{"id":130067,"date":"2020-07-09T12:30:45","date_gmt":"2020-07-09T15:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130067"},"modified":"2020-07-09T09:13:44","modified_gmt":"2020-07-09T12:13:44","slug":"pesquisador-da-embrapa-esclarece-mitos-e-fatos-na-agricultura-irrigada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisador-da-embrapa-esclarece-mitos-e-fatos-na-agricultura-irrigada\/","title":{"rendered":"Pesquisador da Embrapa esclarece mitos e fatos na agricultura irrigada"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130068\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Lineu Neiva Rodrigues<\/strong><br \/>\nPesquisador da Embrapa Cerrados<\/p>\n<p>Sob uma \u00f3tica restrita, a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 vista simplesmente como uma tecnologia para aplica\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na planta, mas, com um olhar mais aprofundado, constata-se que ela \u00e9 a base de uma economia e de um modo de vida. A irriga\u00e7\u00e3o viabilizou o povoamento intensivo de v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. A relev\u00e2ncia da agricultura irrigada na economia agr\u00edcola global e na oferta de alimentos nem sempre foi t\u00e3o importante como ela \u00e9 atualmente.\u00a0Entretanto, historicamente, ela sempre teve import\u00e2ncia significativa para o desenvolvimento local e regional, com importantes contribui\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00e1gua-alimento \u00e9 complexa. Esses dois elementos est\u00e3o intrinsecamente e fortemente interconectados. A complexidade inerente a essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos motivos dos debates e disputas, muitas vezes desnecess\u00e1rias, entre os setores usu\u00e1rios. Mantidas as condi\u00e7\u00f5es atuais, o aumento na produ\u00e7\u00e3o de alimentos demandar\u00e1 mais \u00e1gua. \u00c9 nesse sentido que a ci\u00eancia \u00e9 fundamental, as inova\u00e7\u00f5es modificam a situa\u00e7\u00e3o atual, possibilitando produzir mais sem aumentar as demandas h\u00eddricas.<\/p>\n<p>\u00c1gua e alimento s\u00e3o elementos essenciais para a sobreviv\u00eancia do ser humano. O risco de falta de alimento e\/ou de falta de \u00e1gua sempre foram motivos de grandes preocupa\u00e7\u00f5es da humanidade. Se o papel principal da irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 produzir alimentos, qual a raz\u00e3o das cr\u00edticas muitas vezes feitas pela opini\u00e3o p\u00fablica?<\/p>\n<p>O papel principal da comunica\u00e7\u00e3o, como ferramenta, \u00e9 decodificar a informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a sociedade, contribuindo para diferenciar o fato do mito. Os debates sobre a melhor forma de se utilizar os recursos h\u00eddricos sempre existir\u00e3o, principalmente em regi\u00f5es com baixa disponibilidade h\u00eddrica. Nesses casos, embora n\u00e3o prevista na pol\u00edtica de recursos h\u00eddricos, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais instrumentos da gest\u00e3o. Informar com qualidade contribui para redu\u00e7\u00e3o de conflitos pelo uso de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o incorreta favorece a polariza\u00e7\u00e3o entre os usu\u00e1rios de recursos h\u00eddricos, que ao inv\u00e9s de cooperarem entre si, entram em disputas. \u00c1gua \u00e9 sin\u00f4nimo de di\u00e1logo, de compartilhamento e de integra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deve ser geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para o desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>MITOS E FATOS<\/strong><br \/>\n<strong>A irriga\u00e7\u00e3o utiliza 70% da \u00e1gua outorgada. Isso \u00e9 um mito.