{"id":133299,"date":"2020-09-05T20:56:09","date_gmt":"2020-09-05T23:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133299"},"modified":"2020-09-05T21:00:06","modified_gmt":"2020-09-06T00:00:06","slug":"consciencia-coletiva-e-apontada-como-uma-das-saidas-para-reduzir-desperdicio-na-cadeia-produtiva-da-gastronomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/consciencia-coletiva-e-apontada-como-uma-das-saidas-para-reduzir-desperdicio-na-cadeia-produtiva-da-gastronomia\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia coletiva \u00e9 apontada como uma das sa\u00eddas para reduzir desperd\u00edcio na cadeia produtiva da gastronomia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/despedicio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-133302\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/despedicio.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/despedicio.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/despedicio-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\n| Foto: Pixabay<br \/>\nA gastronomia social e a sustentabilidade do campo \u00e0 mesa, um dos caminhos poss\u00edveis para o combate \u00e0 fome em escala mundial, foram o foco do talk do Hack pela Gastronomia protagonizado por Jo\u00e3o Ferraz, da Casa do Carbonara, de Gabi Mahamud, do Good Truck e autora do blog Flor de Sal, do Bom Gourmet, e Adriana Salay Leme, pesquisadora e historiadora e colaboradora do projeto Quebrada, do restaurante Mocot\u00f3 (SP).<\/p>\n<p>O debate ganhou contorno cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento aos modos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos. &#8220;Temos 29 mil pessoas que morrem por dia de fome no mundo. S\u00f3 em Curitiba, s\u00e3o 18 toneladas desperdi\u00e7ada de comida na Ceasa. N\u00e3o \u00e9 problema de produ\u00e7\u00e3o. A gente precisa olhar para como ela \u00e9 distribu\u00edda&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, Gabi acredita que \u00e9 urgente mudar os modos de consumo. &#8220;Quando existe abund\u00e2ncia, as pessoas tendem a n\u00e3o dar valor, a n\u00e3o olhar para o outro. \u00c9 dif\u00edcil mudar isso sem sair desse modo de consumo e pensar mais em colabora\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. Estudos mostram que 30% dos alimentos que compramos s\u00e3o desperdi\u00e7ados e ela acredita que uma boa estrat\u00e9gia para chamar a aten\u00e7\u00e3o para esse desperd\u00edcio \u00e9 tocar na quest\u00e3o financeira. &#8220;\u00c9 mostrar que se a pessoa gasta R$ 1 mil em comprar, est\u00e1 jogando R$ 300 fora&#8221;.<\/p>\n<p>Adriana traz como exemplo contra o desperd\u00edcio o trabalho feito no restaurante Mocot\u00f3, em S\u00e3o Paulo, que otimizou o processo de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e criou um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o dos clientes. &#8220;Quem trabalha no sal\u00e3o \u00e9 orientado a incentivar os clientes a pedirem menos pratos de uma s\u00f3 vez, para evitar que exagerem e fa\u00e7am a comida sobra no prato e ir pro lixo&#8221;.<\/p>\n<p>Na mesma linha, mas com uma vis\u00e3o mais macro, Jo\u00e3o acredita que um nos problemas para que tanta comida desperdi\u00e7ada chegue para quem n\u00e3o tem acesso a ela, est\u00e1 relacionado \u00e0 log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o. &#8220;A log\u00edstica \u00e9 privatizada por grandes grupos e a comida s\u00f3 chega aonde h\u00e1 interesse. Tem uma quest\u00e3o cultural e estrutural e em um pa\u00eds desigual, a quest\u00e3o cultura, que est\u00e1 relacionada a h\u00e1bitos e consumo, fica em segundo plano. Enquanto o governo n\u00e3o olhar para essa mudan\u00e7as, os grandes supermercados v\u00e3o seguir priorizando a distribui\u00e7\u00e3o, que passa pela grande cadeia&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>H\u00e1bitos de