{"id":132619,"date":"2020-08-24T10:00:07","date_gmt":"2020-08-24T13:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132619"},"modified":"2020-08-24T09:24:09","modified_gmt":"2020-08-24T12:24:09","slug":"vale-da-morte-por-que-o-lugar-mais-quente-da-terra-nao-necessariamente-e-o-mais-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vale-da-morte-por-que-o-lugar-mais-quente-da-terra-nao-necessariamente-e-o-mais-perigoso\/","title":{"rendered":"Vale da Morte: por que o &#8216;lugar mais quente da Terra&#8217; n\u00e3o necessariamente \u00e9 o mais perigoso"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132620\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;J\u00e1 perdemos a paci\u00eancia com o calor que faz&#8221;, diz Brandi Stewart, que trabalha no Parque Nacional do Vale da Morte, na Calif\u00f3rnia (Estados Unidos). &#8220;Quando voc\u00ea sai de casa \u00e9 como ser atingido no rosto pelo ar vindo de secadores de cabelo.&#8221;<\/p>\n<p>O Parque Nacional do Vale da Morte \u00e9 uma vasta \u00e1rea deserta cheia de desfiladeiros e dunas de areia que se estendem pela fronteira com o Estado vizinho de Nevada.<\/p>\n<p>No domingo (16), o parque registrou a temperatura de 54,4\u00b0C \u2014 que pode ser a mais alta j\u00e1 aferida de forma confi\u00e1vel na Terra. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) afirma que ainda est\u00e1 verificando o registro.<\/p>\n<p>No entanto, na foto de Brandi, a placa que mostra a temperatura parece ter superaquecido.<\/p>\n<p>Brandi \u00e9 uma das poucas pessoas que se consideram em casa no local. O vale \u00e9 conhecido como o &#8220;lugar mais quente do mundo&#8221; \u2014 nos EUA, ao menos (embora o parque possa ter batido o recorde de temperatura mais alta j\u00e1 registrada, o lugar com temperatura m\u00e9dia mais alta ao longo do ano \u00e9 Dallol, na Eti\u00f3pia, no leste da \u00c1frica).<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-adchoices\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">\n<aside class=\"parrot\" role=\"region\" aria-label=\"Talvez tamb\u00e9m te interesse\">\n<div id=\"skip-recommendations\" class=\"off-screen\" tabindex=\"-1\"><\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/23AD\/production\/_114033190_ovo.jpg\" alt=\"Homem frita ovo em vale\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Homem tenta fritar ovo na rua de regi\u00e3o considerada muito quente<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Brandi Stewart vive intermitentemente no Vale da Morte h\u00e1 cinco anos, trabalhando no departamento de comunica\u00e7\u00e3o do parque.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 t\u00e3o quente que demorei um pouco para me acostumar com o fato de que voc\u00ea n\u00e3o consegue sentir o suor na pele porque ele evapora muito r\u00e1pido&#8221;, diz ela \u00e0 BBC. &#8220;Voc\u00ea pode sentir nas roupas, mas n\u00e3o sente o suor na pele. Seca muito r\u00e1pido.&#8221;<\/p>\n<p>Brandi diz que passa muito tempo no ver\u00e3o dentro de casa, onde tem ar condicionado, mas algumas pessoas optam por ir \u00e0s montanhas, onde as temperaturas s\u00e3o um pouco mais baixas.<\/p>\n<p>&#8220;Assim que as pessoas se acostumarem com o calor, come\u00e7am a normaliz\u00e1-lo, e qualquer coisa abaixo de 26\u00b0C parece frio&#8221;, brinca ela.<\/p>\n<p>Apesar das altas temperaturas, o Vale da Morte n\u00e3o \u00e9 um dos lugares mais perigosos \u00e0 sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>Isso porque \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o de temperatura e umidade, entre outros fatores, que pode tornar clima de uma regi\u00e3o mais seguro ou perigoso para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Vale da Morte \u00e9 seco, com \u00edndices de umidade do ar que giram em torno de 7%. A baixa umidade permite que o corpo lide melhor com a alta temperatura e consiga regular sua pr\u00f3pria temperatura com mais facilidade.<\/p>\n<p>Em locais muito quentes e muito \u00famidos, o suor n\u00e3o evapora com tanta facilidade \u2014 a evapora\u00e7\u00e3o do suor \u00e9 uma das principais formas de auto regula\u00e7\u00e3o da temperatura do corpo no calor.