{"id":133092,"date":"2020-09-02T10:00:57","date_gmt":"2020-09-02T13:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133092"},"modified":"2020-09-01T18:30:09","modified_gmt":"2020-09-01T21:30:09","slug":"estudo-testa-o-uso-de-bacterias-na-reducao-do-potencial-alergenico-do-gluten","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-testa-o-uso-de-bacterias-na-reducao-do-potencial-alergenico-do-gluten\/","title":{"rendered":"Estudo testa o uso de bact\u00e9rias na redu\u00e7\u00e3o do potencial alerg\u00eanico do gl\u00faten"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-133093\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores do\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58574\/forc-centro-de-pesquisa-em-alimentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Pesquisa em Alimentos<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"http:\/\/forc.webhostusp.sti.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">FoRC<\/a><\/strong>), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) apoiado pela FAPESP, e de duas institui\u00e7\u00f5es francesas investigam a possibilidade de usar bact\u00e9rias l\u00e1ticas para reduzir ou prevenir processos al\u00e9rgicos relacionados ao consumo de alimentos \u00e0 base de trigo.<\/p>\n<p>Uma das abordagens explora o uso de bact\u00e9rias com atividade proteol\u00edtica \u2013 capazes de quebrar as sequ\u00eancias respons\u00e1veis pela alergia ao gl\u00faten \u2013 como um complexo proteico composto por gliadinas e gluteninas para fermentar o gl\u00faten, aproveitando as propriedades que esses microrganismos t\u00eam de reduzir as prote\u00ednas em peda\u00e7os menores (pept\u00eddeos e amino\u00e1cidos livres) e, assim, diminuir seu potencial alerg\u00eanico. Uma vez dominado, esse processo poderia ser empregado para a fabrica\u00e7\u00e3o de alimentos ou ainda resultar em um gl\u00faten fermentado para uso como ingrediente em produtos de panifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Noutra abordagem, a pesquisa busca identificar bact\u00e9rias que tenham tamb\u00e9m propriedades probi\u00f3ticas, que poderiam ser utilizadas em terapia adjuvante para atenuar os processos de alergia alimentar, sobretudo relativos ao gl\u00faten.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 pessoas que n\u00e3o s\u00e3o al\u00e9rgicas, mas que t\u00eam risco de se tornarem al\u00e9rgicas a determinados alimentos, geralmente por fatores gen\u00e9ticos, porque nasceram em fam\u00edlias de pais asm\u00e1ticos ou porque s\u00e3o al\u00e9rgicos a alimentos, por exemplo. Na cl\u00ednica m\u00e9dica, consideramos que essas pessoas t\u00eam um background para o desenvolvimento de alergias. E, nessas pessoas, entendemos que \u00e9 poss\u00edvel prevenir a ocorr\u00eancia dessa hipersensibilidade&#8221;, explica Kamel Eddine El-Merchefi, bioqu\u00edmico e fisiologista argelino que vem trabalhando com o tema no Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>O INRA \u00e9 parceiro do FoRC em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/100610\/metodos-imunoquimicos-no-estudo-de-microrganismos-capazes-de-hidrolisar-proteinas-alergenicas-em-ali\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto<\/a><\/strong>\u00a0do Research Food Innovation: Food for Tomorrow, apoiado pela FAPESP, cujo objetivo \u00e9 explorar a fermenta\u00e7\u00e3o como ferramenta para reduzir a alergenicidade em prote\u00ednas vegetais.<\/p>\n<p>A parceria tem a coordena\u00e7\u00e3o das professoras Colette Larre (INRA) e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3516\/bernadette-dora-gombossy-de-melo-franco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco<\/a><\/strong>\u00a0(FoRC). A Oniris \u2013 Ecole Nationale V\u00e9t\u00e9rinaire, Agroalimentaire et de l&#8217;Alimentation de Nantes \u2013 tamb\u00e9m integra o cons\u00f3rcio. Para este projeto, o grupo trabalha com cole\u00e7\u00f5es de bact\u00e9rias l\u00e1ticas das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es parceiras.<\/p>\n<p><b>Atividade proteol\u00edtica<\/b><\/p>\n<p>A bi\u00f3loga\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/700222\/marcela-albuquerque-cavalcanti-de-albuquerque\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcela Albuquerque<\/a><\/strong>, p\u00f3s-doutoranda na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP e que est\u00e1 no INRA desenvolvendo parte de sua pesquisa, resume a a\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias l\u00e1ticas no processo. &#8220;Para se desenvolverem, as bact\u00e9rias precisam, entre outros nutrientes, de amino\u00e1cidos, pois s\u00e3o fatores de crescimento para elas. O acesso aos amino\u00e1cidos se d\u00e1 por meio da quebra de prote\u00ednas, a exemplo do gl\u00faten. Para tanto, as bact\u00e9rias produzem enzimas que hidrolisam as prote\u00ednas, ou seja, quebram as prote\u00ednas em diversas partes menores, conhecidas como pept\u00eddeos. \u00c9 o que chamamos de atividade proteol\u00edtica, e essa \u00e9 uma caracter\u00edstica importante que nos interessa nessas bact\u00e9rias. Focamos nas bact\u00e9rias l\u00e1ticas porque elas s\u00e3o reconhecidas como seguras para consumo humano e amplamente exploradas para o desenvolvimento de alimentos.