{"id":132552,"date":"2020-08-23T13:30:52","date_gmt":"2020-08-23T16:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132552"},"modified":"2020-08-22T21:28:49","modified_gmt":"2020-08-23T00:28:49","slug":"comercio-ilegal-de-papagaios-abastece-mercado-de-animais-de-estimacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/comercio-ilegal-de-papagaios-abastece-mercado-de-animais-de-estimacao\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio ilegal de papagaios abastece mercado de animais de estima\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132553\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Principal destino dos filhotes traficados \u00e9 a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde ao menos 12 mil filhotes chegam anualmente por meio do tr\u00e1fico<\/h4>\n<p>A coleta de filhotes e de ovos de\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">papagaios-verdadeiros<\/span>\u00a0(<i>Amazona aestiva<\/i>) no Cerrado brasileiro por\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">traficantes de animais<\/span>\u00a0\u00e9 um dos crimes ambientais mais previs\u00edveis no pa\u00eds. H\u00e1 d\u00e9cadas, entre agosto e novembro, per\u00edodo reprodutivo da esp\u00e9cie, quadrilhas recolhem dos ninhos as\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">aves rec\u00e9m-nascidas<\/span>\u00a0para abastecer o\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">mercado ilegal de bichos de estima\u00e7\u00e3o<\/span>. N\u00e3o h\u00e1 dados precisos que indiquem a quantidade de aves que perdem a liberdade ou morrem nesse processo, mas sabe-se que s\u00e3o milhares todos os anos.<\/p>\n<p>\u201cPelo menos para a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, certamente mais de 12 mil filhotes entram anualmente para atender o com\u00e9rcio ilegal\u201d, afirma o presidente da ONG\u00a0<a href=\"https:\/\/sosfauna.org.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\">SOS Fauna<\/a>, Marcelo Pavlenco Rocha, que h\u00e1 18 anos acompanha o tr\u00e1fico dos papagaios-verdadeiros do Cerrado. De acordo com a pesquisadora e coordenadora do Projeto Papagaio-verdadeiro, Gl\u00e1ucia Helena Fernandes Seixas, mais de 11 mil filhotes deram entrada no Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (Cras) do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) ap\u00f3s serem apreendidos por \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o no Estado nos \u00faltimos 32 anos.<\/p>\n<p>E Gl\u00e1ucia ainda destaca: a maior parte das aves n\u00e3o \u00e9 apreendida.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Papagaios apreendidos\" src=\"https:\/\/cdn4.ecycle.com.br\/cache\/images\/2020-08\/50-650-papagaio-verdadeiro.jpg\" alt=\"Papagaios apreendidos\" width=\"640\" height=\"393\" \/><i>Apreens\u00e3o de filhotes de papagaio-verdadeiro realizada em Ourinhos (SP). Foto: Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal.<\/i><\/div>\n<p>\u201cConsiderando que muitos filhotes morrem nas diferentes fases desse ato ilegal, que envolve a captura nos ninhos, a manuten\u00e7\u00e3o em recipientes insalubres e o transporte inadequado, e que a fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue interceptar a maioria dos filhotes pegos ilegalmente na natureza, estima-se que os animais que chegam aos centros de triagem representam apenas uma pequena parcela do total de papagaios-verdadeiros retirados da natureza\u201d, relata Gl\u00e1ucia, que desde 1992 atua na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Os papagaios-verdadeiros est\u00e3o classificados na categoria \u201c<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/22686332\/154573813\" rel=\"external noopener noreferrer\">esp\u00e9cie quase amea\u00e7ada<\/a>\u201d na Lista Nacional Oficial de Esp\u00e9cies da Fauna Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o e pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em ingl\u00eas). \u201cEsta categoria \u00e9 atribu\u00edda \u00e0s esp\u00e9cies que est\u00e3o pr\u00f3ximas ou apresentam grande probabilidade de chegarem ao\u00a0<i>status<\/i>\u00a0de \u2018amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o\u2019\u201d, explica Gl\u00e1ucia.