{"id":132596,"date":"2020-08-23T19:47:54","date_gmt":"2020-08-23T22:47:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132596"},"modified":"2020-08-23T19:47:54","modified_gmt":"2020-08-23T22:47:54","slug":"de-olho-nos-riscos-dos-perigos-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-olho-nos-riscos-dos-perigos-naturais\/","title":{"rendered":"De olho nos riscos dos perigos naturais"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/obras.jpg\" width=\"640\" height=\"417\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Por Carlos Cort\u00e9s, superintendente de engenharia de riscos da Zurich \u2013\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Grandes desastres naturais nos proporcionam aprendizados valiosos sobre como ter mais resili\u00eancia na gest\u00e3o de riscos, pois aprender com o passado de maneira sistem\u00e1tica \u00e9 muito relevante. Embora a mortalidade causada por esses eventos tenha diminu\u00eddo na \u00faltima d\u00e9cada, na maioria dos lugares n\u00e3o houve sucesso significativo em deter as perdas econ\u00f4micas, nem os reflexos no bem-estar geral da sociedade.<\/p>\n<p>A crise causada pela Covid-19 \u00e9 um lembrete de que precisamos atualizar constantemente nosso olhar de cautela quando falamos de riscos, bem como refletir sobre o que mudou ou est\u00e1 prestes a mudar, e como podemos reconhecer melhor os indicadores iniciais para nos prevenir, nos preparar e responder a um evento \u2013 at\u00e9 porque mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e doen\u00e7as infecciosas s\u00e3o riscos globais que n\u00e3o conhecem fronteiras.<\/p>\n<p>Na Zurich, temos uma metodologia chamada Capacidade de Revis\u00e3o P\u00f3s-Evento (<em>PERC na sigla em ingl\u00eas<\/em>), que nos permite ilustrar desafios surpreendentemente semelhantes, enfrentados pelos gerentes de risco, independentemente de onde operam ou dos riscos que se deparam. E nossos pesquisadores parceiros cunharam o termo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lse.ac.uk\/GranthamInstitute\/publication\/\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.lse.ac.uk\/GranthamInstitute\/publication\/&amp;source=gmail&amp;ust=1597937114717000&amp;usg=AFQjCNF-y1gg_qum4moMRgt5V7y8hpIKOw\">\u201cdividendo triplo da resili\u00eancia\u201d<\/a>\u00a0para explicar os benef\u00edcios de investir em resili\u00eancia, j\u00e1 que estudos apontam que a cada US$ 1 nela investida, evitam-se US$ 5 em perdas futuras.<\/p>\n<p>O papel dos investimentos iniciais, em compara\u00e7\u00e3o com os custos operacionais, \u00e9 um t\u00f3pico recorrente das nossas an\u00e1lises p\u00f3s-evento \u2013 e a crise da Covid-19 \u00e9 um lembrete de que precisamos atualizar constantemente nosso radar de risco e refletir sobre o que mudou ou est\u00e1 prestes a mudar, e como podemos reconhecer melhor os indicadores iniciais para prevenir, preparar e responder a um evento.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ser indiferentes a isso. Ainda sobre a Covid-19, os investimentos no estoque de EPIs foram vistos como custos desnecess\u00e1rios para uma necessidade futura incerta. Depois viu-se que essa necessidade se materializou a um custo que excedeu em muito o que seria necess\u00e1rio para a provis\u00e3o de materiais. O estoque, no entanto, deve fazer parte de uma estrat\u00e9gia maior antes do evento para gerenciar o risco de uma pandemia.<\/p>\n<p>Isto foi visto em muitos dos nossos PERCs anteriores, que nos ensinaram que as perguntas a fazer n\u00e3o s\u00e3o apenas \u201ccomo impedir outro desastre, como o do furac\u00e3o Harvey, em Houston?\u201d ou, mais recentemente, \u201ccomo evitar a segunda onda da Covid-19?\u201d. Por\u00e9m, o mais importante: \u201cqual ser\u00e1 a pr\u00f3xima crise de pandemia que poderia ser equivalente ou pior que ela?\u201d. Tamb\u00e9m aprendemos que devemos responder a desastres sem esquecer outros riscos relevantes, e que temos que identificar proativamente eventos futuros prov\u00e1veis e garantir que eles permane\u00e7am no nosso radar.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o processo de como custos e benef\u00edcios s\u00e3o calculados precisam ser revisados de forma mais moderna. Como? Por meio da integra\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios intang\u00edveis, como a qualidade na tomada de decis\u00f5es. Porque, no caso da Covid-19, n\u00e3o \u00e9 o hospital sozinho que salva vidas, assim como, no caso do transbordamento de um rio, n\u00e3o \u00e9 a altura e o comprimento do dique sozinhos que proteger\u00e3o as pessoas. S\u00e3o fatores intang\u00edveis adicionais, como o planejamento, o comportamento e a tomada de decis\u00e3o social. Ou seja: precisamos ter uma vis\u00e3o mais no n\u00edvel do sistema, vendo o que \u00e9 bom no geral, n\u00e3o apenas no que \u00e9 para um indiv\u00edduo, empresa ou governo.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de riscos de desastres naturais, a cobertura de seguro bem analisada acelerar\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-evento, fornecendo fundos para ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o. Devido a isso, \u00e9 fundamental que as empresas entendam o n\u00edvel da exposi\u00e7\u00e3o e procurem consultoria especializada no risco de inunda\u00e7\u00e3o para determinar a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica e a cobertura apropriada. Ainda hoje h\u00e1 empresas que ficam localizadas pr\u00f3ximas a rios que transbordaram no passado e n\u00e3o contratam seguro pelo fato de elas nunca terem sido atingidas. S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria uma vari\u00e1vel diferente, como a obstru\u00e7\u00e3o de um bueiro pr\u00f3ximo, como gatilho para um evento que impacte o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ainda que o seguro tenha limita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 empresas com cobertura descobrir\u00e3o que \u00e9 improv\u00e1vel cobrir todos os custos, dar passos \u00e0 frente no tempo para mitigar o risco e facilitar a recupera\u00e7\u00e3o pode ajudar a reduzir os gastos p\u00f3s-evento.<\/p>\n<p>Como tal, o seguro deve ser considerado um elemento de resili\u00eancia financeira, sem, contudo, deixar de observar as li\u00e7\u00f5es do que funcionou ou n\u00e3o, a fim de nos prepararmos para o pr\u00f3ximo desastre ou evento, caso ocorram.<\/p>\n<figure id=\"attachment_242715\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-242715\"><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/CarlosCortes491-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-242715 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/CarlosCortes491-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-242715\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Cortes<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><i>Carlos Cort\u00e9s \u00e9\u00a0superintendente de engenharia de riscos da Zurich Seguros, onde trabalha desde setembro de 2011. Na fun\u00e7\u00e3o, ele lidera uma equipe de Engenharia de Risco,\u00a0que fornece consultoria de gerenciamento de riscos para clientes locais e globais. Engenheiro formado pela Universidad Tecnol\u00f3gica de M\u00e9xico, Cort\u00e9s possui especializa\u00e7\u00f5es em Gest\u00e3o de Projetos pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral e em BCM pela\u00a0<\/i><i>Buckinghamshire New University, no Reino Unido, e um MBA pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/i><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Cort\u00e9s, superintendente de engenharia de riscos da Zurich \u2013\u00a0 Grandes desastres naturais nos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Carlos Cort\u00e9s, superintendente de engenharia de riscos da Zurich \u2013\u00a0 Grandes desastres naturais nos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132596"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132596\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}