{"id":132623,"date":"2020-08-24T13:00:46","date_gmt":"2020-08-24T16:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132623"},"modified":"2020-08-24T13:47:44","modified_gmt":"2020-08-24T16:47:44","slug":"como-a-fruta-mais-fedida-do-mundo-pode-ajudar-a-gerar-energia-para-seu-telefone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-a-fruta-mais-fedida-do-mundo-pode-ajudar-a-gerar-energia-para-seu-telefone\/","title":{"rendered":"Como a fruta mais fedida do mundo pode ajudar a gerar energia para seu telefone"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132627\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Elas s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da tecnologia port\u00e1til moderna. As baterias de \u00edon de l\u00edtio transformaram nossa capacidade de armazenar e transportar energia e, por sua vez, revolucionaram os dispositivos que usamos.<\/p>\n<p>Comercializadas pela Sony em 1991, quando a empresa buscava uma solu\u00e7\u00e3o para a dura\u00e7\u00e3o limitada da bateria de suas c\u00e2meras de v\u00eddeo port\u00e1teis, elas fornecem energia a muitos dos gadgets que usamos hoje &#8211; de smartphones e laptops a escovas de dente el\u00e9tricas e aspiradores de p\u00f3 de m\u00e3o. No fim do ano passado, os tr\u00eas cientistas por tr\u00e1s de sua inven\u00e7\u00e3o ganharam o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica por possibilitar essa revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>E nossa necessidade por elas s\u00f3 tende a crescer. Os ve\u00edculos el\u00e9tricos dependem de baterias de \u00edon-l\u00edtio como um substituto para os combust\u00edveis f\u00f3sseis que usamos atualmente para abastecer nossos carros. Como as fontes de energia renov\u00e1veis constituem a maior parte do suprimento de eletricidade em todo o mundo, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam necess\u00e1rios enormes bancos de baterias para armazenar o excesso de energia quando o vento n\u00e3o sopra ou o Sol n\u00e3o est\u00e1 brilhando.<\/p>\n<p><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1CD6\/production\/_114028370_foto_1_bateria.jpg\" alt=\"Ve\u00edculo el\u00e9trico sendo recarregado\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ALAMY<\/span><\/span><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Demanda por baterias de maior dura\u00e7\u00e3o, capazes de armazenar mais carga, provavelmente aumentar\u00e1 \u00e0 medida que mais ve\u00edculos tradicionais sejam substitu\u00eddos por el\u00e9tricos<\/span><\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-credits\">Em todo o mundo, mais de 7 bilh\u00f5es de baterias de \u00edon-l\u00edtio s\u00e3o vendidas a cada ano e espera-se que esse n\u00famero cres\u00e7a para mais de 15 bilh\u00f5es at\u00e9 2027.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas, como sabemos por nossos telefones, que armazenam cada vez menos energia \u00e0 medida que envelhecem, as baterias de \u00edon de l\u00edtio apresentam limita\u00e7\u00f5es. Com o tempo, sua capacidade de reter uma carga diminui, o que significa que elas armazenam menos energia.<\/p>\n<p>Em climas extremamente quentes ou frios, seu desempenho tamb\u00e9m cai. E tamb\u00e9m existem preocupa\u00e7\u00f5es em torno de sua seguran\u00e7a e sustentabilidade &#8211; elas podem pegar fogo e explodir sob certas condi\u00e7\u00f5es, enquanto a minera\u00e7\u00e3o dos metais necess\u00e1rios para fabric\u00e1-las tem um alto custo social e ambiental.<\/p>\n<p>Isso vem estimulando cientistas de todo o mundo a tentar desenvolver novos tipos de bateria que possam superar esses obst\u00e1culos. Ao aproveitar uma variedade de materiais, de diamantes a frutas super fedidas, eles esperam encontrar novas maneiras de impulsionar as tecnologias do futuro.