{"id":132157,"date":"2020-08-16T13:30:13","date_gmt":"2020-08-16T16:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132157"},"modified":"2020-08-16T10:36:58","modified_gmt":"2020-08-16T13:36:58","slug":"pesquisadores-explicam-o-aumento-da-presenca-de-animais-marinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-explicam-o-aumento-da-presenca-de-animais-marinhos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores explicam o aumento da presen\u00e7a de animais marinhos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/navegador.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132158\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/navegador-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/navegador-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/navegador.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Era meados de julho quando surfistas avistaram um filhote de<strong>\u00a0elefante-marinho<\/strong>\u00a0nadando tranquilamente entre eles no\u00a0<strong>Arpoador<\/strong>. Dez dias depois, um\u00a0<strong>pinguim-de-magalh\u00e3es<\/strong>\u00a0passeava na\u00a0<strong>Praia da Reserva<\/strong>, no Recreio \u2013 outro seria resgatado dois dias mais tarde nas areias da Barra.<\/p>\n<p>Antes disso, em junho,\u00a0<strong>tr\u00eas baleias foram flagradas na Praia do Pep\u00ea<\/strong>, bem pr\u00f3ximas \u00e0 costa. Sim, este vem sendo um inverno agitado. Calcula-se que o n\u00famero de animais resgatados na costa do Sudeste neste ano seja\u00a0<strong>trinta vezes superior ao de 2019<\/strong>. Os pesquisadores ainda estudam o que teria motivado tal aumento repentino, mas a quest\u00e3o geogr\u00e1fica ajuda a explicar por que tantos visitantes v\u00eam dar as caras nestes mares. \u201cOlhando para o mapa do Brasil, o Rio fica numa esp\u00e9cie de esquina, que \u00e9 um ponto de refer\u00eancia na rota migrat\u00f3ria das jubartes.<\/p>\n<p>Como possui um litoral muito recortado, cheio de ba\u00edas e enseadas, tamb\u00e9m vira ref\u00fagio para animais que saem de seus habitats em busca de alimento, acabam se desgarrando do grupo e procuram um local para descansar\u201d, explica o ocean\u00f3grafo Jos\u00e9 Lailson, chefe do Maqua, o\u00a0<strong>Laborat\u00f3rio de Mam\u00edferos Aqu\u00e1ticos e Bioindicadores da Uerj<\/strong>.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia nacional no estudo de cet\u00e1ceos e outros bichos marinhos, a entidade \u00e9 avisada por bombeiros, companhias de limpeza urbana, prefeituras e pela comunidade em geral toda vez que um desses animais encalha por aqui. \u201c\u00c9 normal o n\u00famero de apari\u00e7\u00f5es variar de um ano para o outro, mas 2020 est\u00e1 sendo fora da curva\u201d, conta Lailson, que j\u00e1 chegou a uma casa para resgatar um pinguim-de-magalh\u00e3es, o mais comum nestas bandas, e o encontrou dentro do freezer \u00f3 no inverno, a esp\u00e9cie deixa a Patag\u00f4nia ou as Ilhas Malvinas atr\u00e1s de comida e alguns se perdem. N\u00e3o \u00e0 toa, quando aportam do lado de c\u00e1, costumam estar fracos e desnutridos. \u201cAs pessoas associam o bicho ao gelo, mas essa esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 polar. Muitas vezes o que ele precisa \u00e9 ser aquecido, pois pode estar com hipotermia\u201d, alerta Lailson.<\/p>\n<p>Acompanhar o resgate desses animais \u00e9 apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o do trabalho realizado pelo Maqua. Fundada em 1992 por estudantes da Uerj \u2013 Lailson era um deles -, a\u00a0<strong>unidade monitora a biodiversidade de toda a regi\u00e3o costeira do Rio, observando o comportamento de mam\u00edferos aqu\u00e1ticos e outros, sejam eles visitantes ou moradores<\/strong>. Em 1998, os pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o realizaram o primeiro levantamento da popula\u00e7\u00e3o de boto-cinza, o mais ilustre habitante das \u00e1guas da Guanabara e o primeiro objeto de estudo do laborat\u00f3rio, at\u00e9 ent\u00e3o quase desconhecido do carioca.