{"id":131925,"date":"2020-08-12T07:23:56","date_gmt":"2020-08-12T10:23:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=131925"},"modified":"2020-08-12T07:23:56","modified_gmt":"2020-08-12T10:23:56","slug":"o-livro-que-voce-gostaria-que-seus-pais-tivessem-lido-como-criar-filhos-emocionalmente-seguros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-livro-que-voce-gostaria-que-seus-pais-tivessem-lido-como-criar-filhos-emocionalmente-seguros\/","title":{"rendered":"&#8220;O livro que voc\u00ea gostaria que seus pais tivessem lido&#8221;: Como criar filhos emocionalmente seguros"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-131926\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando voc\u00ea decidiu engravidar, certamente avaliou as condi\u00e7\u00f5es financeiras da fam\u00edlia, o plano de sa\u00fade, o espa\u00e7o da casa e talvez at\u00e9 a escola onde o beb\u00ea poderia estudar um dia. Mas h\u00e1 outro ponto fundamental, que costuma ser esquecido pelos futuros pais: a disposi\u00e7\u00e3o emocional para criar uma crian\u00e7a. E por que isso faz diferen\u00e7a? \u201cA maneira como voc\u00ea responde e reage aos sentimentos de seu filho \u00e9 importante, porque \u00e9 uma necessidade fundamental dos seres humanos \u2013 grandes, pequenos, voc\u00ea e eu \u2013 ter nossos sentimentos reconhecidos e compreendidos pelas pessoas com\u00a0pap\u00e9is relevantes em nossa vida\u201d, afirma a\u00a0psicoterapeuta inglesa Philippa Perry, em\u00a0<em>O livro que voc\u00ea gostaria que<br \/>\nseus pais tivessem lido<\/em> (Fontanar, R$ 44,90).<\/p>\n<p>Para a autora, a base da cria\u00e7\u00e3o dos filhos \u00e9\u00a0o v\u00ednculo que temos com eles. \u201cSe as pessoas fossem plantas, a rela\u00e7\u00e3o seria o solo. A\u00a0rela\u00e7\u00e3o sustenta, nutre, permite o crescimento&#8230; ou o inibe\u201d, escreve. Ela ressalta\u00a0que, em primeiro lugar, \u00e9 necess\u00e1rio rever o\u00a0relacionamento que n\u00f3s tivemos com nossos pais, j\u00e1 que, muitas vezes, n\u00e3o sabemos\u00a0lidar com determinados comportamentos dos filhos porque eles nos disparam gatilhos emocionais inconscientes. J\u00e1 pensou nisso? Mas vamos por partes&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>Quer ver outros conte\u00fados exclusivos e assinar, al\u00e9m da CRESCER, todas as outras revistas e jornais da Editora Globo ao mesmo tempo?\u00a0<a href=\"https:\/\/bityli.com\/bKhVQ\">Acesse o Globo Mais<\/a>, por R$ 4,90 (por tr\u00eas meses)<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"pub-materia-3\" class=\"adv adv-article halfpage\" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CKTfq8m3lesCFSw0uQYdGvEKBA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edcrescer\/Educacao-Comportamento\/materia_7__container__\"><strong>SINTO, LOGO EXISTO<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>O v\u00ednculo entre filhos e pais tem in\u00edcio ainda na gravidez. E h\u00e1 quem diga que at\u00e9 mesmo antes da concep\u00e7\u00e3o, no momento em que eles come\u00e7am a imaginar que tipo de parentalidade v\u00e3o exercer. Teorias \u00e0 parte, o que a ci\u00eancia j\u00e1 provou \u00e9 que, sim, o beb\u00ea \u00e9 capaz de sentir desde muito cedo: o\u00a0tato, por exemplo, surge por volta da 16\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, enquanto a audi\u00e7\u00e3o, da 20\u00aa. \u201cAl\u00e9m disso, as experi\u00eancias vividas pela m\u00e3e, tanto as boas quanto as ruins, s\u00e3o transmitidas ao beb\u00ea por meio de rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, isto \u00e9, hormonais\u201d, explica o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli, colunista da CRESCER. O estresse cr\u00f4nico, por exemplo, aumenta o n\u00edvel do horm\u00f4nio cortisol no organismo da gr\u00e1vida, o que pode levar a um parto prematuro ou baixo peso ao nascer, de acordo com o especialista.