{"id":133153,"date":"2020-09-03T10:00:38","date_gmt":"2020-09-03T13:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133153"},"modified":"2020-09-02T19:06:22","modified_gmt":"2020-09-02T22:06:22","slug":"identificado-grupo-de-genes-com-expressao-alterada-em-pessoas-com-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/identificado-grupo-de-genes-com-expressao-alterada-em-pessoas-com-autismo\/","title":{"rendered":"Identificado grupo de genes com express\u00e3o alterada em pessoas com autismo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-133154\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O autismo foi, durante muito tempo, associado somente a fatores comportamentais e ambientais, mas est\u00e1 cada vez mais evidente o papel da gen\u00e9tica no desenvolvimento do quadro. Cerca de 100 genes j\u00e1 foram confirmados como associados ao transtorno e outros mil s\u00e3o estudados no momento com a mesma finalidade.<\/p>\n<p>Tamanha variabilidade dificulta diagnosticar ou mesmo tratar a doen\u00e7a com base no estudo do genoma. Uma nova pesquisa conduzida no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP) mostra que, independentemente das muta\u00e7\u00f5es que cada indiv\u00edduo com autismo carrega no DNA, existe um perfil comum na express\u00e3o de certos genes.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos um grupo de genes que est\u00e1 desregulado tanto nas c\u00e9lulas progenitoras neurais, que dar\u00e3o origem aos neur\u00f4nios, quanto nos neur\u00f4nios em si\u201d, conta\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/106581\/maria-rita-dos-santos-e-passos-bueno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maria Rita Passos-Bueno<\/a><\/strong>, professora do IB-USP vinculada ao\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58578\/cegh-cel-centro-de-estudos-do-genoma-humano-e-de-celulas-tronco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e C\u00e9lulas-Tronco<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"https:\/\/genoma.ib.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CEGH-CEL<\/a><\/strong>) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) financiado pela FAPESP na USP.<\/p>\n<p>Em outras palavras: mesmo que o DNA dos indiv\u00edduos com autismo apresente altera\u00e7\u00f5es diferentes, o comportamento desses genes \u00e9 semelhante nesse grupo de pacientes \u2013 e diferente do encontrado no c\u00e9rebro de pessoas sem o transtorno. A pesquisa teve\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95156\/gene-expression-analysis-on-in-vitro-neuronal-models-and-post-mortem-brain-tissues-to-understand-aut\/?q=16\/50324-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP e seus resultados foram publicados no peri\u00f3dico\u00a0<i>Molecular Psychiatry<\/i>, do grupo\u00a0<i>Nature<\/i>.<\/p>\n<p><b>Experimentos<\/b><\/p>\n<p>Como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel obter amostras de tecido cerebral de indiv\u00edduos vivos, os pesquisadores modelaram as c\u00e9lulas\u00a0<i>in vitro<\/i>, por meio de um processo chamado de reprograma\u00e7\u00e3o celular.<\/p>\n<p>\u201cExtra\u00edmos c\u00e9lulas da polpa do dente de indiv\u00edduos com e sem autismo e, a partir delas, criamos c\u00e9lulas-tronco pluripotentes, que podem ser transformadas em qualquer tipo celular. Dessa forma, conseguimos criar em laborat\u00f3rio c\u00e9lulas neuronais contendo o mesmo genoma dos pacientes\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/64258\/karina-griesi-oliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Karina Griesi Oliveira<\/a><\/strong>, pesquisadora do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein e doutora em Gen\u00e9tica pelo IB-USP, primeira autora do trabalho.<\/p>\n<p>Para esse estudo, os pesquisadores selecionaram seis indiv\u00edduos com autismo acompanhados no IB-USP, sendo cinco altamente funcionais e um com baixa funcionalidade, com perfis gen\u00e9ticos heterog\u00eaneos. Para o grupo controle, foram selecionados seis indiv\u00edduos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cA hip\u00f3tese demonstrada \u00e9 que, embora a origem do autismo seja multifatorial e diferente em cada pessoa, essas altera\u00e7\u00f5es podem levar aos mesmos problemas no funcionamento dos neur\u00f4nios\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n<p>Com as c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (iPSC, na sigla em ingl\u00eas) dos pacientes e dos controles prontas, o grupo as reprogramou para simular duas etapas do desenvolvimento do c\u00e9rebro humano: as c\u00e9lulas progenitoras neuronais e neur\u00f4nios em um est\u00e1gio equivalente ao de fetos entre a 16\u00aa e a 20\u00aa semana gestacional.