<\/p>\n<p>Ondas de calor que surgem em momentos onde a umidade do ar est\u00e1 alta tamb\u00e9m podem ser muito perigosas. Com o calor e a umidade, o corpo pode superaquecer, e a velocidade do vento tamb\u00e9m pode intensificar os perigos de uma onda de calor.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ar-condicionado<\/h2>\n<p>As pessoas da cidade no Vale da Morte t\u00eam ar-condicionado, o que mant\u00e9m as casas frescas enquanto n\u00e3o houver falta de energia \u2014 o que pode acontecer quando todos est\u00e3o tentando manter suas casas em uma temperatura confort\u00e1vel.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1250D\/production\/_114012057_2631b1b1-2b87-4dc7-9b26-0cbf947fa264.jpg\" alt=\"Paisagem des\u00e9rtica do Vale da Morte, sob um c\u00e9u azul com nuvens brancas\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">EPA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Vale da Morte \u00e9 um grande deserto com dunas de areias e canyons<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A maioria das pessoas que trabalha e vive no parque nacional mora na cidade de Furnace Creek, onde o recente recorde de temperatura foi registrado. A cidade est\u00e1 situada em um vale longo e estreito, cerca de 85 metros abaixo do n\u00edvel do mar. \u00c9 cercada por cadeias de montanhas altas e \u00edngremes.<\/p>\n<p>Jason Heser, nascido no Estado americano de Minnesota, mora em Furnace Creek e trabalha no campo de golfe. \u00c9 o campo de golfe mais baixo do mundo, a 85 metros abaixo do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 estive no Iraque duas vezes. Se posso aguentar o Iraque, posso aguentar o Vale da Morte&#8221;, diz o veterano de guerra.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7a a trabalhar no campo de golfe pouco antes das 5h e vai at\u00e9 \u00e0s 13h.<\/p>\n<p>&#8220;Assim que come\u00e7a a ficar mais quente, como agora, come\u00e7amos a trabalhar \u00e0s 4h, quando a temperatura ainda est\u00e1 abaixo de 40\u00b0&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A \u00e1gua usada para manter o campo em funcionamento vem de uma fonte natural subterr\u00e2nea. Heser faz parte de uma equipe que ajuda a manter a \u00e1rea em boas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7D65\/production\/_114010123_gettyimages-1172170082.jpg\" alt=\"Furnace Creek Golf Course\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A cidade de Furnace Creek tem o campo de golfe mais baixo do mundo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Cortamos a grama todos os dias, aparamos, arrumamos os bancos de areia. Estamos retirando \u00e1rvores que ca\u00edram porque est\u00e3o muito secas com o calor. Elas est\u00e3o ficando pesadas e quebrando. Passamos boa parte do dia recolhendo essas \u00e1rvores.&#8221;<\/p>\n<p>Heser foi morar no vale em outubro de 2019 e diz adorar seu trabalho. Ele planeja ficar l\u00e1 por alguns anos. O inverno compensa as altas temperaturas do ver\u00e3o, diz ele.<\/p>\n<p>Durante o tempo livre, ele gosta de jogar golfe no campo que se esfor\u00e7a tanto para manter. Mas isso significa come\u00e7ar bem cedo, \u00e0s 7h, para aguentar o calor, e passar por 18 buracos.<\/p>\n<p>&#8220;Adoro golfe&#8221;, diz ele. &#8220;Quando cheguei aqui, a temperatura estava \u00f3tima para shorts, polo, uma cerveja gelada ou um refrigerante gelado. Agora, se voc\u00ea abre uma bebida, j\u00e1 est\u00e1 quente quando voc\u00ea chega \u00e0 parte do percurso com grama baixa. \u00c9 preciso beber r\u00e1pido, o que torna o golfe interessante!&#8221;<\/p>\n<p>A temperatura de domingo foi descrita como possivelmente a mais quente j\u00e1 registrada &#8220;com seguran\u00e7a&#8221; na Terra. Existem duas temperaturas mais altas nos livros de registro &#8211; uma em Furnace Creek em 1913 (56\u00b0) e outra na Tun\u00edsia em 1931 (55\u00b0). Mas isso \u00e9 contestado por especialistas em clima.