{"id":132298,"date":"2020-08-18T13:12:51","date_gmt":"2020-08-18T16:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132298"},"modified":"2020-08-18T13:12:51","modified_gmt":"2020-08-18T16:12:51","slug":"como-realmente-e-a-vida-dos-elefantes-da-tailandia-eles-sao-crueis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-realmente-e-a-vida-dos-elefantes-da-tailandia-eles-sao-crueis\/","title":{"rendered":"Como realmente \u00e9 a vida dos elefantes da Tail\u00e2ndia? Eles s\u00e3o cru\u00e9is?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/elefante-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132299\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/elefante-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/elefante-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/elefante-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Como \u00e9 a vida dos elefantes da Tail\u00e2ndia? Quanta intera\u00e7\u00e3o voc\u00ea deve ter? E os passeios de elefante? Eles s\u00e3o cru\u00e9is?<\/p>\n<p>Se voc\u00ea esteve na Tail\u00e2ndia \u2014 ou est\u00e1 planejando uma viagem para l\u00e1 quando o mundo se recuperar do coronav\u00edrus \u2014 voc\u00ea j\u00e1 deve saber que elefantes s\u00e3o uma atra\u00e7\u00e3o muito importante. Eles s\u00e3o o animal nacional do pa\u00eds, muito significativo em termos de hist\u00f3ria, cultura e identidade.<\/p>\n<p>O nome da cerveja popular da Tail\u00e2ndia, Chang, significa elefante. E o pa\u00eds tem at\u00e9 seu pr\u00f3prio dia para celebrar o reverenciado animal. Em 1998, o governo tailand\u00eas declarou 13 de mar\u00e7o como o Dia Nacional Tailand\u00eas do Elefante.<\/p>\n<p>Mas enquanto a Tail\u00e2ndia \u00e9 conhecida por sua admira\u00e7\u00e3o por elefantes, paradoxalmente, o pa\u00eds tamb\u00e9m est\u00e1 sendo cobrado por maus-tratos aos animais.<\/p>\n<p><strong>Campos de elefantes na Tail\u00e2ndia<\/strong><\/p>\n<p>A Tail\u00e2ndia tem cerca de 250 campos de elefantes, lar de mais de 3.000 elefantes semi-domesticados. Muitos desses campos t\u00eam sido objeto de intenso escrut\u00ednio da imprensa e de organiza\u00e7\u00f5es e, defesa dos direitos animais.<\/p>\n<p>Alguns desses campos oferecem aos turistas oportunidades de dar banho, alimentar ou montar os elefantes. Alguns oferecem os tr\u00eas. Apenas um pequeno n\u00famero de campos oferece zero contato direto com os animais.<\/p>\n<p>Este contato direto que a Tail\u00e2ndia permite que os turistas tenham com seus elefantes foi o que causou grande parte da controv\u00e9rsia.<\/p>\n<p>Algumas organiza\u00e7\u00f5es, incluindo as mundiais World Animal Protection (Prote\u00e7\u00e3o Animal Mundial) e a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals \u2013 Pessoas pelo o Tratamento \u00c9tico dos Animais), afirmam que um elefante n\u00e3o pode ser treinado para contato direto sem ser torturado. Eles dizem que os passeios s\u00e3o inerentemente cru\u00e9is e a intera\u00e7\u00e3o tur\u00edstica deve ser proibida.<\/p>\n<p>Muitas pessoas que trabalham com os animais afirmam que os elefantes precisam ser treinados para sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a em um mundo moderno. Eles afirmam que isso pode ser feito sem prejudic\u00e1-los e que h\u00e1 n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o que s\u00e3o aceit\u00e1veis. H\u00e1 muitas outras opini\u00f5es diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em dezembro, antes do mundo ser tomado pela Covid-19, visitei um punhado de campos de elefantes e santu\u00e1rios da Tail\u00e2ndia em todas as partes do pa\u00eds. Durante minha viagem (e desde que voltei), falei com volunt\u00e1rios, ativistas, propriet\u00e1rios de campos, cientistas e veterin\u00e1rios para entender melhor a situa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m falei com cornacas (tratadores de elefantes). Cuidadores de elefantes por ess\u00eancia, cornacas s\u00e3o muito importantes na cultura tailandesa. Desde o dia em que um elefante nasce, eles recebem seu pr\u00f3prio cornaca. Para muitos, tornar-se um cornacas \u2014 tradi\u00e7\u00e3o que muitas vezes \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 um compromisso s\u00e9rio de amar, valorizar e cuidar do animal at\u00e9 o dia em que eles morrem.