{"id":132053,"date":"2020-08-14T12:00:23","date_gmt":"2020-08-14T15:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=132053"},"modified":"2020-08-14T09:15:20","modified_gmt":"2020-08-14T12:15:20","slug":"sera-que-e-natural-que-os-seres-humanos-incluam-carne-em-sua-dieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sera-que-e-natural-que-os-seres-humanos-incluam-carne-em-sua-dieta\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que \u00e9 natural que os seres humanos incluam carne em sua dieta?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/vegetarianismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-132054\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/vegetarianismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/vegetarianismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/vegetarianismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ser vegano est\u00e1 na moda! Para muitos, adotar uma dieta baseada apenas em produtos de origem vegetal representa uma certa filosofia vital \u00e0 qual outras propostas existenciais costumam ser incorporadas, como ser um animalista ou preocupar-se com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e uma agricultura sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por isso, muitos veganos consideram que quem pratica a dieta on\u00edvora favorece a explora\u00e7\u00e3o animal, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e as postula\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas neoliberais.<\/p>\n<p>Essas abordagens n\u00e3o resistem a um debate minimamente s\u00e9rio. Mas questionar a dieta vegana, considerada por seus praticantes como alternativa saud\u00e1vel, equilibrada e sustent\u00e1vel \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o tradicional, j\u00e1 \u00e9 outra quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido \u00e9 conveniente indagar se a evolu\u00e7\u00e3o de nossos ancestrais nos oferece pistas sobre esse debate.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Esp\u00e9cie genuinamente on\u00edvora<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/52AB\/production\/_113236112_gettyimages-1034225338.jpg\" alt=\"Uma garota de boca aberta como se fosse dar uma mordida em um peru assado\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os seres humanos apresentam uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es em sua evolu\u00e7\u00e3o, tanto anat\u00f4micas quanto fisiol\u00f3gicas, com foco em uma dieta mais carn\u00edvora<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A biologia evolutiva nos mostra que os humanos diferem de outros primatas por serem as esp\u00e9cies mais genuinamente on\u00edvoras dessa ordem de mam\u00edferos.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\"><\/div>\n<p>Assim, o\u00a0<i>Homo sapiens<\/i> apresenta uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es, tanto anat\u00f4micas quanto fisiol\u00f3gicas, em dire\u00e7\u00e3o a uma dieta mais carn\u00edvora que a dos grandes s\u00edmios, como o chimpanz\u00e9, o gorila ou o orangotango, nossos parentes vivos mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Da mesma forma, manifestamos outras caracter\u00edsticas derivadas, como o tipo de parasitas que abrigamos.<\/p>\n<p>Sem querer ser exaustivo, a principal evid\u00eancia evolutiva que permite argumentar contra a conveni\u00eancia de uma dieta vegana seriam caracter\u00edsticas do nosso aparelho digestivo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1. C\u00f3lon curto e outras raz\u00f5es intestinais<\/h2>\n<p>Em primeiro lugar, o coeficiente de diferencia\u00e7\u00e3o do trato digestivo (quociente entre a soma da superf\u00edcie do est\u00f4mago e do intestino grosso, dividido pela superf\u00edcie do intestino delgado) assume um valor intermedi\u00e1rio para n\u00f3s (0,8). Isso o coloca entre a dos carn\u00edvoros (0,4-0,6) e a do chimpanz\u00e9 ou orangotango (1,0-1,2), ambos frug\u00edvoros. E \u00e9 a\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/7441763\/\">metade do gorila (1,6)<\/a>, com dieta exclusivamente herb\u00edvora.