\u00a0<\/strong>Justificativa: Uma parte da justificativa foi apresentada no artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/52800136\/artigo---mitos-e-fatos-na-agricultura-irrigada-parte-i\">\u201cMitos e Fatos na agricultura irrigada (Parte I)\u201d<\/a>. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito vista e causa uma s\u00e9rie de confus\u00f5es e discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Primeiramente vale a pena esclarecer que o valor correto da quantidade de \u00e1gua que \u00e9 retirada para irriga\u00e7\u00e3o varia de ano para ano e de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Em 2017, por exemplo, esse valor representou 52% do total; j\u00e1 em 2016, foi igual a 46,2%. Esse valor m\u00e9dio tamb\u00e9m \u00e9 muito vari\u00e1vel entre as regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas. Por exemplo, em 2006, as outorgas para irriga\u00e7\u00e3o representaram em m\u00e9dia 46,7% do total. Na regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco, as outorgas para irriga\u00e7\u00e3o representaram 68,2%; j\u00e1 no Paran\u00e1 representaram 21,9%. Isto \u00e9, quando se for analisar quanto de \u00e1gua a irriga\u00e7\u00e3o utiliza \u00e9 importante se perguntar onde e em que ano.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, de onde vem essa diferen\u00e7a entre o total que \u00e9 outorgado e o total que \u00e9 efetivamente contabilizado? O total de \u00e1gua que foi efetivamente contabilizado para fins de irriga\u00e7\u00e3o, em 2017, foi de 68,4% e, em 2016, foi de 67,2%. Para entender essa diferen\u00e7a entre o que \u00e9 outorgado e o que \u00e9 efetivamente contabilizado, \u00e9 importante entender o conceito de vaz\u00e3o de retorno. A vaz\u00e3o de retorno \u00e9 a parte da \u00e1gua que retorna para o manancial h\u00eddrico, podendo, em tese, ser reutilizada. O problema \u00e9 que o valor utilizado para a vaz\u00e3o de retorno \u00e9 emp\u00edrico. Quanto maior for esse valor, menor ser\u00e1 a quantidade de \u00e1gua efetivamente contabilizada para um determinado uso. Como, no geral, o valor divulgado pela m\u00eddia se refere ao valor que \u00e9 efetivamente contabilizado, o setor com menor vaz\u00e3o de retorno, no caso, a irriga\u00e7\u00e3o, acaba sendo mais \u201cpenalizado\u201d. A vaz\u00e3o de retorno \u00e9 uma estimativa. A magnitude desse valor \u00e9 influenciada por v\u00e1rios fatores, entre eles, o sistema de irriga\u00e7\u00e3o que \u00e9 utilizado e o manejo de irriga\u00e7\u00e3o adotado.<\/p>\n<p>Esse valor traz embutido uma subjetividade, pois n\u00e3o existe um crit\u00e9rio adequadamente definido para sua estimativa, tornando dif\u00edcil a sua comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade. Para complicar ainda mais, o valor utilizado tem variado ao longo do tempo, o que dificulta a compara\u00e7\u00e3o entre os anos. Por exemplo, em 2018 o valor adotado foi igual a 28,6%; j\u00e1 em 2014 foi igual a 34,2%.<\/p>\n<p>Considerando, por exemplo, que o volume total de \u00e1gua retirado pelos setores usu\u00e1rios de uma regi\u00e3o seja igual 100 m3 e que a irriga\u00e7\u00e3o representa 54% das retiradas e a ind\u00fastria 17%. Isso equivaleria a 54 m3 de \u00e1gua retirada pela irriga\u00e7\u00e3o e 17 m3 retirados pela ind\u00fastria. Tendo em vista que 34,2% ser\u00e1 a vaz\u00e3o de retorno da irriga\u00e7\u00e3o e 80,2% a da ind\u00fastria, o valor que ser\u00e1 efetivamente contabilizado para irriga\u00e7\u00e3o ser\u00e1 igual a 35,5 m3 e igual a 3 m3, para a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Em termos de vaz\u00e3o retirada, o total retirado pela ind\u00fastria representa 31,5% da irriga\u00e7\u00e3o; j\u00e1, quando se considera o que \u00e9 efetivamente utilizado, ou seja, a vaz\u00e3o de retorno, ela passa a representar apenas 8,5%. E se fosse considerada uma vaz\u00e3o de retorno igual a 50% para irriga\u00e7\u00e3o? Nesse caso, 27 m3 retornaria para o curso d\u00b4\u00e1gua e o efetivamente contabilizado seria tamb\u00e9m igual a 27 m3, reduzindo significativamente a porcentagem efetivamente contabilizada pela irriga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao total.