<\/p>\n<p>A\u00a0<i>Amazona aestiva<\/i>\u00a0\u00e9 uma das esp\u00e9cies contempladas no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/837-plano-de-acao-nacional-para-conservacao-dos-papagaios-da-mata-atlantica\" rel=\"external noopener noreferrer\">Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o dos Papagaios (PAN Papagaios)<\/a> do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Ela \u00e9 apontada como a mais traficada entre as seis esp\u00e9cies inclu\u00eddas no PAN e, segundo Gl\u00e1ucia, a mais visada pelo com\u00e9rcio ilegal entre as 12 de papagaios nativos do pa\u00eds. \u201cIsso se deve a sua fama de \u2018melhor falador\u2019 quando comparada \u00e0s demais esp\u00e9cies, caracter\u00edstica que gerou a sua denomina\u00e7\u00e3o como papagaio-verdadeiro\u201d, explica a ambientalista.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de fauna \u00e9 uma das principais amea\u00e7as aos papagaios-verdadeiros. Eles tamb\u00e9m sofrem com a destrui\u00e7\u00e3o e a descaracteriza\u00e7\u00e3o de seu habitat promovidas por desmatamento, queimadas e amplia\u00e7\u00e3o de pastagens e \u00e1reas agr\u00edcolas, al\u00e9m da ca\u00e7a por repres\u00e1lia de agricultores desgostosos pelos danos gerados \u00e0s planta\u00e7\u00f5es pelas aves.<\/p>\n<h2>Como agem os traficantes<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de viverem no Cerrado, os papagaios-verdadeiros s\u00e3o encontrados na Caatinga, no Pantanal e na Mata Atl\u00e2ntica. Vivem em estados do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Aves da esp\u00e9cie tamb\u00e9m habitam \u00e1reas da Bol\u00edvia e do Paraguai.<\/p>\n<p>Atualmente, o Cerrado \u00e9 o epicentro do tr\u00e1fico da esp\u00e9cie no Brasil, sendo o Mato Grosso do Sul o estado que considera essa atividade ilegal um de seus maiores problemas ambientais. As quadrilhas tamb\u00e9m agem em Mato Grosso, Goi\u00e1s, Tocantins, Minas Gerais, Maranh\u00e3o, sul do Piau\u00ed e oeste da Bahia.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/papagaioverdadeiro.wordpress.com\/\" rel=\"external noopener noreferrer\">Projeto Papagaio-verdadeiro<\/a>, hoje executado pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.parquedasaves.com.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\">Parque das Aves<\/a>\u00a0em parceria com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fundacaoneotropica.org.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\">Funda\u00e7\u00e3o Neotr\u00f3pica do Brasil<\/a>, foi criado por Gl\u00e1ucia em 1997 exatamente por causa da a\u00e7\u00e3o de traficantes de filhotes que agem no Mato Grosso do Sul. A partir das pesquisas que realizou e de que participou, Gl\u00e1ucia identificou que, em geral, a postura dos ovos ocorre em agosto, os nascimentos em setembro e o voo dos jovens em novembro.<\/p>\n<p>Essa sazonalidade bem definida e o fato de os casais de papagaios-verdadeiros sempre buscarem as mesmas \u00e1rvores para botar seus ovos e cuidar dos filhotes rec\u00e9m-nascidos permitem aos traficantes de animais um bom planejamento de suas atividades, bem como pouco esfor\u00e7o para recolherem suas \u201cmercadorias\u201d. No caso do Mato Grosso do Sul, cerca de um m\u00eas antes dos nascimentos, os criminosos se dirigem \u00e0 regi\u00e3o da divisa do estado com os territ\u00f3rios paulista e paranaense, onde acertam com sitiantes, assentados, trabalhadores rurais e outros moradores o pre\u00e7o pelos filhotes e os detalhes para a retirada deles.