<\/p>\n<p>As baterias de \u00edon-l\u00edtio funcionam permitindo que part\u00edculas (\u00edons) de l\u00edtio carregadas movam eletricidade de uma extremidade \u00e0 outra, passando por um eletr\u00f3lito l\u00edquido no meio. Uma das coisas que torna as baterias de \u00edon de l\u00edtio t\u00e3o atraentes \u00e9 sua &#8220;densidade de energia&#8221; &#8211; a energia m\u00e1xima que uma bateria pode armazenar proporcionalmente a seu volume &#8211; que \u00e9 uma das mais altas de qualquer bateria dispon\u00edvel comercialmente no mercado. Elas tamb\u00e9m podem fornecer tens\u00f5es mais altas do que outras tecnologias de bateria.<\/p>\n<p>As baterias s\u00e3o essencialmente feitas de tr\u00eas componentes principais &#8211; um eletrodo negativo (\u00e2nodo), um eletrodo positivo (c\u00e1todo) e um eletr\u00f3lito entre eles. As fun\u00e7\u00f5es dos eletrodos alternam entre c\u00e1todo e \u00e2nodo, dependendo se a bateria est\u00e1 carregando ou descarregando.<\/p>\n<p>Em baterias de \u00edon de l\u00edtio, o c\u00e1todo \u00e9 normalmente feito de um \u00f3xido de metal e outro metal. Ao carregar, os \u00edons de l\u00edtio e el\u00e9trons se movem do c\u00e1todo para o \u00e2nodo, onde s\u00e3o &#8220;armazenados&#8221; como potencial eletroqu\u00edmico. Isso ocorre por meio de uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no eletr\u00f3lito que s\u00e3o acionadas pela energia el\u00e9trica que flui do circuito de carga.<\/p>\n<p>Quando uma bateria est\u00e1 em uso, os \u00edons de l\u00edtio fluem na dire\u00e7\u00e3o oposta do \u00e2nodo para o c\u00e1todo atrav\u00e9s do eletr\u00f3lito, enquanto os el\u00e9trons fluem atrav\u00e9s do circuito el\u00e9trico do dispositivo em que a bateria est\u00e1 instalada, fornecendo energia.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, ajustes nos materiais usados no c\u00e1todo e no \u00e2nodo ajudaram a melhorar a capacidade e a densidade de energia das baterias de \u00edons de l\u00edtio, mas as melhorias mais substanciais foram na queda do custo das baterias.<\/p>\n<p>&#8220;Chegou a um ponto em que a qu\u00edmica desenvolvida 35 anos atr\u00e1s se estabilizou&#8221;, diz Mauro Pasta, professor-associado de materiais da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e l\u00edder de projeto na The Faraday Institution, que est\u00e1 trabalhando na pr\u00f3xima fase das baterias de \u00edon-l\u00edtio.<\/p>\n<p>Seu objetivo \u00e9 aumentar a densidade de energia das baterias de \u00edon de l\u00edtio e, ao mesmo tempo, ampliar sua efici\u00eancia para que n\u00e3o percam energia com cargas e descargas repetidas.<\/p>\n<p>Para fazer isso, o professor Pasta est\u00e1 focado em substituir o fluido eletrol\u00edtico altamente inflam\u00e1vel encontrado em baterias de \u00edon-l\u00edtio modernas por um s\u00f3lido feito de cer\u00e2mica. O uso de um s\u00f3lido reduz o risco de combust\u00e3o de eletr\u00f3litos no caso de uma c\u00e9lula curta ou inst\u00e1vel, que estava por tr\u00e1s do recall de 2017 da Samsung de 2,5 milh\u00f5es de Galaxy Note 7s ap\u00f3s uma s\u00e9rie de inc\u00eandios por problemas na bateria.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 importante para a seguran\u00e7a do usu\u00e1rio e de seu entorno, pois at\u00e9 mesmo o eletr\u00f3lito de gel de pol\u00edmero encontrado na maioria de nossos eletr\u00f4nicos port\u00e1teis ainda \u00e9 inflam\u00e1vel.<\/p>\n<p>Essa bateria de estado s\u00f3lido tamb\u00e9m possibilita o uso de metal de l\u00edtio denso em vez do \u00e2nodo de grafite, o que aumenta significativamente a quantidade de energia que pode armazenar no processo. Neste sentido, pode ter implica\u00e7\u00f5es enormes no futuro dos autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>No momento, todo ve\u00edculo el\u00e9trico cont\u00e9m o equivalente a milhares de baterias de iPhone. Como os ve\u00edculos el\u00e9tricos parecem destinados a substituir aqueles movidos a combust\u00edveis f\u00f3sseis em muitos pa\u00edses nos pr\u00f3ximos anos, a mudan\u00e7a para baterias de estado s\u00f3lido significaria viagens mais longas e mais tempo entre as recargas.