<\/p>\n<p>Em 2017, por exemplo, a irriga\u00e7\u00e3o representou 52% do que foi outorgado. Ap\u00f3s considerada a vaz\u00e3o de retorno, esse valor passou a representar 68,4%, sendo esse o n\u00famero que \u00e9 amplamente divulgado. \u00c9 fundamental que sejam definidos crit\u00e9rios que uniformizem e melhorem as estimativas da percentagem da vaz\u00e3o retirada que \u00e9 efetivamente contabilizada para cada setor.<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m observar que o valor apresentado se refere \u00e0s outorgas e n\u00e3o ao que \u00e9 efetivamente utilizado. O valor de vaz\u00e3o que \u00e9 efetivamente retirado pela irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 muito vari\u00e1vel de ano para ano, dependendo das chuvas. Isto \u00e9, esse valor m\u00e9dio apresentado s\u00f3 \u00e9 verdadeiro para o per\u00edodo seco do ano.<\/p>\n<p>Para finalizar, ao se avaliar a quantidade de \u00e1gua utilizada pela irriga\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante ter em mente que se trata de um n\u00famero m\u00e9dio e que ele varia regionalmente. Al\u00e9m disso, deve-se sempre perguntar se o n\u00famero apresentado \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao valor total outorgado, ou se \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do valor outorgado considerando-se a vaz\u00e3o de retorno (valor efetivamente contabilizado). Com certeza, esse valor n\u00e3o representar\u00e1 o valor de fato utilizado na irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Haver\u00e1 conflitos pelo uso de \u00e1gua sempre que em uma bacia hidrogr\u00e1fica houver predomin\u00e2ncia de irriga\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0<strong>Isso \u00e9 um mito.<\/strong>\u00a0Justificativa: N\u00e3o \u00e9 a predomin\u00e2ncia de um uso que gera conflitos. Todos os usu\u00e1rios de \u00e1gua de uma bacia podem ser irrigantes e n\u00e3o haver conflitos. O importante \u00e9 que a \u00e1gua seja corretamente alocada entre os usu\u00e1rios. O que n\u00e3o se pode haver \u00e9 retirada ilegal. Retiradas n\u00e3o contabilizadas comprometem todo o gerenciamento. A gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos consiste em administrar os recursos h\u00eddricos, compatibilizando a oferta com as demandas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer a gest\u00e3o sem que haja um conhecimento correto do que est\u00e1 sendo retirado. Uma retirada ilegal compromete todo sistema h\u00eddrico, aumenta o risco de conflitos e de falta de \u00e1gua. Em determinadas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 importante definir usos priorit\u00e1rios. A prioriza\u00e7\u00e3o dever ser constantemente acordada pelos usu\u00e1rios nos comit\u00eas de bacias, sempre valorizando a aptid\u00e3o da bacia e sua capacidade de suporte.<\/p>\n<p><strong>A irriga\u00e7\u00e3o \u201cdesperdi\u00e7a\u201d muita \u00e1gua, sendo esta a raz\u00e3o das crises h\u00eddricas. Isso \u00e9 um mito.