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o povo tailand\u00eas e seus elefantes \u00e9 profunda e complexa. Assim como as quest\u00f5es em torno da crueldade animal na ind\u00fastria tur\u00edstica tailandesa. \u00c9 importante entender ambos.<\/p>\n<p><strong>A Tail\u00e2ndia precisa do turismo de elefantes?<\/strong><\/p>\n<p>Era uma vez elefantes que tinham terra mais do que suficiente para dar a volta na Tail\u00e2ndia. Cem anos atr\u00e1s, havia cerca de 100.000 elefantes vagando livremente no pa\u00eds. Agora, h\u00e1 apenas cerca de 3.000 elefantes selvagens. E gra\u00e7as a problemas causados pelo homem, como o desmatamento, a ca\u00e7a furtiva e a (agora proibida) ind\u00fastria madeireira, esses n\u00fameros continuam est\u00e3o caindo.<\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o humana em expans\u00e3o, que atualmente \u00e9 de cerca de 70 milh\u00f5es de pessoas, \u00e9 improv\u00e1vel que se disponibilize mais terra para elefantes na Tail\u00e2ndia. Em um mundo ideal, haveria reflorestamento em massa, e elefantes em cativeiro seriam reabilitados de volta para seus ambientes naturais, vivendo em rebanhos selvagens. Mas a industrializa\u00e7\u00e3o, o desmatamento e o agravamento da crise clim\u00e1tica s\u00e3o apenas algumas das muitas raz\u00f5es pelas quais os elefantes est\u00e3o lutando para manter o territ\u00f3rio que ainda t\u00eam.<\/p>\n<p>Elefantes t\u00eam sido uma esp\u00e9cie semi-domesticada na Tail\u00e2ndia por milhares de anos. Eles costumavam levar soldados para a guerra, depois eles passaram a ser utilizados na ind\u00fastria madeireira e agora a maioria est\u00e1 na ind\u00fastria tur\u00edstica.<\/p>\n<p>Se todos esses elefantes em cativeiro na Tail\u00e2ndia fossem libertados, do jeito que as coisas est\u00e3o, sem terra suficiente, eles acabariam em aldeias, terras agr\u00edcolas e cidades. Com a vida moderna vem estradas perigosas, fios telef\u00f4nicos que podem ser confundidos com galhos, e pesticidas venenosos. N\u00e3o \u00e9 um mundo seguro para elefantes e tamb\u00e9m h\u00e1 riscos para os humanos. Mais de 3.000 animais de tr\u00eas toneladas n\u00e3o podem ser libertados sem danos colaterais tremendos (e extremamente caros).<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m n\u00e3o saberiam como sobreviver. Borpit Chailert, gerente geral do Maetaeng Elephant Park, disse ao New York Times: \u201cEles n\u00e3o conseguem procurar comida na floresta, porque est\u00e3o acostumados a serem alimentados. Imagine se libert\u00e1ssemos cerca de 3.000 elefantes domesticados na floresta ao mesmo tempo. N\u00e3o haveria comida para alimentar todos os elefantes\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que entram santu\u00e1rios e campos. Inicialmente estabelecidas como espa\u00e7os seguros onde os elefantes poderiam ser cuidados de forma \u00e9tica e respons\u00e1vel, essas instala\u00e7\u00f5es essenciais s\u00e3o, em grande parte, pagas pelo turismo.<\/p>\n<p><strong>As pessoas devem montar elefantes?