{"id":132950,"date":"2020-08-30T19:46:11","date_gmt":"2020-08-30T22:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132950"},"modified":"2020-08-30T20:15:04","modified_gmt":"2020-08-30T23:15:04","slug":"furacao-laura-como-os-furacoes-se-formam-e-por-que-sao-tao-frequentes-nos-eua-mexico-e-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/furacao-laura-como-os-furacoes-se-formam-e-por-que-sao-tao-frequentes-nos-eua-mexico-e-caribe\/","title":{"rendered":"Furac\u00e3o Laura: Como os furac\u00f5es se formam e por que s\u00e3o t\u00e3o frequentes nos EUA, M\u00e9xico e Caribe"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cnq68qr1x93t\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/6561\/production\/_114135952_promo-furacoes.jpg\" alt=\"A ci\u00eancia dos furac\u00f5es\" width=\"639\" height=\"360\" \/>Furac\u00f5es<\/a><strong>\u00a0s\u00e3o as maiores e mais violentas tempestades do planeta e a cada ano, entre os meses de junho e novembr<\/strong><strong>o<\/strong><strong>, afetam a regi\u00e3o do Caribe, do Golfo do\u00a0<\/strong><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c340q4kgkjpt\">M\u00e9xico<\/a><strong>\u00a0e da costa leste dos\u00a0<\/strong><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cdr56r2r88wt\">Estados Unidos<\/a><strong>. A depender de sua for\u00e7a, podem arrasar popula\u00e7\u00f5es e cidades inteiras.<\/strong><\/p>\n<p>Seus hom\u00f3logos s\u00e3o os tuf\u00f5es, que afetam o noroeste do oceano Pac\u00edfico, e os ciclones, que ocorrem no sul do Pac\u00edfico e no oceano \u00cdndico.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/A0A3\/production\/_114132114_mapa_furacoes-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico sobre localiza\u00e7\u00e3o de ciclones tropicais\" width=\"639\" height=\"545\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Todos eles s\u00e3o ciclones tropicais, mas o nome furac\u00e3o \u00e9 usado exclusivamente para os do Atl\u00e2ntico norte do nordeste do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Como se formam e por que costumam ocorrer nesta parte do mundo?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uma bomba de energia<\/h2>\n<p>O mecanismo mais comum de forma\u00e7\u00e3o de furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico \u2014 que provoca mais de 60% desses\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cyx5kx43vznt\">fen\u00f4menos<\/a>\u00a0\u2014 \u00e9 uma onda tropical.<\/p>\n<p>A onda come\u00e7a como uma perturba\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica que cria uma \u00e1rea de relativa baixa press\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso acontece geralmente no leste da \u00c1frica, a partir de meados do m\u00eas de julho.<\/p>\n<p>Se essa \u00e1rea de baixa press\u00e3o encontra as condi\u00e7\u00f5es adequadas para se manter e se desenvolver, ela come\u00e7a a mover-se de leste a oeste, com a ajuda dos ventos al\u00edsios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/C7B3\/production\/_114132115_vientos_onda_tropical-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico sobre movimento dos ventos e da onda tropical\" width=\"639\" height=\"472\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Quando chega ao oceano Atl\u00e2ntico, a onda tropical pode ser o in\u00edcio de um furac\u00e3o, mas, para que ele se forme, precisa de fontes de energia, como a umidade, o calor e o vento adequados.<\/p>\n<p>Em concreto, \u00e9 preciso que a temperatura da superf\u00edcie do oceano seja superior aos 27\u00ba C, assim como a da camada de \u00e1gua que se estende por pelo menos 50 metros logo abaixo da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios tipos de vento espec\u00edficos. Por um lado, ventos com rota\u00e7\u00e3o horizontal, para que a tempestade se concentre.<\/p>\n<p>Por outro, \u00e9 preciso que os ventos subindo a partir da superf\u00edcie do oceano mantenham sua for\u00e7a e velocidade constantes.<\/p>\n<p>Se houver cortante de vento, ou seja, varia\u00e7\u00f5es no vento com a altura, isso pode interromper o fluxo de calor e umidade que faz com que o furac\u00e3o tome forma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso que haja uma concentra\u00e7\u00e3o de nuvens carregadas de \u00e1gua e alta umidade relativa na atmosfera.