<\/strong>\u00a0Justificativa: Primeiramente \u00e9 bom esclarecer que seria mais adequado falar sobre efici\u00eancia, que, de maneira bem simples, reflete quanto da \u00e1gua que \u00e9 retirada dos rios est\u00e1 sendo efetivamente utilizada. O \u201cdesperd\u00edcio\u201d \u00e9 relativo. Por exemplo, uma \u00e1gua vista como sendo \u201cdesperdi\u00e7ada\u201d pela irriga\u00e7\u00e3o pode estar contribuindo para aumentar a efici\u00eancia h\u00eddrica da bacia hidrogr\u00e1fica. Em segundo lugar, a irriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u201cdesperdi\u00e7a\u201d muita \u00e1gua, os sistemas de irriga\u00e7\u00e3o atualmente s\u00e3o altamente eficientes. O irrigante se preocupa muito com a efici\u00eancia, seja por motivos ambientais, seja pelo fato que a baixa efici\u00eancia implica em baixas produtividades e no aumento de gastos com energia, ou seja, perda de dinheiro.<\/p>\n<p>O que \u00e9 muito comum tamb\u00e9m \u00e9 relacionar a \u201ccrise h\u00eddrica\u201d que ocorre em cidades com o uso da \u00e1gua no campo. Uma boa gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos \u00e9 o melhor rem\u00e9dio contra \u201ccrises h\u00eddricas\u201d. \u00c9 evidente que \u00e9 importante reduzir as perdas nos sistemas, sejam eles quais forem. Definir valores de refer\u00eancia para as efici\u00eancias m\u00ednimas esperadas em cada um dos setores, dentro das suas especificidades, \u00e9 importante e contribuir\u00e1 para aumentar a efici\u00eancia de uso da \u00e1gua. N\u00e3o \u00e9 produtivo comparar efici\u00eancia entre usos diferentes.<\/p>\n<p>\u00c9 importante estabelecer m\u00e9tricas espec\u00edficas para cada uso, que devem ser pactuadas com os usu\u00e1rios. Em situa\u00e7\u00e3o de escassez h\u00eddrica, em que a disponibilidade de \u00e1gua \u00e9 limitada e geralmente insuficiente, as demandas (urbano, rural, animal, irriga\u00e7\u00e3o, industrial ou el\u00e9trico) devem ser muito bem quantificadas e equacionadas. A essas demandas setoriais, \u00e9 preciso ainda acrescentar a demanda ecol\u00f3gica. Ou seja, \u00e9 preciso manter no rio uma quantidade de \u00e1gua m\u00ednima capaz de manter as fun\u00e7\u00f5es oferecidas pela \u00e1gua, garantindo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de manuten\u00e7\u00e3o de ecossistemas aqu\u00e1ticos. \u00c9 claro que existem os desperd\u00edcios causados pelo uso inadequado da tecnologia, isso pode ser corrigido com capacita\u00e7\u00e3o em toda a cadeia.<\/p>\n<p><strong>A agricultura irrigada no Brasil n\u00e3o utiliza adequadamente os recursos h\u00eddricos. Isso \u00e9 um mito.<\/strong>\u00a0Justificativa: O Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde a agricultura irrigada est\u00e1 na vanguarda do conhecimento e do uso de tecnologias ambientais, como o plantio direto, que favorecem a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, contribuindo para a recarga dos aqu\u00edferos e aumento das vaz\u00f5es m\u00ednimas. A irriga\u00e7\u00e3o, de maneira geral, utiliza t\u00e9cnicas avan\u00e7adas e com sistemas que operam em m\u00e9dia com efici\u00eancia entre 75% a 90%. N\u00e3o se pode comparar os sistemas de irriga\u00e7\u00e3o de hoje com os de 15 anos atr\u00e1s. O campo \u00e9 um verdadeiro laborat\u00f3rio de inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para melhorar ainda mais neste quesito, devemos fazer chegar ao campo as novas tecnologias e capacitar os nossos produtores no uso de t\u00e9cnicas de manejo da irriga\u00e7\u00e3o, de forma que eles possam ser os multiplicadores dessas t\u00e9cnicas. Os recursos h\u00eddricos s\u00e3o muito bem cuidados na agricultura, pelo simples fato de que a \u00e1gua \u00e9 seu principal insumo.<\/p>\n<p><strong>Que caminhos a agricultura deve seguir para n\u00e3o enfrentar maiores problemas no futuro?