{"id":131335,"date":"2020-08-01T09:00:10","date_gmt":"2020-08-01T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=131335"},"modified":"2020-08-01T07:13:06","modified_gmt":"2020-08-01T10:13:06","slug":"cientistas-encontram-bacterias-vivas-que-podem-ter-100-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-encontram-bacterias-vivas-que-podem-ter-100-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Cientistas encontram bact\u00e9rias vivas que podem ter 100 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-131336\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N\u00e3o importa o qu\u00e3o dorminhoco voc\u00ea seja, jamais vai superar a soneca desses concorrentes microsc\u00f3picos. Uma equipe de cientistas japoneses e americanos encontrou bact\u00e9rias enterradas no fundo do Oceano Pac\u00edfico que datam de mais de 100 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, e, surpreendentemente, ainda est\u00e3o vivas. Em laborat\u00f3rio, os micr\u00f3bios acordaram de seu estado de dorm\u00eancia quando alimentados e come\u00e7aram a se replicar assim como bact\u00e9rias em condi\u00e7\u00f5es normais.<\/p>\n<p>O estudo, publicado na revista Nature Communications, traz novos e interessantes dados sobre a vida na Terra, al\u00e9m de inaugurar alguns novos mist\u00e9rios. Vamos por partes: tudo come\u00e7ou quando a colabora\u00e7\u00e3o internacional de cientistas decidiu investigar o fundo do Giro do Pac\u00edfico Sul, uma regi\u00e3o oce\u00e2nica entre a Am\u00e9rica do Sul e a Austr\u00e1lia conhecida por ter poucos nutrientes e, consequentemente, pouqu\u00edssimas formas de vida. Estudos anteriores j\u00e1 haviam encontrado micr\u00f3bios no local, mas a equipe queria checar at\u00e9 que ponto esses organismos poderiam ser localizados, e por quanto tempo eles aguentariam viver em um ambiente t\u00e3o in\u00f3spito.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ent\u00e3o coletaram amostras de argila de mais de 70 metros abaixo do solo oce\u00e2nico (que, por sua vez, \u00e9 coberto por quase seis quil\u00f4metros de \u00e1gua) e levaram para an\u00e1lises em laborat\u00f3rio. A primeira coisa que eles notaram foi que havia pequenas quantidades de oxig\u00eanio nas amostras, o que permitiria a exist\u00eancia de organismos aer\u00f3bicos ali, pelo menos teoricamente. Na sequ\u00eancia, a equipe come\u00e7ou a \u201calimentar\u201d as camadas de argila com nutrientes como acetato e am\u00f4nia. As subst\u00e2ncias tinham \u00e1tomos de carbono e nitrog\u00eanio que funcionaram como marcadores, que podem ser rastreados e detectados caso um ser vivo as ingerisse, indicando a sua presen\u00e7a na amostra.<\/p>\n<p>Esse processo de alimenta\u00e7\u00e3o durou 557 dias e revelou, aos poucos, organismos vivos na argila que estavam se alimentando dos nutrientes e \u201cacordando\u201d de um processo de dorm\u00eancia. A equipe queria checar, no entanto, se as bact\u00e9rias conseguiriam voltar totalmente ao normal, ou se permaneceriam com fun\u00e7\u00f5es reduzidas mesmo com a presen\u00e7a de nutrientes. O resultado foi surpreendente e animador: apesar de inicialmente haver poucas c\u00e9lulas nas amostras, as bact\u00e9rias logo come\u00e7aram a se reproduzir massivamente ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o de nutrientes, como fazem bact\u00e9rias em estado normal, indicando que estavam 100% ativas. Em 65 dias, a quantidade de c\u00e9lulas aumentou de mil para para um milh\u00e3o de bact\u00e9rias para cada cent\u00edmetro c\u00fabico de argila.<\/p>\n<p>Mas como os cientistas sabem a idade dos micr\u00f3bios? O valor foi estimado de acordo com a camada de argila em que eles foram encontrados, um c\u00e1lculo que \u00e9 bem estabelecido na geologia. Segundo a equipe, as camadas de argila encontradas eram cobertas por camadas de di\u00f3xido de sil\u00edcio, uma subst\u00e2ncia que seria impenetr\u00e1vel por qualquer microrganismo. Isso indica que as bact\u00e9rias ficaram presas nas camadas de argila assim que elas foram formadas, e n\u00e3o que chegaram no local depois. Com isso, as mais velhas bact\u00e9rias encontradas est\u00e3o na camada que t\u00eam 101,5 milh\u00f5es de anos, uma \u00e9poca quando os dinossauros ainda dominavam a Terra. Com isso, essas bact\u00e9rias ganharam o trof\u00e9u de seres vivos mais antigos ainda vivos que temos conhecimento.