{"id":130063,"date":"2020-07-09T13:00:44","date_gmt":"2020-07-09T16:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=130063"},"modified":"2020-07-09T09:07:06","modified_gmt":"2020-07-09T12:07:06","slug":"pesquisa-mapeia-degradacao-ambiental-em-remanescentes-de-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-mapeia-degradacao-ambiental-em-remanescentes-de-caatinga\/","title":{"rendered":"Pesquisa mapeia degrada\u00e7\u00e3o ambiental em remanescentes de Caatinga"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-130064\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em termos visuais, enquanto uma \u00e1rea desmatada mostra de forma expl\u00edcita a perda de valor ambiental de um determinado habitat, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 mais sutil e, \u00e0s vezes, impercept\u00edvel aos olhos leigos. Diversos motivos podem provocar a gradual degrada\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea natural e, sem surpresa, a maior parte deles ocorre em decorr\u00eancia da press\u00e3o humana. Com isso em mente, uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte criou uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica para entender quais os remanescentes de vegeta\u00e7\u00e3o nativa da Caatinga enfrentam potencialmente uma maior perturba\u00e7\u00e3o em face de press\u00f5es antr\u00f3picas como: densidade populacional, presen\u00e7a de infraestruturas, de pastos, extra\u00e7\u00e3o de madeira e fogo.<\/p>\n<p>Com esses crit\u00e9rios, a pesquisa mapeou os mais de 47 mil fragmentos remanescentes de Caatinga e conseguiu identificar que as regi\u00f5es norte e leste do bioma, as mais pr\u00f3ximas do litoral, s\u00e3o as que potencialmente apresentam maiores dist\u00farbios antr\u00f3picos cr\u00f4nicos. O resultado do estudo, liderada pela pesquisadora Marina Antongiovanni, atual subcoordenadora da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos do Rio Grande do Norte,\u00a0<a href=\"https:\/\/besjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/1365-2664.13686\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">foi publicado neste domingo (5)<\/a>\u00a0no peri\u00f3dico Journal of Applied Ecology, da British Ecological Society.<\/p>\n<p>\u201cO semi\u00e1rido brasileiro \u00e9 o mais populoso do mundo, e a gente n\u00e3o consegue entender de fato qual a permeabilidade das pessoas para dentro dessas \u00e1reas remanescentes de Caatinga. Com esse trabalho, n\u00f3s conseguimos sair dessa coisa de preto no branco do bioma. A gente conseguiu enxergar tonalidades diferentes em fun\u00e7\u00e3o da qualidade [ambiental] do fragmento. H\u00e1 aquelas \u00e1reas que foram desmatadas e h\u00e1 as que continuam fragmentos, mas quais as varia\u00e7\u00f5es desse fragmento? Est\u00e1 mais ou menos perturbado? Isso tem a ver com a densidade populacional e fatores antr\u00f3picos que a gente conseguiu perceber com esse estudo\u201d, explica ao ((o))eco a pesquisadora, Marina Antongiovanni.<\/p>\n<p>\u201cA gente pegou esses vetores \u2013 densidade populacional, presen\u00e7a de infraestruturas, de pastos, extra\u00e7\u00e3o de madeira e fogo \u2013 e espacializou eles para gerar uma superf\u00edcie, uma camada de informa\u00e7\u00e3o onde podemos enxergar para cada pixel do bioma, qual a perturba\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica que ele sofre, potencialmente. E n\u00f3s vimos que essa perturba\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito estruturada em rela\u00e7\u00e3o a borda, ou seja, quanto mais pr\u00f3ximo o pixel de Caatinga est\u00e1 da borda, mais potencialmente perturbado ele \u00e9. Quanto mais longe, menos potencialmente perturbado. Mas isso pode variar bastante em fun\u00e7\u00e3o do contexto em que est\u00e3o inseridos os remanescentes\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>De acordo com a bi\u00f3loga, os dados ajudam a identificar os remanescentes de Caatinga que exigem mais aten\u00e7\u00e3o porque potencialmente s\u00e3o fragmentos muito perturbados pela a\u00e7\u00e3o humana. \u201cNesses casos \u00e9 preciso criar estrat\u00e9gias de manejo, para orienta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e para pr\u00f3pria fiscaliza\u00e7\u00e3o para que essas \u00e1reas n\u00e3o se percam\u201d, aponta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_79950\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-79950\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-79950\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada%C3%A7%C3%A3o-UFRN.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN.jpg 750w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN-724x1024.jpg 724w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN-600x849.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN-640x905.