<\/p>\n<p>Mas lembre-se de que isso \u00e9 raro. Portanto, foque no lado positivo desse beb\u00ea, que t\u00e3o cedo j\u00e1 \u00e9 capaz de sentir o carinho na barriga e ouvir (e reconhecer!) as vozes das pessoas ao redor. \u201cSempre recomendo \u00e0s gr\u00e1vidas que ou\u00e7am uma playlist com can\u00e7\u00f5es tranquilas. Essas mesmas m\u00fasicas podem ser usadas para acalmar a crian\u00e7a depois que ela nascer\u201d, diz Mantelli. Um estudo da Universidade de Helsinki (Finl\u00e2ndia), ali\u00e1s, mostrou que beb\u00eas de 4 meses ainda conseguiam identificar m\u00fasicas que ouviram quando estavam na barriga da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Se a t\u00e9cnica vai funcionar durante uma crise de c\u00f3lica do seu filho, n\u00e3o h\u00e1 garantia. No entanto, ela exprime uma li\u00e7\u00e3o fundamental para todos os pais quando o assunto \u00e9 desenvolvimento emocional: enquanto a crian\u00e7a n\u00e3o tem maturidade para lidar com certas situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o eles quem ir\u00e3o ajud\u00e1-la a regular os pr\u00f3prios sentimentos. \u201cE as estrat\u00e9gias variam conforme a idade\u201d, afirma a neuropediatra Renata Kieling, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio\u00a0Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n<p>A especialista explica que as estruturas cerebrais que nos permitem sentir emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como medo e prazer, est\u00e3o formadas e ativas desde o nascimento. J\u00e1 as respons\u00e1veis por moder\u00e1-las (para que se consiga ponderar, racionalizar, postergar, frear rea\u00e7\u00f5es e impulsos) amadurecem anos depois, e s\u00f3 estar\u00e3o completamente prontas no in\u00edcio da vida adulta. \u201cO equil\u00edbrio entre esses dois sistemas, o que sente e o que regula, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o feita a partir das experi\u00eancias que o indiv\u00edduo vivencia ao longo do tempo\u201d, diz. De acordo com a neuropediatra, esse aprendizado come\u00e7a cedo, logo nos primeiros dias de vida. \u201cQuando o beb\u00ea chora, como forma de expressar algum desconforto, \u00e9 o acolhimento dos pais, ou seja, colo, carinho e aten\u00e7\u00e3o dispensados ao pequeno nesse momento, que v\u00e3o faz\u00ea-lo regular o que est\u00e1 sentindo\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>O CONTROLE DAS EMO\u00c7\u00d5ES<\/strong><br \/>\n\u00c0 medida que a crian\u00e7a se desenvolve, expressa e controla melhor o que sente. Mas a fun\u00e7\u00e3o de \u201cintermedi\u00e1rio\u201d dos pais e cuidadores continua. Ent\u00e3o, seja paciente. Especial- mente nas crises de birra \u2013 que costumam surgir por volta dos 6 meses e podem durar at\u00e9 os 6 anos. \u00c9 preciso entender que n\u00e3o se trata de provoca\u00e7\u00e3o, mas, sim, de falta de habili- dade para lidar com as frustra\u00e7\u00f5es de maneira equilibrada. Algo que nem mesmo todos os adultos sabem, sejamos sin- ceros. \u201cNessas situa\u00e7\u00f5es, seja em casa ou em p\u00fablico, os pais precisam lembrar que eles s\u00e3o os adultos da rela\u00e7\u00e3o. Por isso, t\u00eam de fazer o poss\u00edvel para conter a raiva. Do contr\u00e1rio, vira uma disputa de igual para igual\u201d, diz a psic\u00f3loga Denise de\u00a0Sousa Feliciano, presidente do Departamento de Sa\u00fade Mental da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo (SPSP).