<\/p>\n<p>Nossa sede por bateria s\u00f3 tende a crescer nos pr\u00f3ximos anos, ao passo que cada vez mais meios de transporte se tornam el\u00e9tricos e a variedade de parafern\u00e1lias eletr\u00f4nicas port\u00e1teis em nossas vidas s\u00f3 aumenta. Sendo assim, devemos procurar alternativas ao l\u00edtio que possam diminuir o impacto no meio ambiente?<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6AF6\/production\/_114028372_foto_2_bateria.jpg\" alt=\"Salinas nos Andes\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Muito do l\u00edtio do mundo \u00e9 extra\u00eddo das enormes salinas da Am\u00e9rica do Sul, mas o processo usa grandes quantidades de \u00e1gua<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A regi\u00e3o do &#8220;Tri\u00e2ngulo de L\u00edtio&#8221; dos Andes &#8211; que inclui partes da Argentina, Bol\u00edvia e Chile &#8211; cont\u00e9m pouco mais da metade dos recursos naturais mundiais do metal. Mas extra\u00ed-lo requer \u00e1gua &#8211; muita \u00e1gua. Na regi\u00e3o do Salar de Atacama, no Chile, cerca de 1 milh\u00e3o de litros de \u00e1gua s\u00e3o usados no processo de minera\u00e7\u00e3o para produzir apenas 900 kg de l\u00edtio. O processo envolve a purifica\u00e7\u00e3o dos sais ricos em metais dissolvendo-os progressivamente em \u00e1gua, filtrando e evaporando a salmoura at\u00e9 que o sal de l\u00edtio puro seja obtido. \u00d3rg\u00e3os ambientais administrados pelo governo chileno, no entanto, alertaram que a minera\u00e7\u00e3o de metais &#8211; principalmente de l\u00edtio e cobre &#8211; na regi\u00e3o est\u00e1 usando mais \u00e1gua do que \u00e9 substitu\u00edda por neve e chuva.<\/p>\n<p>Para contornar isso, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe est\u00e3o trabalhando em baterias que usam diferentes metais no \u00e2nodo, como c\u00e1lcio ou magn\u00e9sio. O c\u00e1lcio \u00e9 o quinto elemento mais abundante na crosta terrestre e \u00e9 improv\u00e1vel que sofra dos mesmos problemas de abastecimento que o l\u00edtio, mas as pesquisas para melhorar o desempenho das baterias que o utilizam ainda est\u00e3o engatinhando. O magn\u00e9sio tamb\u00e9m apresenta resultados iniciais promissores, principalmente em termos de densidade energ\u00e9tica, e h\u00e1 planos de comercializa\u00e7\u00e3o no futuro.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 quem esteja buscando alternativas em materiais mais amplamente dispon\u00edveis, incluindo a madeira, por exemplo.<\/p>\n<p>Liangbing Hu, diretor do Centro de Inova\u00e7\u00e3o de Materiais da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, construiu recentemente uma bateria usando peda\u00e7os de madeira porosos e furados como eletrodos, dentro dos quais \u00edons met\u00e1licos reagem para gerar uma carga el\u00e9trica. A madeira \u00e9 abundante, de baixo custo e leve, e apresenta alto potencial de desempenho em baterias. As baterias mais recentes foram produzidas ap\u00f3s anos de pesquisa sobre a capacidade desse material de armazenar energia, incluindo o revestimento de fibras de celulose de madeira em estanho.<\/p>\n<p>Como a madeira evoluiu naturalmente para ser perme\u00e1vel aos nutrientes conforme eles s\u00e3o transportados pela planta, o material faz eletrodos com a capacidade de armazenar \u00edons de metal sem o risco de se espandir ou encolher perigosamente, como pode ocorrer com os eletrodos de bateria de \u00edon de l\u00edtio.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Todo mundo est\u00e1 carregando uma bateria de \u00edon de l\u00edtio extra\u00edda por crian\u00e7as<\/p>\n<footer>Jodie Lutkenhaus<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Embora a equipe de Hu preveja que as baterias \u00e0 base de madeira v\u00e3o poder ser usadas em nossos eletr\u00f4nicos port\u00e1teis, bem como no armazenamento de energia em grande escala em determinado momento, ainda n\u00e3o poderemos carregar nossos laptops com elas, pois ainda est\u00e3o sendo testadas em laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Essas baterias perdem a capacidade de armazenar uma carga relativamente r\u00e1pida &#8211; um prot\u00f3tipo s\u00f3 conseguia manter 61% de sua capacidade inicial ap\u00f3s 100 ciclos de recarga. No momento, a quantidade de madeira usada \u00e9 de v\u00e1rios cent\u00edmetros de largura e comprimento, e as baterias podem ser empilhadas ou conectadas para aplica\u00e7\u00f5es em larga escala, o que pode eventualmente ser \u00fatil para armazenar energia em casas ou outros edif\u00edcios.