{"id":131406,"date":"2020-08-01T19:07:35","date_gmt":"2020-08-01T22:07:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=131406"},"modified":"2020-08-01T19:07:35","modified_gmt":"2020-08-01T22:07:35","slug":"de-olho-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/de-olho-na-amazonia\/","title":{"rendered":"De olho na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<figure id=\"attachment_82123\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-82123\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-82123\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss%C3%A3o-Antimary-detalhes10.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Miss\u00e3o-Antimary-detalhes10-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-82123\" class=\"wp-caption-text\">Floresta Estadual do Antimary, no Acre. Foto: Cleiton Lopes\/Sema.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O ano \u00e9 2002 e eu acabo de pousar em Rio Branco, Acre, para um m\u00eas de est\u00e1gio na floresta amaz\u00f4nica. Ainda estava cursando minha gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na Universidade Federal de Minas Gerais, mas a universidade entrou em greve e, depois de mais um m\u00eas de paralisa\u00e7\u00e3o e sem perspectivas de retorno, achei que seria interessante fazer um est\u00e1gio complementar.<\/p>\n<p>Conhecia um professor da Universidade Federal do Acre e ele topou me receber em sua casa para um m\u00eas de est\u00e1gio no seu laborat\u00f3rio. Para mim era a oportunidade de aprender sobre um sistema que me interessava, mas tamb\u00e9m, e principalmente, para conhecer a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>J\u00e1 conhecia o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica. Como bom mineiro alternava, desde a inf\u00e2ncia, minhas f\u00e9rias entre as montanhas e o litoral (do Rio ou Esp\u00edrito Santo). Mas, assim como para milh\u00f5es de brasileiros, a Amaz\u00f4nia para mim era t\u00e3o m\u00edtica quanto distante. Ent\u00e3o criei coragem, me organizei e cheguei em Rio Branco cheio de disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Meu primeiro impacto foi a umidade do aeroporto. Fomos de carro para a casa do professor e eu parecia ter jogado uma partida de futebol. Nesse mesmo dia, passamos na universidade e fomos a campo para que eu conhecesse as \u00e1reas de pesquisa e j\u00e1 pudesse ajudar nas coletas de dados. Um detalhe: o campo era \u00e0 noite. Sa\u00edmos de casa perto das 23 horas e em um local relativamente perto, pegamos uma estrada de terra para uma reserva. N\u00e3o era longe da cidade a \u00e1rea de estudo.<\/p>\n<p>Foi um mundo novo. Primeiro, nunca havia feito trabalhos de campo \u00e0 noite. Muito menos em um local que n\u00e3o conhecia e na Amaz\u00f4nia. Na minha cabe\u00e7a era tipo um filme do Indiana Jones; meio rid\u00edculo, mas hoje vejo com carinho essa minha rela\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica com a natureza. Vi tanta coisa! Aranhas mil, formigas, as famosas tocandiras \u2013 formigas enormes e agressivas, usadas em alguns rituais ind\u00edgenas \u2013 um rio de formigas (as de correi\u00e7\u00e3o) andando na mata, um ou outro marsupial e cobras. Tudo bem, apenas duas cobras em um m\u00eas, mas vi.<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cTem gente que acha que esse protagonismo da Amaz\u00f4nia ofusca os outros biomas. Mas n\u00e3o concordo.\u201d<\/div>\n<p>Depois, voltei \u00e0 mata muitas vezes, de dia, de noite, j\u00e1 estava habituado, nadando no igarap\u00e9 para refrescar, reconhecendo os sons da floresta\u2026 mas um m\u00eas passa r\u00e1pido e \u00e9 pouco. Voltei para Belo Horizonte cheio de aprendizados e com uma experi\u00eancia incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Essa foi minha primeira experi\u00eancia na Amaz\u00f4nia. Por isso, quando vejo toda essa proemin\u00eancia que a Amaz\u00f4nia tem nas discuss\u00f5es sobre a agenda ambiental brasileira, quando vejo governos, empresas e investidores internacionais demandarem uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia, n\u00e3o me assusto. Tem gente que acha que esse protagonismo da Amaz\u00f4nia ofusca os outros biomas. Mas n\u00e3o concordo. S\u00f3 quem j\u00e1 esteve no meio da floresta entende que ecossistema \u00e9 aquele. \u00c9 realmente algo \u00fanico.<\/p>\n<p>Para minha sorte \u2013 para um profissional em forma\u00e7\u00e3o \u2013 e azar da biodiversidade e comunidades locais, a regi\u00e3o que primeiro conheci na Amaz\u00f4nia estava sujeita \u00e0 muitas modifica\u00e7\u00f5es, especialmente associadas \u00e0 pecu\u00e1ria. O projeto do qual participei estudava exatamente o efeito dos diferentes est\u00e1gios de recupera\u00e7\u00e3o da floresta sobre a biodiversidade. Havia \u00e1reas de floresta \u00edntegra, mas tamb\u00e9m outras com muita altera\u00e7\u00e3o e bordas de mata, depois das quais s\u00f3 se via \u00e1rea queimada e troncos ca\u00eddos.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 enorme e isso faz com que desmatamentos hom\u00e9ricos que l\u00e1 ocorrem pare\u00e7am menores em escala. Mas n\u00e3o s\u00e3o. Vi de perto como a floresta se modifica pela a\u00e7\u00e3o do homem. Vi de perto como as pessoas dependem dos produtos que a floresta entrega. Por isso, vejo com bons olhos a ideia de um programa de desenvolvimento regional para a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Recentemente, o vice-presidente do Brasil conversou com gestores de fundos internacionais de investimento e bancos privados no Brasil para buscar apoio a iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas e reflorestamento na Amaz\u00f4nia. \u00c9 importante. Aliar a conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o do que foi degradado ao desenvolvimento de uma economia baseada em produtos da biodiversidade me parece um caminho promissor.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 mencionei aqui, a bioeconomia pode nos ajudar a fazer uma transi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica para uma economia mais sustent\u00e1vel. Para al\u00e9m disso, \u00e9 preciso trazer sustentabilidade para as cadeias de valor e produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 na regi\u00e3o Amaz\u00f4nia. A press\u00e3o de investidores, do setor empresarial, de ONGs e governos estrangeiros \u00e9 bem-vinda e pode fazer a diferen\u00e7a. Mas n\u00e3o pode ficar s\u00f3 no papel, nas cartas abertas e nas reuni\u00f5es. Vamos ver como o investimento ocorre e como poss\u00edveis projetos v\u00e3o de fato gerar riqueza de forma que ela seja distribu\u00edda de forma justa. Dessa vez, felizmente ou infelizmente, minha vis\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o rom\u00e2ntica quanto aquela de um graduando das montanhas imerso em uma floresta inundada.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Floresta Estadual do Antimary, no Acre. Foto: Cleiton Lopes\/Sema. O ano \u00e9 2002 e eu<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Floresta Estadual do Antimary, no Acre. Foto: Cleiton Lopes\/Sema. 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