<\/p>\n<p>A primeira dica para enfrentar o problema \u00e9 antecipar-se aos fatos, ou seja, avisar a crian\u00e7a sobre o que vai acontecer para ela se preparar emocionalmente. Est\u00e1 chegando a hora do banho? Diga que ela tem mais cinco minutos para brincar, ver TV ou o que estiver fazendo. A rea\u00e7\u00e3o ser\u00e1 diferente do que se voc\u00ea apenas interromp\u00ea-la abruptamente. Fazer combinados tamb\u00e9m funciona. Se voc\u00eas forem ao supermercado, por exemplo, podem negociar que ela tem direito a apenas um \u201cmimo\u201d. Mesmo assim, ela se jogou ao ch\u00e3o na fila do caixa? A psic\u00f3loga lembra que acolher o seu filho n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de fazer todas as vontades dele.<\/p>\n<p>\u201cSeja firme e aguarde o pequeno se acalmar. A sua companhia \u00e9 tudo o que ele precisa nesse instante para se recompor\u201d, conclui. Foi o que o pai norte-americano Joel Mitchel, 33, mostrou a milhares de fam\u00edlias em dezembro do ano passado ao postar um v\u00eddeo de sua filha ca\u00e7ula, nas redes sociais, durante uma crise de birra daquelas. Ao longo de dois minutos, a menina, de 2 anos, grita, chora e se joga no ch\u00e3o. Enquanto isso, o pai apenas se faz presente. Ele estende a m\u00e3o oferecendo colo, at\u00e9 que ela aceita. Depois de chorar mais um tempo nos bra\u00e7os do pai, finalmente se tranquiliza. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum a tantas fam\u00edlias que o v\u00eddeo, claro, viralizou, com cerca de 260 mil compartilhamentos at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 PRECISO ABRA\u00c7AR OS SENTIMENTOS<\/strong><br \/>\nA jornalista Sabrina Brognoli d\u2019Aquino, 41 anos, m\u00e3e de Enzo, 12, que tem TEA (transtorno do espectro autista), lembra algo importante. \u201cN\u00e3o conseguimos manter a calma com as crian\u00e7as se n\u00f3s, pais, n\u00e3o estivermos bem tamb\u00e9m.\u201d Ela conta que n\u00e3o descobriu isso do dia para a noite, obviamente. \u201cO aprendizado come\u00e7ou gra\u00e7as ao TEA, que me levou a psic\u00f3logos e pedagogos. Mas hoje vejo que as li\u00e7\u00f5es servem para todas as crian\u00e7as\u201d, afirma. \u201cClaro que o Enzo tem seus momentos de teimosia, no entanto, sou adepta do princ\u00edpio da d\u00favida: n\u00e3o est\u00e1 agindo de tal forma porque \u00e9 malcriado ou questiona a minha autoridade. Para mim, em 90% das vezes, a birra \u00e9 um pedido de ajuda para um sentimento que a crian\u00e7a n\u00e3o entende ou consegue explicar\u201d, diz. E ela tem raz\u00e3o: falar sobre os sentimentos com os pequenos \u00e9 fundamental. \u201cSe poss\u00edvel, com perguntas abertas, como \u2018o que voc\u00ea est\u00e1 sentindo ou sentiu quando aconteceu tal coisa?\u2019. Mas com as menores, talvez seja necess\u00e1rio que os pais tenham de nome\u00e1-los, dizendo \u2018eu acho que voc\u00ea est\u00e1 chateado ou bravo\u2019, por exemplo\u201d, afirma a neuropediatra Renata.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, por\u00e9m, os pais fogem desse tipo de conversa, inconscientemente, com a inten\u00e7\u00e3o de proteger os pequenos. Como se evitar ou desaprovar sentimentos ruins fizesse com que eles desaparecessem. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, s\u00f3 que o resultado, nem sempre. \u201cPara n\u00f3s, adultos, crian\u00e7a \u00e9 sin\u00f4nimo de alegria. Ent\u00e3o, quando vemos o filho triste, logo dizemos \u2018ah, n\u00e3o fica assim\u2019. Mas temos de nos lembrar que ele tamb\u00e9m tem seus conflitos. Ningu\u00e9m \u00e9 feliz o tempo inteiro\u201d, explica a psic\u00f3loga Denise. E deixar que o seu filho tenha no\u00e7\u00e3o disso agora, vai ajud\u00e1-lo a enfrentar dificulda- des maiores no mundo l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Nesse contexto, podemos nos inspirar na tribo ind\u00edgena Mapuche, do Chile. Uma pesquisa recente feita pela Univer- sidade Cat\u00f3lica de Temuco (Chile), em parceria com a Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA), com 271 pais e professores da regi\u00e3o, comparou