{"id":133289,"date":"2020-09-05T20:32:30","date_gmt":"2020-09-05T23:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133289"},"modified":"2020-09-05T20:34:59","modified_gmt":"2020-09-05T23:34:59","slug":"geracao-de-lixo-sobe-11-no-brasil-em-uma-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/geracao-de-lixo-sobe-11-no-brasil-em-uma-decada\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o de lixo sobe 11% no Brasil em uma d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<h2>Pa\u00eds produz hoje 79 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano ante 71,2 milh\u00f5es em 2010<\/h2>\n<p class=\"text\">Passados dez anos da promulga\u00e7\u00e3o da lei que instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS), em agosto de 2010, o Brasil avan\u00e7ou pouco nas a\u00e7\u00f5es previstas, principalmente quanto \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de lixo. Em uma d\u00e9cada, o\u00a0<strong>Pa\u00eds viu a produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos crescer 11%<\/strong>, passando de 71,2 milh\u00f5es de toneladas por ano em 2010 para 79 milh\u00f5es de toneladas agora. Individualmente, os cidad\u00e3os geraram cerca de 1,6% mais lixo: antes, eram 373 quilos anualmente por indiv\u00edduo e agora s\u00e3o 380 quilos.<\/p>\n<div id=\"image_474d627eecaf403353fbc5bd2ac88d014nrgzin6\" class=\"expandedElement\">\n<figure><picture><source srcset=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/940\/0\/images.terra.com\/2020\/02\/14\/1581681861256.jpg\" media=\"(min-width:1280px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/620\/0\/images.terra.com\/2020\/02\/14\/1581681861256.jpg\" media=\"(min-width:1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/460\/0\/images.terra.com\/2020\/02\/14\/1581681861256.jpg\" media=\"(min-width:768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/320\/0\/images.terra.com\/2020\/02\/14\/1581681861256.jpg\" media=\"(min-width:300px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Toneladas de lixo ficaram acumuladas nas margens do rio, em Salto, ap\u00f3s as \u00e1guas do Tiet\u00ea baixarem, em Salto, interior de S\u00e3o Paulo\" src=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/460\/0\/images.terra.com\/2020\/02\/14\/1581681861256.jpg\" alt=\"Toneladas de lixo ficaram acumuladas nas margens do rio, em Salto, ap\u00f3s as \u00e1guas do Tiet\u00ea baixarem, em Salto, interior de S\u00e3o Paulo\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><figcaption>\n<div class=\"imageInfo\">\n<div class=\"lineSpacer\"><\/div>\n<div class=\"caption\">Toneladas de lixo ficaram acumuladas nas margens do rio, em Salto, ap\u00f3s as \u00e1guas do Tiet\u00ea baixarem, em Salto, interior de S\u00e3o Paulo<\/div>\n<p><small class=\"copyright\">Foto: K\u00e9ssia Santos &#8211; PM Salto\/Divulga\u00e7\u00e3o \/ Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/small><\/p>\n<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"text\">Esse incremento tamb\u00e9m veio acompanhado de leve aumento na cobertura de coleta, que foi de 89% para 92% em todo o Pa\u00eds, mas 6,3 milh\u00f5es de toneladas de lixo continuam abandonadas no meio ambiente a cada ano. Os dados comparativos apresentados com exclusividade pelo\u00a0<strong>Estad\u00e3o\u00a0<\/strong>s\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais (Abrelpe) e os n\u00fameros mais recentes fazem parte do Panorama dos Res\u00edduos S\u00f3lidos 2018\/2019.<\/p>\n<p class=\"text\">O diretor presidente da entidade, Carlos Silva Filho, explica que o aumento da produ\u00e7\u00e3o de lixo \u00e9 esperado, uma tend\u00eancia que se consolida no panorama e est\u00e1 relacionada ao crescimento do poder aquisitivo das pessoas e do PIB nacional. &#8220;O dado mais recente \u00e9 de 216 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por dia e a tend\u00eancia \u00e9 a curva se intensificar e chegar perto de 260 toneladas por dia em 2040&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"text\">Ele considera positivo o fato de a coleta avan\u00e7ar mais r\u00e1pido do que a gera\u00e7\u00e3o de lixo, mas afirma que \u00e9 preciso melhorar. &#8220;Precisamos aprimorar esse m\u00e9todo no sentido de que seja feita a coleta seletiva para que a reciclagem seja vi\u00e1vel, para ter sistema de coleta