<\/p>\n<p>O l\u00edtio n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico metal encontrado na maioria das baterias modernas &#8211; a maioria tamb\u00e9m usa cobalto em combina\u00e7\u00e3o com l\u00edtio no c\u00e1todo. A minera\u00e7\u00e3o de cobalto gera um impacto t\u00f3xico que afeta a sa\u00fade das comunidades que vivem no entorno das minas e tamb\u00e9m o meio ambiente. A minera\u00e7\u00e3o de cobalto tamb\u00e9m \u00e9 prejudicada pelo uso de trabalho infantil, especialmente na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, na \u00c1frica, pa\u00eds que abriga mais da metade das minas de cobalto do mundo. As principais empresas de tecnologia, incluindo Apple, Tesla e Microsoft, foram recentemente processadas por mortes na minera\u00e7\u00e3o de cobalto.<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo est\u00e1 carregando uma bateria de \u00edon de l\u00edtio extra\u00edda por crian\u00e7as&#8221;, diz Jodie Lutkenhaus, engenheira qu\u00edmica da Texas A&amp;M University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Isso a inspirou a desenvolver alternativas para essas &#8220;baterias de sangue&#8221; usando prote\u00ednas, as mol\u00e9culas complexas criadas e usadas por organismos vivos. Os \u00e2nodos das baterias tendem a ser feitos de grafite e os c\u00e1todos s\u00e3o feitos de \u00f3xidos de metal que cont\u00eam elementos como o cobalto. Se eles puderem ser substitu\u00eddos por materiais org\u00e2nicos para ambos os eletrodos ativos, isso significa que o cobalto n\u00e3o precisar\u00e1 mais ser extra\u00eddo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B916\/production\/_114028374_foto_3_bateria.jpg\" alt=\"Aterro sanit\u00e1rio\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ALAMY<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Produtos qu\u00edmicos e metais pesados usados nas baterias podem vazar para o meio ambiente<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Isso n\u00e3o apenas descarta a necessidade de metais t\u00f3xicos que precisam ser extra\u00eddos do solo, mas tamb\u00e9m lan\u00e7a luz sobre outro legado ambiental das baterias de \u00edon-l\u00edtio. Se eliminados ap\u00f3s o uso em aterros sanit\u00e1rios, os metais e eletr\u00f3litos do \u00edon de l\u00edtio podem vazar para o meio ambiente, causando mais danos. Atualmente, apenas cerca de 5% das baterias de \u00edon-l\u00edtio usadas nos 1,5 bilh\u00e3o de smartphones vendidos a cada ano s\u00e3o recicladas.<\/p>\n<p>Desenvolvida em colabora\u00e7\u00e3o com sua colega Karen Wooley, na Texas A&amp;M University, a bateria de prote\u00edna de Lutkenhaus \u00e9 a primeira c\u00e9lula de energia do mundo que se degrada a partir de sua dissolu\u00e7\u00e3o em um \u00e1cido, o que significa que pode ser facilmente quebrada e usada novamente.<\/p>\n<p>Embora ela ainda n\u00e3o possa competir com o \u00edon de l\u00edtio &#8211; s\u00f3 fornece at\u00e9 1,5 V por cerca de 50 ciclos de recarga antes de perder pot\u00eancia &#8211; faz parte de uma s\u00e9rie de iniciativas sobre como a sustentabilidade est\u00e1 sendo levada em conta para o design de novas baterias.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Super fruta<\/h2>\n<p>Em outro desdobramento, um grupo de pesquisadores n\u00e3o est\u00e1 apenas tentando encontrar novas maneiras de fornecer energia a nossos dispositivos, mas tamb\u00e9m lidar com o problema do desperd\u00edcio de alimentos ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Vincent Gomes, engenheiro qu\u00edmico da Universidade de Sydney, e sua equipe, incluindo Labna Shabnam, est\u00e3o transformando os res\u00edduos da fruta mais fedorenta do mundo, o duri\u00e3o, e da maior fruta do mundo, a jaca, em um supercapacitor que pode carregar telefones celulares, tablets e laptops em minutos.