as estrat\u00e9gias dos adultos Mapuche em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o Mapuche para auxiliar suas crian\u00e7as a lidar com emo\u00e7\u00f5es negativas. Os pesquisadores descobriram que, para os povos daquela etnia, enfrentar os pr\u00f3prios medos faz parte do desenvolvimento \u2013 e encorajam as crian\u00e7as nesse sentido. \u201cNo meio de uma tempestade, por exemplo, os adultos abra\u00e7am as crian\u00e7as e dizem \u2018o trov\u00e3o tamb\u00e9m tem direito de brincar l\u00e1 fora\u2019. Desta maneira, demonstram que n\u00e3o est\u00e3o com medo, oferecem acolhimento e, ao mesmo tempo, d\u00e3o uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para que elas compreendam e lidem com a situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz a psic\u00f3loga Amy Halberstadt, professora da Universidade Estadual da Carolina do Norte, coautora do estudo, em entrevista \u00e0 CRESCER. O que, para a pesquisadora, parece ser mais eficaz do que gritar \u201cCuidado!\u201d ou \u201c\u00c9 perigoso\u201d, como fazemos normalmente. \u201cA urg\u00eancia presente em nossas vozes \u00e9 emo- cionalmente contagiosa\u201d, diz. Faz sentido, n\u00e3o?<\/p>\n<div id=\"pub-materia-8\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CLPXjcu3lesCFfoGuQYds3gMbQ\"><\/div>\n<p>Veja alguns destaques de O livro que voc\u00ea gostaria que seus pais tivesse lido, da psicoterapeuta e apresentadora de TV e r\u00e1dio brit\u00e2nica Philippa Perry &#8211; \u00fateis para nos fazer<\/p>\n<figure>\n<div id=\"aggressive_1\" class=\"st-placement aggressive_1 inImage\">\n<div class=\"st-adunit st-show st-reset\">\n<div class=\"st-container st-reset\">\n<div class=\"st-adunit-ad st-reset\">\n<div class=\"st-reset\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container open Billboard_970x250 display-standard f1q5ut5n\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fa5yfwn\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined f1q5ut5n\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f6qce4y\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined f1q5ut5n\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el f1lx75s3\">\n<div class=\"important-styled display-render x-to-close f18j36wu\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"Fam\u00edlia com o beb\u00ea (Foto: Getty Images)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/nokAQoaaO7GbouxCYZ7Z_2HwvBo=\/620x520\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/07\/01\/captura_de_tela_2020-07-01_as_19.26.54.png\" alt=\"Fam\u00edlia com o beb\u00ea (Foto: Getty Images)\" width=\"639\" height=\"536\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/nokAQoaaO7GbouxCYZ7Z_2HwvBo=\/620x520\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/07\/01\/captura_de_tela_2020-07-01_as_19.26.54.png\" \/><figcaption>Fam\u00edlia com o beb\u00ea (Foto: Getty Images)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SEU FILHO POR INTEIRO<\/strong><br \/>\nPara a educadora e antrop\u00f3loga Adriana Friedmann, autora do rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0<em>A Vez e a Voz das Crian\u00e7as<\/em>\u00a0\u2013\u00a0<em>Escutas Antropol\u00f3gicas e Po\u00e9ticas da Inf\u00e2ncia<\/em> (Panda Educa\u00e7\u00e3o, R$ 44,90), tanto a fam\u00edlia quanto a escola se preocupam em ensinar in\u00fameras habilidades, como ler e escrever, cada vez mais cedo. \u201cMuitas vezes se esquecem, por\u00e9m, de que a crian\u00e7a se desenvolve de maneira integral: n\u00e3o h\u00e1 como separar o mental do f\u00edsico e do social\u201d, diz. O neuropediatra Antonio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Pr\u00edncipe (PR), concorda. E d\u00e1 um exemplo bem significativo. \u201cQuem n\u00e3o se orgulha do filho que domina as fun\u00e7\u00f5es de um tablet mesmo com pouca idade? Mas como ele lida com a frustra\u00e7\u00e3o se voc\u00ea tirar o aparelho dele?