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/EEC3\/production\/_114132116_ingredientes_huracan-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico de ingredientes b\u00e1sicos para um furac\u00e3o\" width=\"640\" height=\"611\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Tudo isso precisa ocorrer nas latitudes adequadas, em geral entre os paralelos 10\u00b0 e 30\u00b0 do hemisf\u00e9rio norte, j\u00e1 que nesta regi\u00e3o o efeito da rota\u00e7\u00e3o da Terra faz com que os ventos possam convergir e ascender ao redor da \u00e1rea de baixa press\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a onda tropical encontra todos estes ingredientes, cria-se uma \u00e1rea de cerca de 50 a 100 metros, onde eles come\u00e7am a interagir.<\/p>\n<p>&#8220;O movimento da onda tropical funciona como o disparador dessa tempestade&#8221;, explicou \u00e0 BBC News Brasil Jorge Zavala Hidalgo, coordenador geral do Servi\u00e7o Meteorol\u00f3gico Nacional do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>E esta tempestade funciona como um catalisador: come\u00e7a um bal\u00e9 de calor, ar e \u00e1gua.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de baixa press\u00e3o faz com que o ar \u00famido e quente que vem do oceano suba e se esfrie, o que alimenta as nuvens.<\/p>\n<p>A condensa\u00e7\u00e3o desse ar libera calor e faz com que a press\u00e3o sobre a superf\u00edcie do oceano baixe ainda mais, o que atrai mais umidade do oceano, fortalecendo a tempestade.<\/p>\n<p>Os ventos convergem e ascendem dentro desta \u00e1rea de baixa press\u00e3o, girando em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0s agulhas do rel\u00f3gio \u2014 por influ\u00eancia da rota\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n<p>\u00c9 essa rota\u00e7\u00e3o que d\u00e1 aos furac\u00f5es sua imagem caracter\u00edstica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/115D3\/production\/_114132117_partes-del-huracan-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico de partes do furac\u00e3o\" width=\"639\" height=\"555\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">BBC | GETTY<\/span><\/span><\/figure>\n<p>\u00c0 medida em que a tempestade fica mais poderosa, o olho do furac\u00e3o, uma \u00e1rea central de at\u00e9 10 km permanece relativamente tranquilo.<\/p>\n<p>Ao seu redor se levanta a parede do olho, composta de nuvens densas, onde ficam os ventos mais intensos. Para al\u00e9m dela, ficam as faixas em forma de espiral, onde h\u00e1 mais chuvas.<\/p>\n<p>A velocidade dos ventos \u00e9 a que determina em que momento podemos chamar esse fen\u00f4meno de furac\u00e3o. Em seu nascimento \u00e9 uma depress\u00e3o tropical, quando sua for\u00e7a aumenta passa a ser uma tempestade tropical e se torna um furac\u00e3o quando passa dos 118 km\/h.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/13CE3\/production\/_114132118_sequence_hurricanes-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico de tipos de tempestade tropical\" width=\"640\" height=\"389\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>A partir da\u00ed, eles podem ser classificados em cinco categorias segundo a velocidade sustentada de seus ventos. Para medir o poder destrutivo dos furac\u00f5es do Atl\u00e2ntico, se utiliza a escala Saffir-Simpson.<\/p>\n<p>A for\u00e7a dos ciclones tropicais \u00e9 tanta que seus ventos poderiam produzir energia equivalente a quase a metade da capacidade de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade do mundo inteiro, segundo a Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<figure class=\"media-portrait no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/163F3\/production\/_114132119_saffir_simpson-pt-nc.png\" alt=\"Escala de ventos de furac\u00f5es Saffir-Simpson\" width=\"639\" height=\"1001\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>No entanto, os principais respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o e pela perda de vidas quando passa um furac\u00e3o s\u00e3o as mar\u00e9s de tempestade nas cidades costeiras e as inunda\u00e7\u00f5es provocadas pelas chuvas que ele traz.