{"id":132349,"date":"2020-08-19T13:00:49","date_gmt":"2020-08-19T16:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132349"},"modified":"2020-08-19T12:36:18","modified_gmt":"2020-08-19T15:36:18","slug":"fogo-no-pantanal-ameaca-um-dos-maiores-santuarios-da-arara-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fogo-no-pantanal-ameaca-um-dos-maiores-santuarios-da-arara-azul\/","title":{"rendered":"Fogo no Pantanal amea\u00e7a um dos maiores santu\u00e1rios da arara-azul"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132350\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Direto de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e desde fevereiro monitorando o avan\u00e7o do fogo, a bi\u00f3loga e presidente do Instituto Arara-Azul, Neiva Guedes, conversou com ((o))eco sobre o impacto desta que \u00e9 uma das maiores trag\u00e9dias ambientais do bioma em d\u00e9cadas e com propor\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias ainda incalcul\u00e1veis.<\/p>\n<p>As araras-azuis s\u00e3o emblem\u00e1ticas do Pantanal e fazem parte do grupo de esp\u00e9cies consideradas carism\u00e1ticas. Elas simbolizam a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie, fruto de um trabalho de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas da bi\u00f3loga, retratada no projeto de reportagem e documenta\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/mulheresnaconservacao.com\/\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Mulheres na Conserva\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Conversamos com a Neiva Guedes na segunda-feira, dia 17 de agosto de 2020, quando o fogo j\u00e1 cercava a \u00e1rea de dormit\u00f3rio da Fazendo S\u00e3o Francisco do Perigara, a 150 km de Cuiab\u00e1. Esta \u00e9 uma regi\u00e3o \u00fanica para a esp\u00e9cie, representando 15% da popula\u00e7\u00e3o total destes animais livres na natureza.\u00a0Os impactos ainda est\u00e3o acontecendo. Mas as perspectivas de futuro para a esp\u00e9cie n\u00e3o s\u00e3o boas.<\/p>\n<p><strong>((o))eco: Qual \u00e9 import\u00e2ncia da Fazenda S\u00e3o Francisco do Perigara para a esp\u00e9cie?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_83521\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 232px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-83521\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-83521\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Neiva-Guedes-com-filhote-AA-Pantanal-Foto-Eveline-Guedes-3.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Neiva-Guedes-com-filhote-AA-Pantanal-Foto-Eveline-Guedes-3.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Neiva-Guedes-com-filhote-AA-Pantanal-Foto-Eveline-Guedes-3-226x300.jpg 226w\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"309\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-83521\" class=\"wp-caption-text\">A pesquisadora Neiva Guedes com filhote de arara azul. Foto: Eveline Guedes.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Neiva Guedes:<\/strong>\u00a0A situa\u00e7\u00e3o do fogo no Pantanal est\u00e1 ocorrendo desde fevereiro. Venho acompanhando, mas a dist\u00e2ncia. Pegou muito na regi\u00e3o de Corumb\u00e1, Serra do Amolar, um pedacinho da Bol\u00edvia e Paraguai, mas n\u00e3o tinha sa\u00eddo dessa regi\u00e3o. No final de julho, recebi uma mensagem de que o fogo estava indo para a regi\u00e3o da Fazenda. Ela faz divisa com um territ\u00f3rio ind\u00edgena, da etnia Bororo e com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Reserva_Particular_do_Patrim%C3%B4nio_Natural_SESC_Pantanal\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">RPPN Sesc Pantanal<\/a>, a maior RPPN do centro-oeste, com 110 mil hectares. Na beira do rio S\u00e3o Louren\u00e7o tem esta propriedade privada, com 25 mil hectares. A import\u00e2ncia desta fazenda para a conserva\u00e7\u00e3o das araras \u00e9 que ela possui um ponto tradicional h\u00e1 mais de 60 anos usado como dormit\u00f3rio pelas aves. Isto aconteceu porque o propriet\u00e1rio original, o falecido Francisco Barreto (hoje a fazenda est\u00e1 a cargo das irm\u00e3s Ana Maria Barreto e Maria In\u00eas Barreto), quando adquiriu a propriedade nos anos 1960 observou que havia na \u00e1rea um aglomerado das araras perto da sede. Centenas de araras iam para essa regi\u00e3o todas as noites.<\/p>\n<p>Quando comecei o Projeto Arara-Azul ele me mandou e-mail falando sobre isso. Demorei um pouco para ir ao local e constatar que realmente era uma coisa \u00fanica. Nunca tinha visto tamanha concentra\u00e7\u00e3o. Em 2001 come\u00e7amos a monitorar a \u00e1rea, com o Pedro Scherer fazendo o censo. E no ano passado publicamos um estudo sobre a flutua\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o entre os per\u00edodos de seca e cheia. E constamos que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o \u00fanica. N\u00e3o existe em outro lugar do planeta outra concentra\u00e7\u00e3o assim. S\u00e3o araras n\u00e3o reprodutivas na sua maioria (jovens e adultos n\u00e3o reprodutivos) que congregam todos os finais de tarde para dormirem juntas. Esta popula\u00e7\u00e3o representa 15% de todas as araras livres na natureza do Pantanal e da popula\u00e7\u00e3o total de araras-azuis representa 20%.