{"id":130542,"date":"2020-07-18T10:00:23","date_gmt":"2020-07-18T13:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130542"},"modified":"2020-07-18T08:12:31","modified_gmt":"2020-07-18T11:12:31","slug":"o-avanco-na-sustentabilidade-depende-do-ativismo-dos-capitalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-avanco-na-sustentabilidade-depende-do-ativismo-dos-capitalistas\/","title":{"rendered":"O avan\u00e7o na sustentabilidade depende do ativismo dos capitalistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130543\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cada vez mais os CEOs, os investidores e os conselhos de administra\u00e7\u00e3o ser\u00e3o fundamentais na transforma\u00e7\u00e3o das empresas e na import\u00e2ncia da sustentabilidade como motor propulsor dos neg\u00f3cios<\/p>\n<p>N\u00e3o precisa ser futurologista para prever que, ao final da pandemia, todos n\u00f3s que atuamos em, para ou com empresas, ouviremos falar bastante de sustentabilidade. N\u00e3o mais num contexto exclusivamente operacional, mas estrat\u00e9gico e cultural. Como um fator determinante para o sucesso nos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o ser\u00e1, no entanto, a primeira tentativa de protagonismo do conceito no mundo capitalista contempor\u00e2neo. Houve quem se animasse com a sua poss\u00edvel valoriza\u00e7\u00e3o, em 2007 ou 2014, quando o Painel de Cientistas do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas anunciou o avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o, a ci\u00eancia n\u00e3o foi suficiente, naqueles anos, para convencer as empresas a reduzirem suas emiss\u00f5es e produzirem com menos impacto para pessoas e meio ambiente.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m quem acreditasse que uma grave crise econ\u00f4mica global, como a de 2008, abriria espa\u00e7o para uma revis\u00e3o no modo convencional de pensar e fazer neg\u00f3cios, estabelecendo um par\u00e2metro mais \u00e9tico, transparente, \u00edntegro, respeitoso ao ser humano e ao planeta.<\/p>\n<p>N\u00e3o, a roleta russa engendrada pelos agentes de mercado \u2013 um emblema da especula\u00e7\u00e3o sem escr\u00fapulos \u2013 n\u00e3o foi o bastante para uma virada de mesa global. Provocou mudan\u00e7as pontuais, \u00e9 verdade. Harvard chegou at\u00e9 a fazer um mea culpa por formar l\u00edderes levianos. Mas o tema logo perdeu for\u00e7a, quando deveria ganhar, frente \u00e0 necessidade de \u201crecuperar\u201d o caixa das empresas e a economia global.<\/p>\n<p>Se em momentos passados, a sustentabilidade n\u00e3o conseguiu confirmar a sua voca\u00e7\u00e3o protagonista, por que o faria justamente agora? Porque existe hoje uma combina\u00e7\u00e3o de fatores de press\u00e3o que n\u00e3o existia doze anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Na crise de 2008, ao contr\u00e1rio do que se observa hoje, as gera\u00e7\u00f5es X e Y (orientadas por prop\u00f3sito), ainda n\u00e3o detinham tanto poder econ\u00f4mico e de influ\u00eancia; Larry Fink, da BlackRock, e os demais grandes investidores n\u00e3o enxergavam riscos e oportunidades socioambientais para a gest\u00e3o dos seus ativos, e os capitalistas do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial andavam mais preocupados em gerar valor para os acionistas.<\/p>\n<p>O ativismo geracional, a ascens\u00e3o do ESG como novo par\u00e2metro de sucesso empresarial, o capitalismo de\u00a0<em>stakeholders<\/em>\u00a0e o desafio comum de enfrentar emerg\u00eancia clim\u00e1tica representam uma nova realidade, produto das aspira\u00e7\u00f5es das pessoas e das sociedades no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A sustentabilidade s\u00f3 ser\u00e1 um processo transformador se ocorrer, ao mesmo tempo, na gest\u00e3o, na estrat\u00e9gia, na cultura e na marca das empresas<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar de t\u00e3o impressionante conjuga\u00e7\u00e3o de fontes de press\u00e3o, o fato \u00e9 que a sustentabilidade s\u00f3 ser\u00e1 um processo transformador se ocorrer, ao mesmo tempo, na gest\u00e3o, na estrat\u00e9gia, na cultura e na marca das empresas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de 25 anos no tema me autoriza a ir direto ao ponto: ou a empresa aceita o desafio estruturante de mudar, na ess\u00eancia, o modo de pensar e fazer neg\u00f3cios, algo que exige coragem, desapego e prop\u00f3sito, ou mudan\u00e7a, qualquer que seja, n\u00e3o ser\u00e1 notada.<\/p>\n<p>Deixe-me ser mais espec\u00edfico. Falar em empresa parece algo amplo e vago. Tratemos mais diretamente daqueles que, na empresa, t\u00eam o poder e a responsabilidade de escolher um novo jeito de pensar e fazer neg\u00f3cios: CEOs, investidores e Conselho de Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O modelo do\u00a0<em>business as usual<\/em>\u00a0concentra demasiado poder nas m\u00e3os do CEO, o que leva ao endeusamento de indiv\u00edduos fal\u00edveis, e, entre outras excresc\u00eancias, ao pagamento de remunera\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis escandalosas. N\u00e3o creio que o CEO seja o \u00fanico respons\u00e1vel por inserir sustentabilidade numa empresa. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vejo como avan\u00e7ar nessa tarefa sem a sua direta interven\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque sustentabilizar uma companhia n\u00e3o se d\u00e1 de modo natural, exige um processo espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Cabe, portanto, ao principal l\u00edder da empresa chamar a aten\u00e7\u00e3o dos gestores para a import\u00e2ncia do tema, transform\u00e1-lo em driver de planejamento estrat\u00e9gico, cobrar de seus diretores a identifica\u00e7\u00e3o dos grandes impactos socioambientais e a sele\u00e7\u00e3o de medidas para compens\u00e1-los, minimiz\u00e1-las ou elimin\u00e1-los.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Cabe ao principal l\u00edder da empresa chamar a aten\u00e7\u00e3o dos gestores para a import\u00e2ncia do tema<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Sustentabilidade pressup\u00f5e objetivos, metas, indicadores, cronogramas, or\u00e7amento e remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel por resultados. Isso explica por que, no Brasil, apesar de duas d\u00e9cadas de discuss\u00e3o, poucas empresas avan\u00e7aram para al\u00e9m do \u00f3bvio na gest\u00e3o e, menos ainda, inseriram o tema na estrat\u00e9gia para al\u00e9m das demandas espec\u00edficas de \u00edndices, ratings e protocolos de mercado.<\/p>\n<p>Se quiserem sair do discurso confort\u00e1vel para a pr\u00e1tica efetiva, as companhias ter\u00e3o de escolher os seus CEOs \u2013 e tamb\u00e9m avaliar, premiar e punir \u2013 n\u00e3o mais com base em sua capacidade de gerar resultado a qualquer custo, mas de produzir lucro leg\u00edtimo em benef\u00edcio das pessoas e do meio ambiente.<\/p>\n<p>Um bom come\u00e7o, a meu ver, pode ser testar o conhecimento b\u00e1sico e o valor pessoal atribu\u00eddo ao conceito. N\u00e3o contrataria, por exemplo, um CEO que reduz sustentabilidade a tema ambiental nem que deliberadamente \u2013 acredite h\u00e1 muitos espalhados por a\u00ed \u2013 afirme \u201cn\u00e3o gostar\u201d ou \u201cn\u00e3o entender nada\u201d de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o dos interesses dos s\u00f3cios e investidores, zelador do valor dos ativos da empresa e interface com o CEO e gestores, o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o joga um papel fundamental nesse processo. Mais do que fiscalizar a execu\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias, ou avaliar o teor dos resultados, um CA pode fazer enorme diferen\u00e7a em sustentabilidade sendo o proponente e animador da agenda.<\/p>\n<p>Neste ponto, felizmente, h\u00e1 motivos para otimismo. Com a ascens\u00e3o global dos aspectos de ESG, promovida pelos investidores, os conselhos t\u00eam respondido de forma cada vez mais pr\u00f3-ativa. Sustentabilidade, ao que parece, entrou para valer na pauta.<\/p>\n<p>Antes subestimados, os riscos socioambientais passaram a merecer mais aten\u00e7\u00e3o e cuidado. Antes desatento \u00e0s demandas da sociedade, o mesmo capital que empodera os conselhos come\u00e7a a compreender que ele n\u00e3o se justifica quando a empresa, em vez de ser parte da solu\u00e7\u00e3o, insiste em seguir sendo parte do problema de uma economia intensiva no uso de recursos humanos, de recursos naturais e de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais oferecer ao leitor um exemplo da vida real. H\u00e1 n\u00e3o mais do que cinco anos era indisfar\u00e7\u00e1vel o desinteresse por sustentabilidade nos Conselhos. A maioria dos seus integrantes aproveitava para ir ao banheiro ou retornar a liga\u00e7\u00e3o do celular na hora da apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados socioambientais. Poucas perguntas. E triviais. Nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com riscos, apesar da alta probabilidade em alguns casos.<\/p>\n<p>Os tempos s\u00e3o outros. E talvez o melhor exemplo disso seja o meu lugar de fala nesse tipo de reuni\u00e3o. Deixei de ser um convidado espor\u00e1dico para assumir, como membro independente, representa\u00e7\u00e3o em Comit\u00eas de Sustentabilidade (uma inst\u00e2ncia nova e cada vez mais requisitada) cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiar, com dados, an\u00e1lises e pareceres, as tomadas de decis\u00e3o dos Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a pr\u00f3-sustentabilidade est\u00e1 em curso. S\u00f3 nos resta ficar atento a ela.<\/p>\n<p><em><strong>Ricardo Voltolini<\/strong>\u00a0\u00e9 CEO da consultoria Ideia Sustent\u00e1vel, consultor master, escritor, palestrante e conselheiro de empresas. Criador da Plataforma Lideran\u00e7a com Valores, escreveu dez livros, entre os quais \u201cConversas com L\u00edderes Sustent\u00e1veis\u201d (SENACSP\/2011). \u00c9 professor da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral e do ISAE-FGV.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais os CEOs, os investidores e os conselhos de administra\u00e7\u00e3o ser\u00e3o fundamentais na<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130543,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/sustentabilidade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cada vez mais os CEOs, os investidores e os conselhos de administra\u00e7\u00e3o ser\u00e3o fundamentais na","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130542"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130542\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}