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, as mar\u00e9s de tempestade foram respons\u00e1veis por quase a metade das mortes relacionadas aos ciclones tropicais do Atl\u00e2ntico entre 1963 e 2012, segundo dados da Sociedade Americana de Meteorologia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes fatores, a destrui\u00e7\u00e3o causada por um furac\u00e3o depende de outras circunst\u00e2ncias, como a velocidade com a qual ele passa, a geografia do territ\u00f3rio e a infraestrutura da regi\u00e3o afetada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/6EC9\/production\/_114116382_cristobal_tormenta.png\" alt=\"Mulher em sua cada inundada no M\u00e9xico em 3 de junho de 2020\" width=\"639\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">As tempestates tropicais Amanda e Cristobal n\u00e3o chegaram a ser furac\u00f5es, mas provocaram chuvas extraordin\u00e1rias e muita destrui\u00e7\u00e3o na Guatemala e no M\u00e9xico entre maio e junho de 2020<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;N\u00e3o necessariamente a destrui\u00e7\u00e3o ou o perigo associados a um ciclone tropical correspondem a sua categoria. Por exemplo, um ciclone de categoria maior n\u00e3o tem por que ter mais chuva&#8221;, disse Jorge Hidalgo \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">M\u00e9xico, Estados Unidos e Caribe: as zonas mais vulner\u00e1veis<\/h2>\n<p>Um dos fatores que explica que essa regi\u00e3o seja mais propensa a receber furac\u00f5es \u00e9 que o oceano Atl\u00e2ntico, nas latitudes tropicais, tem a temperatura adequada para sua forma\u00e7\u00e3o durante mais meses no ano.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o dos ventos que empurram os furac\u00f5es.<\/p>\n<p>Os ventos al\u00edsios, principais ventos nas latitudes baixas tropicais, v\u00e3o de leste a oeste, levando os ciclones at\u00e9 as costas do Caribe, do Golfo do M\u00e9xico e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O percurso destes ventos tamb\u00e9m \u00e9 influenciado pela rota\u00e7\u00e3o da Terra \u2014 o chamado efeito de Coriolis \u2014 que faz com que eles tendam a desviar-se em dire\u00e7\u00e3o ao norte.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/101A1\/production\/_114135956_95dc5886-0005-49b1-868a-984beb0e1c0a.png\" alt=\"Percurso dos furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico Norte em 2019\" width=\"639\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">WIKI PROJECT TROPICAL CYCLONES\/TRACKS\/NASA\/XYKLONE<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os furac\u00f5es que se formaram no Atl\u00e2ntico Norte em 2019 seguiram trajet\u00f3rias diferentes de acordo com as correntes de ar e outros fen\u00f4menos, como os anticiclones, que encontravam em seu caminho<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Normalmente, enquanto os furac\u00f5es avan\u00e7am, eles tamb\u00e9m se deslocam levemente para o norte.<\/p>\n<p>Ao passar do paralelo 30\u00b0N, costumam encontrar-se com os ventos do oeste, outra das grandes correntes globais de ventos, que faz com que passem a ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 leste. Da\u00ed por diante, se afastam do continente americano.<\/p>\n<p>Mas em seu caminho, ainda no oceano Atl\u00e2ntico, os furac\u00f5es se encontram com o enorme anticiclone das Bermudas-A\u00e7ores, que pode determinar se eles v\u00e3o se dirigir ao Golfo do M\u00e9xico, ao Caribe ou aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os anticiclones s\u00e3o regi\u00f5es de alta press\u00e3o atmosf\u00e9rica com ar mais seco, menos nuvens e ventos que giram na dire\u00e7\u00e3o das agulhas do rel\u00f3gio no hemisf\u00e9rio norte.<\/p>\n<p>O anticiclone dos A\u00e7ores funciona como uma esp\u00e9cie de obst\u00e1culo que domina a parte norte do oceano Atl\u00e2ntico. Para avan\u00e7ar, os furac\u00f5es precisam passar ao redor dele.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o tamanho e a posi\u00e7\u00e3o desse anticiclone podem influenciar a trajet\u00f3ria de um ciclone tropical.