{"id":132629,"date":"2020-08-24T11:00:01","date_gmt":"2020-08-24T14:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132629"},"modified":"2020-08-24T10:35:51","modified_gmt":"2020-08-24T13:35:51","slug":"ha-dois-anos-comecamos-as-greves-estudantis-pelo-clima-mas-o-mundo-segue-em-seu-negacionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ha-dois-anos-comecamos-as-greves-estudantis-pelo-clima-mas-o-mundo-segue-em-seu-negacionismo\/","title":{"rendered":"H\u00e1 dois anos, come\u00e7amos as greves estudantis pelo clima, mas o mundo segue em seu negacionismo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/greve.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132630\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/greve-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/greve-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/greve.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cA\u00a0<strong>crise<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1tica<\/strong>\u00a0e ecol\u00f3gica nunca foi tratada como uma crise. A dist\u00e2ncia entre o que temos que fazer e o que realmente est\u00e1 sendo feito cresce a cada minuto. De fato, a passividade pol\u00edtica nos levou a perder mais dois anos\u201d, escrevem\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/601138-greta-thunberg-ganha-premio-de-1-milhao-e-doa-parte-do-dinheiro-para-protecao-da-amazonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Greta Thunberg<\/a>,\u00a0<strong>Luisa<\/strong>\u00a0<strong>Neubauer<\/strong>,\u00a0<strong>Anuna<\/strong>\u00a0<strong>de Wever<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Ad\u00e9la\u00efde<\/strong>\u00a0<strong>Charlier<\/strong>, jovens ativistas na luta contra a\u00a0<strong>mudan\u00e7a<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1tica<\/strong>, em artigo publicado.<\/p>\n<h3>Eis o artigo.<\/h3>\n<p>Nesta quinta-feira, 20 de agosto, completou-se o segundo anivers\u00e1rio da primeira greve estudantil contra a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/602074-mudancas-climaticas-os-tropicos-estao-se-expandindo-em-direcao-aos-polos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>mudan\u00e7a<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1tica<\/strong><\/a>. Em retrospecto, muitas coisas aconteceram. Milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas para se unir a uma luta pelo clima e a justi\u00e7a ambiental, que come\u00e7ou h\u00e1 d\u00e9cadas. E no dia 28 de novembro de 2019, o Parlamento Europeu declarou uma \u201c<strong>emerg\u00eancia<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1tica<\/strong>\u00a0<strong>e ambiental<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Apesar destes avan\u00e7os, a verdade \u00e9 que nestes dois anos o mundo emitiu mais de 80 gigatoneladas de\u00a0<strong>CO2<\/strong>. Por todo o mundo, ocorreram cont\u00ednuos desastres naturais: inc\u00eandios, ondas de calor, inunda\u00e7\u00f5es, furac\u00f5es, tormentas, desaparecimento do\u00a0<strong>permafrost<\/strong>\u00a0e colapso de geleiras e ecossistemas inteiros. Perderam-se muitas vidas e meios de subsist\u00eancia. E isto \u00e9 apenas o come\u00e7o.<\/p>\n<p>Na atualidade, os l\u00edderes de todo o mundo falam de uma \u201c<strong>crise<\/strong>\u00a0<strong>existencial<\/strong>\u201d. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/602075-aquecimento-global-pode-causar-maiores-danos-as-nossas-economias-do-que-o-esperado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>emerg\u00eancia<\/strong>\u00a0<strong>clim\u00e1tica<\/strong><\/a>\u00a0\u00e9 discutida em inumer\u00e1veis f\u00f3runs de debates e c\u00fapulas. Chegam-se a compromissos, grandes discursos s\u00e3o pronunciados. No entanto, quando se trata de agir, ainda estamos em uma fase de nega\u00e7\u00e3o. A crise clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica nunca foi tratada como uma\u00a0<strong>crise<\/strong>. A dist\u00e2ncia entre o que temos que fazer e o que realmente est\u00e1 sendo feito cresce a cada minuto. De fato, a passividade pol\u00edtica nos levou a perder mais dois anos.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, justamente antes da c\u00fapula do\u00a0<strong>Conselho<\/strong>\u00a0<strong>Europeu<\/strong>, publicamos uma carta aberta com pedidos concretos aos l\u00edderes da\u00a0<strong>Uni\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>Europeia<\/strong>\u00a0e do resto do mundo. Desde ent\u00e3o, mais de 125.000 pessoas assinaram esta carta.<\/p>\n<p>A Europa tem a responsabilidade de agir. A\u00a0<strong>Uni\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>Europeia<\/strong>\u00a0e o Reino Unido s\u00e3o respons\u00e1veis por 22% das emiss\u00f5es mundiais hist\u00f3ricas acumuladas, um n\u00famero s\u00f3 superado pelos Estados Unidos. \u00c9 imoral que os pa\u00edses que menos fizeram para causar o problema sejam os primeiros a sofrer as piores consequ\u00eancias. A\u00a0<strong>Uni\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>Europeia<\/strong>\u00a0deve agir agora, j\u00e1 que este \u00e9 o compromisso que assumiu no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/595265-a-coalizao-fossil-que-sabotou-o-acordo-de-paris\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Acordo<\/strong>\u00a0<strong>de<\/strong>\u00a0<strong>Paris<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Entre as nossas reivindica\u00e7\u00f5es, est\u00e1 a de frear todos os investimentos e subven\u00e7\u00f5es ao setor dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, bem como se desfazer dos mesmos, fazer do ecoc\u00eddio um crime internacional, tra\u00e7ar pol\u00edticas que protejam os trabalhadores e os mais vulner\u00e1veis, salvaguardar a democracia e estabelecer cotas de emiss\u00f5es de carbono anuais obrigat\u00f3rias, com base na melhor informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Entendemos que o mundo \u00e9 complicado e que o que pedimos pode n\u00e3o ser f\u00e1cil ou pode parecer pouco realista. Mas, na verdade, est\u00e1 ainda menos conectado com a realidade acreditar que nossas sociedades ser\u00e3o capazes de sobreviver ao aquecimento global para o qual nos dirigimos, bem como a outras consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas desastrosas. Inevitavelmente, teremos que mudar de forma fundamental, de um jeito ou de outro. A pergunta \u00e9 quem impor\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es dessas mudan\u00e7as: a natureza ou n\u00f3s.<\/p>\n<p>No\u00a0<strong>Acordo<\/strong>\u00a0<strong>de<\/strong>\u00a0<strong>Paris<\/strong>, os l\u00edderes mundiais se comprometeram a manter o aumento da temperatura m\u00e9dia mundial abaixo dos 2 graus e almejavam n\u00e3o ultrapassar 1,5 grau. Nossas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma constata\u00e7\u00e3o do que significa assumir este compromisso. No entanto, trata-se de um acordo m\u00ednimo, caso queiramos cumprir os compromissos assumidos.<\/p>\n<p>Sendo assim, se os l\u00edderes n\u00e3o est\u00e3o dispostos a atender nossas reivindica\u00e7\u00f5es, ter\u00e3o que come\u00e7ar a explicar por que est\u00e3o virando as costas ao\u00a0<strong>Acordo<\/strong>\u00a0<strong>de<\/strong>\u00a0<strong>Paris<\/strong>, \u00e0s suas promessas e \u00e0s pessoas que vivem nas regi\u00f5es mais afetadas pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Ter\u00e3o que explicar por que est\u00e3o virando as costas \u00e0 possibilidade de oferecer um futuro seguro a seus filhos. Renunciam, sem nem mesmo tentar.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia n\u00e3o diz a ningu\u00e9m o que \u00e9 preciso fazer, simplesmente re\u00fane e apresenta informa\u00e7\u00e3o verificada. Depende de n\u00f3s analisar esta informa\u00e7\u00e3o e tirar conclus\u00f5es. Ao se ler o relat\u00f3rio\u00a0<strong>SR1<\/strong>.<strong>5<\/strong>\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/593605-relatorio-do-ipcc-sobre-a-degradacao-dos-oceanos-e-da-criosfera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>IPCC<\/strong>\u00a0<\/a>(<strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong>) e o relat\u00f3rio sobre a brecha das emiss\u00f5es do\u00a0<strong>PNUMA<\/strong>\u00a0(<strong>Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente<\/strong>), assim como o que os l\u00edderes assinaram no Acordo de Paris, nota-se que a crise clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica j\u00e1 n\u00e3o pode ser abordada a partir do marco atual. At\u00e9 mesmo uma crian\u00e7a consegue perceber que as pol\u00edticas n\u00e3o se encaixam com a evid\u00eancia cient\u00edfica dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Temos que colocar fim \u00e0 atual destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de nossos sistemas de suporte vital e avan\u00e7ar para uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/601997-zero-emissoes-de-carbono-pandemias-neoliberais-sofismo-ecologico-e-dividas-soberanas-artigo-de-eduardo-camin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>economia livre<\/strong>\u00a0<strong>de<\/strong>\u00a0<strong>carbono<\/strong><\/a>, que esteja centrada no bem-estar de todas as pessoas, na promo\u00e7\u00e3o da democracia e na defesa do mundo natural.<\/p>\n<p>Se desejamos ter a oportunidade de manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5 grau, nossas emiss\u00f5es devem come\u00e7ar a diminuir rapidamente para zero e, em seguida, a n\u00fameros negativos. \u00c9 uma realidade. E como n\u00e3o temos todas as solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que necessitamos para isso, temos que trabalhar com o que est\u00e1 ao nosso alcance. E isto precisa incluir deixar de fazer certas coisas. Isto tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade. No entanto, \u00e9 um fato que a maioria das pessoas se nega a aceitar. S\u00f3 de pensar em estar em uma crise na qual n\u00e3o podemos comprar, construir ou encontrar uma maneira de contornar o problema cria algum tipo de curto-circuito mental coletivo.<\/p>\n<p>Esta mistura de ignor\u00e2ncia, nega\u00e7\u00e3o e falta de consci\u00eancia \u00e9 a ess\u00eancia do problema. Diante desta realidade, podemos organizar muitas reuni\u00f5es e confer\u00eancias sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, do modo que quisermos. N\u00e3o conduzir\u00e3o a uma\u00a0<strong>mudan\u00e7a<\/strong>\u00a0<strong>significativa<\/strong>, porque n\u00e3o se vislumbra a vontade de agir e a tomada de consci\u00eancia coletiva necess\u00e1ria. O futuro ainda est\u00e1 em nossas m\u00e3os, mas o tempo se desliza com rapidez e escapa delas. Ainda podemos evitar as piores consequ\u00eancias, mas para fazer isso precisamos enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e mudar nossa forma de agir. E essa \u00e9 a inc\u00f4moda verdade da qual n\u00e3o podemos fugir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA\u00a0crise\u00a0clim\u00e1tica\u00a0e ecol\u00f3gica nunca foi tratada como uma crise. 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