{"id":130856,"date":"2020-07-23T12:30:12","date_gmt":"2020-07-23T15:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130856"},"modified":"2020-07-22T20:04:38","modified_gmt":"2020-07-22T23:04:38","slug":"um-milhao-de-arvores-ja-brotaram-no-xingu-gracas-as-indigenas-coletoras-de-sementes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-milhao-de-arvores-ja-brotaram-no-xingu-gracas-as-indigenas-coletoras-de-sementes\/","title":{"rendered":"Um milh\u00e3o de \u00e1rvores j\u00e1 brotaram no Xingu gra\u00e7as \u00e0s ind\u00edgenas coletoras de sementes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130857\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todas as manh\u00e3s, mulheres das aldeias Moygu e Aray\u00f3, no M\u00e9dio Xingu, saem de casa munidas de cestos, sacolas e fac\u00f5es. Carregando tamb\u00e9m \u00e1gua e beiju, re\u00fanem as crian\u00e7as e come\u00e7am a caminhar para dentro da floresta para mais um dia de coleta de sementes locais. Debaixo das \u00e1rvores, seus dedos rastreiam a terra, varrendo as folhas ca\u00eddas para revelar sementes de murici-da-mata, jatob\u00e1, leiteiro, carvoeiro, cafezinho-do-pasto, mamoninha, lobeira e de outras esp\u00e9cies locais.<\/p>\n<p>Quando os cestos e sacolas est\u00e3o cheios, o grupo se dirige para a Casa de Sementes do Movimento das Mulheres Yarang, instalada entre as duas aldeias, bem no centro do Parque Ind\u00edgena do Xingu. Ali, as mulheres usam uma peneira para selecionar as sementes, que depois s\u00e3o postas para secar e ent\u00e3o estocadas, \u00e0 espera de uma encomenda. Seis horas depois de deixarem suas aldeias, elas voltam para casa.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de dez anos, as 65 integrantes do Movimento das Mulheres Yarang, do\u00a0povo Ikpeng\u00a0do Mato Grosso, vasculham meticulosamente a floresta em torno de suas aldeias em busca de sementes nativas. O nome do grupo,\u00a0yarang, significa formiga-cortadeira (ou sa\u00fava) na l\u00edngua local. \u201cA gente trabalha como as formigas-cortadeiras, que trabalham juntas, gostam de sementes, v\u00e3o na floresta, fazem coleta. Elas trabalham sempre como um grupo\u201d, explica Kor\u00e9 Ikpeng, uma das coletoras, em v\u00eddeo lan\u00e7ado em agosto de 2019 pelo Instituto Socioambiental.<\/p>\n<p>As mulheres Yarang vendem as sementes para viveiros, propriet\u00e1rios rurais e organiza\u00e7\u00f5es com o objetivo de reflorestar \u00e1reas degradadas nas cabeceiras do Rio Xingu. \u201cOs brancos, respons\u00e1veis pelo desmatamento, n\u00e3o t\u00eam mais onde coletar sementes. Ent\u00e3o usam nossa semente para fazer a floresta deles de novo\u201d, diz Kor\u00e9.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/06\/16160332\/yarang-carol-quintanilha-isa4-e1592323827548.jpeg\" alt=\"Um milh\u00e3o de \u00e1rvores j\u00e1 brotaram na bacia do Xingu gra\u00e7as \u00e0s ind\u00edgenas que coletam sementes para reflorestar a floresta derrubada pelos brancos\" width=\"640\" height=\"641\" \/>As sementes coletadas pelas mulheres Yarang j\u00e1 ajudaram a plantar<br \/>\n1 milh\u00e3o de \u00e1rvores<\/p>\n<p>O Movimento das Mulheres Yarang j\u00e1 coletou 3,2 toneladas de sementes como parte da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Rede de Sementes do Xingu, uma rede de desenvolvimento comunit\u00e1rio que desde 2007 administra e vende as sementes coletadas por 568 integrantes de 15 grupos ind\u00edgenas. Em julho desse ano, a rede venceu o Ashden Awards, pr\u00eamio internacional que promove iniciativas clim\u00e1ticas inovadoras em todo o mundo.<\/p>\n<p>Cerca de 1 milh\u00e3o de \u00e1rvores (aproximadamente 300 hectares) foram replantadas como resultado direto das sementes coletadas pelo Movimento das Mulheres Yarang. Contando todos os grupos, a Rede de Sementes do Xingu j\u00e1 coletou mais de 200 toneladas de sementes de 220 esp\u00e9cies nativas, resultando no reflorestamento de quase 6 mil hectares.