{"id":13326,"date":"2015-01-02T19:00:53","date_gmt":"2015-01-02T19:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13326"},"modified":"2015-01-02T13:16:47","modified_gmt":"2015-01-02T13:16:47","slug":"sem-recursos-paleontologia-nacional-corre-perigo-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sem-recursos-paleontologia-nacional-corre-perigo-de-extincao\/","title":{"rendered":"Sem recursos, paleontologia nacional corre perigo de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13329\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes, pterossauros e dinossauros puseram sua marca no territ\u00f3rio brasileiro h\u00e1 mais de 60 milh\u00f5es de anos. O rastro deixado pela grande maioria ainda \u00e9 um mist\u00e9rio, porque falta infraestrutura para estud\u00e1-lo. Mesmo com o interesse crescente de universidades e o forte apelo popular, a pesquisa na \u00e1rea da paleontologia no pa\u00eds carece de recursos e tecnologias avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>O potencial para novas descobertas n\u00e3o tem sido suficiente para conseguir a chave dos cofres p\u00fablicos. Os pesquisadores trope\u00e7am na classifica\u00e7\u00e3o confusa imposta a seus trabalhos e lamentam a falta de representantes nos comit\u00eas que fornecem financiamento. Para golpear a resist\u00eancia oficial, o paleont\u00f3logo Alexander Kellner criar\u00e1 este m\u00eas o movimento SOS Dinossauros. Na pauta, a reivindica\u00e7\u00e3o de verbas para a \u00e1rea e mais transpar\u00eancia na sele\u00e7\u00e3o de projetos cient\u00edficos que contar\u00e3o com um cheque do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>\n<p>\u2014 Considerando o modo como \u00e9 vista pelo governo federal, a pesquisa em paleontologia est\u00e1 em perigo de extin\u00e7\u00e3o \u2014 lamenta Kellner. \u2014 Nossa \u00e1rea \u00e9 cada vez mais popular na academia, mas os projetos em campo e em museus n\u00e3o contam com bolsas. E os recursos s\u00e3o imprescind\u00edveis, porque trazem conhecimento e contribuem para a forma\u00e7\u00e3o de alunos.<\/p>\n<p><strong>FALTA DE TRANSPAR\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o do SOS Dinossauros foi motivada por um abaixo-assinado escrito no in\u00edcio do ano e passado por 150 paleont\u00f3logos, capitaneados por Kellner, reivindicando ao governo federal mais transpar\u00eancia no julgamento de projetos que concorrem a bolsas de produtividade em pesquisa.<\/p>\n<p>No documento, o grupo ressalta que seus programas v\u00e3o muito al\u00e9m da coleta de pe\u00e7as em s\u00edtios de estudo ou de seu resgate em museus. Esta \u00e9 apenas a etapa inicial dos estudos. O preparo do material em laborat\u00f3rio pode demorar at\u00e9 dez anos e exige investimentos generosos, que oscilam entre R$ 15 mil e R$ 100 mil. Trata-se de um trabalho minucioso, em que se usam diversos instrumentos para retirar a rocha sedimentar que recobre o f\u00f3ssil. Os cuidados, de acordo com o fundador do SOS Dinossauros, n\u00e3o seriam vistos com paci\u00eancia pelos comit\u00eas respons\u00e1veis pela entrega de bolsas de produtividade.<\/p>\n<p>Os signat\u00e1rios do abaixo-assinado afirmam que \u201ca pesquisa de f\u00f3sseis tem as suas especificidades e complexidades (&#8230;). A quest\u00e3o de coleta n\u00e3o obedece a nenhum padr\u00e3o at\u00e9 mesmo pela natureza aleat\u00f3ria do registro fossil\u00edfero, onde em um local podem existir dezenas de exemplares, enquanto que em outro n\u00e3o ocorre absolutamente nada. (&#8230;) Nunca \u00e9 demais relembrar que, em muitos casos, uma atividade de campo n\u00e3o resulta em nenhuma descoberta e existem situa\u00e7\u00f5es onde o que \u00e9 encontrado n\u00e3o \u00e9 exatamente o que se buscava\u201d.<\/p>\n<p>A maioria dos paleont\u00f3logos est\u00e1 concentrada na Paleozoologia, ou seja, no estudo de animais f\u00f3sseis. Os projetos para bolsas de pesquisa desta sub\u00e1rea devem ser direcionados ao Comit\u00ea de Zoologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnologia (CNPq), \u00f3rg\u00e3o ligado ao MCTI.<\/p>\n<p>No entanto, os ca\u00e7adores de dinossauros t\u00eam pouca visibilidade no comit\u00ea. Dos 206 bolsistas ali reunidos, apenas dois s\u00e3o paleozo\u00f3logos. De acordo com o CNPq, a demanda de profissionais desta sub\u00e1rea chega a, no m\u00e1ximo, 3,07% de todas as propostas submetidas para a chamada de bolsas de produtividade em pesquisa.