{"id":132198,"date":"2020-08-16T19:37:11","date_gmt":"2020-08-16T22:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132198"},"modified":"2020-08-16T19:37:11","modified_gmt":"2020-08-16T22:37:11","slug":"o-que-sao-os-geoglifos-milenares-destruidos-por-trator-na-amazonia-acreana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-sao-os-geoglifos-milenares-destruidos-por-trator-na-amazonia-acreana\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o os geoglifos milenares destru\u00eddos por trator na Amaz\u00f4nia acreana"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2626_0.jpg?w=1600&amp;h=900\" alt=\"geoglifo acre\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Primeiro, a p\u00e1 de uma m\u00e1quina retroescavadeira aterrou as valas dos geoglifos do s\u00edtio arqueol\u00f3gico da fazenda Crix\u00e1, em Capixaba, no Acre,\u00a0a 70 Km da capital Rio Branco, em setembro de 2019. Depois, um trator com uma grade aradora de discos afiados revolveu o solo duas vezes. Por fim, sementes de milho e capim foram jogadas sobre um monumento que fazia parte de uma das descobertas mais enigm\u00e1ticas da arqueologia amaz\u00f4nica das \u00faltimas d\u00e9cadas. A destrui\u00e7\u00e3o foi denunciada ao Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Cultural e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pelo paleont\u00f3logo Alceu Ranzi, que trabalha na regi\u00e3o h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Pesquisadores acreditam que as valas \u2013 com dez\u00a0metros de largura e um de profundidade \u2013 foram moldadas por povos ind\u00edgenas munidos de instrumentos de madeira. Elas formam v\u00e1rias figuras quadrangulares e circulares, incluindo um c\u00edrculo com 100 metros de di\u00e2metro e um ret\u00e2ngulo de 100 por 150 metros.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--small\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"geoglifo acre\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/satelite-final.jpg?w=315&amp;h=366\" alt=\"geoglifo acre\" width=\"640\" height=\"744\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Foto de\u00a0<a href=\"https:\/\/earth.google.com\/web\/@-10.59545138,-67.68888264,213.56599006a,846.61846267d,35y,-0h,0t,0r\">sat\u00e9lite, no alto<\/a>, mostra o geoglifo Crix\u00e1, na fazenda de mesmo nome, ainda inteiro. A imagem mais recente, de setembro de 2019, embaixo, mostra a destrui\u00e7\u00e3o do geoglifo para dar lugar a planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">GOOGLE EARTH<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Pelo menos 818 estruturas gigantescas como essas j\u00e1 foram mapeadas e 523 catalogadas pelo Iphan nos estados do Acre, Rond\u00f4nia, Amazonas, Mato Grosso e Amaz\u00f4nia boliviana. Acredita-se que as estruturas foram constru\u00eddas como espa\u00e7os de sociabilidade a partir do in\u00edcio da Era Crist\u00e3 at\u00e9 o s\u00e9culo 16 ou 17 \u2013 poss\u00edveis locais de encontros e rituais erguidos quando a regi\u00e3o ainda era uma savana, antes do surgimento da floresta que conhecemos. Cercados por valetas e muretas, os recintos est\u00e3o em \u00e1reas de plat\u00f4, junto a nascentes de \u00e1gua de boa qualidade e sempre a dist\u00e2ncia de dois a oito quil\u00f4metros dos principais rios. Com tamanhos variando\u00a0entre 50 e 300 metros de di\u00e2metro, as constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o prova de que os ind\u00edgenas dominavam &#8220;precis\u00e3o geom\u00e9trica e consist\u00eancia de medidas&#8221; e eram capazes de organizar e instruir muitos bra\u00e7os para escavar e transportar toneladas de solo.