{"id":130427,"date":"2020-07-15T14:00:19","date_gmt":"2020-07-15T17:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130427"},"modified":"2020-07-14T20:26:04","modified_gmt":"2020-07-14T23:26:04","slug":"por-que-e-possivel-que-estejamos-sozinhos-no-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-e-possivel-que-estejamos-sozinhos-no-universo\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 poss\u00edvel que estejamos sozinhos no universo?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130428\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nosso planeta tem certas caracter\u00edsticas que podem ter sido cruciais para o surgimento da vida<\/h2>\n<p class=\"\">O princ\u00edpio da mediocridade, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/astronomia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">astronomia<\/a>, afirma que n\u00e3o h\u00e1 nada intrinsecamente especial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. Vivemos em um planeta rochoso normal que gira em torno de uma estrela normal, localizada em uma gal\u00e1xia t\u00edpica espiral. O grande astr\u00f4nomo e divulgador\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/03\/06\/cultura\/1394139241_163542.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Carl Sagan, criador da m\u00edtica s\u00e9rie\u00a0<i>Cosmos<\/i><\/a>, usava esse princ\u00edpio para sugerir que, se a vida p\u00f4de se desenvolver em nosso planeta, ela deveria ser comum no universo. Hoje,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/10\/ciencia\/1462901767_161144.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">gra\u00e7as ao sat\u00e9lite Kepler<\/a>, sabemos que, de fato, considerando apenas a nossa gal\u00e1xia, existem bilh\u00f5es de planetas rochosos orbitando estrelas semelhantes ao Sol, o que, em princ\u00edpio, endossa o princ\u00edpio da mediocridade.<\/p>\n<p class=\"\">No entanto, existe um contraponto a esse princ\u00edpio, a chamada Hip\u00f3tese de Terra Rara. O nome tem origem no livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Rare-Earth-Complex-Uncommon-Universe\/dp\/0387952896\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Rare Earth<\/i>, publicado por Peter Ward e Donald E. Brownlee\u00a0<\/a>em 2000. Nele se argumenta que o surgimento da vida inteligente na Terra pode ter ocorrido em raz\u00e3o de uma s\u00e9rie de coincid\u00eancias, tanto astron\u00f4micas como geol\u00f3gicas, algo dif\u00edcil de se repetir. Hoje, vamos falar sobre esse acaso astron\u00f4mico que pode ter sido crucial para nossa exist\u00eancia e, afinal de contas, acontece que nosso Sistema Solar n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum como poderia parecer.<\/p>\n<p class=\"\">Nosso Sistema Solar \u00e9 composto de quatro planetas internos, todos eles rochosos, e quatro externos, bolas gigantes de g\u00e1s rodeadas de an\u00e9is. No meio h\u00e1 um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/asteroides\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">cintur\u00e3o de asteroides<\/a>. Esta configura\u00e7\u00e3o \u00e9 muito estranha. A maior parte dos milhares de sistemas planet\u00e1rios observados at\u00e9 o momento possui planetas de tamanhos semelhantes entre si, com raios maiores que os da Terra, mas menores que os dos gigantes gasosos. Esses planetas geralmente est\u00e3o em \u00f3rbitas muito mais pr\u00f3ximas do Sol do que est\u00e3o J\u00fapiter e seus companheiros. De fato, a maioria dos exoplanetas est\u00e1 em \u00f3rbita mais pr\u00f3xima de sua estrela do que a de Merc\u00fario, nosso planeta mais interior. Apenas 10% dos sistemas planet\u00e1rios observados at\u00e9 o momento t\u00eam planetas t\u00e3o grandes quanto J\u00fapiter e Saturno, e em menos de 2% dos casos esses planetas est\u00e3o em \u00f3rbitas est\u00e1veis longe da estrela, como a nossa.