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de visitar a Tail\u00e2ndia, pensei que uma pol\u00edtica de n\u00e3o permitir que se montasse elefantes era o sinal de um santu\u00e1rio mais humanizado. Mas a Dra. Janine Brown \u2014 fisiologista reprodutiva do Instituto Smithsonian de Biologia da Conserva\u00e7\u00e3o \u2014 diz o contr\u00e1rio. Elefantes que n\u00e3o oferecem passeios podem ser suscet\u00edveis a problemas de sa\u00fade associados \u00e0 falta de exerc\u00edcio. Para elefantes com acesso limitado a grandes espa\u00e7os ou a capacidade de vagar livremente, dar passeios (com ou sem uma sela de cadeira chamada howdah) pode ser sua \u00fanica forma de exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cO que descobrimos em nossa pesquisa \u00e9 que os elefantes que d\u00e3o passeios tendem a ter melhores condi\u00e7\u00f5es corporais e est\u00e3o em uma categoria de risco reduzido para a obesidade\u201d, explicou Brown ao site Livekindly. Em lugares onde elefantes n\u00e3o d\u00e3o passeios, mas eles tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o suficiente para andar por a\u00ed, sua sa\u00fade metab\u00f3lica tende a ser pior, diz ela.<\/p>\n<p>Dieta tamb\u00e9m \u00e9 algo importante. Guloseimas como banana e cana-de-a\u00e7\u00facar s\u00e3o frequentemente oferecidos aos elefantes pelos turistas. Sem exerc\u00edcios regulares, essas guloseimas, com alto teor de a\u00e7\u00facar, podem ser ruins para sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cO que sugerimos \u00e9 que, caso os campos n\u00e3o oferecem passeios ou outras formas de exerc\u00edcio, eles devem encontrar outras maneiras de incentivar os elefantes a se locomoverem, e eles devem limitar ou mesmo eliminar a alimenta\u00e7\u00e3o de \u201cguloseimas\u201d de alta caloria, como banana e cana-de-a\u00e7\u00facar, por turistas\u201d, diz Brown.<\/p>\n<p><strong>\u201cH\u00e1 outras maneiras e meios de gerar renda\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Burm and Emily\u2019s Elephant Sanctuary (BEES \u2013 Santu\u00e1rio de Elefantes de Burm e Emily) perto de Chiang Mai \u00e9 um exemplo de um santu\u00e1rio que visa dar aos elefantes uma experi\u00eancia que se assemelha a como eles viveriam na natureza. \u00c0 noite, seus tr\u00eas elefantes vivem em recintos espa\u00e7osos e, durante o dia, eles vagam pela \u00e1rea florestal local, conseguido este exerc\u00edcio t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>A co-fundadora da BEES, Emily McWilliam, acredita que montar elefantes \u00e9 desnecess\u00e1rio, e os turistas ganham o mesmo tanto, do ponto de vista experi\u00eancia, apenas observando os elefantes fazerem suas coisas, sem intera\u00e7\u00e3o. \u201cO fato \u00e9 que h\u00e1 outras maneiras e meios de gerar renda\u201d, disse McWilliam ao Livekindly. \u201cN\u00e3o precisamos mais montar elefantes para ajudar a aliment\u00e1-los e fornecer uma renda para aqueles que vivem e trabalham com eles. Podemos fornecer alternativas melhores.\u201d<\/p>\n<p>O campo de elefantes Into The Wild, no norte da Tail\u00e2ndia, tamb\u00e9m n\u00e3o oferece passeios. Mas permite contato, na forma de banho. Tamb\u00e9m permite que os turistas entrem na selva com os elefantes, onde vagam livremente entre as \u00e1rvores. Siwawut Munesane, do campo Into the Wild, disse ao Livekindly que o campo tem como objetivo permitir que as pessoas \u201caprendam, vejam e compreendam a vida real de um elefante na natureza\u201d.<br \/>\nNo campo de elefantes Maesa, em Chiang Mai, a crise do coronav\u00edrus apresentou uma oportunidade \u00fanica para libertar elefantes. Bem, libertar dentro dos limites do campo, pelo menos.<\/p>\n<p>O campo costumava oferecer passeios com um howdah, mas depois de fechar suas portas durante o confinamento, decidiu remover as cadeiras de madeira. Em vez disso, os visitantes poder\u00e3o observar os animais em seu habitat.