consumo<\/p>\n<p>Segundo Adriana, o h\u00e1bito de consumo de alimento processado, que refor\u00e7a o poder da ind\u00fastria aliment\u00edcia, \u00e9 muito flagrante no projeto Quebrada, no qual \u00e9 colaboradora. &#8220;A gente come\u00e7ou a distribui\u00e7\u00e3o das cestas compradas prontas. A\u00ed percebemos est\u00e1vamos entregando muitos processados e decidimos montar as cestas sem eles e inclu\u00edmos vegetais comprados direto do produtor. Volta e meia algu\u00e9m pergunta sobre os alimentos mais industrializados &#8211; \u00e9 o que fica na esfera do desejo&#8221;, comenta. Em cima dessa constata\u00e7\u00e3o, os projeto vai come\u00e7ar a oferecer oficinas de cozinha sustent\u00e1vel, com alimentos mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para Gabi, que estudo a rela\u00e7\u00e3o dos alimentos com o aspecto psicol\u00f3gico do consumo, os h\u00e1bitos da maioria da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o reflexo do modelo econ\u00f4mico, que obrigada as pessoas a viverem em fun\u00e7\u00e3o do trabalho e buscar pequenos prazeres na comida. &#8220;A\u00e7\u00facar e gordura acabam entrando na linha de consumo, pois produzem serotonina r\u00e1pida&#8221;, diz, referindo-se \u00e0 subst\u00e2ncia reguladora do prazer.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o vai mais longe ao apontar o \u00eaxodo rural como decisivo para a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, j\u00e1 que afastou o home do campo. &#8220;As pessoas desaprenderam a cozinhar e esse desprender foi o passo para apoio ao industrializado. Passei por um momento curioso no in\u00edcio da pandemia, quando estava em Nova York. Fui a um grande mercado local e constatei que o setor dos congelados e refrigerantes estava vazio, enquanto sobrava hortifutti&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, como fazer o modo de consumo mudar, diminuindo o consumo em larga escala de alimentos processados e fortalecendo as cadeias produtivas locais, com \u00eanfase aos alimentos vindos direto do produtor? Para Jo\u00e3o, os chefs t\u00eam um papel importante nesse cen\u00e1rio. &#8220;O chef n\u00e3o \u00e9 o super homem, mas h\u00e1 algum tempo temos mais clareza dos processos de conscientiza\u00e7\u00e3o e precisam ser politicamente mais atuantes, com dados concretos e propostas de mudan\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>Para Gabi, um dos caminhos em busca da sustentabilidade da cadeia aliment\u00edcia \u00e9 responsabilizar todos os envolvidos no processo, do produtor ao consumidor final. &#8220;\u00c9 preciso pensar no coletivo e sair na esfera individual. A mudan\u00e7a, mesmo que pequena, pode mudar muita coisa e impacta o outro, que tem a mesma import\u00e2ncia que voc\u00ea. A gente s\u00f3 faz parte de um grande sistema, que inclui as pessoas e o meio-ambiente&#8221;.<\/p>\n<p>Olhar o cen\u00e1rio como um todo, de uma maneira hol\u00edstica, tamb\u00e9m \u00e9 a sugest\u00e3o de Jo\u00e3o. &#8220;Os restaurantes deveriam pensar no todo, incluindo o cuidado com os funcion\u00e1rios. Todos os restaurantes deveriam olhar de um modo consciente de como compram, como usam e como entregam a comida. Enquanto a gente n\u00e3o entender que tudo est\u00e1 relacionado, n\u00e3o mudamos&#8221;.<\/p>\n<p>Por fim, Adriana acredita que o caminho \u00e9 pensar simples. &#8220;O que vejo para a gastronomia \u00e9 voltar \u00e0 simplicidade das coisas&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Foto: Pixabay A gastronomia social e a sustentabilidade do campo \u00e0 mesa, um dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"| Foto: Pixabay A gastronomia social e a sustentabilidade do campo \u00e0 mesa, um dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133299"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133299\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}