{"id":131023,"date":"2020-07-26T07:00:56","date_gmt":"2020-07-26T10:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=131023"},"modified":"2020-07-25T17:06:27","modified_gmt":"2020-07-25T20:06:27","slug":"fungo-que-evoluiu-em-chernobyl-e-testado-como-escudo-de-radiacao-na-estacao-espacial-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fungo-que-evoluiu-em-chernobyl-e-testado-como-escudo-de-radiacao-na-estacao-espacial-internacional\/","title":{"rendered":"Fungo que evoluiu em Chernobyl \u00e9 testado como escudo de radia\u00e7\u00e3o na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-131024\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Nas ru\u00ednas da usina nuclear de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, que sofreu um acidente em 1986, crescem alguns fungos diferentes daqueles que estudamos nas aulas de biologia. Estes fungos s\u00e3o chamados de radiotr\u00f3ficos, pois se alimentam atrav\u00e9s de um processo chamado radioss\u00edntese. \u00c9 algo mais ou menos equivalente \u00e0 fotoss\u00edntese das plantas \u2013 mas a fonte de energia n\u00e3o \u00e9 a luz solar, e sim ondas eletromagn\u00e9ticas de frequ\u00eancia e energia alt\u00edssimas, liberadas por \u00e1tomos radioativos conforme eles decaem para estados mais est\u00e1veis.<\/p>\n<p>A radia\u00e7\u00e3o gama \u00e9 fatal para qualquer ser humano que n\u00e3o seja o Hulk, mas nada nos impede de criar uma rela\u00e7\u00e3o de mutualismo com esses fungos barra-pesada, em que ambos sejam beneficiados. No espa\u00e7o, sem a prote\u00e7\u00e3o da atmosfera, os astronautas acabam expostos a um bocado de radia\u00e7\u00e3o. Tal fator dificultaria a manuten\u00e7\u00e3o de uma col\u00f4nia na Lua ou em Marte, por exemplo. Pensando nisso, pesquisadores americanos testaram na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS) escudos produzidos com fungos de Chernobyl, de nome cient\u00edfico Cladosporium sphaerospermum.<\/p>\n<p>O estudo come\u00e7ou a ser desenvolvido em 2018, quando dois estudantes do ensino fundamental, Xavier Gomez e Graham Shunk, leram um artigo que demonstrava a capacidade dos fungos radiotr\u00f3ficos de absorver os raios. No fim de 2018, ganharam um concurso de inova\u00e7\u00e3o e puderam enviar uma placa de Petri contendo o Cladosporium para a ISS. Hoje, Gomez estuda na Universidade da Carolina do Norte e Shunk est\u00e1 na Escola de Ci\u00eancia e Matem\u00e1tica da Carolina do Norte, ambas nos EUA.<\/p>\n<p>A placa enviada pelos jovens era relativamente fina, com apenas 2 cm de espessura. Mesmo assim, bloqueava cerca de 2% da radia\u00e7\u00e3o que incidia sobre ela. Os resultados da pesquisa foram divulgados na \u00faltima semana, mas ainda n\u00e3o passaram por revis\u00e3o por pares (quando outros cientistas passam um pente fino na pesquisa de seus colegas). Na publica\u00e7\u00e3o, os jovens cientistas estimam que uma camada de 21 cent\u00edmetros seria ideal para proteger as pessoas de radia\u00e7\u00e3o gama no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Pensando especificamente em Marte, Nils Averesch, pesquisador da Universidade de Stanford que est\u00e1 envolvido na pesquisa, explicou que os fungos n\u00e3o seriam colocados no exterior das estruturas de col\u00f4nias humanas, mas sim dentro das paredes. Isso porque o ambiente do planeta \u00e9 muito frio, e nem um bichinho comedor de radia\u00e7\u00e3o conseguiria prosperar.<\/p>\n<p>Nisso, os moradores de Marte enfrentariam um problema: caso os fungos estivessem envolvidos nas estruturas, teriam que ser criados canais de irriga\u00e7\u00e3o, que seriam mantidos pelos colonos do planeta vermelho. A \u00e1gua para regar o fungo (que fofo) precisaria ser retirada do gelo presente nos polos marcianos, ou seja: ter\u00edamos a\u00ed um trabalhinho a mais para os imigrantes marcianos. De toda forma, uma parede mofada nunca foi algo t\u00e3o desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Caso a parede n\u00e3o seja vi\u00e1vel, cobrir as roupas e estruturas com a prote\u00edna que o v\u00edrus usa para captar a radia\u00e7\u00e3o j\u00e1 ajudaria um bocado a proteger os astronautas. Incrivelmente, essa prote\u00edna \u00e9 uma velha conhecida nossa, a melanina. Sim, os fungos Hulk usam uma coisa que voc\u00ea j\u00e1 tem na sua pele para uma finalidade bem mais radical. \u00c9 bom dizer, por\u00e9m, que n\u00e3o se trata de uma melanina um pouco diferente da nossa. Prote\u00ednas t\u00eam muita variedade.<\/p>\n<p>Em novembro de 2019, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (EUA) enviaram ao espa\u00e7o um material feito de pl\u00e1stico e melanina extra\u00edda de outro fungo de Chernobyl, o Cryptococcus neoformans. A pesquisa ainda est\u00e1 rolando e tem como objetivo n\u00e3o apenas testar a prote\u00e7\u00e3o contra a radia\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m analisar a estabilidade do material e sua capacidade de suportar o ambiente sideral. Novas informa\u00e7\u00f5es estavam previstas para meados de 2020, ent\u00e3o seguimos no aguardo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve pensar, por\u00e9m, apenas nas aplica\u00e7\u00f5es espaciais \u2013 afinal, n\u00e3o \u00e9 como se nunca estiv\u00e9ssemos expostos a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica nociva aqui na Terra. Profissionais da sa\u00fade que trabalham com radiografias, por exemplo, s\u00e3o expostos a esse risco diariamente, por isso usam aqueles aventais de chumbo para prote\u00e7\u00e3o. Nada impede que essa prote\u00e7\u00e3o seja substitu\u00edda por melanina de fungo um dia.<\/p>\n<p>Ah, e caso voc\u00ea esteja se perguntando porque n\u00e3o levar chumbo ao espa\u00e7o \u2013 a prote\u00e7\u00e3o clich\u00ea contra radia\u00e7\u00e3o \u2013, pense que o carreto n\u00e3o seria t\u00e3o simples nem t\u00e3o barato. De acordo com a Nasa, cada meio quilo de material enviado ao espa\u00e7o sai US$ 10 mil. Os fungos t\u00eam a vantagem de se auto-multiplicarem, sendo necess\u00e1ria uma quantidade pequena deles para come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se regenerarem facilmente, enfrentando bem condi\u00e7\u00f5es adversas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas ru\u00ednas da usina nuclear de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, que sofreu um acidente em 1986,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":131024,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/chernobyl.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas ru\u00ednas da usina nuclear de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, que sofreu um acidente em 1986,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131023"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=131023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/131023\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=131023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=131023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=131023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}