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia da pandemia da COVID-19, a Rede de Sementes do Xingu fez uma pausa em suas atividades de campo para que os povos ind\u00edgenas possam ficar em suas aldeias e evitar contato com pessoas das cidades pr\u00f3ximas. Contudo, as mulheres Yarang continuam coletando sementes para vender no futuro.<\/p>\n<p>A atividade rendeu \u00e0s mulheres do Movimento das Mulheres de Yarang R$ 105 mil em renda direta ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, mas elas n\u00e3o fazem isso simplesmente pelo dinheiro. O desmatamento em trechos do Rio Xingu situados fora do Parque Ind\u00edgena tem impacto direto sobre as \u00e1guas que correm pelas aldeias onde elas vivem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elas nunca v\u00e3o andar sozinhas\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V9NjWUTKvho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cO prop\u00f3sito do Movimento Yarang \u00e9 reflorestar as florestas da bacia do Rio Xingu e recuperar recursos florestais importantes para elas, melhorando a qualidade da \u00e1gua e do solo, protegendo o rio do assoreamento, trazendo mais frutos para os peixes e animais e lutando contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, diz Dannyel S\u00e1, consultor socioambiental da Rede de Sementes do Xingu.<\/p>\n<p>Embora a rede venha ajudando imensamente a impulsionar as iniciativas locais de reflorestamento, o desafio n\u00e3o \u00e9 pequeno: aproximadamente 150 mil hectares de matas de beira de rio est\u00e3o degradados nas cabeceiras do Rio Xingu \u2014 \u00e1rea equivalente \u00e0 do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo. Na \u00faltima d\u00e9cada, mais de 1 milh\u00e3o de hectares foram desmatados na bacia do Xingu. S\u00f3 em 2018 foi registrada a derrubada de 150 milh\u00f5es de \u00e1rvores na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Outro desafio para as coletoras de sementes do povo Ikpeng s\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Como as chuvas t\u00eam sido menos intensas no Parque Ind\u00edgena do Xingu nos \u00faltimos anos, \u00e9 cada vez mais imprevis\u00edvel prever quais esp\u00e9cies e quantas sementes elas v\u00e3o poder coletar a cada \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p>Tais desafios, no entanto, n\u00e3o t\u00eam intimidado as mulheres Yarang. Quando n\u00e3o est\u00e3o fazendo a coleta, elas cuidam dos ro\u00e7ados, ralam e lavam a mandioca, fazem beiju, assam peixe e cuidam de suas fam\u00edlias. \u201cElas s\u00e3o cantoras, xam\u00e3s, parteiras e guardi\u00e3s da agrobiodiversidade da comunidade\u201d, diz Dannyel S\u00e1.<\/p>\n<p>A coletora Magar\u00f3 Ikpeng resume a ess\u00eancia do movimento: \u201c\u00c9 preciso ensinar o valor das sementes, o valor das florestas. \u00c9 preciso garantir que meus netos e netas v\u00e3o ter futuro. Voc\u00ea s\u00f3 vai valorizar a floresta se olha para ela como algo bom. Se n\u00e3o fizer sentido, n\u00e3o vai dar valor.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/06\/16160344\/yarang-carol-quintanilha-isa6.jpeg\" alt=\"Um milh\u00e3o de \u00e1rvores j\u00e1 brotaram na bacia do Xingu gra\u00e7as \u00e0s ind\u00edgenas que coletam sementes para reflorestar a floresta derrubada pelos brancos\" width=\"639\" height=\"443\" \/>Imagem da festa de 10 anos do Movimento das Mulheres Yarang, celebrada em 2019 na aldeia Moygu, no Parque Ind\u00edgena do Xingu (MT)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as manh\u00e3s, mulheres das aldeias Moygu e Aray\u00f3, no M\u00e9dio Xingu, saem de casa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130857,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/coletores_sementes.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todas as manh\u00e3s, mulheres das aldeias Moygu e Aray\u00f3, no M\u00e9dio Xingu, saem de casa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130856"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}