<\/p>\n<p>A coleta das aves \u00e9 mais intensa nos munic\u00edpios de Jate\u00ed, Bataypor\u00e3, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anauril\u00e2ndia, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina, Brasil\u00e2ndia, Navira\u00ed e Mundo Novo.<\/p>\n<p>Rocha relata que os apanhadores de filhotes recebem entre R$ 25 e R$ 40 por cada um. O tenente-coronel Ednilson Paulino Queiroz, do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul, afirma que o valor pode chegar a R$ 60. As pequenas aves, boa parte ainda sem penas e com olhos fechados, s\u00e3o armazenadas escondidas na mata, nos assentamentos ou nas pr\u00f3prias casas dos moradores que se envolvem com o tr\u00e1fico de fauna. Elas s\u00e3o levadas para fora do estado em carros pequenos, onde viajar\u00e3o por horas amontoadas em caixas, com pouca ventila\u00e7\u00e3o e \u00e1gua.<\/p>\n<p>De acordo com Queiroz, a maior parte dos filhotes do Mato Grosso do Sul tem como destino a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. Uma parcela menor segue para o Paran\u00e1. Rocha, da SOS Fauna, tamb\u00e9m destaca que aves coletadas no Cerrado de outros estados s\u00e3o destinadas para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Bras\u00edlia. Em territ\u00f3rio paulista, as aves s\u00e3o oferecidas em feiras de rua e pela internet por pre\u00e7os que variam de R$ 200 a R$ 450 cada. Uma ave legalizada custa mais de R$ 3 mil.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de ovos \u00e9 um fen\u00f4meno conhecido, mas n\u00e3o h\u00e1 registros de apreens\u00f5es por serem mais facilmente escondidos pelos bandidos. Em geral, eles s\u00e3o destinados ao mercado internacional pela facilidade de transporte, j\u00e1 que papagaios vivos s\u00e3o barulhentos e exigem mais espa\u00e7o e cuidados.<\/p>\n<h2>A\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vyMbtdHuOl8\" width=\"750\" height=\"341\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><i>21 de setembro de 2017: Equipe da Pol\u00edcia Militar do MS encontra 112 filhotes de papagaios-verdadeiros em carca\u00e7a de geladeira escondida no mato em Novo Horizonte do Sul. Cr\u00e9dito: sargento Jos\u00e9 Luiz\/PM MS.<\/i><\/div>\n<p>Para tentar coibir a a\u00e7\u00e3o dos traficantes, a Pol\u00edcia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul tem diferentes estrat\u00e9gias. Os policiais passam nas propriedades que t\u00eam papagaios se reproduzindo para orientar moradores e vizinhos a n\u00e3o se envolverem com os traficantes de animais que encomendam os filhotes, patrulham \u00e1reas com ninhos que sejam poss\u00edveis de serem acessadas, montam bloqueios nas estradas rurais e monitoram, a partir de um banco de dados, moradores que j\u00e1 trabalharam para as quadrilhas.<\/p>\n<p>Do efetivo de 330 policiais ambientais da PM do Mato Grosso do Sul, 25 s\u00e3o destacados para atuarem na repress\u00e3o ao tr\u00e1fico de filhotes. Os trabalhos s\u00e3o realizados a partir de levantamentos dos setores de intelig\u00eancia da Pol\u00edcia Militar. \u201cAinda alertamos os policiais rodovi\u00e1rios federais e as unidades da Pol\u00edcia Militar de \u00e1rea, que t\u00eam sido fundamentais nesse per\u00edodo. Enquanto os policiais ambientais fazem o trabalho para evitar a retirada dos ninhos, a PM local tem conseguido apreender aqueles que n\u00e3o conseguimos evitar a retirada\u201d, explica Queiroz.\u00a0Apesar de o trabalho ser feito h\u00e1 anos, grande quantidade de filhotes ainda \u00e9 retirada.