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Oeco_Mapa_Caatinga-degrada\u00e7\u00e3o-UFRN-150x212.jpg 150w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"566\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-79950\" class=\"wp-caption-text\">Mapa da degrada\u00e7\u00e3o dos fragmentos de Caatinga. Fonte: Marina Antongiovanni\/UFRN<\/figcaption><\/figure>\n<p>A an\u00e1lise n\u00e3o levou em conta a presen\u00e7a de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e como elas poderiam alterar a l\u00f3gica de perturba\u00e7\u00e3o uma vez que, pelo menos em teoria, s\u00e3o espa\u00e7os onde h\u00e1 esfor\u00e7os maiores de conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Apesar disso, \u00e9 poss\u00edvel observar que as \u00e1reas que est\u00e3o menos perturbadas coincidem com as maiores unidades de conserva\u00e7\u00e3o da Caatinga: os parques nacionais\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_da_Serra_da_Capivara\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">da Serra da Capivara<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_Serra_das_Confus%C3%B5es\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">da Serra das Confus\u00f5es<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_de_Sete_Cidades\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">de Sete Cidades<\/a>, e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_do_Boqueir%C3%A3o_da_On%C3%A7a\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">Boqueir\u00e3o da On\u00e7a<\/a>, na por\u00e7\u00e3o oeste do bioma.<\/p>\n<p>\u201cEsse estudo serve mais como um guia de a\u00e7\u00f5es que a gente tem que realizar no futuro, tomar mais cuidado com as \u00e1reas que est\u00e3o sofrendo muita perturba\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades que ainda restam no bioma da gente para proteger \u00e1reas que estejam mais intactas e preservadas\u201d, explica Marina.<\/p>\n<p>Em um\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10980-018-0672-6\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">artigo publicado em 2018<\/a>, a bi\u00f3loga j\u00e1 havia feito o levantamento dos fragmentos de Caatinga remanescente, com a distribui\u00e7\u00e3o a tamanho desses fragmentos, e analisado qu\u00e3o conectados ou isolados eles estariam. Nessa pesquisa foram identificados 47.100 fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Desses, 91% s\u00e3o menores do que 500 hectares e apenas 720 s\u00e3o maiores que 10 mil hectares, e correspondem a 78% de toda vegeta\u00e7\u00e3o remanescente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s encontramos nesse primeiro estudo que, apesar de 50% da cobertura original da Caatinga j\u00e1 ter sido desmatada, a por\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o remanescente est\u00e1 bem conectada. Ou seja, a conectividade estrutural e funcional da Caatinga at\u00e9 que \u00e9 boa. Voc\u00ea n\u00e3o imaginaria olhando s\u00f3 para as \u00e1reas remanescentes de Caatinga que n\u00e3o fosse ter popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7a-pintada, por exemplo, no Rio Grande do Norte. Estruturalmente parece que voc\u00ea tem caminhos para que on\u00e7as l\u00e1 da regi\u00e3o oeste cheguem at\u00e9 essa por\u00e7\u00e3o mais central\/leste. Mas elas n\u00e3o est\u00e3o. Por qu\u00ea? A gente acredita que isso tem a ver com essa press\u00e3o antr\u00f3pica cr\u00f4nica que tem acontecido h\u00e1 muitos anos, que tem a ver com a ca\u00e7a, com a maior densidade populacional, com mais acesso, mais estradas, mais extra\u00e7\u00e3o de lenha. Quanto mais houver esses fatores, mais voc\u00ea vai estar subjugando aquela \u00e1rea para uma condi\u00e7\u00e3o de maior degrada\u00e7\u00e3o. Com isso, algumas popula\u00e7\u00f5es v\u00e3o sumindo. N\u00e3o basta manter a conectividade que a Caatinga j\u00e1 tem, a gente tem que ter pol\u00edticas p\u00fablicas que permitam que essas \u00e1reas que conectam as \u00e1reas protegidas j\u00e1 existentes tenham boa qualidade, e para que as pessoas tenham alternativas de explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e que haja campanhas para diminuir a ca\u00e7a\u201d, ressalta Marina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em termos visuais, enquanto uma \u00e1rea desmatada mostra de forma expl\u00edcita a perda de valor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130064,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/caatinga.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em termos visuais, enquanto uma \u00e1rea desmatada mostra de forma expl\u00edcita a perda de valor","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130063"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=130063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/130063\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/130064"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=130063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}