<\/p>\n<p>\u00c9 uma propriedade que tem o estilo tradicional antigo de fazenda da regi\u00e3o. Com pouca gente, cuidam do gado a cavalo. O gado vai rodando de piquete ao longo do ano pela propriedade e ele vai trazendo os frutos de acuri e bocaiuva. O boi come a polpa e regurgita mont\u00edculos pelo campo onde as araras aproveitam para se alimentar. Al\u00e9m do dormit\u00f3rio, temos essa concentra\u00e7\u00e3o das araras durante o dia seguindo o gado. Por isso \u00e9 extremamente importante n\u00e3o s\u00f3 para o Instituto, mas para a conserva\u00e7\u00e3o das araras.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 o impacto para esta popula\u00e7\u00e3o \u00fanica com esta realidade do fogo cercando a \u00e1rea de dormit\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neiva:<\/strong>\u00a0T\u00eam araras n\u00e3o reprodutivas, mas tamb\u00e9m t\u00eam araras reprodutivas. Temos 30 ninhos naturais cadastrados e mais 20 ninhos artificiais instalados, porque n\u00e3o havia mutas cavidades quando a gente come\u00e7ou a monitorar a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa propriedade tamb\u00e9m tem uma parte de vegeta\u00e7\u00e3o tipo uma floresta, e uma outra t\u00edpica de Cerrado, com cap\u00f5es, cordilheiras, onde fica mais o gado e as araras. Fomos alertados no final de julho de que o fogo estava chegando. Fogo vindo da reserva ind\u00edgena, onde queimou quase tudo. E partir da\u00ed come\u00e7amos a ligar para todos porque a gente sabe do impacto deste fogo para a araras.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que vai faltar comida. Isso \u00e9 certo, porque j\u00e1 queimaram quase todas as palmeiras de acuri e bocaiuva, al\u00e9m do que, j\u00e1 estava faltando \u00e1gua, porque estava extremamente seco, os po\u00e7os tinham secado, as bias estavam extremamente secas. Se n\u00e3o tivesse o fogo, j\u00e1 seria muito rude, muito duro para as araras suportarem. Al\u00e9m da \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o, devem ter ninhos que foram queimados, mas que s\u00f3 vamos saber quando acabar totalmente o fogo, que \u00e9 quando vamos conseguir fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do impacto. Sabemos que os efeitos das queimadas naquela \u00e1rea s\u00e3o muito grandes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_83507\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-83507\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-83507 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Oeco_Araras-azuis-comendo-frutos-de-palmeiras-regurgitados-pelo-gado_Foto-Luciano-Candisani-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-83507\" class=\"wp-caption-text\">Araras azuis comendo frutos de palmeiras regurgitados pelo gado. Foto: Luciano Candisani<\/figcaption><\/figure>\n<p>A primeira medida foi tentar proteger pelo menos o dormit\u00f3rio. Porque \u00e9 um espa\u00e7o pequeno, basicamente um cap\u00e3o em frente a sede. At\u00e9 este dia [da entrevista, 17\/08\/2020] ainda est\u00e1 conservado, porque tem se feito de todos os esfor\u00e7os para proteg\u00ea-lo. A arara \u00e9 um bicho que tem rota, hor\u00e1rio, tem costume.<\/p>\n<p>Outro agravante: \u00e9 nesta regi\u00e3o que, desde 2015, estamos vendo as araras sofrerem outro impacto, do herpes v\u00edrus.<\/p>\n<p>N\u00f3s devemos ir \u00e0 regi\u00e3o assim que chover, quando tivermos certeza de que o fogo acabou, para poder fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do impacto. Espero que at\u00e9 setembro.\u00a0Uma bi\u00f3loga do Instituto esteve no s\u00e1bado [15\/08] no dormit\u00f3rio e contou s\u00f3 30 araras, onde j\u00e1 chegamos a contar 700 a mil indiv\u00edduos dormindo. N\u00e3o estou dizendo que morreram, digo que se espalharam. S\u00f3 que se espalhando n\u00e3o v\u00e3o encontrar alimenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o f\u00e1cil, n\u00e3o v\u00e3o encontrar ninho e abrigo t\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>Ano passado o Pantanal tamb\u00e9m j\u00e1 tinha sofrido muito com as queimadas. E este ano, na \u00e9poca de cheias, h\u00e1 relatos que em regi\u00f5es nem teve cheia. Em tr\u00eas d\u00e9cadas de trabalho na regi\u00e3o, voc\u00ea j\u00e1 tinha visto algo semelhante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neiva:<\/strong>\u00a0Quando olhamos estudos da Embrapa e do INPE de longo de prazo feitos nesta regi\u00e3o voc\u00ea observa os per\u00edodos de seca e cheia no Pantanal s\u00e3o c\u00edclicos. E o n\u00edvel de \u00e1gua tamb\u00e9m varia. Tem anos de cheia e anos de seca. Mas isso vai flutuando. Por\u00e9m o que vem ocorrendo agora \u00e9 muito mais duro do que qualquer ocorr\u00eancia do passado. Nesta regi\u00e3o, a \u00faltima grande seca e queimada ocorreu na d\u00e9cada de 1990. A gente est\u00e1 falando de uma regi\u00e3o que n\u00e3o pegava fogo em 20 anos, na extens\u00e3o que pegou agora.