em muitos lugares pelo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/baia_guanabara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O isolamento social provocado pela pandemia do coronav\u00edrus em 2020 revelou, em muitos lugares pelo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133383"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}