{"id":132929,"date":"2020-08-30T13:11:45","date_gmt":"2020-08-30T16:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132929"},"modified":"2020-08-30T13:11:45","modified_gmt":"2020-08-30T16:11:45","slug":"o-misterio-da-origem-dos-oceanos-terrestres-a-partir-da-analise-de-rochas-vindas-do-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-misterio-da-origem-dos-oceanos-terrestres-a-partir-da-analise-de-rochas-vindas-do-espaco\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio da origem dos oceanos terrestres a partir da an\u00e1lise de rochas vindas do espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132930\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 teorias que afirmam que n\u00e3o dever\u00edamos existir, ou pelo menos sugerem que nossa vida hoje n\u00e3o parecia estar nos planos iniciais. Uma delas \u00e9 a do Big Bang, que diz que na origem do universo se criou a mesma quantidade de mat\u00e9ria e antimat\u00e9ria. Quando uma part\u00edcula encostava em sua antipart\u00edcula, se desintegrava, tornando imposs\u00edvel a acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos que possibilitou o mundo que conhecemos. Um fen\u00f4meno ainda sem explica\u00e7\u00e3o desfez esse empate e permitiu nossa exist\u00eancia, mas ainda havia obst\u00e1culos a superar antes de se tornar realidade. Outro acontecimento afortunado \u00e9 que o cobriu a Terra de oceanos e a tornou f\u00e9rtil \u00e0 vida. Os modelos de forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar estimam que a \u00e1gua deveria ser escassa nos planetas mais pr\u00f3ximos \u00e0 estrela, mas \u00e9 \u00f3bvio que, pelo menos no nosso, n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p>Nas tentativas para explicar essa feliz anomalia, o estudo cient\u00edfico sugere que h\u00e1 3,9 bilh\u00f5es de anos a Terra sofreu um intenso bombardeio de asteroides e cometas que trouxeram com eles \u00e1gua e elementos org\u00e2nicos que, somente 400 milh\u00f5es de anos depois, permitiram que a vida aparecesse. Para se acomodar \u00e0s teorias de forma\u00e7\u00e3o de nosso sistema planet\u00e1rio, se colocava que os meteoritos, conhecidos como condritos carbon\u00e1ceos, chegavam das fronteiras externas do sistema solar, onde o calor da estrela n\u00e3o teria volatilizado a \u00e1gua como nas regi\u00f5es interiores. Agora, um trabalho publicado na revista Science aponta outro tipo de asteroide como fonte do composto l\u00edquido essencial \u00e0 vida que conhecemos.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de que foram meteoritos e cometas long\u00ednquos que encheram a Terra de \u00e1gua requer um complexo processo de influ\u00eancias gravitacionais entre os planetas gigantes e os corpos celestes para atra\u00ed-los para c\u00e1 de suas \u00f3rbitas distantes. Laurette Piani e uma equipe do Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica (CNRS, na sigla em franc\u00eas) e da Universidade de Lorena (Fran\u00e7a), tentaram justificar outra das possibilidades propostas para explicar que este seja o planeta azul.<\/p>\n<p>A Terra se formou a partir do am\u00e1lgama de materiais que se encontravam na nebulosa que deu origem ao Sistema Solar. \u201cHoje sabemos que os planetas terrestres, entre eles a Terra, n\u00e3o se formam subitamente, e sim com a agrega\u00e7\u00e3o de centenas de corpos\u201d, diz Josep Maria Trigo, pesquisador principal do grupo de corpos menores e meteoritos do Instituto de Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (CSIC-IEEC, nas siglas em espanhol), em Barcelona. \u201cOs corpos que formaram a Terra se formaram a uma dist\u00e2ncia menor do Sol e em 80 a 90% seriam condritos de enstatita [o mineral mais abundante neles] e ordin\u00e1rios\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, por sua forma\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ao Sol, se pensava que nas rochas fundamentais com as quais se construiu a Terra n\u00e3o existiria \u00e1gua suficiente para explicar sua