<\/p>\n<p class=\"\">N\u00e3o est\u00e1 claro como chegamos a ter planetas t\u00e3o pequenos, por um lado, e t\u00e3o grandes, por outro, nem como o Sistema Solar se expandiu tanto. Uma teoria, chamada de A Grande Travessia, afirma que J\u00fapiter, que foi o primeiro planeta gigante a se formar, come\u00e7ou a se mover em dire\u00e7\u00e3o ao Sol, assim como ocorre em outros sistemas solares que t\u00eam gigantes gasosos em \u00f3rbitas pr\u00f3ximas.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/04\/ciencia\/1538665872_087498.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Saturno<\/a>, que se formou um pouco mais devagar, fez o mesmo um pouquinho mais tarde, mas muito mais r\u00e1pido que J\u00fapiter. Acredita-se que naquele momento a dura\u00e7\u00e3o da \u00f3rbita de Saturno e a de J\u00fapiter guardassem uma propor\u00e7\u00e3o simples de 2: 3. Isto significa que a cada duas voltas de J\u00fapiter e tr\u00eas de Saturno, os planetas estavam alinhados. Quando isso acontece, os planetas exercem uma for\u00e7a gravitacional maior entre si e, como as \u00f3rbitas est\u00e3o sincronizadas, isso acontece em intervalos regulares de tempo. \u00c9 o que na f\u00edsica se chama de resson\u00e2ncia e \u00e9 parecido com o que acontece quando empurramos um balan\u00e7o. Se sincronizarmos o momento de empurrar com o movimento do balan\u00e7o, ele alcan\u00e7a cada vez mais altura. O processo com os dois planetas gigantes fez com que seu movimento se revertesse e come\u00e7assem a se afastar do Sol, at\u00e9 alcan\u00e7ar \u00f3rbitas mais distantes do que aquelas onde se formaram. Essas migra\u00e7\u00f5es obviamente alteraram as \u00f3rbitas dos planetas internos at\u00e9 chegarem \u00e0 configura\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p class=\"\">A migra\u00e7\u00e3o talvez n\u00e3o tenha afetado apenas os planetas. Essa jornada tamb\u00e9m pode explicar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/25\/ciencia\/1532520813_122165.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a origem da \u00e1gua na Terra<\/a>. Embora a Terra tenha sido formada a partir de material pr\u00f3ximo ao Sol, provavelmente muito seco, a gravidade dos gigantes pode ter desestabilizado as \u00f3rbitas de asteroides e cometas mais distantes do Sistema Solar, aqueles que, por causa de sua dist\u00e2ncia do Sol, tinham \u00e1gua em forma de gelo. A desestabiliza\u00e7\u00e3o de suas \u00f3rbitas fez com que grande parte deles fosse direcionada para o interior do Sistema Solar, onde a Terra estava se formando, bombardeando-a. O gelo desses objetos foi capaz de se derreter nos oceanos da Terra e permitir a n\u00f3s, e tudo o que vive neste planeta, permanecer com vida.<\/p>\n<p class=\"\">Por outro lado, nossa Terra tem outra caracter\u00edstica que a torna especial,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-05-06\/o-mapa-mais-detalhado-para-explorar-a-lua.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a sua parceira de dan\u00e7a, a Lua<\/a>. Nosso sat\u00e9lite \u00e9 excepcionalmente grande para o tamanho da Terra. \u00c9 o quinto em tamanho no Sistema Solar, compar\u00e1vel \u00e0s luas de J\u00fapiter e Saturno, embora esses planetas sejam de uma dimens\u00e3o 10 vezes maior que a da Terra. Esse fato ins\u00f3lito faz com que a teoria mais aceita para a forma\u00e7\u00e3o da Lua se baseie na exist\u00eancia de um evento muito pouco prov\u00e1vel: a violenta colis\u00e3o de uma jovem Terra com um planeta de tamanho similar ao de Marte, Theia, m\u00e3e da deusa da lua Selene na mitologia grega. Esse choque teria produzido um desprendimento de material do nosso planeta a partir do qual nosso sat\u00e9lite se formou.