\u201d, questiona. Isso mostra que n\u00e3o basta ter apenas as habilidades t\u00e9cnicas se as emocionais n\u00e3o estiverem bem desenvolvidas. Prova disso \u00e9 uma revis\u00e3o de 160 estudos feita recentemente pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psicologia. A pesquisa descobriu que estudantes (do ensino fundamental ao m\u00e9dio) com mais intelig\u00eancia emocional, isto \u00e9, com capacidade de reconhecer e gerenciar os pr\u00f3prios sentimentos e os dos outros, tendiam a se sair melhor nos exames. Ao que tudo indica, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, ent\u00e3o.<\/p>\n<p>E ao observar o seu filho por completo, com suas qualidades e \u201cdefeitos\u201d, lembre-se de elogiar o esfor\u00e7o e n\u00e3o apenas as conquistas. \u201cNo mundo automatizado em que vivemos, com tudo a um clique de dist\u00e2ncia, essa \u00e9 uma \u00f3tima maneira de ensin\u00e1-lo a ter paci\u00eancia e entender que o sucesso n\u00e3o acontece por acaso, nem do dia para a noite. Por isso, valorizar a dedica\u00e7\u00e3o a uma tarefa, mais do que o resultado em si, \u00e9 um bom come\u00e7o\u201d, diz a pediatra Loretta Campos, especialista em educa\u00e7\u00e3o parental pela Associa\u00e7\u00e3o de Disciplina Positiva (EUA). Al\u00e9m disso, n\u00e3o custa lembrar que cada crian\u00e7a tem ritmo e personalidade diferentes. Em outras palavras, os adultos precisam conter suas expectativas: nada de antecipar ou atrasar etapas. Seja para tirar a fralda ou aprender a ler, respeitar o tempo do seu filho \u00e9 importante para que ele se sinta acolhido diante dos desafios e seguro para seguir em frente. \u201cQuem sinaliza se est\u00e1 pron- ta ou n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria crian\u00e7a. Ela \u00e9 a b\u00fassola dos pais aqui\u201d, diz a educadora Adriana.<\/p>\n<p>Entender os sentimentos do filho foi uma das raz\u00f5es pelas quais a advogada Thais Shimidu, 39, trocou Leonardo, 7, de escola este ano. \u201cEu estava contente com a pedagogia proposta. No entanto, quando ele sofreu bullying e revidou, foi suspenso no exato dia em que a classe tinha um passeio, e\u00a0ficou arrasado\u201d, conta a m\u00e3e. Quando esteve na institui\u00e7\u00e3o para conversar sobre o epis\u00f3dio, a coordenadora sugeriu que a m\u00e3e aderisse ao homeschooling (educa\u00e7\u00e3o domiciliar). \u201cTenho tr\u00eas filhos, nenhum \u00e9 igual ao outro, embora sejam da mesma fam\u00edlia. Para mim, a escola perdeu a chance de refletir com os alunos sobre uma quest\u00e3o que pode acontecer com qualquer um, dentro e fora dali. Como eles v\u00e3o aprender intelig\u00eancia emocional sem praticar a empatia?\u201d, pergunta.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-10\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CMOf28y3lesCFXowuQYdEFYBJA\"><\/div>\n<p><strong>#OFUTURO\u00c9HOJE<\/strong><br \/>\nMas al\u00e9m de empatia e toler\u00e2ncia, outras caracter\u00edsticas que devem ser valorizadas com esse mesmo prop\u00f3sito, tanto na escola quanto em casa, s\u00e3o autocontrole, autoestima e autoconfian\u00e7a. De modo geral, o aprimoramento dessas habilidades depende do acolhimento e da valida\u00e7\u00e3o dos sentimentos da crian\u00e7a, que est\u00e3o ligados ao v\u00ednculo que ela tem com os pais. N\u00e3o por acaso, elas tamb\u00e9m s\u00e3o trabalhadas em programas de preven\u00e7\u00e3o ao uso de drogas e \u00e1lcool, sabia? \u201cJovens seguros s\u00e3o capazes de tomar melhores decis\u00f5es, tanto pesso- ais quanto coletivas. Isso significa que, mesmo que optem por n\u00e3o usar essas subst\u00e2ncias, saber\u00e3o ajudar algum colega eventualmente b\u00eabado em perigo. Al\u00e9m disso, sentem-se menos pressionados pelos amigos para fazer algo que consideram errado\u201d, afirma a soci\u00f3loga Nathalia Oliveira, cofundadora da ONG Iniciativa Negra por uma Nova Pol\u00edtica sobre Drogas.