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CB85\/production\/_114010125_7f04385a-d097-4b8c-bc46-cc38aced783f.jpg\" alt=\"Sinal de alerta sobre o calor no Vale da Morte\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Vale da Morte \u00e9 conhecido como o &#8220;lugar mais quente da Terra&#8221;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Cientistas e meteorologistas modernos sugerem que essas duas leituras n\u00e3o eram precisas&#8221;, explica Simon King, da BBC Weather (servi\u00e7o de metereologia da BBC).<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea tem uma temperatura enorme como esta [em Furnace Creek], a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial investiga mais e analisa muitas informa\u00e7\u00f5es diferentes para verificar o registro&#8221;.<\/p>\n<p>Christopher Burt, historiador do clima, afirma que a temperatura registrada em 1913 no Vale da Morte \u00e9 suspeita devido a outras leituras na \u00e1rea naquela \u00e9poca. A leitura em Furnace Creek foi dois ou tr\u00eas graus mais alta do que em outras esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas ao redor, diz ele.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais o recorde de domingo, se confirmado, est\u00e1 sendo descrito por alguns especialistas dos EUA como o mais alto j\u00e1 &#8220;registrado de forma confi\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>A OMM diz que est\u00e1 procurando verificar, mas mesmo que o fa\u00e7a, ela classificar\u00e1 a temperatura como a terceira maior j\u00e1 registrada, atr\u00e1s do recorde de 1913 em Furnace Creek e o recorde de 1931 na Tun\u00edsia \u2014 apesar das d\u00favidas sobre eles.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 o argumento que outros lugares podem ter tido temperaturas mais quentes do que o Vale da Morte, mas os climatologistas simplesmente n\u00e3o as conhecem por falta de esta\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>Por enquanto, Furnace Creek \u00e9 o lugar com a temperatura mais alta j\u00e1 registrada.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas me perguntam como \u00e9 viver aqui&#8221;, diz Heser. &#8220;Sabe quando voc\u00ea est\u00e1 preparando comida, abre o forno e vem aquele bafo de ar quente na sua cara? Essa \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os perigos do calor<\/h2>\n<p>O calor pode levar pessoas \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o, \u00e0 exaust\u00e3o e at\u00e9 a infartos, problemas que podem ter consequ\u00eancias fatais \u2014 especialmente para idosos, crian\u00e7as e para quem tem problemas card\u00edacos, renais e doen\u00e7as respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ondas de calor, que mudam a temperatura repentinamente, podem ser mais perigosas do que regi\u00f5es onde o clima \u00e9 constantemente quente, explica Timothy Hewson, meteorologista do Centro Europeu de Previs\u00e3o do Tempo de M\u00e9dio Alcance (ECMWF, na sigla em ingl\u00eas). Isso porque a mudan\u00e7a brusca de temperatura<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mais fr\u00e1gil s\u00e3o as que mais sofrem se a temperaturas n\u00e3o caem para abaixo de 25\u00ba C durante a noite, explica Grahame Madge, meteorologista do Servi\u00e7o de Meteorologia do Reino Unido.<\/p>\n<p>Os diversos fatores fazem com que um outro tipo de medi\u00e7\u00e3o seja importante, al\u00e9m da temperatura em si: a medi\u00e7\u00e3o da &#8220;sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica&#8221;, que leva fatores como vento e umidade em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Que locais do mundo t\u00eam calor &#8220;insuport\u00e1vel&#8221;?<\/h2>\n<p>Um estudo recente publicado na revista cient\u00edfica Science Advances relatou que o mundo j\u00e1 est\u00e1 sofrendo com mais extremos de temperatura do que no passado.<\/p>\n<p>Os autores analisam a combina\u00e7\u00e3o de calor e umidade de 7,8 mil esta\u00e7\u00f5es de meteorologia pelo mundo entre 1980 e 2019.<\/p>\n<p>Eles dizem que a frequ\u00eancia de eventos meteorol\u00f3gicos extremos dobrou em algumas regi\u00f5es subtropicais costeiras durante o per\u00edodo de estudo.