<\/p>\n<p>A diretora do campo, Anchalee Kalampichit, disse ao jornal brit\u00e2nico The Independent em mar\u00e7o: \u201cN\u00e3o estamos planejando colocar os apoios de assentos de volta nos elefantes\u2026 Queremos mudar o estilo do lugar e encontrar formas mais naturais de o p\u00fablico aproveitar a companhia dos elefantes. Vamos receber os turistas para desfrutar de aprender sobre o modo de vida dos elefantes naturalmente, em vez de usar o animais para entreter os turistas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Elefantes s\u00e3o torturados enquanto s\u00e3o treinados na Tail\u00e2ndia?<\/strong><\/p>\n<p>Campanhas e cobertura da m\u00eddia em torno do turismo de elefantes da Tail\u00e2ndia muitas vezes se concentram em supostos abusos na ind\u00fastria. O cruel processo de \u201cquebra de esp\u00edrito\u201d est\u00e1 muitas vezes no centro de tudo.<\/p>\n<p>Prender um beb\u00ea elefante em uma gaiola, amarrando-o, e batendo nele at\u00e9 que se submeta \u00e9 inegavelmente cruel. De acordo com a World Animal Protection e v\u00e1rios outros meios de comunica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es de direitos dos animais, esse processo conhecido como \u201cquebra de esp\u00edrito\u201d ou \u201cesmagamento\u201d, ainda \u00e9 aplicado amplamente em muitos santu\u00e1rios de elefantes.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com muitos campos de elefantes em toda a Tail\u00e2ndia, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum como alguns podem ser levados a acreditar e perpetuar essa narrativa \u00e9 demonizar aqueles que est\u00e3o fazendo o seu melhor para cuidar de seus animais em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e ambiental desafiadora.<\/p>\n<p>De acordo com McWilliam, h\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o na m\u00eddia sobre como os elefantes s\u00e3o domados e treinados na Tail\u00e2ndia. \u201cH\u00e1 alguns v\u00eddeos brutais de treinamento de elefantes que continuam a ser reciclados e circulados nas redes sociais hoje que ocorreram na Tail\u00e2ndia h\u00e1 mais de 20 anos\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Era uma vez, muitos filhotes de elefantes que estavam sujeitos \u00e0 \u201cquebra de esp\u00edrito\u201d, mas a ind\u00fastria est\u00e1 mudando. McWilliam acrescenta: \u201c\u00e9 muito raro encontrar um treinamento t\u00e3o horr\u00edvel hoje em dia.\u201d.<\/p>\n<p>Brown concorda. \u201cMensagens que generalizam o tratamento de elefantes em todos os campos como ruins, ou que usam imagens de d\u00e9cadas atr\u00e1s ou imagens encenadas podem impactar negativamente aqueles campos que empregam as melhores pr\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o phajaan?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea pesquisar no Google \u201cphajaan\u201d no Reino Unido, a primeira coisa que aparece \u00e9 \u201cesmagamento de elefantes\u201d. Mas para muitos tailandeses, a palavra tem um significado muito diferente.<\/p>\n<p>\u201cO phajaan \u00e9 na verdade o termo usado na l\u00edngua local do norte da Tail\u00e2ndia, que representa uma cerim\u00f4nia de b\u00ean\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica\u201d, explica McWilliam, que fundou a BEES com seu parceiro tailand\u00eas nativo Burm Pornchai Rinkaew em 2011. \u201cA cerim\u00f4nia e seus rituais podem ser usados para humanos e animais, dependendo da situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ela acrescentou que esses rituais de b\u00ean\u00e7\u00e3o de 30 minutos de dura\u00e7\u00e3o \u2014 que envolvem canto e oferendas \u2014 s\u00e3o realizados para o filhote e para a mam\u00e3e elefante, antes que o cornaca comece a treinar o beb\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cOs encantamentos s\u00e3o para invocar os esp\u00edritos ancestrais para tornar seguro que o cornaca e elefante trabalharem juntos\u201d, continuou ela.