\u00a0<\/strong>Esse questionamento \u00e9 frequentemente feito. Na din\u00e2mica atual, prever o futuro \u00e9 sempre uma tarefa dif\u00edcil, mas alguns caminhos s\u00e3o mais certos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, a agricultura deve priorizar o uso de pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1gua, preservando, principalmente, as \u00e1reas de recarga das bacias hidrogr\u00e1ficas. O irrigante deve estar atento aos trabalhos de pesquisa, que sempre est\u00e3o trazendo novidades. Por outro lado, e importante tamb\u00e9m que a pesquisa v\u00e1 ao campo aprender com o irrigante e identificar as demandas reais que precisam ser pesquisadas.<\/p>\n<p>Deve-se procurar utilizar equipamentos mais eficientes no uso de \u00e1gua e adotar alguma t\u00e9cnica de manejo. Realizando o manejo, o irrigante come\u00e7a a entender a din\u00e2mica do seu sistema. \u00c9 primordial pensar nos usos m\u00faltiplos e na reserva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. As barragens devem ser bem planejadas para beneficiarem o maior n\u00famero de pessoas e causar o menor impacto ao ambiente.<\/p>\n<p>O irrigante deve pensar na bacia hidrogr\u00e1fica como uma unidade de gest\u00e3o de \u00e1gua. Isto \u00e9, o produtor deve olhar para todo o sistema e n\u00e3o apenas para ele mesmo, pois o sistema h\u00eddrico \u00e9 interligado e n\u00e3o tem \u201cdono\u201d. Dentro do poss\u00edvel, o irrigante deve procurar entender quanto de \u00e1gua h\u00e1 dispon\u00edvel, sua varia\u00e7\u00e3o temporal e as demandas que existem na bacia. Participar dos comit\u00eas de bacia e pactuar junto com os outros usu\u00e1rios para que haja uma boa gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os processos de tomada de decis\u00e3o no campo est\u00e3o cada vez mais complexos, com necessidade de decis\u00f5es mais r\u00e1pidas, al\u00e9m de depender de an\u00e1lises de quantidade de dados cada vez maiores. Torna-se, portanto, importante avan\u00e7ar nas pesquisas relacionadas \u00e0s tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o, de\u00a0<em>big-data<\/em>\u00a0e de modelos de intelig\u00eancia computacional e simula\u00e7\u00e3o que possam viabilizar a emiss\u00e3o de alertas e suporte \u00e0 decis\u00e3o. Mas n\u00e3o se pode perder de vista as amarras da \u201cagricultura irrigada 1.0\u201d. \u00c9 preciso garantir ao irrigante as bases para o seu desenvolvimento, ou seja, \u00e9 preciso que ele tenha seguran\u00e7a ambiental, h\u00eddrica, energ\u00e9tica e jur\u00eddica para o seu neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Para finalizar, \u00e9 preciso pensar o desenvolvimento de maneira integrada e estrat\u00e9gica, sendo a \u00e1gua e o alimento elementos centrais desse debate. Nesse sentido, \u00e9 importante analisar a capacidade de suporte das bacias hidrogr\u00e1ficas e as responsabilidades de cada setor usu\u00e1rio, favorecendo sempre os usos m\u00faltiplos e apresentando oportunidade de crescimento para todos. A \u00e1gua n\u00e3o pode ser fator limitante do crescimento, sendo, dessa forma, necess\u00e1rio fazer tanto a gest\u00e3o da demanda como da oferta h\u00eddrica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lineu Neiva Rodrigues Pesquisador da Embrapa Cerrados Sob uma \u00f3tica restrita, a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 vista<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130068,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/irrigacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Lineu Neiva Rodrigues Pesquisador da Embrapa Cerrados Sob uma \u00f3tica restrita, a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 vista","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130067"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130068"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}