<\/p>\n<p>Esses eventos foram encontrados repetidamente em grande parte da \u00cdndia, Bangladesh e Paquist\u00e3o, no noroeste da Austr\u00e1lia e ao longo das costas do Mar Vermelho e do Golfo da Calif\u00f3rnia no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>As leituras mais altas foram observadas 14 vezes nas cidades de Dhahran e Dammam na Ar\u00e1bia Saudita, Doha no Qatar e Ras Al Khaimah nos Emirados \u00c1rabes Unidos, que t\u00eam popula\u00e7\u00f5es combinadas de mais de dois milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Partes do sudeste da \u00c1sia, sul da China, \u00c1frica subtropical e Caribe tamb\u00e9m foram atingidas.<\/p>\n<p>O sudeste dos Estados Unidos viu condi\u00e7\u00f5es extremas dezenas de vezes, principalmente perto da Costa do Golfo, no leste do Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama e o Panhandle da Fl\u00f3rida. As cidades de Nova Orleans e Biloxi foram as mais afetadas.<\/p>\n<p>&#8220;Os valores mais altos que discutimos ainda s\u00e3o muito raros para ter uma tend\u00eancia clara, mas ocorreram predominantemente desde 2000&#8221;, diz o autor principal do estudo Colin Raymond, pesquisador do Observat\u00f3rio Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia.<\/p>\n<p>De acordo com Steven Sherwood, um climatologista da Universidade de New South Wales na Austr\u00e1lia, &#8220;essas medi\u00e7\u00f5es implicam que algumas \u00e1reas da Terra est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximas do que o esperado de atingir um calor intoler\u00e1vel constante&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Antes, acreditava-se que t\u00ednhamos uma margem de seguran\u00e7a muito maior.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Quais s\u00e3o as \u00e1reas de maior risco?<\/h2>\n<p>A maioria desses incidentes tendeu a se agrupar em litorais ao longo de mares confinados, golfos e estreitos, onde a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar fornece umidade abundante para ser sugada pelo ar quente.<\/p>\n<p>\u00c9 a combina\u00e7\u00e3o de temperatura da superf\u00edcie do mar extraordinariamente alta (TSM) e intenso calor continental que pode causar calor \u00famido extremo.<\/p>\n<p>Isso levanta preocupa\u00e7\u00f5es sobre popula\u00e7\u00f5es de \u00e1reas mais pobres, que se aquecem rapidamente, e que n\u00e3o conseguir\u00e3o se proteger do calor.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas nos pa\u00edses mais pobres em risco n\u00e3o t\u00eam eletricidade, muito menos ar condicionado&#8221;, diz Radley Horton, um cientista pesquisador de Lamont-Doherty e co-autor do artigo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas l\u00e1 dependem da agricultura de subsist\u00eancia, exigindo trabalho pesado di\u00e1rio ao ar livre. Esses fatos podem tornar algumas das \u00e1reas mais afetadas basicamente inabit\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Imposs\u00edvel viver&#8217;<\/h2>\n<p>Pesquisadores da mudan\u00e7a clim\u00e1tica h\u00e1 muito alertam que a Terra testemunhar\u00e1 temperaturas &#8220;quase imposs\u00edveis de sustentar vida humana&#8221; em 2070.<\/p>\n<p>Mas as condi\u00e7\u00f5es descritas neste estudo sugerem que as temperaturas extremas combinando calor e umidade j\u00e1 est\u00e3o surgindo \u2014 embora brevemente e em \u00e1reas localizadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m reafirma a ideia de que essas ondas de calor \u00famido (e extremamente quentes) s\u00e3o projetadas para se tornarem muito mais frequentes sem redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vendo as temperaturas globais mais altas na \u00faltima d\u00e9cada e veremos mais. Conforme o di\u00f3xido de carbono continua a aumentar, veremos as temperaturas globais aumentarem&#8221;, diz a professora Liz Bentley, da Royal Meteorological Society, no Reino Unido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;J\u00e1 perdemos a paci\u00eancia com o calor que faz&#8221;, diz Brandi Stewart, que trabalha no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132620,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alta_temperatura.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8220;J\u00e1 perdemos a paci\u00eancia com o calor que faz&#8221;, diz Brandi Stewart, que trabalha no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132619"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}