<\/p>\n<figure id=\"attachment_798466\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-798466\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-798466 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/elephant-2718497_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-798466\" class=\"wp-caption-text\">Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u2018Hoje em dia a maioria dos elefantes nasce em cativeiro\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Quando elefantes s\u00e3o capturados da natureza e domesticados (uma pr\u00e1tica ilegal na Tail\u00e2ndia), t\u00e9cnicas brutais podem ser usadas. Mas muitos dos filhotes de elefantes que se v\u00ea hoje em dia em santu\u00e1rios e campos em toda a Tail\u00e2ndia, j\u00e1 nasceram l\u00e1 e eles s\u00e3o treinados de forma muito mais humanizada.<\/p>\n<p>\u201cOs m\u00e9todos de treinamento variam de campo para campo\u201d, diz McWilliam. \u201cNa maioria das vezes, hoje em dia, os elefantes nascem em cativeiro e s\u00e3o criados por humanos, [por isso s\u00e3o] muito mais f\u00e1ceis de domar.\u201d<\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica que testemunhei envolvia uma combina\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o de press\u00e3o em certos pontos na pele do elefante, toques repetitivos, comandos e refor\u00e7o positivo, como uma guloseima, geralmente uma banana.<\/p>\n<p>No Into The Wild, Munesane diz que a rotina e a consist\u00eancia s\u00e3o uma parte importante do treinamento. Eles fazem as mesmas atividades todos os dias no campo, e cornaca sempre usam o mesmo uniforme em torno dos elefantes. Isso significa que eles reconhecem facilmente os humanos que cuidam deles, fazendo com que eles se sintam \u201cseguros do mal\u201d, diz Munesane. Para deixar os elefantes \u00e0 vontade, os visitantes turistas sempre usam o mesmo uniforme, fornecido pelo campo.<\/p>\n<p>Brown diz: \u201cBons campos que cuidam do bem-estar dos elefantes, alguns dos quais oferecem a possibilidade de mont\u00e1-los, s\u00e3o aqueles que usam m\u00e9todos positivos de treinamento e controle. Focar apenas em mont\u00e1-los \u00e9 perder o ponto. N\u00e3o \u00e9 montar, por si s\u00f3, que \u00e9 o problema. Todos os aspectos do cuidado e manejo dos elefantes devem ser considerados de forma hol\u00edstica para garantir a qualidade do bem-estar em geral.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os elefantes devem ser treinados?<\/strong><\/p>\n<p>Por que precisamos treinar um elefante? Eles n\u00e3o deveriam ser livres para fazer o que quisessem?<\/p>\n<p>Olhando para a situa\u00e7\u00e3o de forma realista e n\u00e3o idealista, milhares de elefantes semi-domesticados interagem com humanos frequentemente na Tail\u00e2ndia, seja com apenas seu cornaca, ou seja, com turistas. Por causa disso, precisa haver confian\u00e7a, e a confian\u00e7a vem com treinamento. Se n\u00e3o h\u00e1 treinamento, n\u00e3o \u00e9 bom para o elefante.<\/p>\n<p>Mesmo nos campos em que quase n\u00e3o h\u00e1 contato direto com turistas, os elefantes ainda precisam de um n\u00edvel b\u00e1sico de treinamento.<\/p>\n<p>\u201cSem nenhum treinamento, elefantes se tornam incontrol\u00e1veis\u201d, diz McWilliam. \u201cEm muitos casos, [eles] viveriam seus dias em confinamento solit\u00e1rio e n\u00e3o receberiam manejo e cuidados adequados.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como sabe se um elefante est\u00e1 sendo abusado?