<\/p>\n<p>Os supercapacitores s\u00e3o uma forma alternativa de armazenamento de energia. Eles agem como reservat\u00f3rios, capazes de carregar rapidamente e, em seguida, descarregar energia em rajadas. Eles tendem a ser feitos de materiais caros como o grafeno, mas a equipe de Gomes transformou partes n\u00e3o comest\u00edveis de duri\u00e3o e jaca em aerog\u00e9is de carbono &#8211; s\u00f3lidos superleves porosos &#8211; com propriedades &#8220;excepcionais&#8221; de armazenamento natural de energia. Eles aqueceram, liofilizaram e depois assaram o n\u00facleo esponjoso n\u00e3o comest\u00edvel de cada fruta em um forno a temperaturas de mais de 1.500 \u00b0C. As estruturas pretas, altamente porosas e ultraleves que resultaram desse processo poderiam ser transformadas em eletrodos de um supercapacitor de baixo custo.<\/p>\n<p>Os supercapacitores podem ser carregados em 30 segundos e usados para alimentar uma variedade de dispositivos.<\/p>\n<p>&#8220;Ser capaz de carregar um telefone celular em um minuto \u00e9 incr\u00edvel&#8221;, diz Shabnam.<\/p>\n<p>O sonho dos pesquisadores \u00e9 usar esses supercapacitores sustent\u00e1veis para armazenar eletricidade de fontes renov\u00e1veis de energia para uso em ve\u00edculos e resid\u00eancias.<\/p>\n<p>E isso antes de considerar os benef\u00edcios de encontrar um uso verde para o duri\u00e3o, j\u00e1 que mais de 70% dessas frutas tendem a ser jogadas fora.<\/p>\n<p>Em 2018, o mau cheiro impediu temporariamente a decolagem de um avi\u00e3o na Indon\u00e9sia. Tamb\u00e9m levou a uma evacua\u00e7\u00e3o em massa de uma biblioteca da Universidade de Canberra, na Austr\u00e1lia, no ano passado.<\/p>\n<p>Nos est\u00e1gios iniciais de sua pesquisa, o fedor se tornou um desafio para a mulher de Gomes, que retirou todos os restos da fruta fedorenta do freezer depois de apenas uma noite.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10736\/production\/_114028376_foto_4_bateria.jpg\" alt=\"Mulher manuseia durian\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">ALAMY<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A fruta duri\u00e3o, famosa por seu odor repugnante, poderia fornecer o material para fazer uma nova gera\u00e7\u00e3o de supercapacitores<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Outros tipos de res\u00edduos de plantas tamb\u00e9m podem ser usados para alimentar os dispositivos do futuro. Mikhail Astakhov, f\u00edsico qu\u00edmico da Universidade Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (MISiS) em Moscou, na R\u00fassia, transformou a hogweed, uma erva daninha de seiva t\u00f3xica que pode provocar bolhas quando em contato com a pele humana, em uma mat\u00e9ria-prima para um supercapacitor tecnicamente capaz de carregar um telefone.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Baterias s\u00e3o para sempre<\/h2>\n<p>Embora o impacto ambiental das baterias de \u00edon-l\u00edtio concentre as aten\u00e7\u00f5es da comunidade cient\u00edfica, outros pesquisadores v\u00eam se dedicando a enfrentar outras limita\u00e7\u00f5es desse dispositivo.<\/p>\n<p>Tom Scott, professor de materiais da Universidade de Bristol, no Reino Unido, diz n\u00e3o acreditar que as baterias de \u00edon-l\u00edtio v\u00e3o perder espa\u00e7o em seu uso convencional no pr\u00f3ximo s\u00e9culo. Mas, segundo ele, existem oportunidades quando se trata de armazenar energia em ambientes mais extremos.<\/p>\n<p>Junto com sua equipe, Scott tem desenvolvido baterias feitas de diamantes. Ao produzir diamantes artificiais que cont\u00eam carbono-14 radioativo, os pesquisadores conseguiram criar &#8220;baterias betavoltaicas&#8221; que produzem uma corrente constante e podem durar milhares de anos.<\/p>\n<p>Presos dentro da rede de diamante, os is\u00f3topos radioativos disparam el\u00e9trons de energia superalta \u00e0 medida que sofrem decaimento nuclear. Isso, por sua vez, cria uma chuva de el\u00e9trons atrav\u00e9s da estrutura do diamante que pode ser aproveitada para produzir uma corrente el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Do lado de fora, a radioatividade permaneceria em n\u00edveis seguros, dizem os pesquisadores.