<\/p>\n<p>Exatamente como as bact\u00e9rias sobreviveram esse tempo todo ainda \u00e9 um mist\u00e9rio, especialmente porque as amostras de argila continham pouqu\u00edssimos nutrientes considerados essenciais para a vida. Suspeita-se que os micr\u00f3bios entravam em um estado de dorm\u00eancia que exigia o m\u00ednimo de energia, e de alguma forma conseguiam capturar esses poucos nutrientes do ambiente com maestria.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 claro, no entanto, se as bact\u00e9rias se reproduziam atrav\u00e9s de divis\u00e3o celular ou n\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que o processo acontecesse muito lentamente (em condi\u00e7\u00f5es normais, bact\u00e9rias se dividem e se multiplicam rapidamente). Mas \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que os indiv\u00edduos tenham ficado o tempo todo sem gerar descendentes. Isso \u00e9 ainda mais fascinante, porque indica que algumas das c\u00e9lulas encontradas tem mais de 100 milh\u00f5es de anos de exist\u00eancia, passando esse tempo todo apenas crescendo lentamente e regenerando a si mesmo \u2013 algo in\u00e9dito e bastante chocante.<\/p>\n<p>O estudo foi elogiado por diversos cientistas e logo chamou aten\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o sobre a vida na Terra \u2013 e at\u00e9 fora dela. Embora j\u00e1 se saiba h\u00e1 bastante tempo que algumas bact\u00e9rias e outros seres microsc\u00f3picos (como as arqueas) consigam viver em condi\u00e7\u00f5es extremas de temperatura, press\u00e3o e toxicidade, sobreviver em um ambiente com poucos nutrientes e por tanto tempo \u00e9 algo bem mais dif\u00edcil. Isso indica que locais anteriormente considerados inabit\u00e1veis por n\u00f3s podem na verdade esconder formas de vida como essa, n\u00e3o s\u00f3 na Terra como tamb\u00e9m em outros lugares do Sistema Solar, ou at\u00e9 do Universo. Procurar por essas formas primitivas de vida em ambientes in\u00f3spitos tem sido um objetivo cada vez mais s\u00e9rio entre astr\u00f4nomos, e o estudo indica um novo lugar para se olhar.<\/p>\n<p>\u201cSe a superf\u00edcie de um planeta em particular n\u00e3o parecer promissora para conter vida, ela pode estar se escondendo no subsolo\u201d, comentou, \u00e0 revista Science, Andreas Teske, microbiologista da Universidade da Carolina do Norte, que n\u00e3o participou do novo estudo.<\/p>\n<p>An\u00e1lises gen\u00e9ticas posteriores revelaram que as bact\u00e9rias encontradas eram diversas, pertencendo a oito grupos j\u00e1 conhecidos pela ci\u00eancia, alguns que s\u00e3o encontrados em ambientes marinhos bem menos in\u00f3spitos que os analisados desta vez. Isso indica que a habilidade de sobreviver com pouqu\u00edssimos nutrientes \u00e9 algo mais generalizado e n\u00e3o espec\u00edfico de apenas um grupo de bact\u00e9rias. Segundo a equipe, uma hip\u00f3tese \u00e9 que o comportamento tenha evolu\u00eddo h\u00e1 muito tempo como uma forma de sobreviver em \u00e9pocas em que n\u00e3o havia muita mat\u00e9ria org\u00e2nica no ambiente.<\/p>\n<p>De qualquer forma, ainda h\u00e1 muito que n\u00e3o se sabe sobre esses seres, o que faz dessa descoberta o primeiro passo de uma longa jornada para entender o comportamento da vida em nosso planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o importa o qu\u00e3o dorminhoco voc\u00ea seja, jamais vai superar a soneca desses concorrentes microsc\u00f3picos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":131336,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/oceano_pacifico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"N\u00e3o importa o qu\u00e3o dorminhoco voc\u00ea seja, jamais vai superar a soneca desses concorrentes microsc\u00f3picos.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131335"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131335\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}