<\/strong><\/p>\n<p>Relatos de t\u00e9cnicas de disciplina violenta em campos de elefantes muitas vezes se centram em torno do \u201cgancho de touro\u201d. Um gancho de touro \u00e9 uma ferramenta antiga usada para controlar elefantes e impedi-los de se machucarem, ou machucarem aos cornacas e turistas. Pode ser usado indevidamente como arma por cornacas inexperientes. Mas quando usado corretamente, \u00e9 para aplicar press\u00e3o a certos pontos em um elefante para ajudar a acalm\u00e1-los.<\/p>\n<p>Visitei campos onde eles orgulhosamente afirmam que n\u00e3o h\u00e1 ganchos em uso. Um dono de campo me disse que se visse algum cornaca utilizar um gancho para disciplinar seu elefante, eles seriam demitidos imediatamente.<\/p>\n<p>Em um campo em Phang Nga cornacas carregavam ganchos em sacos. Eles n\u00e3o tentavam escond\u00ea-los e explicaram o uso correto da ferramenta.<\/p>\n<p>McWilliam diz: \u201cMuitos cornacas carregam um gancho em sua bolsa por seguran\u00e7a, caso o elefante n\u00e3o esteja ouvindo o comando verbal, eles usam o gancho em diferentes pontos de press\u00e3o para guiar o elefante e redirecion\u00e1-los para evitar situa\u00e7\u00f5es de risco.\u201d<\/p>\n<p>Como saber se o gancho est\u00e1 sendo mal utilizado? Observar. \u201cEst\u00e1 sendo usado para simplesmente redirecionar um elefante que est\u00e1 no limite?\u201d, ela pergunta. \u201cO gancho fica guardado na bolsa de um cornaca e \u00e9 usado apenas em emerg\u00eancias, ou \u00e9 o cornaca o utiliza agressivamente nos elefantes?\u201d<\/p>\n<p><strong>Ainda h\u00e1 crueldade no turismo de elefantes?<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e9cnicas de treinamento podem estar melhorando para elefantes em toda a Tail\u00e2ndia, mas isso n\u00e3o significa que a crueldade na ind\u00fastria esteja erradicada.<\/p>\n<p>Muitos campos j\u00e1 n\u00e3o fazem seus elefantes se apresentarem para turistas, mas as instala\u00e7\u00f5es de entretenimento ainda existem, e \u00e9 a\u00ed que t\u00e9cnicas de disciplina cru\u00e9is s\u00e3o frequentemente usadas. Se voc\u00ea v\u00ea um elefante andando de bicicleta, ou ficando de p\u00e9 ou se equilibrando sobre sua cabe\u00e7a, ou realizando qualquer forma de truque, este \u00e9 um alerta vermelho.<\/p>\n<p>Perguntas precisam ser feitas sobre como esses elefantes est\u00e3o sendo treinados e tratados.<\/p>\n<p>\u201cElefantes nunca devem ser obrigados a realizar truques nocivos, como andar de bicicleta ou ficar em posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o naturais, como se sentar em um banquinho ou \u2018plantar bananeira\u2019\u201d, diz Brown. \u201cProcuramos campos que ofere\u00e7am aos elefantes um ambiente mais descontra\u00eddo, com um n\u00famero limitado de turistas ao redor de cada elefante.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deve-se observar se h\u00e1 cortes recentes e arranh\u00f5es em elefantes em cativeiro e fazer perguntas aos propriet\u00e1rios de campos e aos volunt\u00e1rios sobre como os elefantes s\u00e3o cuidados quando os turistas n\u00e3o est\u00e3o por perto. Essas atitudes fazem que essas instala\u00e7\u00f5es saibam que os turistas est\u00e3o prestando aten\u00e7\u00e3o no que est\u00e3o fazendo nos bastidores.<\/p>\n<p>Recursos como o Asian Captive Elephant Standards (ACES \u2013 Padr\u00f5es Asi\u00e1ticos para Elefante em Cativeiro), que audita campos em toda a Tail\u00e2ndia, Laos e Indon\u00e9sia, publicam relat\u00f3rios para ajudar os turistas a tomar decis\u00f5es informadas.<\/p>\n<p>\u201cA ACES n\u00e3o tolera e nunca vai tolerar crueldade animal ou pr\u00e1ticas desumanas em rela\u00e7\u00e3o aos elefantes em cativeiro\u201d, disse o conselheiro de auditoria e acredita\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, Nicolas Dubrocard, ao Livekindly.