<\/p>\n<p>O primeiro geoglifo do Acre foi localizado em 1977, em pesquisas lideradas pelo professor Ondemar Dias, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dias contou com a participa\u00e7\u00e3o de Alceu Ranzi, na \u00e9poca um estudante de geografia da Universidade Federal do Acre. Ambos seguiram caminhos diferentes. Dias deu continuidade aos estudos dos geoglifos na d\u00e9cada de 1980 e 1990, focado em escavar, catalogar e analisar as cer\u00e2micas. Ranzi tornou-se conceituado paleont\u00f3logo e suas pesquisas sobre paleoambientes tangenciam o tema dos geoglifos. Foi ele quem percebeu a monumentalidade dos geoglifos e se empenhou para dar-lhes visibilidade. Em 1986, liderou uma busca a\u00e9rea e conseguiu, com o fot\u00f3grafo Agenor Mariano, as primeiras imagens de um geoglifo do alto \u2013 publicadas na imprensa do Acre. Treze anos depois, em 1999, avistou, por acaso, outro geoglifo circular da janela de um avi\u00e3o comercial que viajava entre Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). Impressionado com o que viu, obteve apoio estatal para novos sobrevoos, desta vez com o fot\u00f3grafo Edison Caetano. Pela primeira vez, imagens a\u00e9reas dos geoglifos circularam na imprensa nacional e internacional.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2599.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2599.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Amazonia acre nevoa neblina\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2599.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Amazonia acre nevoa neblina\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>N\u00e9voa encobre a floresta em foto feita durante voo entre Rio Branco e Xapuri, no Acre, em 2009, em uma das regi\u00f5es com maior concentra\u00e7\u00e3o de geoglifos da Amaz\u00f4nia. Pesquisadores acreditam que estruturas\u00a0foram constru\u00eddos em uma \u00e9poca que a vegeta\u00e7\u00e3o ainda era de savana.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">MAURICIO DE PAIVA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--gallery\">\n<div class=\"ngart-img--gallery__images\">\n<div class=\"ngart-img--gallery--promo\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2706.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2706.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"geoglifo amazonia\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2706.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"geoglifo amazonia\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img--gallery__controls\"><a class=\"ngart-img__view-gallery\">VER GALERIA<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Estudos sobre essas constru\u00e7\u00f5es ganharam impulso quando Ranzi e a arque\u00f3loga ga\u00facha Denise Pahl Schaan (1962-2018), da Universidade Federal do Par\u00e1, se conheceram durante um trabalho de consultoria para licenciamento ambiental de um linh\u00e3o da Eletronorte no Acre. Em 2005, Schaan criou o grupo de pesquisa Geoglifos da Amaz\u00f4nia Ocidental, integrando pesquisadores do Brasil e do exterior. &#8220;Uma das quest\u00f5es que movem o interesse do Dr. Ranzi pelos geoglifos \u00e9 de suma import\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 para a comunidade cient\u00edfica, mas tamb\u00e9m para a sociedade em geral: se os geoglifos foram constru\u00eddos quando esse ambiente n\u00e3o era de floresta, mas sim de savana, temos muito a aprender sobre os processos de encolhimento e expans\u00e3o da floresta durante os \u00faltimos milhares de anos, o que traz consequ\u00eancias para as atuais pr\u00e1ticas de manejo da floresta&#8221;, me\u00a0<a href=\"http:\/\/www.altinomachado.com.br\/2006\/09\/arqueologia-amaznica.html\">escreveu a arque\u00f3loga<\/a>\u00a0em carta de 2006.<\/p>\n<p>As pesquisas levam a crer que os geoglifos tenham sido abandonados em decorr\u00eancia da chegada dos espanh\u00f3is nas Am\u00e9ricas. O desmatamento da regi\u00e3o, intensificado desde a d\u00e9cada de 1970, possibilitou a visualiza\u00e7\u00e3o das estruturas, mas j\u00e1 foram identificados geoglifos apenas parcialmente expostos em decorr\u00eancia do desmatamento, bem como outros totalmente cobertos pela floresta. Boa parte do trabalho de localiza\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel pelo esfor\u00e7o de pesquisadores, como Ranzi, que utilizaram imagens de sat\u00e9lite disponibilizadas pelo Google Earth.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2891.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2891.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"O paleont\u00f3logo Alceu Ranzi, na frente, analisa um geoglifo em s\u00edtio arqueol\u00f3gico&amp;nbsp;da fazenda JK, no Acre. ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_2891.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"O paleont\u00f3logo Alceu Ranzi, na frente, analisa um geoglifo em s\u00edtio arqueol\u00f3gico&amp;nbsp;da fazenda JK, no Acre. ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>O paleont\u00f3logo Alceu Ranzi, na frente, analisa um geoglifo em s\u00edtio arqueol\u00f3gico\u00a0da fazenda JK, no Acre. Ao fundo, a arque\u00f3loga Denise Schann.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">MAURICIO DE PAIVA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A fazenda, que pertence ao pecuarista Assuero Doca Veronez, presidente a Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Agropecu\u00e1ria do Acre, j\u00e1 foi embargada pelo Iphan. Paulista de Ribeiro Preto, Veronez vive no Acre h\u00e1 39 anos e j\u00e1 foi vice-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o de Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil. Um dos pioneiros do cultivo experimental de soja no estado, ele defende a expans\u00e3o da convers\u00e3o de novas \u00e1reas de florestas para o agroneg\u00f3cio para dar maior escala \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ampliar as agroind\u00fastrias. Veronez possui tr\u00eas fazendas em \u00e1rea cont\u00edgua, sendo uma arrendada. Ele conta que, no passado, plantou 380 hectares de soja e 300 de milho, mas nega que tenha mandado destruir os geoglifos.<\/p>\n<p>Veronez alega que a destrui\u00e7\u00e3o decorreu de erro do capataz e do tratorista. Segundo ele, os trabalhadores teriam sido avisados sobre a import\u00e2ncia do s\u00edtio arqueol\u00f3gico, mas, ao executar trabalho, o tratorista n\u00e3o observou os cuidados necess\u00e1rios e aterrou as valas. \u201cEu, sinceramente, n\u00e3o sei como resolver isso. Vou aguardar as orienta\u00e7\u00f5es do Iphan para ver o que pode ser feito para mitigar os danos\u201d, me disse Veronez em entrevista por telefone. \u201cAl\u00e9m disso, o s\u00edtio arqueol\u00f3gico \u00e9 semelhante a centenas de outros existentes na regi\u00e3o. Se existem centenas de geoglifos semelhantes, no meu entendimento a gravidade do fato tem uma import\u00e2ncia relativa. No local foi plantado milho e hoje \u00e9 pasto. Sobre embargar minha atividade agr\u00edcola, n\u00e3o sei em que isso contribui.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_1755.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_1755.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"A&amp;nbsp;arque\u00f3loga do Iphan Ant\u00f4nia Damasceno (de camiseta laranja) e Denise Schaan (in memorian) conversam com capataz ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_1755.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"A&amp;nbsp;arque\u00f3loga do Iphan Ant\u00f4nia Damasceno (de camiseta laranja) e Denise Schaan (in memorian) conversam com capataz ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A\u00a0arque\u00f3loga do Iphan Ant\u00f4nia Damasceno (de camiseta laranja) e Denise Schaan (in memorian) conversam com capataz de fazenda de gado de corte localizada pr\u00f3xima a um geoglifo, no Acre. Schaan\u00a0criou o grupo de pesquisa Geoglifos da Amaz\u00f4nia Ocidental e foi uma das principais respons\u00e1veis por identificar e catalogar os geoglifos da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">MAURICIO DE PAIVA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Ranzi alerta que, al\u00e9m da monumentalidade, os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos dos geoglifos chamam a aten\u00e7\u00e3o pela perfei\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica. Ele entende que h\u00e1 espa\u00e7o suficiente no Acre para o desenvolvimento da pecu\u00e1ria, da agricultura e da manuten\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio \u2013 que n\u00e3o \u00e9, diga-se, apenas acreano ou brasileiro, mas da humanidade. &#8220;Necessitamos de muito trabalho de educa\u00e7\u00e3o patrimonial porque acreditamos que a destrui\u00e7\u00e3o dos geoglifos na fazenda Crix\u00e1 n\u00e3o tenha sido intencional&#8221;, disse Ranzi em entrevista \u00e0 reportagem. Para ele, um desafio a ser