<\/p>\n<p>Rocha \u00e9 um cr\u00edtico aos trabalhos realizados para reduzir o tr\u00e1fico de papagaios-verdadeiros do Cerrado. \u201cNada mudou. Pelo contr\u00e1rio, nos \u00faltimos seis ou sete anos s\u00f3 vem piorando\u201d, afirma. Para ele, a falta de articula\u00e7\u00e3o dos diferentes \u00f3rg\u00e3os do pr\u00f3prio poder p\u00fablico, que tamb\u00e9m n\u00e3o chama institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil para participar das a\u00e7\u00f5es, torna o trabalho ineficiente. \u201c\u00c9 preciso elaborar um protocolo de procedimentos que ir\u00e1 variar de estado para estado, al\u00e9m do que o poder p\u00fablico sozinho n\u00e3o tem for\u00e7a para isso devido \u00e0s v\u00e1rias linhas de pensamento dentro de cada institui\u00e7\u00e3o\u201d, resume o presidente da SOS Fauna.<\/p>\n<p>Para Gl\u00e1ucia, a amplia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o contra o tr\u00e1fico de papagaios-verdadeiros, iniciada nos \u00faltimos anos no Mato Grosso do Sul, \u00e9 fundamental para coibir essa atividade nas regi\u00f5es mais afetadas. \u201cPor\u00e9m, \u00e9 importante que se mantenham, ano ap\u00f3s ano, no per\u00edodo de maior intensidade de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, em toda a extens\u00e3o do Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica do estado. Assim, de forma cont\u00ednua e eficaz, \u00e9 poss\u00edvel ter resultados positivos em m\u00e9dio e longo prazos\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Queiroz, da PM Ambiental, considera ser necess\u00e1rio o aumento das penas. Atualmente, apesar de o tr\u00e1fico de fauna n\u00e3o ser um crime tipificado nas leis brasileiras, as atividades que o formam, como a captura, o armazenamento, o transporte e a venda de animais sem autoriza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico s\u00e3o il\u00edcitos previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei n\u00ba 9.605\/1998). Pelo fato de a pena prevista para esses crimes ser de seis meses a um ano de deten\u00e7\u00e3o, eles acabam classificados pela Lei n\u00ba 9.099\/1995 como de \u201cmenor potencial ofensivo\u201d. Isso faz com que para esses delitos seja elaborado um Termo Circunstanciado de Ocorr\u00eancia e haja a possibilidade de ser arbitrada uma fian\u00e7a ao suspeito, que em geral responder\u00e1 pelo crime em liberdade.<\/p>\n<p>Nesses casos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 obrigado a oferecer a possibilidade da transa\u00e7\u00e3o penal (pagamento de multa ou realiza\u00e7\u00e3o de atividades para a comunidade) que, se aceita pelo suspeito, faz com que n\u00e3o haja abertura de processo judicial. \u201cPara se ter ideia, houve traficante que prendemos tr\u00eas vezes no mesmo per\u00edodo reprodutivo\u201d, relata Queiroz.<\/p>\n<h2>Consequ\u00eancias do tr\u00e1fico<\/h2>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de papagaios-verdadeiros pela a\u00e7\u00e3o dos traficantes de animais n\u00e3o \u00e9 resultado somente da retirada constante de filhotes e ovos. Para essas aves, os ninhos s\u00e3o os ocos e as cavidades existentes nos troncos de \u00e1rvores como a bocaiuva ou o jeriv\u00e1 que, n\u00e3o raramente, s\u00e3o danificados durante sua a\u00e7\u00e3o. Cada vez mais h\u00e1 menos cavidades dispon\u00edveis para a reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. \u201cO resultado disso tudo \u00e9 que muitas popula\u00e7\u00f5es naturais de papagaios-verdadeiros podem estar diminuindo ou envelhecendo\u201d, explica Gl\u00e1ucia.<\/p>\n<p>Com menos aves cumprindo suas fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, existe a possibilidade de ocorrer altera\u00e7\u00f5es e desequil\u00edbrios nos ecossistemas onde vivem.