<\/p>\n<p class=\"\">\u00c9 muito prov\u00e1vel que esse choque seja o respons\u00e1vel pela alta velocidade de rota\u00e7\u00e3o da Terra. Isso \u00e9 importante porque reduz as varia\u00e7\u00f5es de temperatura entre o dia e a noite e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2019-12-14\/como-a-atmosfera-da-terra-se-encheu-de-oxigenio.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">viabiliza a fotoss\u00edntese, essencial para a vida no planeta<\/a>. Por outro lado, o impacto de Theia tamb\u00e9m pode ter inclinado o eixo de rota\u00e7\u00e3o da Terra, gra\u00e7as ao qual temos esta\u00e7\u00f5es, a que se acrescenta que a pr\u00f3pria presen\u00e7a da Lua implica que essa inclina\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o varie muito ao longo do tempo. Sem ela, \u00e9 prov\u00e1vel que houvesse varia\u00e7\u00f5es bruscas, levando a mudan\u00e7as repentinas no clima, assim como sucede em Marte, o que poderia ter acabado com a vida.<\/p>\n<p class=\"\">Por outro lado, a colis\u00e3o com Theia pode ter aquecido a Terra e impedido uma diferencia\u00e7\u00e3o dos elementos qu\u00edmicos, o que n\u00e3o permitiria ao nosso planeta ter um campo magn\u00e9tico que \u00e9, de longe, o mais poderoso entre os planetas rochosos do Sistema Solar. Como sabemos, o campo magn\u00e9tico da Terra cria um amortecedor eficaz contra as part\u00edculas carregadas de alta energia procedentes do vento solar, protegendo a vida dos efeitos nocivos dessa radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Tudo isso s\u00e3o hip\u00f3teses, \u00e9 claro, mas muitas das caracter\u00edsticas da Terra, que parecem cr\u00edticas para o desenvolvimento da vida inteligente, n\u00e3o foram observadas em outros lugares, o que poderia indicar, simplesmente, que<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/11\/18\/ciencia\/1479492168_342373.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0estamos no \u00fanico lugar do mundo em que poder\u00edamos estar<\/a>: contemplando de nossa Terra rara os confins despovoados do espa\u00e7o-tempo.<\/p>\n<p class=\"\"><i><b>Pablo G. P\u00e9rez Gonz\u00e1lez<\/b><\/i><i>\u00a0\u00e9 pesquisador do Centro de Astrobiologia, \u00f3rg\u00e3o do Conselho Superior de Pesquisa Cient\u00edfica, e do Instituto Nacional de T\u00e9cnica Aeroespacial (CAB \/ CSIC-INTA)<\/i><\/p>\n<p class=\"\"><i><b>Patricia S\u00e1nchez Bl\u00e1zquez<\/b><\/i><i>\u00a0\u00e9 professora titular da Universidade Complutense de Madri (UCM)<\/i><\/p>\n<p class=\"\"><i><b>Vazio C\u00f3smico<\/b><\/i><i>\u00a0\u00e9 uma se\u00e7\u00e3o em que nosso conhecimento do universo \u00e9 apresentado de maneira qualitativa e quantitativa. O objetivo \u00e9 explicar a import\u00e2ncia de compreender o cosmos n\u00e3o apenas do ponto de vista cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m filos\u00f3fico, social e econ\u00f4mico. O nome \u201cvazio c\u00f3smico\u201d faz refer\u00eancia ao fato de que o universo \u00e9 e est\u00e1, em sua maior parte, vazio, com menos de um \u00e1tomo por metro c\u00fabico, apesar de que, paradoxalmente, em nosso entorno existem quintilh\u00f5es de \u00e1tomos por metro c\u00fabico, o que convida a uma reflex\u00e3o sobre a nossa exist\u00eancia e a presen\u00e7a da vida no universo.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nosso planeta tem certas caracter\u00edsticas que podem ter sido cruciais para o surgimento da vida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/planeta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nosso planeta tem certas caracter\u00edsticas que podem ter sido cruciais para o surgimento da vida","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130427\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}