<\/p>\n<p>O grupo analisou ent\u00e3o o transcriptoma \u2013 conjunto de mol\u00e9culas de RNA expresso pelos genes \u2013 dessas c\u00e9lulas. O RNA \u00e9 uma mol\u00e9cula intermedi\u00e1ria, respons\u00e1vel por transmitir a informa\u00e7\u00e3o contida em um gene e transform\u00e1-la em prote\u00ednas, que ditar\u00e3o o comportamento das c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>\u201cAo contabilizar as mol\u00e9culas do RNA conseguimos saber exatamente como esses genes est\u00e3o se expressando\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n<p>Depois de realizar um sequenciamento de RNA para obter o transcriptoma, as pesquisadoras usaram modelos matem\u00e1ticos para identificar nos dois grupos (com e sem autismo) quais genes estavam diferencialmente expressos e chegaram a grupos respons\u00e1veis pela sinapse e pela libera\u00e7\u00e3o de neurotransmissores \u2013 isto \u00e9, genes capazes de modular a comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios, processo que influencia o funcionamento de todo o corpo, principalmente do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Tal conjunto de genes (alguns j\u00e1 relacionados ao autismo em estudos anteriores) apresentava atividade aumentada nos neur\u00f4nios. \u201cAlguns deles tamb\u00e9m estavam desregulados em c\u00e9lulas neuronais derivadas de iPSC de autistas estudadas em outros trabalhos e tamb\u00e9m nos neur\u00f4nios retirados, ap\u00f3s a morte, do c\u00e9rebro de indiv\u00edduos com autismo, o que valida o m\u00e9todo\u201d, conta Passos-Bueno.<\/p>\n<p>Essa segunda an\u00e1lise, realizada a partir de bancos de tecidos coletados\u00a0<i>post-mortem<\/i>, mostrou, por outro lado, que a express\u00e3o desses genes estava diminu\u00edda quando os indiv\u00edduos faleceram. \u201cN\u00e3o sabemos o porqu\u00ea dessa diferen\u00e7a, mas ela \u00e9 uma evid\u00eancia consistente de que a express\u00e3o desse grupo de genes est\u00e1 envolvida no transtorno\u201d, diz Oliveira.<\/p>\n<p><b>Relev\u00e2ncia cl\u00ednica<\/b><\/p>\n<p>O estudo sugere a exist\u00eancia de um problema no neurodesenvolvimento do embri\u00e3o que altera o funcionamento dos neur\u00f4nios. \u201cA crian\u00e7a j\u00e1 nasce com a express\u00e3o g\u00eanica alterada\u201d, afirma Passos-Bueno.<\/p>\n<p>Esse conhecimento poder\u00e1 ser \u00fatil para o diagn\u00f3stico do autismo, hoje baseado na an\u00e1lise cl\u00ednica dos sintomas. N\u00e3o h\u00e1 exames de imagem, sangue ou gen\u00e9ticos que ajudem a diagnosticar o transtorno na grande maioria dos casos suspeitos. \u201cEm cerca de 30% dos pacientes, um erro gen\u00e9tico principal provoca o autismo, mas em 70% o quadro \u00e9 multifatorial, ou seja, um conjunto de altera\u00e7\u00f5es no DNA causa os sintomas cl\u00ednicos, o que torna ainda mais dif\u00edcil a interpreta\u00e7\u00e3o do dado gen\u00e9tico\u201d, explica Passos-Bueno.<\/p>\n<p>Essa linha de estudo tamb\u00e9m pode favorecer o desenvolvimento de terapias mais efetivas. \u201cPara tratar uma doen\u00e7a gen\u00e9tica \u00e9 preciso entender o que os genes est\u00e3o fazendo de errado. E essas altera\u00e7\u00f5es no comando dos neurotransmissores ainda n\u00e3o tinham sido demonstradas de maneira t\u00e3o bem delineada\u201d, destaca Mayana Zatz, professora do IB-USP e coordenadora do CEGH-CEL.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o CEPID est\u00e1 na vanguarda das pesquisas internacionais sobre autismo. Um dos avan\u00e7os recentes do grupo foi a identifica\u00e7\u00e3o de novos genes ligados ao transtorno, entre eles o PRPF8. O estudo foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/aur.2238\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0em fevereiro deste ano na revista\u00a0<i>Autism Research<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cIsso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao trabalho que tem sido feito h\u00e1 duas d\u00e9cadas com mais de mil fam\u00edlias de autistas\u201d, conta Zatz. O IB-USP oferece aconselhamento gen\u00e9tico para familiares e portadores de autismo e centenas de outros transtornos gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Transcriptome of iPSC-derived neuronal cells reveals a module of co-expressed genes consistently associated with autism spectrum disorder<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41380-020-0669-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.nature.com\/articles\/s41380-020-0669-9<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O autismo foi, durante muito tempo, associado somente a fatores comportamentais e ambientais, mas est\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133154,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/autismo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O autismo foi, durante muito tempo, associado somente a fatores comportamentais e ambientais, mas est\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133153"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133153\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}