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/084B\/production\/_114132120_bermuda_high-pt-nc.png\" alt=\"Gr\u00e1fico sobre o anticiclone das Bermudas-A\u00e7ores e sua influ\u00eancia na trajet\u00f3ria dos furac\u00f5es\" width=\"640\" height=\"621\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p>Se o anticiclone est\u00e1 mais fraco e mais posicionado \u00e0 leste, os furac\u00f5es o rodeiam e seguem para o norte, se distanciando do Caribe (<i>veja o gr\u00e1fico acima<\/i>).<\/p>\n<p>Se, pelo contr\u00e1rio, ele estiver mais forte e mais posicionado ao sul e ao oeste, um furac\u00e3o que passa ao redor dele acaba indo para o Golfo do do M\u00e9xico, o sul dos Estados Unidos ou as ilhas caribenhas.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do anticiclone muda de acordo com o ano, com as esta\u00e7\u00f5es e pode variar tamb\u00e9m em quest\u00e3o de dias.<\/p>\n<p>&#8220;Por causa dessas varia\u00e7\u00f5es, um furac\u00e3o pode ter uma trajet\u00f3ria muito diferente hoje do que outro que passar apenas tr\u00eas ou cinco dias depois&#8221;, explica Jorge Zavala Hidalgo, do Servi\u00e7o Meteorol\u00f3gico Nacional do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Seguindo a mesma l\u00f3gica, os anticiclones podem fazer com que furac\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o se afastando das Am\u00e9ricas voltem atr\u00e1s. Foi o que aconteceu com o furac\u00e3o Sandy, em 2012.<\/p>\n<p>Depois de tocar terra em Cuba, Sandy come\u00e7ou a se deslocar em sentido nordeste, afastando-se do continente. Mas um anticiclone na Groenl\u00e2ndia e uma frente fria bloquearam seu caminho. Isso fez com que ele voltasse para a costa leste dos Estados Unidos, causando destrui\u00e7\u00e3o nos Estados de Nova York e Nova J\u00e9rsei.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/1034D\/production\/_114118366_sandy2.png\" alt=\"Furac\u00e3o Sandy em Nova Iorque em 30 de outubro de 2012\" width=\"639\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Em seu caminho para o norte, o furac\u00e3o Sandy foi bloqueado por um anticiclone e retornou \u00e0 costa leste dos EUA, causando destrui\u00e7\u00e3o em Nova York e Nova J\u00e9rsei<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A raz\u00e3o pela qual furac\u00f5es s\u00e3o raros na Am\u00e9rica do Sul<\/h2>\n<p>Se a parte norte do Atl\u00e2ntico oferece as condi\u00e7\u00f5es ideais para a forma\u00e7\u00e3o de furac\u00f5es, o mesmo n\u00e3o ocorre abaixo da linha do Equador.<\/p>\n<p>&#8220;O Atl\u00e2ntico Sul \u00e9 mais tranquilo porque l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 onda tropical \u2014 \u00e9 um fen\u00f3meno mais comum no hemisf\u00e9rio norte \u2014 e h\u00e1 mais varia\u00e7\u00f5es na velocidade e na dire\u00e7\u00e3o do vento, algo que inibe a forma\u00e7\u00e3o de furac\u00f5es&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil Gary M. Barnes, professor aposentado da Universidade do Hava\u00ed, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os ciclones tropicais n\u00e3o costumam se formar se estiverem a menos de 500 quil\u00f4metros da linha do Equador, seja para o norte ou para o Sul.<\/p>\n<p>Isso acontece porque, nessa faixa, o efeito de Coriolis \u00e9 muito fraco para fazer com que os ventos girem e possam formar uma tempestade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/2F5B\/production\/_114132121_313775main_global_hurr_tracks_hi.jpg\" alt=\"Percurso dos ciclones tropicais de 1985 a 2005\" width=\"640\" height=\"320\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">NASA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">O \u00fanico furac\u00e3o registrado na Am\u00e9rica do Sul foi o Catarina, em 2004, que atingiu o sul do Brasil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de depress\u00f5es e tempestades tropicais j\u00e1 terem sido registrados no sul do Brasil, o \u00fanico ciclone tropical registrado oficialmente na regi\u00e3o foi o Catarina, em 2004.<\/p>\n<p>O furac\u00e3o atingiu o Estado de Santa Catarina, deixando mais de 10 mortos e mais de 500 feridos, al\u00e9m de cerca de 30 mil pessoas desabrigadas.