de material org\u00e2nico para recupera\u00e7\u00e3o melhor e isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo&#8221;, aponta. Para ele, a espinha dorsal da PNRS \u00e9 o conceito de que os materiais gerados e descartados t\u00eam um valor econ\u00f4mico e devem passar por processo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Dificuldades da pol\u00edtica<\/h3>\n<p class=\"text\">A pol\u00edtica nacional prev\u00ea que seja observada a seguinte ordem de prioridade na gest\u00e3o dos res\u00edduos: n\u00e3o gera\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o, reciclagem, tratamento e disposi\u00e7\u00e3o final adequada dos rejeitos. Se a primeira a\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco vi\u00e1vel, parte-se para os demais objetivos, com a PNRS disponibilizando a infraestrutura necess\u00e1ria para lidar com os res\u00edduos da melhor forma. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 isso que especialistas observam.<\/p>\n<p class=\"text\">&#8220;Lamentavelmente, a lei n\u00e3o foi implantada, nem no federal, nem estadual, nem municipal. Quando a gente trata os res\u00edduos como insumo e n\u00e3o com o valor intr\u00ednseco que t\u00eam. Vamos sempre empurrar, o m\u00e1ximo que puder, qualquer quest\u00e3o ambiental para depois&#8221;, diz Marcelo Pereira de Souza, professor de Pol\u00edtica Ambiental da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FFCLRP\/USP).<\/p>\n<p class=\"text\">Para ele, a falta de interesse dos governos em investir recursos na gest\u00e3o adequada de lixo \u00e9 o que tem dificultado a viabiliza\u00e7\u00e3o da PNRS, uma vez que o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 valorizado. &#8220;A pol\u00edtica nacional est\u00e1 sendo vista como uma pol\u00edtica partid\u00e1ria quando, na verdade, \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado.&#8221;<\/p>\n<p class=\"text\">Outro problema a ser enfrentado, segundo o plano, s\u00e3o os lix\u00f5es, cujo prazo para extin\u00e7\u00e3o em todo o Brasil venceu em julho de 2014. Ainda assim, at\u00e9 o ano passado, o Pa\u00eds tinha 3 mil desses espa\u00e7os a c\u00e9u aberto. &#8220;A lei deveria ser implantada com muita urg\u00eancia e \u00e9 uma necessidade n\u00e3o apenas ambiental e sanit\u00e1ria, mas social&#8221;, avalia Souza.<\/p>\n<p class=\"text\">O especialista em gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos Rafael Zarvos, fundador da Oceano Gest\u00e3o de Res\u00edduos, comenta que o Brasil, muitas vezes, cria leis boas e modernas, como a PNRS, mas de efic\u00e1cia nula ou muito dificultosas. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil porque os aterros sanit\u00e1rios, por exemplo, s\u00e3o caros. A lei permite que munic\u00edpios com dificuldades econ\u00f4micas fa\u00e7am cons\u00f3rcio para criar aterros, mas voc\u00ea tem munic\u00edpios pobres com dificuldade de licita\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"text\">Zarvos avalia que, ao longo desses dez anos, tamb\u00e9m faltou incentivo \u00e0 reciclagem e uma pol\u00edtica mais eficiente de log\u00edstica reversa. Nesse ponto, ele exemplifica que o pl\u00e1stico a ser reciclado tem a mesma tributa\u00e7\u00e3o de um novo, o que torna o processo caro, uma vez que h\u00e1 cobran\u00e7a duas vezes em cima do mesmo material.<\/p>\n<p class=\"text\">O diretor presidente da Abrelpe considera que houve alguns avan\u00e7os, como a amplia\u00e7\u00e3o da coleta, cujo \u00edndice est\u00e1, segundo ele, na m\u00e9dia dos pa\u00edses de mesma faixa de renda que o Brasil. Por\u00e9m, ele concorda que em termos de recupera\u00e7\u00e3o, reciclagem e destina\u00e7\u00e3o adequada, o Pa\u00eds ficou estagnado. &#8220;Apesar de todos os esfor\u00e7os da PNRS, n\u00e3o conseguimos observar evolu\u00e7\u00e3o. O \u00edndice de reciclagem que antes era de 3%, hoje \u00e9 pr\u00f3ximo de 4%. Antes, t\u00ednhamos 42% de destina\u00e7\u00e3o inadequada, hoje 40%&#8221;, diz.