{"id":130956,"date":"2020-07-25T12:30:10","date_gmt":"2020-07-25T15:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130956"},"modified":"2020-07-24T21:16:03","modified_gmt":"2020-07-25T00:16:03","slug":"estrela-com-brilho-milhoes-de-vezes-mais-intenso-do-que-o-sol-desaparece-e-intriga-astronomos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estrela-com-brilho-milhoes-de-vezes-mais-intenso-do-que-o-sol-desaparece-e-intriga-astronomos\/","title":{"rendered":"Estrela com brilho milh\u00f5es de vezes mais intenso do que o Sol desaparece e intriga astr\u00f4nomos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/observatorio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130957\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/observatorio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/observatorio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/observatorio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma estrela de grande massa, situada na gal\u00e1xia-an\u00e3 de\u00a0Kinman, desapareceu da vista dos astr\u00f4nomos. O desaparecimento\u00a0 foi detectado usando-se o telesc\u00f3pio Very Large Telescope (VLT)<i>,\u00a0<\/i>que pertence ao\u00a0 European Southern Observatory (ESO), situado no Chile. Duas explica\u00e7\u00f5es foram propostas. A primeira \u00e9 que a estrela experimentou uma redu\u00e7\u00e3o em seu brilho, e que se encontra\u00a0parcialmente obscurecida por poeira. Uma explica\u00e7\u00e3o alternativa \u00e9 que a estrela colapsou em um buraco negro sem produzir uma supernova.\u00a0\u00a0\u201cSe foi isto o que aconteceu, seria a primeira vez que vemos uma estrela desse tamanho\u00a0 terminando sua vida dessa maneira\u201d, diz o l\u00edder da pesquisa,\u00a0 Andrew Allan do\u00a0Trinity College Dublin, na Irlanda.<\/p>\n<p>Entre 2001 e 2011, diversas equipes de astr\u00f4nomos estudaram a estrela massiva misteriosa, localizada na gal\u00e1xia an\u00e3 Kinman, e as observa\u00e7\u00f5es indicavam que ela estaria j\u00e1 em um est\u00e1gio final de sua evolu\u00e7\u00e3o. Allan e seus colaboradores na Irlanda, Chile e Estados Unidos, queriam entender melhor como se d\u00e1 o final da vida das estrelas de grande porte. Para isso, o objeto situado na an\u00e3 Kinman parecia o alvo perfeito. Mas quando em 2019 eles apontaram o VLT do ESO para a gal\u00e1xia an\u00e3, n\u00e3o conseguiam detectar mais a \u201cassinatura\u201d caracter\u00edstica da estrela. \u201cAo inv\u00e9s disso, n\u00f3s nos surpreendemos quando descobrimos que a estrela tinha desaparecido\u201d diz Allan, que liderou o estudo da estrela publicado na revista\u00a0<i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society<\/i>\u00a0.<\/p>\n<p>Localizada a aproximadamente 75 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, na constela\u00e7\u00e3o de Aqu\u00e1rio, a gal\u00e1xia an\u00e3 Kinman est\u00e1 longe demais para que os astr\u00f4nomos possam observar cada estrela individualmente. NO entanto, eles conseguem detectar as \u201cassinaturas\u201d de algumas delas., que assinalam sua presen\u00e7a, atrav\u00e9s da an\u00e1lise da luz da gal\u00e1xia. Entre\u00a0 2001 e 2011, a luz da gal\u00e1xia consistentemente apresentava evid\u00eancias que abrigava em seu interior\u00a0 uma estrela do tipo vari\u00e1vel luminosa azul, que era aproximadamente 2,5 milh\u00f5es de vezes mais brilhante do que o Sol. Estrelas desse tipo s\u00e3o inst\u00e1veis, e ocasionalmente apresentam\u00a0 mudan\u00e7as dram\u00e1ticas em seu espectro e em sua luminosidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo com essas altera\u00e7\u00f5es, essas\u00a0vari\u00e1veis luminosas azuis deixam rastros espec\u00edficos que os cientistas conseguem identificar. Por\u00e9m, nos dados que a equipe coletou em 2019, esses tra\u00e7os n\u00e3o estavam presentes, e os cientistas se puseram a imaginar o que poderia ter acontecido com a estrela.