<\/p>\n<p>&#8220;Os ciclones nessa regi\u00e3o costumam ser extratropicais, ou seja, que ocorrem em latitudes m\u00e9dias e t\u00eam n\u00facleo frio. O Catarina foi assim. Mas ele adquiriu caracter\u00edsticas de ciclone tropical e se tornou um furac\u00e3o, algo que \u00e9 raro de acontecer&#8221;, explicou \u00e0 BBC News Brasil Jos\u00e9 Manuel G\u00e1lvez, meteorologista do Centro de Previs\u00e3o Clim\u00e1tica da NOAA.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode impactar a forma\u00e7\u00e3o de furac\u00f5es?<\/h2>\n<p>&#8220;A\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cdr56rdy40rt\">mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/a>\u00a0faz com que a temperatura da superf\u00edcie e da capa espessa do oceano fiquem mais altas, e isso \u00e9 um problema. Temos teorias que dizem que se o oceano ficar mais quente, isso pode se traduzir em tempestades mais fortes e intensas&#8221;, diz Gary Barnes.<\/p>\n<p>H\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que as \u00e1reas em que os ciclones tropicais encontram condi\u00e7\u00f5es para se desenvolver e para sobreviver tamb\u00e9m est\u00e3o ficando mais extensas ao longo do tempo, segundo Jorge Hidalgo, do Servi\u00e7o Meteorol\u00f3gico do M\u00e9xico.<\/p>\n<figure class=\"media-with-caption\">\n<div class=\"player-with-placeholder\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"media-placeholder player-with-placeholder__image lead-video-placeholder\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/images\/ic\/720x405\/p08ptccl.jpg\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<div class=\"player-with-placeholder\">\n<div class=\"media-player-wrapper\">\n<div id=\"sticky-player-1\">\n<div class=\"sticky-player__wrapper\">\n<div class=\"sticky-player__player\">\n<figure id=\"media-player-1\" class=\"media-player\" data-playable=\"{&quot;settings&quot;:{&quot;counterName&quot;:&quot;portuguese.world.story.53922535.page&quot;,&quot;edition&quot;:&quot;International&quot;,&quot;pageType&quot;:&quot;eav2&quot;,&quot;uniqueID&quot;:&quot;53922535&quot;,&quot;ui&quot;:{&quot;locale&quot;:{&quot;lang&quot;:&quot;pt&quot;}},&quot;externalEmbedUrl&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.bbc.com\\\/portuguese\\\/internacional-53922535\\\/embed&quot;,&quot;insideIframe&quot;:false,&quot;statsObject&quot;:{&quot;clipPID&quot;:&quot;p08pt2cn&quot;},&quot;playlistObject&quot;:{&quot;title&quot;:&quot;Furac\\u00e3o Laura chega aos EUA: 'ressacas catastr\\u00f3ficas, ventos extremos e inunda\\u00e7\\u00f5es'&quot;,&quot;holdingImageURL&quot;:&quot;https:\\\/\\\/ichef.bbci.co.uk\\\/images\\\/ic\\\/$recipe\\\/p08ptccl.jpg&quot;,&quot;guidance&quot;:&quot;&quot;,&quot;embedRights&quot;:&quot;allowed&quot;,&quot;summary&quot;:&quot;Furac\\u00e3o Laura chega aos EUA: 'ressacas catastr\\u00f3ficas, ventos extremos e inunda\\u00e7\\u00f5es'&quot;,&quot;liveRewind&quot;:false,&quot;simulcast&quot;:false,&quot;items&quot;:[{&quot;vpid&quot;:&quot;p08pt2cy&quot;,&quot;live&quot;:false,&quot;duration&quot;:85,&quot;kind&quot;:&quot;programme&quot;}]}},&quot;otherSettings&quot;:{&quot;advertisingAllowed&quot;:true,&quot;continuousPlayCfg&quot;:{&quot;enabled&quot;:false},&quot;isAutoplayOnForAudience&quot;:false}}\">\n<div id=\"smphtml5iframemedia-player-1wrp\">Furac\u00e3o Laura chega aos EUA: &#8216;ressacas catastr\u00f3ficas, ventos extremos e inunda\u00e7\u00f5es&#8217;<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>&#8220;Talvez o n\u00famero de ciclones n\u00e3o aumente, mas a distribui\u00e7\u00e3o de categorias pode mudar. Ou seja, podemos ter mais furac\u00f5es de categoria maior e menos de categoria menor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Os cientistas concordam, no entanto, que \u00e9 cedo para medir o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que os furac\u00f5es se intensifique pouco a pouco, mas vamos precisar de muitos dados para provar que o aquecimento global vai provocar furac\u00f5es mais fortes. Em 25 anos pode ser que tenhamos provas&#8221;, conclui o meteorologista Gary M. Barnes.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/1683C\/production\/_104602229_line976.jpg\" alt=\"L\u00ednea\" width=\"464\" height=\"2\" data-highest-encountered-width=\"976\" \/><\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCthbIFAxbXTTQEC7EcQvP1Q\">YouTube<\/a>? 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