abund\u00e2ncia em nosso planeta. A an\u00e1lise de Piani e seus colegas, entretanto, sugere que nessas rochas primevas haveria hidrog\u00eanio suficiente para trazer \u00e0 Terra at\u00e9 tr\u00eas vezes a massa de \u00e1gua que hoje os oceanos cont\u00eam. Para realizar essa afirma\u00e7\u00e3o com solidez, os pesquisadores mediram com precis\u00e3o as concentra\u00e7\u00f5es e as propor\u00e7\u00f5es de hidrog\u00eanio e deut\u00e9rio (uma vers\u00e3o do hidrog\u00eanio com um n\u00eautron acompanhando o pr\u00f3ton) em treze meteoritos provenientes de asteroides de enstatita. Al\u00e9m de comprovar que tinham quantidades suficientes de hidrog\u00eanio, observaram que as quantidades de is\u00f3topos de hidrog\u00eanio e nitrog\u00eanio coincidem com as do manto terrestre.<\/p>\n<p>Os autores reconhecem que n\u00e3o podem calcular quando ocorreu a chegada desses asteroides portadores dos elementos necess\u00e1rios para a apari\u00e7\u00e3o da \u00e1gua terrestre, mas estimam que ocorreu em um per\u00edodo suficientemente tardio da forma\u00e7\u00e3o da Terra. Jes\u00fas Mart\u00ednez Fr\u00edas, pesquisador do CSIC e diretor da Rede Espanhola de Planetologia e Astrobiologia, diz que se o bombardeio ocorresse muito cedo, antes de 3,8 bilh\u00f5es de anos, a \u00e1gua teria se evaporado. \u201cO bombardeio posterior \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o dos primeiros planetesimais destruiu a crosta primitiva, o vapor de \u00e1gua e outros gases escaparam e formaram a atmosfera e a \u00e1gua da Terra\u201d, afirma. \u201cAl\u00e9m disso, se misturou com outros fluidos procedentes do subsolo atrav\u00e9s do vulcanismo e todas essas emiss\u00f5es vol\u00e1teis enriqueceram essa atmosfera primitiva\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O fato de que a maior parte da \u00e1gua terrestre venha desses condritos da regi\u00e3o do Sistema Solar pr\u00f3ximo \u00e0 Terra n\u00e3o descarta a fun\u00e7\u00e3o cumprida pelos que vieram das \u00e1reas mais frias e long\u00ednquas. \u201cAs enstatitas foram importantes para criar condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade trazendo a \u00e1gua, mas os carbon\u00e1ceos, que t\u00eam amino\u00e1cidos, ureia, purinas, s\u00e3o mais importantes para tornar poss\u00edvel a origem da vida\u201d, diz. Trigo, que considera muito relevante o trabalho publicado agora pela Science, diz que isso pode significar que \u201cos condritos carbon\u00e1ceos teriam fornecido uma quantidade menor, mas significativa, de 5 a 10%, dessa \u00e1gua e nitrog\u00eanio [da Terra], ainda que poderiam t\u00ea-lo feito mais tarde, fruto das cont\u00ednuas colis\u00f5es com outros objetos ao longo da hist\u00f3ria da Terra\u201d.<\/p>\n<p>Para conhecer melhor essa etapa cr\u00edtica da hist\u00f3ria do planeta, ser\u00e1 preciso viajar a asteroides para pegar amostras com as quais ser\u00e1 poss\u00edvel fazer medi\u00e7\u00f5es ainda mais precisas que as da equipe de Piani. Como diz Fr\u00edas, quando for poss\u00edvel visitar asteroides com certa regularidade cada tipo ter\u00e1 seu interesse: \u201cOs asteroides met\u00e1licos s\u00e3o mais interessantes para procurar recursos minerais como os metais de terras raras, os que d\u00e3o origem aos condritos carbon\u00e1ceos interessam do ponto de vista da origem da vida e as enstatitas para nos explicar como a Terra come\u00e7ou a ser habit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 teorias que afirmam que n\u00e3o dever\u00edamos existir, ou pelo menos sugerem que nossa vida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132930,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/agua_na_terra.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 teorias que afirmam que n\u00e3o dever\u00edamos existir, ou pelo menos sugerem que nossa vida","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132929"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132929\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}