<\/p>\n<p>A equipe j\u00e1 criou um prot\u00f3tipo de &#8220;bateria de diamante&#8221; usando diamantes artificiais colocados dentro de um campo radioativo produzido pelo is\u00f3topo N\u00edquel-63, que dispara um fluxo de el\u00e9trons atrav\u00e9s do diamante. Mas agora eles est\u00e3o trabalhando em uma vers\u00e3o que usa carbono-14 extra\u00eddo de blocos de grafite usados em usinas nucleares. Ao transformar esse lixo nuclear em uma bateria de longa dura\u00e7\u00e3o, Scott e seus colegas esperam encontrar novo uso para o res\u00edduo dessas usinas \u00e0 medida que elas s\u00e3o desativadas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/151F1\/production\/_114031568_foto_5_bateria.jpg\" alt=\"Astronauta na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">NASA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Substituir as baterias dos sat\u00e9lites ou da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, ent\u00e3o c\u00e9lulas de armazenamento de energia mais duradouras seriam uma vantagem<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Trata-se de uma reviravolta&#8221;, diz Sophie Osbourne, que integra a equipe de Scott. &#8220;Por muito tempo, coletamos lixo nuclear e agora n\u00e3o estamos mais falando sobre armazenamento de longo prazo, mas sim reaproveit\u00e1-lo para produzir eletricidade.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de as baterias qu\u00edmicas como o \u00edon-l\u00edtio n\u00e3o terem bom desempenho em altas temperaturas, as de diamante podem funcionar em ambientes mais extremos onde n\u00e3o faltam alternativas, como no espa\u00e7o, no fundo do mar ou talvez no topo de um vulc\u00e3o. Elas seriam perfeitas para manter sat\u00e9lites e sensores computadorizados funcionando, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;As baterias s\u00e3o absolutamente min\u00fasculas&#8221;, diz Scott. At\u00e9 agora, os pesquisadores conseguiram gerar baterias de diamante que produzem 1,8 volts &#8211; semelhante a uma bateria AA &#8211; embora tenha uma corrente muito mais baixa. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o tecnicamente recarreg\u00e1veis, mas exigiriam algumas horas dentro de um n\u00facleo de reator para atingir sua pot\u00eancia original, diz Scott.<\/p>\n<p>Embora o fluxo constante de corrente criado \u00e0 medida que o material radioativo decai signifique que elas ir\u00e3o emitir eletricidade por um tempo incrivelmente longo &#8211; o carbono tem meia-vida de 5.730 anos, acrescentam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Apesar de serem feitas de diamante, \u00e9 improv\u00e1vel que, uma vez comercializadas, essas baterias sejam caras, diz Scott.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea ficaria surpreso com qu\u00e3o pouco os diamantes artificiais podem custar&#8221;.<\/p>\n<p>Nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, Scott diz acreditar que poder\u00edamos at\u00e9 mesmo come\u00e7ar a ver baterias de diamante de ultra-longa dura\u00e7\u00e3o aparecerem em nossas casas, talvez em detectores de fuma\u00e7a ou controles remotos de TV, ou em dispositivos m\u00e9dicos, como aparelhos auditivos ou marca-passos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da tecnologia port\u00e1til moderna. As baterias de \u00edon de l\u00edtio transformaram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132627,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/superfruta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Elas s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da tecnologia port\u00e1til moderna. As baterias de \u00edon de l\u00edtio transformaram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132623"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132623"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132623\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}