trabalhado pelo poder p\u00fablico ser\u00e1 a ger\u00eancia do acervo patrimonial, levando em conta, por exemplo, o uso da terra onde ocorrem os geoglifos para que os mesmos n\u00e3o sejam vistos como um impedimento ao desenvolvimento da atividade agr\u00edcola e pecu\u00e1ria, mas como oportunidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p>O pesquisador assinala que os geoglifos s\u00e3o obras de um povo que viveu na regi\u00e3o muito antes da chegada de Cabral e que, por isso, devem ser protegidos e preservados para as gera\u00e7\u00f5es futuras. &#8220;O registro da destrui\u00e7\u00e3o de um desses monumentos, obtido por sat\u00e9lites, nos traz preocupa\u00e7\u00e3o e temos que trabalhar imensamente para a conscientiza\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ranzi. \u201c\u00c9 uma destrui\u00e7\u00e3o muito grave, ao mesmo tempo que nos indica a extrema necessidade de educa\u00e7\u00e3o patrimonial para que os propriet\u00e1rios tomem conhecimento de que em suas terras existem esses monumentos e \u00e9 imperiosa a necessidade de preserv\u00e1-los para o futuro.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_3090_0.jpg?w=768&amp;h=1024\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_3090_0.jpg?w=1024&amp;h=1366\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"ceramica tapajonica\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/_mg_3090_0.jpg?w=710&amp;h=947\" alt=\"ceramica tapajonica\" width=\"640\" height=\"854\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Cer\u00e2mica do tipo\u00a0popularmente conhecido como vaso careta encontrada na regi\u00e3o dos geoglifos do Acre e fotografada no Museu da Borracha, no Acre \u2013 um poss\u00edvel vest\u00edgio dos misteriosos povos construtores da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">MAURICIO DE PAIVA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>H\u00e1 quase 15 anos, a superintend\u00eancia do Iphan no Acre tentou impedir a divulga\u00e7\u00e3o de coordenadas geogr\u00e1ficas na internet com o argumento de que isso poderia atrair a visita\u00e7\u00e3o descontrolada de pessoas e causar danos ao patrim\u00f4nio. Foi quando Denise Schaan levantou a voz. A arque\u00f3loga que mais contribuiu para as pesquisas sobre os geoglifos do Acre morreu repentinamente, em mar\u00e7o de 2018, v\u00edtima de esclerose lateral amiotr\u00f3fica, mas n\u00e3o antes de lembrar que, ao deparar-se com os geoglifos a partir de uma vista a\u00e9rea, Alceu Ranzi teve a vis\u00e3o que \u00e9 o sonho de qualquer arque\u00f3logo trabalhando na Amaz\u00f4nia: ele viu algo gigantesco, produto da a\u00e7\u00e3o coordenada e engenhosa de sociedades humanas que aqui viveram muitos s\u00e9culos antes da chegada dos europeus, nesse lugar que, por muitas d\u00e9cadas, foi considerado in\u00f3spito para o desenvolvimento de sociedades complexas.<\/p>\n<p>&#8220;Por mais que tivesse antes visto do solo, a geometria perfeita dos geoglifos, a associa\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias estruturas, \u00e9 somente realmente percebida do alto\u201d, me disse Schaan naquela carta de 2006. \u201cE isso n\u00e3o deve ser mantido em segredo. N\u00e3o deve porque acredito que, se os propriet\u00e1rios de fazendas onde se localizam os geoglifos tivessem sabido antes sobre sua exist\u00eancia, pensariam duas vezes antes de cort\u00e1-los por estradas ou reaproveit\u00e1-los para fazer a\u00e7udes.\u201d<\/p>\n<p><em>Nota do editor: uma vers\u00e3o anterior dessa reportagem dizia que o Iphan teria acionado o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e a Justi\u00e7a Federal, mas essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi confirmada.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro, a p\u00e1 de uma m\u00e1quina retroescavadeira aterrou as valas dos geoglifos do s\u00edtio arqueol\u00f3gico<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":14,"uagb_excerpt":"Primeiro, a p\u00e1 de uma m\u00e1quina retroescavadeira aterrou as valas dos geoglifos do s\u00edtio arqueol\u00f3gico","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132198"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}