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, o grupo\u00a0contava com 100 representantes; hoje s\u00e3o apenas trinta deles, que se refugiam na\u00a0<strong>\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o de Guapimirim (na Ba\u00eda de Sepetiba s\u00e3o ao todo 1 000)<\/strong>. A contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e biol\u00f3gica, a pesca e o barulho causado pelos navios nos arredores da Ponte Rio-Niter\u00f3i s\u00e3o as principais causas do desaparecimento desses cet\u00e1ceos.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/div>\n<p>Toda semana, uma equipe munida de c\u00e2meras e drone sai a bordo de um bote ou barco para percorrer \u00e1reas como a\u00a0<strong>Ba\u00eda de Guanabara<\/strong>, a regi\u00e3o oce\u00e2nica de<strong>\u00a0Niter\u00f3i<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Ilha Grande<\/strong>. Os trabalhos costumam ser supervisionados pelo professor Alexandre de Freitas, que, em suas andan\u00e7as no inverno passado, teve um momento de profunda alegria ao esbarrar com um grupo de 500 golfinhos.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 22, ele encontrou quatro jubartes no entorno da\u00a0<strong>Ilha Rasa<\/strong>, a montanha de pedra que se vislumbra do\u00a0<strong>Arpoador<\/strong>. \u201cQuando avistamos esses animais, coletamos informa\u00e7\u00f5es como profundidade, temperatura e turbidez da \u00e1gua para tentar entender o que eles est\u00e3o fazendo ali\u201d, esclarece Freitas.<\/p>\n<p><strong>Botos<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>golfinhos<\/strong>\u00a0s\u00e3o identificados atrav\u00e9s de fotos das nadadeiras dorsais. Elas funcionam como uma impress\u00e3o digital do animal, j\u00e1 que ao longo da vida v\u00e3o adquirindo caracter\u00edsticas \u00fanicas. Com esses dados, os cientistas conseguem estimar o tamanho das popula\u00e7\u00f5es e obter informa\u00e7\u00f5es como padr\u00f5es de uso do habitat, fidelidade \u00e0 \u00e1rea, intervalo entre filhotes e associa\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/div>\n<p>Freitas j\u00e1 constatou, por exemplo, que um mesmo cardume de golfinhos-de-dentes-rugosos frequenta essas \u00e1guas pelo menos desde 2009. \u201cH\u00e1 duas semanas eles estavam no Flamengo\u201d, diz. O trabalho de campo inclui ainda a bioac\u00fastica, que analisa a comunica\u00e7\u00e3o dos cet\u00e1ceos com base nos sons que eles emitem. O laborat\u00f3rio da Uerj \u00e9 precursor na pesquisa de como a polui\u00e7\u00e3o sonora subaqu\u00e1tica afeta a vida dos animais \u00f3 um problema na \u00e1rea da Ba\u00eda de Guanabara por causa dos barcos e navios que, mesmo atracados, ficam com os motores ligados.<\/p>\n<p>Na volta do mar \u2013 as viagens come\u00e7am logo nas primeiras horas do dia e v\u00e3o at\u00e9 quando o tempo permitir -, muitas vezes encontram-se cad\u00e1veres de animais, cujas an\u00e1lises em laborat\u00f3rio permitem estudos avan\u00e7ados no campo da ecotoxicologia. Coordenado por Jos\u00e9 Lailson, esse trabalho j\u00e1 observou em certos golfinhos a presen\u00e7a alt\u00edssima de PCB, subst\u00e2ncia t\u00f3xica que era usada em transformadores para a alimenta\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, banida desde a d\u00e9cada de 80. Continua, por\u00e9m, nas \u00e1guas da Guanabara.<\/p>\n<div class=\"inline-slideshow nonfullscreen clean \">\n<div class=\"flex gallery-container none\" role=\"application\" data-id=\"109\" data-m=\"{&quot;i&quot;:109,&quot;p&quot;:107,&quot;n&quot;:&quot;gallery&quot;,&quot;y&quot;:8,&quot;o&quot;:2}\" data-gallery-id=\"BB17XBRN_1\" data-page-id=\"galleryvnext\" data-page-name=\"gallery_inline\" data-page-parent-id=\"BB17XBRN\" aria-label=\"apresenta\u00e7\u00e3o de slides\">\n<section class=\"gallery\" data-click-behavior=\"GoToFullScreen\">\n<ul class=\"slideshow loaded normalslide\" tabindex=\"0\" role=\"list\">\n<li class=\"show\">\n<div