<\/p>\n<p>Outro perigo que assombra os adolescentes atualmente, e que tamb\u00e9m tem ra\u00edzes no desequil\u00edbrio emocional, \u00e9 o suic\u00eddio. \u201cClaro que n\u00e3o d\u00e1 para generalizar, at\u00e9 porque existem vulnerabilidades gen\u00e9ticas envolvidas. No entanto, muitas quest\u00f5es que aparecem na adolesc\u00eancia s\u00e3o problemas mal resolvidos na inf\u00e2ncia. E ao negar (em vez de acolher) os sen- timentos dos filhos, as fam\u00edlias n\u00e3o buscam ajuda a tempo\u201d, alerta a psic\u00f3loga Denise de Sousa Feliciano.<\/p>\n<p>Para incentivar o pequeno a acreditar na pr\u00f3pria capacidade\u00a0e no pr\u00f3prio valor, uma dica essencial \u00e9 evitar r\u00f3tulos. \u201cQuando a crian\u00e7a \u00e9 chamada a toda hora de birrenta, por exemplo, ela pode achar que n\u00e3o consegue mudar e se resignar\u201d, diz Loretta. At\u00e9 mesmo o r\u00f3tulo \u201cpositivo\u201d atrapalha, de acordo com a especialista, uma vez que gera muita press\u00e3o sobre ela. J\u00e1 o autocontrole est\u00e1 relacionado \u00e0 disciplina e \u00e0 rotina. \u201cNesse caso, al\u00e9m de organizar uma agenda com ta- refas do dia a dia, vale incentivar a crian\u00e7a a ajudar os adultos nos afazeres dom\u00e9sticos, de acordo com a idade\u201d, sugere. Por fim, ela lembra que o clich\u00ea \u00e9 verdadeiro: os pais s\u00e3o o espelho dos filhos. A maneira com que voc\u00ea lida com seus problemas, desafios e fraquezas vai influenci\u00e1-lo agora e no futuro.<\/p>\n<p>Caso esteja se perguntando se n\u00e3o \u00e9 tarde demais, lembrando quando foi pouco sens\u00edvel \u00e0s necessidades emocionais do seu pequeno, calma. Como ressalta a psicoteraupeuta Phillipa, n\u00e3o existem \u201cbons\u201d e \u201cmaus\u201d pais, porque todos erramos. Por falar nisso, atribuir r\u00f3tulos \u00e0s pessoas, sejam adultas ou crian\u00e7as, impede que elas alcancem todo o seu potencial, lembra?<\/p>\n<p>Essa foi uma das raz\u00f5es pelas quais a analista administrativo Camila Pontes, 32, buscou o apoio de uma psic\u00f3loga assim que a filha Mariana, 7, recebeu o diagn\u00f3stico de diabetes tipo I, h\u00e1 dois anos. Ela concorda que rever nossas atitudes como pais pode ser dif\u00edcil, mas sempre manteve a cabe\u00e7a aberta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dicas da profissional. \u201cN\u00e3o tinha ideia como seria para ela conviver com a doen\u00e7a, se teria medo ou se sentiria diferente das outras crian\u00e7as. Deu certo, e a terapia foi positiva para toda a fam\u00edlia. \u00c9 a Mariana quem controla o diabetes, e n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cQuando estamos criando filhos, s\u00f3 nos resta torcer pelo melhor e, como sempre repito, para ter bons relacionamentos, n\u00e3o s\u00e3o tanto as rupturas [erros] que contam, mas a maneira como s\u00e3o reparadas\u201d, conclui Phillipa. E o fato de estar lendo esta reportagem agora, acredite, j\u00e1 demonstra o quanto voc\u00ea quer acertar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando voc\u00ea decidiu engravidar, certamente avaliou as condi\u00e7\u00f5es financeiras da fam\u00edlia, o plano de sa\u00fade,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":131926,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/filhos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando voc\u00ea decidiu engravidar, certamente avaliou as condi\u00e7\u00f5es financeiras da fam\u00edlia, o plano de sa\u00fade,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131925\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}