<\/p>\n<h3>Cen\u00e1rio nos Estados<\/h3>\n<p class=\"text\">Os dados da Abrelpe mostram que, juntos, os Estados de S\u00e3o Paulo, Rio e Minas correspondem a 48,36% de toda a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos em \u00e2mbito nacional. No ranking da gera\u00e7\u00e3o per capita, S\u00e3o Paulo ocupa a primeira posi\u00e7\u00e3o, com 1,388 quilos de lixo gerado por dia, seguido por Rio (1,313 quilos), Amazonas (1,075 quilos) e Cear\u00e1 (1,067 quilos). No panorama da coleta, os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste t\u00eam a maior cobertura, com \u00edndices acima do nacional (92%), enquanto as unidades federativas do Norte e Nordeste t\u00eam as piores taxas, com n\u00fameros abaixo de 80%.<\/p>\n<p class=\"text\">&#8220;Temos Estados com \u00edndices de urbaniza\u00e7\u00e3o avan\u00e7ados, ent\u00e3o esse servi\u00e7o \u00e9 bem implementado, e temos Estados com \u00e1reas rurais, mais distantes, em que a log\u00edstica acaba sendo mais dif\u00edcil. Estados como Piau\u00ed e Maranh\u00e3o sequer chegam a 70% de cobertura de coleta. No ano de 2020, \u00e9 inadmiss\u00edvel imaginarmos que 30% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um servi\u00e7o de coleta&#8221;, diz Silva Filho.<\/p>\n<h3>Impacto da falta de pol\u00edtica adequada<\/h3>\n<p class=\"text\">A destina\u00e7\u00e3o inadequada dos res\u00edduos \u00e9 outro grande problema na aus\u00eancia de uma pol\u00edtica eficiente de gest\u00e3o do lixo. Segundo a Abrelpe, embora 400 munic\u00edpios brasileiros tenham deixado de usar unidades inadequadas, que poluem o ambiente, houve aumento de 9,5% no volume de res\u00edduos despejados em tais locais entre 2010 e 2019. Com isso, mais pessoas sofrem com os impactos negativos desse descarte. A estimativa \u00e9 que essa atitude tenha um custo ambiental e para tratamento de sa\u00fade de cerca de US$ 1 bilh\u00e3o por ano no Pa\u00eds, segundo Silva Filho.<\/p>\n<p class=\"text\">&#8220;\u00c9 caro jogar lixo em lix\u00f5es porque isso gera doen\u00e7as. Quando se faz um lix\u00e3o, se esquece de considerar o grave dano \u00e0 sa\u00fade e impacto na rede p\u00fablica&#8221;, diz Rafael Zarvos. Al\u00e9m disso, ele cita que cidades com potencial tur\u00edstico por causa de atra\u00e7\u00f5es ambientais sofrem rev\u00e9s por causa do impacto da polui\u00e7\u00e3o causada pela destina\u00e7\u00e3o inadequada do lixo.<\/p>\n<h3>A\u00e7\u00f5es para avan\u00e7ar<\/h3>\n<p class=\"text\">Na avalia\u00e7\u00e3o do professor da USP, s\u00f3 a implementa\u00e7\u00e3o efetiva da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos permitir\u00e1 um avan\u00e7o na gest\u00e3o do lixo no Brasil. &#8220;O primeiro item \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e o modo de produ\u00e7\u00e3o precisa se adequar a isso, \u00e9 uma responsabiliza\u00e7\u00e3o daquele que produz&#8221;, diz Souza. A coleta seletiva e uma pol\u00edtica reversa, em que o material descartado pode voltar a ser usado como mat\u00e9ria-prima s\u00e3o outros pontos que ele indica.<\/p>\n<p class=\"text\">Uma vez que a responsabilidade pelo ciclo de vida de um produto \u00e9 compartilhada entre fabricantes, importadores, comerciantes e consumidores, segundo a PNRS, Zarvos acredita que mudan\u00e7a de comportamento e educa\u00e7\u00e3o ambiental tamb\u00e9m s\u00e3o fatores importantes, mas refor\u00e7a que o cidad\u00e3o n\u00e3o pode ser considerado o agente que mais prejudica. O comerciante comercializa o que foi feito pelo fabricante, que insiste em continuar desenvolvendo produto com design que n\u00e3o favorece a reciclagem&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"text\">Ele explica que n\u00e3o adianta indicar que uma embalagem pl\u00e1stica \u00e9 recicl\u00e1vel se, no momento da separa\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o para reuso, o material n\u00e3o est\u00e1 nos requisitos necess\u00e1rios de quem recicla, que leva em considera\u00e7\u00e3o tipo de resina e cor, por exemplo. Ainda assim, ele destaca a import\u00e2ncia da separa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos dentro de casa entre secos (recicl\u00e1veis), molhados (org\u00e2nicos) e rejeitos (fraldas, absorventes, guardanapos).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds produz hoje 79 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano ante 71,2 milh\u00f5es em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pa\u00eds produz hoje 79 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos por ano ante 71,2 milh\u00f5es em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133289"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}