\u00a0Outro problema \u00e9 a possibilidade da transmiss\u00e3o de zoonoses, as doen\u00e7as transmitidas por animais aos humanos. No caso dos papagaios-verdadeiros, pode-se destacar a psitacose, enfermidade end\u00eamica no Brasil, de diagn\u00f3stico complexo e que pode causar pneumonia nas pessoas, levando-as \u00e0 morte.<\/p>\n<h2>Um mercado incentivado pela cultura<\/h2>\n<p>Desde a chegada dos portugueses no Brasil, no s\u00e9culo 16, papagaios s\u00e3o criados como animais de estima\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A atra\u00e7\u00e3o por essas aves est\u00e1 na intera\u00e7\u00e3o delas com as pessoas e no potencial de imitarem a voz humana. At\u00e9 1967, quando entrou em vigor a Lei n\u00ba 5.197, o Estado brasileiro pouco atuou na regulamenta\u00e7\u00e3o da captura, com\u00e9rcio e cria\u00e7\u00e3o de animais silvestres como bichos de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, existem no Brasil diversos criadores comerciais legalizados de papagaios-verdadeiros. De acordo com o relat\u00f3rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.worldanimalprotection.org.br\/sites\/default\/files\/media\/br_files\/documents_br\/wap-relatorio-crueldade-a-venda-062019.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\">Crueldade \u00e0 Venda \u2013 O problema da cria\u00e7\u00e3o de animais silvestres como\u00a0<i>pet<\/i>,<\/a>\u00a0lan\u00e7ado em 2019 pela ONG Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial, dos 246 criadouros comerciais legalizados de aves nativas do pa\u00eds, 74 reproduzem e vendem\u00a0<i>Amazona aestiva<\/i>. Ainda assim, o tr\u00e1fico de aves da esp\u00e9cie \u00e9 intenso, sendo o oitavo animal mais traficado do pa\u00eds entre 1998 e 2018, segundo pesquisa citada pela ONG em sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o gerente de Campanhas de Vida Silvestre da ONG, o bi\u00f3logo Maur\u00edcio Forlani, o com\u00e9rcio legalizado n\u00e3o tem uma a\u00e7\u00e3o efetiva contra o tr\u00e1fico, tanto que as esp\u00e9cies mais comercializadas legalmente por anos t\u00eam grande sobreposi\u00e7\u00e3o com a lista das mais traficadas. \u201cA redu\u00e7\u00e3o da demanda por animais silvestres \u00e9 sem d\u00favida uma das maiores for\u00e7as contra o tr\u00e1fico\u201d, afirma o ambientalista, que defende tamb\u00e9m o fim do com\u00e9rcio legalizado de animais silvestres para o mercado\u00a0<i>pet<\/i>.<\/p>\n<p>Segundo Forlani, investir em educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 essencial para conseguir fazer as pessoas enxergarem que gostar de um animal n\u00e3o significa ter posse sobre ele. \u201cN\u00e3o vejo a repress\u00e3o de forma isolada como um meio efetivo no combate ao tr\u00e1fico de papagaios, mesmo que sejam feitos os avan\u00e7os necess\u00e1rios na legisla\u00e7\u00e3o. Temos que diminuir a demanda por papagaios silvestres e investir em programas que tragam a popula\u00e7\u00e3o para desfrutar da natureza no ambiente natural\u201d.<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucia concorda. Ela considera ser essencial a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o das comunidades locais onde ocorre o tr\u00e1fico e a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade para que as pessoas n\u00e3o comprem os papagaios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Principal destino dos filhotes traficados \u00e9 a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde ao menos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/papagaio-3.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Principal destino dos filhotes traficados \u00e9 a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde ao menos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132552\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}