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o mais diferenciada e pelos estudos que venho acompanhando, vem sendo agravada pelos desmatamentos na Amaz\u00f4nia, que vem crescendo desde o ano passado. Isso faz com que diminu\u00edam as chuvas na regi\u00e3o. A gente vive aqui dos rios voadores. Aqui a gente tem a influ\u00eancia da Amaz\u00f4nia, dos ventos e do oceano.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o impacto de longo prazo na esp\u00e9cie com esta altera\u00e7\u00e3o, tanto dos dormit\u00f3rios quanto de alimento. Quanto prejudica a reprodu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Prejudica n\u00e3o s\u00f3 a reprodu\u00e7\u00e3o, mas a vida. Sentimos na pele, eu e minha equipe, estas chamas. Porque sabemos, estudando as araras, o que isso impacta, n\u00e3o s\u00f3 no momento, com este sofrimento, mas a longo prazo para uma esp\u00e9cie que tem pr\u00e9-requisitos t\u00e3o fr\u00e1geis e \u00fanicos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_83509\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-83509\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-83509 size-full\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/MiniOeco_Araras-Azuis-na-Faz_SFPerigara-Foto-Edson-Diniz.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/MiniOeco_Araras-Azuis-na-Faz_SFPerigara-Foto-Edson-Diniz.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/MiniOeco_Araras-Azuis-na-Faz_SFPerigara-Foto-Edson-Diniz-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/MiniOeco_Araras-Azuis-na-Faz_SFPerigara-Foto-Edson-Diniz-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/MiniOeco_Araras-Azuis-na-Faz_SFPerigara-Foto-Edson-Diniz-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-83509\" class=\"wp-caption-text\">Araras-azuis na Fazenda S\u00e3o Francisco Perigara Foto: Edson Diniz<\/figcaption><\/figure>\n<p>A exemplo do Refugio Ecol\u00f3gico Caiman, que teve aquele fogo no passado, j\u00e1 fal\u00e1vamos que ia faltar comida, aumentar a disputa nos ninhos, aumentar a preda\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deu outra. Este ano come\u00e7ou a reprodu\u00e7\u00e3o e nunca em trinta anos tinha visto araras-azuis adultas sendo predadas dentro dos ninhos.<\/p>\n<p>A escassez de comida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para as araras. Para outros animais tamb\u00e9m e a disputa fica muito grande. Outra coisa que n\u00e3o t\u00ednhamos visto at\u00e9 agora, briga de arara por cavidades. Por mais que a gente invente formas de conserva\u00e7\u00e3o, coloque as cintas nas arvores para proteger os ninhos da preda\u00e7\u00e3o de jaguatiricas e iraras, tem momento que a gente n\u00e3o consegue evitar, porque algumas \u00e1rvores t\u00eam outras conex\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00f3s falamos muito de araras porque s\u00e3o as esp\u00e9cies foco maior de nosso estudo, mas estamos tamb\u00e9m falando de mais de vinte esp\u00e9cies na \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o que ocupam as mesmas cavidades. Todos os animais est\u00e3o sofrendo e perdendo as rela\u00e7\u00f5es. Nosso lamento \u00e9 porque sabemos o que vai acontecer.<\/p>\n<p><strong>A esp\u00e9cie j\u00e1 tinha sa\u00eddo da Lista Vermelha brasileira de extin\u00e7\u00e3o e estava no estado vulner\u00e1vel da lista da IUCN. Vai mudar depois destas queimadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neiva:<\/strong>\u00a0Vai ter um impacto sim. Participo de um grupo e forne\u00e7o informa\u00e7\u00f5es que temos coletado. S\u00e3o avaliados uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios e carater\u00edsticas, mas \u00e9 muito prov\u00e1vel que ela volte para a lista. Os resultados do nosso trabalho t\u00eam ajudado a melhorar, mas n\u00e3o tem sido em escala suficiente. H\u00e1 15 dias vimos a venda de cocar aqui na regi\u00e3o com penas de arara azul e outras araras, o que \u00e9 proibido. Apreens\u00f5es de Canind\u00e9, na Austr\u00e1lia seis filhotes de arara azuis aprendidos\u2026 S\u00f3 est\u00e3o se somando os fatores.<\/p>\n<p>Vamos reavaliar os crit\u00e9rios da lista brasileira. Mas que acaba influenciando na lista internacional, pois a maior parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direto de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e desde fevereiro monitorando o avan\u00e7o do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":132350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/araras_azuisl1-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Direto de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e desde fevereiro monitorando o avan\u00e7o do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132349"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}