class=\"imgcontainer\" data-image-size=\"750,500\" data-id=\"110\" data-m=\"{&quot;i&quot;:110,&quot;p&quot;:109,&quot;n&quot;:&quot;image1&quot;,&quot;y&quot;:14,&quot;o&quot;:1}\"><img loading=\"lazy\" class=\"loaded\" title=\"Visita pelo mar: praias do Rio v\u00ea aumento da presen\u00e7a de animais aqu\u00e1ticos - UerjDivulga\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17Xt4S.img?h=416&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"{&quot;default&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17Xt4S.img?h=416&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;,&quot;size3column&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17Xt4S.img?h=416&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;,&quot;size2column&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17Xt4S.img?h=416&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;}\" \/><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"imgcontainer\" data-image-size=\"810,540\" data-id=\"111\" data-m=\"{&quot;i&quot;:111,&quot;p&quot;:109,&quot;n&quot;:&quot;image2&quot;,&quot;y&quot;:14,&quot;o&quot;:2}\"><img loading=\"lazy\" class=\"loaded\" title=\"Visita pelo mar: praias do Rio v\u00ea aumento da presen\u00e7a de animais aqu\u00e1ticos - UerjDivulga\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17XauI.img?h=416&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" data-src=\"{&quot;default&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17XauI.img?h=416&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;,&quot;size3column&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17XauI.img?h=416&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;,&quot;size2column&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/BB17XauI.img?h=416&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;u=t&amp;o=f&amp;l=f&quot;}\" \/><\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cForam as maiores concentra\u00e7\u00f5es j\u00e1 achadas em bichos dessa esp\u00e9cie\u201d, afirma Lailson. De um cantinho (tinha n\u00e3o mais do que uma estante) nos anos 1990, o Maqua conta atualmente com uma estrutura composta de dois laborat\u00f3rios de gen\u00e9tica, ecotoxicologia e ecologia, salas para necropsia e outras an\u00e1lises e uma cole\u00e7\u00e3o de esqueletos e tecidos (com 1 400 animais recolhidos) que somam mais de 400 metros quadrados.<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Refer\u00eancia no Brasil, o laborat\u00f3rio tamb\u00e9m presta consultoria para estados em todo o pa\u00eds, do Rio Grande do Sul a Rond\u00f4nia, envolvendo alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e mestrado da\u00a0<strong>Faculdade de Oceanografia da Uerj<\/strong>. Outra boa iniciativa nesse campo no Rio, o\u00a0<strong>Projeto Ilhas do Rio<\/strong>, que atua no\u00a0<strong>Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MoNa)<\/strong>, retomou as atividades com consultoria t\u00e9cnica da\u00a0<strong>WWF Brasil<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/div>\n<p>Ligada ao I<strong>nstituto Mar Adentro<\/strong>, a entidade desenvolve pesquisas com tartarugas marinhas e mam\u00edferos aqu\u00e1ticos e monitora o comportamento dos peixes que habitam os recifes do arquip\u00e9lago. Na agenda inclui ainda a cria\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental, com foco na polui\u00e7\u00e3o marinha.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 parte de nosso objetivo sensibilizar a sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao impacto da polui\u00e7\u00e3o nos mares\u201d, frisa o coordenador Clerio Aguiar. Quanto \u00e0 presen\u00e7a dos ilustres visitantes que deram cara nova a este inverno carioca, os pesquisadores seguem firmes atr\u00e1s de respostas. \u00c9 o tempo da ci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era meados de julho quando surfistas avistaram um filhote de\u00a0elefante-marinho\u00a0nadando tranquilamente entre eles no\u00a0Arpoador. 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