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A0CB\/production\/_113236114_gettyimages-892955980.jpg\" alt=\"Um homem e uma mulher com o sistema digestivo desenhado\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Por ter um c\u00f3lon mais curto, o tr\u00e2nsito dos alimentos pelo trato digestivo \u00e9 mais r\u00e1pido, dificultando a absor\u00e7\u00e3o de alimentos vegetais ricos em fibras<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na verdade, nosso intestino delgado e o c\u00f3lon representam 67% e 17% do volume total do trato digestivo, enquanto nos macacos essas propor\u00e7\u00f5es variam entre 14-28% e 52-54%. Por termos um\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/10918988\/\">c\u00f3lon mais curto<\/a>, o tr\u00e2nsito dos alimentos pelo trato digestivo \u00e9 mais r\u00e1pido, dificultando a absor\u00e7\u00e3o de alimentos vegetais ricos em fibras.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2. Metabolismo e energia<\/h2>\n<p>Em segundo lugar, nos mam\u00edferos, o aumento no tamanho corporal \u00e9 acompanhado por uma diminui\u00e7\u00e3o na taxa metab\u00f3lica basal por unidade de massa, o que permite reduzir a qualidade da dieta. Portanto, os grandes macacos subsistem consumindo 87-99% da mat\u00e9ria vegetal.<\/p>\n<p>Os chimpanz\u00e9s s\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o, pois sua dieta frug\u00edvora, mais rica em energia, permite que desenvolvam uma\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/(SICI)1520-6505(1999)8:1%3C11::AID-EVAN6%3E3.0.CO;2-M\">vida social mais intensa<\/a>.<\/p>\n<p>Nos ancestrais do nosso g\u00eanero (Homo), a evolu\u00e7\u00e3o nas savanas \u00e1ridas e sazonais da \u00c1frica subtropical levou \u00e0 inclus\u00e3o de mais carne em sua dieta, obtida por meio do consumo de animais sem ter participado de sua ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 confirmado pelas marcas de descarnamento com lascas de s\u00edlex em v\u00e1rios dep\u00f3sitos africanos, que datam de 2,6-2,3 milh\u00f5es de anos. Que s\u00e3o semelhantes aos identificados nos ossos f\u00f3sseis de dep\u00f3sitos da regi\u00e3o de\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/31659231\/\">Orce (Granada, na Espanha)<\/a>, um milh\u00e3o de anos depois, que mostram a presen\u00e7a humana mais antiga na Europa Ocidental.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EEEB\/production\/_113236116_gettyimages-1047798504.jpg\" alt=\"Prato de vegetais\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">As evid\u00eancias evolutivas do ser humano demonstram que a alimenta\u00e7\u00e3o exclusiva de vegetais \u00e9 &#8220;antinatural&#8221; para nossa esp\u00e9cie<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A dieta carn\u00edvora, mais rica em energia (em kJ por dia e kg de massa corporal) e mais diger\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao que se\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/theconversation.com\/es-natural-que-los-humanos-comamos-carne-138346\">espera de nossa taxa metab\u00f3lica<\/a>, tamb\u00e9m nos abriu a porta para acessar amino\u00e1cidos essenciais e outros micronutrientes, como certos \u00e1cidos graxos \u00f4mega-3 (EPA e DHA), presentes apenas em\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/23273468\/\">tecidos animais<\/a>.<\/p>\n<p>Outro composto importante \u00e9 a taurina, um amino\u00e1cido muito raro na mat\u00e9ria vegetal, com a\u00e7\u00e3o antioxidante e anti-inflamat\u00f3ria. Acontece que a capacidade de sintetiz\u00e1-lo \u00e9 muito baixa em humanos e est\u00e1 ausente em felinos, hipercarn\u00edvoros por excel\u00eancia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3. C\u00e9rebro grande<\/h2>\n<p>Um dos principais motivos pelos quais precisamos de uma alimenta\u00e7\u00e3o de alta qualidade est\u00e1 no alto custo de manuten\u00e7\u00e3o do nosso tecido nervoso, que representa 22% da taxa metab\u00f3lica basal,\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/28548424\/\">contra 8% no chimpanz\u00e9<\/a>.