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m reconheceu que h\u00e1 uma grande falta de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a esta ind\u00fastria no momento, vinda da m\u00eddia, de ativistas e de turistas. Ele disse que eles v\u00e3o trabalhar para mudar isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas um tipo de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel\u201d, continuou. \u201cOs animais s\u00e3o torturados e o bem-estar \u00e9 ruim. N\u00e3o negamos que isso ainda aconte\u00e7a, mas tamb\u00e9m estamos trabalhando com muitos campos onde os padr\u00f5es de bem-estar s\u00e3o respeitados e os cornacas cuidam muito bem de seus elefantes.\u201d<\/p>\n<p><strong>O futuro do turismo de elefantes na Tail\u00e2ndia<\/strong><\/p>\n<p>A Autoridade Tur\u00edstica da Tail\u00e2ndia, juntamente com organiza\u00e7\u00f5es como a ACES e o BEES, est\u00e3o trabalhando juntas para fornecer as melhores condi\u00e7\u00f5es para os elefantes em cativeiro da Tail\u00e2ndia e tamb\u00e9m para os trabalhadores nativos cujos meios de subsist\u00eancia dependem deles.<\/p>\n<p>\u201cEu gostaria de ver melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para os cornacas e para os elefantes\u201d, diz Dubrocard. \u201cIsso vai acontecer se os turistas, as autoridades e os diferentes interessados receberem a educa\u00e7\u00e3o certa sobre o tema. Esse \u00e9 o nosso trabalho.\u201d<\/p>\n<p>McWilliam espera que mais campos e santu\u00e1rios evoluam em dire\u00e7\u00e3o a um modelo como o aplicado na BEES. O contato direto com os turistas \u00e9 mantido no n\u00edvel m\u00ednimo.<\/p>\n<p>\u201cGostaria de ver a ind\u00fastria do turismo de elefantes avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas verdadeiramente \u00e9ticas e respons\u00e1veis do turismo\u201d, diz ela. \u201d<\/p>\n<p>[Aqueles] que s\u00e3o mais baseados apenas na observa\u00e7\u00e3o dos animais e priorizam o bem-estar do elefante atrav\u00e9s de habitats de reflorestamento, fornecendo terras adequadas \u00e0s necessidades dos elefantes, ou seja, com espa\u00e7o para que eles possam, de fato, ser elefantes, o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel, em um ambiente natural\u2026 Alternativas e solu\u00e7\u00f5es podem ser encontradas para eventualmente montar os animais ou fornecer outro entretenimento.\u201d<\/p>\n<p>Mas o futuro dos elefantes n\u00e3o est\u00e1 apenas nas m\u00e3os desses campos. Os turistas tamb\u00e9m t\u00eam um importante papel nisso tudo.<\/p>\n<p>A consultora de viagens de luxo Julia Reti-Nagy diz que cerca de 33 milh\u00f5es de visitantes viajam para a Tail\u00e2ndia todos os anos. Esses turistas desempenham um papel incrivelmente importante na ind\u00fastria de elefantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_798467\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 638px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-798467\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-798467 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/thailand-4143617_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-798467\" class=\"wp-caption-text\">Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas com esse grande poder, \u00e9 claro, vem grande responsabilidade. \u201cOs turistas precisam garantir que escolham um campo \u00e9tico\u201d, disse ela ao Livekindly. \u201cEles devem se educar sobre elefantes (estilo de vida, comportamento, hist\u00f3ria, etc) antes de fazer qualquer julgamento.\u201d<\/p>\n<p>\u201cElefantes precisam de n\u00f3s\u201d, continuou ela. \u201cEles precisam de pessoas como voc\u00ea e eu para garantir que gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, ainda haver\u00e1 um lugar apropriado para eles na Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 a vida dos elefantes da Tail\u00e2ndia? 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