\u00a0 \u201cSeria muito incomum que uma estrela desse tamanho desaparecesse sem gerar uma explos\u00e3o brilhante de supernova\u201d, diz Allan.<\/p>\n<p>O grupo primeiro virou o instrumento ESPRESSO para a gal\u00e1xia an\u00e3 em agosto de 2019, utilizando simultaneamente os quatro telesc\u00f3pios de oito metros do VLT. Por\u00e9m, falharam em encontrar os sinais que anteriormente apontavam para a presen\u00e7a de uma estrela de grande luminosidade. Alguns meses depois, o grupo fez a busca com outro\u00a0 instrumento, o\u00a0X-shooter, tamb\u00e9m do VLT do ESO, e novamente n\u00e3o encontrou tra\u00e7os da estrela.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s talvez tenhamos detectado uma das maiores estrelas massivas do Universo local\u00a0 que suavemente estava indo embora\u201d, diz o membro da equipe Jose Groh, tamb\u00e9m do\u00a0Trinity College Dublin. \u201cNossa descoberta n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem a utiliza\u00e7\u00e3o dos poderosos telesc\u00f3pios do ESO de oito metros, seu instrumento \u00fanico, e o acesso f\u00e1cil as capacidades seguindo o acordo recente da Irlanda se juntar ao ESO\u201d. Irlanda se tornou um estado membro da ESO em setembro de 2018.<\/p>\n<p>A equipe ent\u00e3o se voltou para dados mais antigos, coletados com\u00a0 o\u00a0X-shooter\u00a0e o instrumento UVES no VLT do ESO, localizado no Deserto do Atacama no Chile, e por telesc\u00f3pios situados em outros lugares.\u00a0Os dados antigos indicam que a estrela na gal\u00e1xia an\u00e3 Kinman poderia estar passando por um per\u00edodo intenso de explos\u00f5es, que provavelmente terminou em algum momento depois de 2011. Estrelas\u00a0vari\u00e1veis luminosas azuis como essa s\u00e3o propensas a vivenciarem explos\u00f5es ao longo do curso de suas vidas, o que faz com que a taxa de massa da estrela perca seu pico e sua luminosidade decaia dramaticamente.<\/p>\n<p>Com base\u00a0 em suas observa\u00e7\u00f5es e em modelos, os astr\u00f4nomos sugeriram duas explica\u00e7\u00f5es para o desaparecimento da estrela e a falta de uma supernova, relacionada a essa poss\u00edvel explos\u00e3o. A explos\u00e3o pode ter levado a\u00a0 vari\u00e1vel luminosa azul a se transformar\u00a0 em uma estrela de um tipo menos luminoso, que pode estar parcialmente escondida por poeira c\u00f3smica. A op\u00e7\u00e3o \u00e9 que a estrela pode ter colapsado e formado um buraco negro sem a produ\u00e7\u00e3o de uma explos\u00e3o de supernova. Isso seria um evento raro: nosso entendimento atual de como estrelas massivas morrem sugere\u00a0 que a delas maioria termina sua vida em uma supernova.<\/p>\n<p>Mais estudos\u00a0 s\u00e3o necess\u00e1rios para confirmar qual foi o destino da estrela. Planejado para entrar em opera\u00e7\u00e3o em\u00a0 2025, o telesc\u00f3pio\u00a0\u00a0Extremely Large Telescope\u00a0(ELT),\u00a0da\u00a0ESO, ser\u00e1 capaz de enxergar\u00a0 mesmo estrelas em gal\u00e1xias distantes como no caso da gal\u00e1xia an\u00e3 Kinman, e vai ajudar a solucionar\u00a0 mist\u00e9rios c\u00f3smicos como esse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma estrela de grande massa, situada na gal\u00e1xia-an\u00e3 de\u00a0Kinman, desapareceu da vista dos astr\u00f4nomos. 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