<\/p>\n<p>Como no nosso corpo tamb\u00e9m existem outros \u00f3rg\u00e3os muito caros para manter, como o cora\u00e7\u00e3o, os rins ou o f\u00edgado, cujas dimens\u00f5es n\u00e3o podiam ser reduzidas, a expans\u00e3o do c\u00e9rebro obrigou a um\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/2744104?seq=1\">encurtamento do trato digestivo humano<\/a>, promovendo a transi\u00e7\u00e3o para uma dieta mais carn\u00edvora.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/148C3\/production\/_113236148_gettyimages-924291506.jpg\" alt=\"Homem olha para a ilustra\u00e7\u00e3o de um grande c\u00e9rebro\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A expans\u00e3o do c\u00e9rebro humano for\u00e7ou um encurtamento do trato digestivo, levando \u00e0 transi\u00e7\u00e3o a uma dieta mais carn\u00edvora<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com isso, o grande desenvolvimento cerebral de nossa esp\u00e9cie, principalmente durante a fase infantil, foi beneficiado por uma dieta concentrada, de f\u00e1cil digest\u00e3o e de melhor qualidade. Hoje, no primeiro mundo, existem alternativas a essa dieta que n\u00e3o incluem produtos de origem animal, mas essa possibilidade n\u00e3o era acess\u00edvel aos ca\u00e7adores-coletores n\u00f4mades durante o Pleistoceno (97% do tempo desde nossa origem na \u00c1frica h\u00e1 cerca de 160 mil anos) e continua sem estar em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4. A import\u00e2ncia do ferro<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3B3B\/production\/_113236151_gettyimages-1219669414.jpg\" alt=\"Lentilhas\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Dizer que &#8220;as lentilhas t\u00eam muito ferro&#8221; \u00e9 uma meia verdade<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o que os enter\u00f3citos do sistema digestivo humano absorvem preferencialmente o ferro ligado \u00e0 hemoglobina e compostos porfir\u00ednicos (em produtos de origem animal), em compara\u00e7\u00e3o com os \u00edons de ferro na mat\u00e9ria vegetal, cuja assimila\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida por 50-70% devido \u00e0 presen\u00e7a de fitatos e compostos fen\u00f3licos, que\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/2407101\/\">inibem a absor\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Em contraste, os animais herb\u00edvoros n\u00e3o absorvem o ferro dos compostos ligados \u00e0 carne e dependem dos \u00edons de ferro nas plantas.<\/p>\n<p>Uma dieta vegana n\u00e3o atinge a ingest\u00e3o m\u00ednima de 1,5 mg de ferro\/dia e deve ser suplementada. O que, no longo prazo, acaba prejudicando os rins, j\u00e1 que grande parte desse ferro n\u00e3o \u00e9 absorvido e eles t\u00eam que excret\u00e1-lo. Portanto, embora seja verdade o que as nossas av\u00f3s nos diziam que &#8220;as lentilhas t\u00eam muito ferro&#8221;, \u00e9 apenas meia verdade. Porque assimilamos muito melhor o ferro do sangue de um bom bife ou um de um fil\u00e9 de atum.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uma dieta que aumenta a longevidade<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/895B\/production\/_113236153_gettyimages-1016491412.jpg\" alt=\"M\u00e3os segurando um hamb\u00farguer.\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Os genes adaptativos para o consumo de gorduras animais desempenharam um papel relevante para uma dieta mais carn\u00edvora e um maior tempo de vida durante a evolu\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Essas adapta\u00e7\u00f5es \u00e0 dieta on\u00edvora tamb\u00e9m se refletem em nossa expectativa de vida.<\/p>\n<p>Os humanos t\u00eam uma longevidade potencial 30% maior que a dos grandes macacos.<\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o de genes adaptativos para o consumo de gorduras animais, como o alelo ApoE3, teve papel relevante na mudan\u00e7a para uma dieta mais carn\u00edvora e uma vida mais longa durante a evolu\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, reduzindo o risco de sofrer de\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/15101252\/\">Alzheimer, doen\u00e7as vasculares e infec\u00e7\u00f5es microbianas<\/a>.