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que o gl\u00faten \u00e9 um complexo proteico formado por duas subunidades: gliadinas e gluteninas, cada uma delas composta por diferentes subtipos. Os pesquisadores procuram encontrar cepas de bact\u00e9rias l\u00e1ticas capazes, principalmente, de hidrolisar as gliadinas, que s\u00e3o as principais respons\u00e1veis tanto pelas rea\u00e7\u00f5es de hipersensibilidade ao gl\u00faten quanto pelas rea\u00e7\u00f5es desencadeadas nos cel\u00edacos.<\/p>\n<p>Para selecionar os microrganismos com atividade proteol\u00edtica as cepas s\u00e3o cultivadas em um meio tradicional e depois inoculadas em meio suplementado com gl\u00faten. &#8220;Nesta \u00faltima etapa, n\u00e3o h\u00e1 nitrog\u00eanio: a ideia \u00e9 que a \u00fanica fonte de nitrog\u00eanio seja o pr\u00f3prio gl\u00faten, e o nitrog\u00eanio presente no gl\u00faten \u00e9 importante para o metabolismo desses microrganismos&#8221;, explica El-Merchefi.<\/p>\n<p>Depois de 24 horas em condi\u00e7\u00f5es anaer\u00f3bicas, s\u00e3o feitos testes para verificar se o gl\u00faten est\u00e1 ou n\u00e3o hidrolisado, ou seja, se foi reduzido em part\u00edculas proteicas menores. &#8220;Selecionamos dez microrganismos capazes de hidrolisar a gliadina e o\u00a0<i>Lactococcus lactis<\/i>\u00a0foi o melhor candidato. Continuamos ent\u00e3o a estudar especificamente as cepas dessa bact\u00e9ria e seu potencial de afetar as sequ\u00eancias respons\u00e1veis pela alergia ao trigo, sobretudo nas gliadinas&#8221;, ele resume, ressaltando que a fermenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo est\u00e1vel, natural e barato.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ainda testaram o gl\u00faten fermentado nos bas\u00f3filos \u2013 c\u00e9lulas do nosso sistema imunol\u00f3gico respons\u00e1veis pelos sintomas nas rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas \u2013 em um estudo\u00a0<i>in vitro<\/i>. &#8220;Incubamos o gl\u00faten fermentado com essas c\u00e9lulas e observamos que sua alergenicidade decresceu em 40%, se comparada \u00e0 do gl\u00faten n\u00e3o fermentado. Embora tenhamos 60% dos al\u00e9rgenos conservados no produto, ainda assim o resultado \u00e9 muito bom. O objetivo agora \u00e9 testar se ele consegue prevenir rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas em modelos animais&#8221;, diz El-Merchefi.<\/p>\n<p>Os resultados dos 18 meses de pesquisa foram considerados positivos. &#8220;Al\u00e9m de selecionar as cepas com atividade proteol\u00edtica no gl\u00faten, encontramos cepas com essa mesma atividade nas prote\u00ednas da soja. Essas cepas t\u00eam atividade proteol\u00edtica forte e capacidade de hidrolisar as sequ\u00eancias respons\u00e1veis pela alergia ao trigo nas gliadinas, conforme demonstrado por m\u00e9todos imunoqu\u00edmicos&#8221;, ele sublinha.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 o desenvolvimento de produtos (fermentos) com o gl\u00faten hidrolisado pelas bact\u00e9rias l\u00e1ticas. El-Merchefi adianta que o gl\u00faten fermentado n\u00e3o vai eliminar ou fazer declinar totalmente o potencial alerg\u00eanico. &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que a fermenta\u00e7\u00e3o vai eliminar toda a toxicidade do gl\u00faten para aqueles que s\u00e3o hipersens\u00edveis a ele, mas esse processo pode contribuir para o decl\u00ednio da toxicidade.&#8221;<\/p>\n<p>O plano de Albuquerque \u00e9 testar as cepas de bact\u00e9rias l\u00e1ticas para verificar se elas conseguem hidrolisar as prote\u00ednas do gl\u00faten e, durante o processo, checar se \u00e9 poss\u00edvel minimizar a rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica na presen\u00e7a de soro sangu\u00edneo de pessoas al\u00e9rgicas, onde h\u00e1 anticorpos IgE [nos indiv\u00edduos al\u00e9rgicos \u00e0s prote\u00ednas do gl\u00faten, o desencadeamento da rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica \u00e9 mediado por anticorpos IgE].<\/p>\n<p>O interesse central da pesquisadora, no entanto, \u00e9 verificar quais de suas cepas t\u00eam, al\u00e9m de atividade proteol\u00edtica forte, tamb\u00e9m potencial probi\u00f3tico. &#8220;Esse pode ser um caminho, um adjuvante no tratamento para essas pessoas. Hoje n\u00e3o existe um tratamento para os cel\u00edacos: o tratamento \u00e9 manter uma dieta livre de gl\u00faten.&#8221;<\/p>\n<p><i>*Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do FoRC.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do\u00a0Centro de Pesquisa em Alimentos\u00a0(FoRC), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) apoiado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":133093,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores do\u00a0Centro de Pesquisa em Alimentos\u00a0(FoRC), um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) apoiado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/133093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}