{"id":130729,"date":"2020-07-21T05:00:39","date_gmt":"2020-07-21T08:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130729"},"modified":"2020-07-20T21:14:03","modified_gmt":"2020-07-21T00:14:03","slug":"emissoes-de-metano-na-atmosfera-atingem-recorde-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/emissoes-de-metano-na-atmosfera-atingem-recorde-historico\/","title":{"rendered":"Emiss\u00f5es de metano na atmosfera atingem recorde hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130730\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado-300x180.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg 441w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Emiss\u00f5es de metano \u2013 um g\u00e1s do efeito estufa mais potente que o g\u00e1s carb\u00f4nico \u2013 aumentaram em 9% na \u00faltima d\u00e9cada e bateram o recorde hist\u00f3rico, segundo dois novos estudos publicados nesta semana nas revistas Environmental Research Letters e Earth System Science Data. O aumento \u00e9 resultado, em grande parte, de atividades humanas, como a agropecu\u00e1ria e a produ\u00e7\u00e3o de energia atrav\u00e9s de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o de 2017, o \u00faltimo ano em que se tem dados completos e detalhados sobre as emiss\u00f5es de metano. Naquele ano, quase 600 milh\u00f5es de toneladas do g\u00e1s foram lan\u00e7adas na atmosfera terrestre. O n\u00famero \u00e9 9% maior do que a m\u00e9dia de emiss\u00f5es dos anos 2000 a 2006 \u2013 ou seja, emitimos 50 milh\u00f5es de toneladas a mais em 2017 do que em qualquer um desses anos. O valor \u00e9 o maior registrado em toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O metano (CH4) \u00e9 um g\u00e1s de efeito estufa que recebe menos aten\u00e7\u00e3o que o g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) quando se fala de aquecimento global. A raz\u00e3o para isso \u00e9 que o CO2 \u00e9 bem mais abundante na Terra, e suas emiss\u00f5es est\u00e3o na casa das dezenas de bilh\u00f5es por ano. Al\u00e9m disso, o g\u00e1s carb\u00f4nico dura cerca de 100 anos na atmosfera, enquanto o metano se desfaz por meio de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas depois de 12 anos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o metano \u00e9 muito mais potente que o g\u00e1s carb\u00f4nico: em um per\u00edodo de 20 anos, uma tonelada de CH4 causa um aquecimento correspondente a 85 toneladas de CO2, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Por isso, mesmo que as emiss\u00f5es de metano sejam substancialmente menores em n\u00fameros brutos, os resultados podem ser t\u00e3o devastadores quanto os das emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>Segundo os novos artigos, a concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera atualmente \u00e9 2,5 vezes maior do que em anos anteriores \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (o per\u00edodo \u00e9 usado como base para se analisar o impacto do homem no clima). Cerca de 40% das emiss\u00f5es do g\u00e1s tem origem natural, vindas especialmente de bact\u00e9rias em \u00e1reas \u00famidas e pantanosas que liberam CH4 quando decomp\u00f5e mat\u00e9ria org\u00e2nica. Mas n\u00e3o d\u00e1 para culpar os microorganismos pelo aumento expressivo dos \u00faltimos anos na natureza. A diferen\u00e7a nas emiss\u00f5es resultam de atividades humanas, como o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e g\u00e1s natural para gerar energia e a agropecu\u00e1ria, que inclui a cria\u00e7\u00e3o de bovinos, conhecidos por emitir metano nos gases intestinais (em outras palavras, no pum).<\/p>\n<p>Entre 20% e 25% de todo o metano presente na atmosfera \u00e9 de origem agropecu\u00e1ria, e uma quantia parecida vem do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como g\u00e1s natural e petr\u00f3leo. Essas emiss\u00f5es cresceram 12% e 17%, respectivamente, entre o per\u00edodo analisado (de 2000 a 2006) e o ano de 2017. As emiss\u00f5es de fontes naturais, por sua vez, permaneceram est\u00e1veis.<\/p>\n<p>As pesquisas tamb\u00e9m identificaram que o aumento n\u00e3o foi homog\u00eaneo em todo o mundo. Em 2017, a China, sozinha, emitiu de 10 a 15 milh\u00f5es de toneladas a mais do que na \u00faltima d\u00e9cada. O restante da \u00c1sia e o continente africano tamb\u00e9m aumentaram suas emiss\u00f5es em quantidades parecidas. Os Estados Unidos, por sua vez, emitiram algo entre 4 e 5 milh\u00f5es de toneladas de metano extra em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior. A maioria das demais regi\u00f5es do mundo, incluindo a Am\u00e9rica do Sul, tamb\u00e9m tiveram aumento nas emiss\u00f5es, embora mais moderados.<\/p>\n<p>A \u00fanica regi\u00e3o que teve uma diminui\u00e7\u00e3o efetiva nas emiss\u00f5es de metano foi a Europa, que liberou entre 2 e 4 milh\u00f5es de toneladas a menos do g\u00e1s na atmosfera em 2017 em compara\u00e7\u00e3o a dez anos atr\u00e1s. A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de recentes esfor\u00e7os pol\u00edticos para adotar t\u00e9cnicas mais sustent\u00e1veis de agricultura e gera\u00e7\u00e3o de energia, bem como do decr\u00e9scimo da cria\u00e7\u00e3o de gado no continente.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que os dados s\u00e3o de 2017, e que, em 2020, as emiss\u00f5es provavelmente v\u00e3o cair por conta da pandemia. Mas isso \u00e9 apenas uma anomalia tempor\u00e1ria: o aumento observado nos dois novos estudos condiz com os modelos que preveem que a temperatura da Terra pode aumentar em at\u00e9 3\u00ba C at\u00e9 o final do s\u00e9culo, o que traria consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas. As equipes dos novos estudos alertam que, para evitar o pior dos cen\u00e1rios, n\u00e3o podemos focar apenas na redu\u00e7\u00e3o do CO2 e deixar que a emiss\u00e3o de metano na atmosfera continue aumentando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emiss\u00f5es de metano \u2013 um g\u00e1s do efeito estufa mais potente que o g\u00e1s carb\u00f4nico<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado-300x180.jpg",300,180,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/gado.jpg",441,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Emiss\u00f5es de metano \u2013 um g\u00e1s do efeito estufa mais potente que o g\u00e1s carb\u00f4nico","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130729"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130729\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}