<\/p>\n<p>Ainda segundo o CNPq, Kellner foi informado de que \u201ca atua\u00e7\u00e3o de um pesquisador no comit\u00ea ligado \u00e0 paleozoologia seria reduzida considerando a demanda de propostas desta sub\u00e1rea em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda bruta\u201d. A justificativa n\u00e3o convenceu o paleont\u00f3logo.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 pouca demanda porque n\u00e3o tem investimento. \u00c9 como um cachorro correndo atr\u00e1s do rabo \u2014 compara. \u2014 N\u00e3o \u00e9 um ato de m\u00e1-f\u00e9, mas a miopia do CNPq o impede de enxergar a nossa \u00e1rea. Recebemos respostas lac\u00f4nicas. Simplesmente nos informam que nossas propostas n\u00e3o atingiram a pontua\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para ganhar uma bolsa. Se tiv\u00e9ssemos um representante entre os julgadores, poder\u00edamos procur\u00e1-lo e saber o que faltou no projeto ou o que fizemos errado.<\/p>\n<p>Professor do Departamento de Zoologia da Unirio e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, Leonardo Avilla tamb\u00e9m defende mudan\u00e7as no crit\u00e9rio de representatividade do comit\u00ea que avalia financiamentos.<\/p>\n<p>\u2014 A paleontologia no Brasil \u00e9 bastante recente, e por isso conta com um n\u00famero muito pequeno de pesquisadores. No entanto, eles possuem uma produ\u00e7\u00e3o bastante consider\u00e1vel \u2014 ressalta.<\/p>\n<p>Em uma nova tentativa de conseguir financiamento, os paleont\u00f3logos tentam adequar seus projetos para concorrer a bolsas em outro comit\u00ea, voltado \u00e0s Geoci\u00eancias. Para isso, precisam desviar seu enfoque principal \u2014 o estudo da anatomia dos grandes r\u00e9pteis, a rela\u00e7\u00e3o de parentesco e a evolu\u00e7\u00e3o \u2014 e estudar outros aspectos, como a localiza\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil na camada do solo. Quanto mais profundo \u00e9 um terreno, maior \u00e9 a sua idade. Da\u00ed se pode descrever como era aquele habitat milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Trata-se de uma pesquisa \u00fatil, mas que poderia ser realizada sem ca\u00e7adores de dinossauros. \u00c9, de acordo com os estudiosos do campo, como se as suas propostas fossem empurradas de uma comiss\u00e3o para outra.<\/p>\n<p>Sem os recursos do governo federal, a paleontologia consegue sustentar-se com o cofre das funda\u00e7\u00f5es estaduais de amparo \u00e0 pesquisa. Entre as mais engajadas est\u00e3o as de Rio, S\u00e3o Paulo, Cear\u00e1 e Pernambuco.<\/p>\n<p><strong>MAIS EMPREGO NAS UNIVERSIDADES<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de pesquisadores em campo com financiamento \u00e9 muito aqu\u00e9m do desejado. Na academia, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. Cada vez mais empregos s\u00e3o criados, j\u00e1 que um n\u00famero crescente de professores de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas demonstra interesse em dar aulas de paleontologia.<\/p>\n<p>O movimento foi detectado por Max Langer, presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP):<\/p>\n<p>\u2014 Diversos cursos foram criados nos \u00faltimos dez anos \u2014 destaca. \u2014 Temos mais trabalhos publicados. No entanto, ainda falta qualifica\u00e7\u00e3o. A medida mais \u00f3bvia para esta an\u00e1lise \u00e9 conferir quantas vezes um artigo \u00e9 citado em outros trabalhos. Em 2013, o Brasil ficou apenas na 18\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Langer ainda n\u00e3o conhece detalhes sobre o movimento SOS Dinossauros, mas acredita que a dificuldade de financiamento de pesquisas n\u00e3o est\u00e1 dificultando a forma\u00e7\u00e3o de jovens talentos.<\/p>\n<p>\u2014 Temos um grande potencial para capta\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada \u2014 assegura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes, pterossauros e dinossauros puseram sua marca no territ\u00f3rio brasileiro h\u00e1 mais de 60<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/paleontologo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes, pterossauros e dinossauros puseram sua marca no territ\u00f3rio brasileiro h\u00e1 mais de 60","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13326"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13326\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}