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o \u00e9 por acaso que em tr\u00eas quartos das sociedades n\u00f4mades de ca\u00e7adores-coletores, que representam nosso estilo de vida tradicional (onde a sele\u00e7\u00e3o natural atuou, ao contr\u00e1rio das sociedades modernas), a ca\u00e7a e\/ou pesca constituem mais de 50% da dieta. Enquanto o contr\u00e1rio ocorre em\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/ajcn\/article\/71\/3\/682\/4729121\">apenas 14% deles<\/a>. Em contraste, nos chimpanz\u00e9s, a carne representa apenas 3% da dieta.<\/p>\n<p>O menor consumo de carboidratos em popula\u00e7\u00f5es humanas ap\u00f3s adapta\u00e7\u00e3o a uma dieta mais carn\u00edvora pode levar ao\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/1601351\">aparecimento de resist\u00eancia \u00e0 insulina<\/a>\u00a0(diabetes mellitus do tipo 2) como mecanismo de ac\u00famulo de gordura corporal em tempos de\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/20420525\/\">abund\u00e2ncia de recursos<\/a>.<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia desta doen\u00e7a nas popula\u00e7\u00f5es humanas modernas varia hoje entre 7 e 14%, embora sua preval\u00eancia tenha aumentado de 3-6% em 1980, devido ao excesso de peso por causa do consumo excessivo de \u00e1cidos graxos saturados, da escassez de fibra vegetal, bebidas com a\u00e7\u00facares livres e vida sedent\u00e1ria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D77B\/production\/_113236155_gettyimages-75403938.jpg\" alt=\"Pernas de um beb\u00ea com excesso de peso.\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">O aumento de diabetes em humanos modernos se deve ao excesso de peso devido ao consumo excessivo de \u00e1cidos graxos saturados, \u00e0 escassez de fibras vegetais, bebidas com a\u00e7\u00facar livre e \u00e0 vida sedent\u00e1ria<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Finalmente, outras evid\u00eancias de nossa adapta\u00e7\u00e3o precoce \u00e0 dieta carn\u00edvora v\u00eam das t\u00eanias, uma fam\u00edlia de cestoides parasitas que usam carn\u00edvoros como hospedeiros definitivos.<\/p>\n<p>Tr\u00eas esp\u00e9cies do g\u00eanero\u00a0<i>Taenia<\/i>\u00a0nos utilizam apenas para completar seu ciclo, embora tamb\u00e9m possam nos infectar como hospedeiros intermedi\u00e1rios secund\u00e1rios, resultando em cisticercose.<\/p>\n<p>Em contraste, esses parasitas n\u00e3o infectam macacos em condi\u00e7\u00f5es naturais. As\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC1088669\/\">\u00faltimas evid\u00eancias cient\u00edficas<\/a>\u00a0indicam que a adapta\u00e7\u00e3o de tais cestoides para infectar humanos na fase final de seu ciclo ocorreu na \u00c1frica, logo ap\u00f3s o surgimento de nossos ancestrais no continente. Ou seja, eles tamb\u00e9m comiam carne.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1259B\/production\/_113236157_gettyimages-664128120.jpg\" alt=\"Dieta mediterr\u00e2nea\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A dieta mediterr\u00e2nea oferece uma alternativa mais equilibrada e saud\u00e1vel<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Com base nesses argumentos, parece que uma dieta exclusivamente vegana n\u00e3o \u00e9 apenas antinatural em nossa esp\u00e9cie, dado nosso passado evolucion\u00e1rio, mas h\u00e1 fortes raz\u00f5es fisiol\u00f3gicas que desaconselham isso.<\/p>\n<p>Como tal, n\u00e3o deve ser considerada uma alternativa recomend\u00e1vel \u00e0 dieta mediterr\u00e2nea mais equilibrada e saud\u00e1vel. A biologia evolutiva \u00e9 clara nisso.<\/p>\n<p><i>*Paul Palmqvist Barrena \u00e9 professor de Paleontologia da Universidade de M\u00e1laga.<\/i><\/p>\n<p><i>Para\u00a0<\/i><i>ler o original em\u00a0<\/i><i>espanhol<\/i><i>, clique\u00a0<\/i><a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/theconversation.com\/es-natural-que-los-humanos-comamos-carne-138346\">aqui<\/a><i>.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser vegano est\u00e1 na moda! 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