{"id":12980,"date":"2014-12-27T00:00:46","date_gmt":"2014-12-27T00:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12980"},"modified":"2014-12-26T21:39:48","modified_gmt":"2014-12-26T21:39:48","slug":"deus-recicla-o-diabo-incinera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/deus-recicla-o-diabo-incinera\/","title":{"rendered":"&#8220;Deus recicla, o diabo incinera&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Hoje, o processo de incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, com aproveitamento energ\u00e9tico ou gera\u00e7\u00e3o de vapor, come\u00e7a a ser visto como uma alternativa vi\u00e1vel na busca por tecnologias corretas para a disposi\u00e7\u00e3o final do lixo<\/strong><\/p>\n<div id=\"sPag1\" style=\"display: block;\">\n<div style=\"float: right;\"><\/div>\n<div>\n<p class=\"f10\">Francisco Eduardo Pereira*<span class=\"IN-widget\" style=\"line-height: 1; vertical-align: baseline; display: inline-block; text-align: center;\"><span style=\"padding: 0px ! important; margin: 0px ! important; text-indent: 0px ! important; display: inline-block ! important; vertical-align: baseline ! important; font-size: 1px ! important;\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590485_0\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590485_0-logo\">in<\/span><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590485_0-title\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590485_0-mark\"><\/span><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590485_0-title-text\">Share<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"padding: 0px ! important; margin: 0px ! important; text-indent: 0px ! important; display: inline-block ! important; vertical-align: baseline ! important; font-size: 1px ! important;\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590499_1-container\" class=\"IN-right\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590499_1\" class=\"IN-right\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590499_1-inner\" class=\"IN-right\"><span id=\"li_ui_li_gen_1419629590499_1-content\" class=\"IN-right\">2<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"texto\">\n<div id=\"cnt0\" style=\"display: block;\">\n<div class=\"img_thumb\" style=\"margin-bottom: 0px;\"><img src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/deus-recicla-o-diabo-incinera-national-geographic-esp-lixo-560w.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<p>Por que ainda h\u00e1 tanta dificuldade para colocar em pr\u00e1tica a primeira usina de incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil? \u00c9 simples. No momento, h\u00e1 um conjunto de vari\u00e1veis ambientais, cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas, pol\u00edticas e econ\u00f4micas que inviabiliza a empreitada.<\/p>\n<p>Da perspectiva ambiental, o hist\u00f3rico da incinera\u00e7\u00e3o no Brasil relaciona experi\u00eancias traum\u00e1ticas. Talvez uma das piores tenha sido a contamina\u00e7\u00e3o causada pelo incinerador da Rhodia, em Cubat\u00e3o (SP), entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990. Na \u00e9poca, a empresa instalou um equipamento para eliminar os res\u00edduos industriais nocivos, mas a fuma\u00e7a liberada tamb\u00e9m era perigosa \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Isso porque foram colocados equipamentos obsoletos, sem tratamento eficiente das emiss\u00f5es de gases de dioxinas e furanos &#8211; subst\u00e2ncias qu\u00edmicas supert\u00f3xicas e prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente -, que influenciaram de forma negativa na forma\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o sobre o tema. A pr\u00f3pria Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental de S\u00e3o Paulo (Cetesb) resistiu por mais de 20 anos \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as para implanta\u00e7\u00e3o das chamadas Usinas de Recupera\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (UREs), abastecidas com res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>Hoje, esse processo, com aproveitamento energ\u00e9tico ou gera\u00e7\u00e3o de vapor, come\u00e7a a ser visto como uma alternativa vi\u00e1vel na busca por tecnologias corretas para a disposi\u00e7\u00e3o final do lixo. As UREs j\u00e1 existem na Europa e no Jap\u00e3o, onde h\u00e1 mecanismos rigorosos de controle e redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar decorrente da produ\u00e7\u00e3o dessas usinas. No Brasil, o avan\u00e7o cient\u00edfico e o foco no aperfei\u00e7oamento tecnol\u00f3gico para tratamento e limpeza dos gases no processo de queima t\u00eam feito as restri\u00e7\u00f5es ambientais diminu\u00edrem bastante.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a significativa no tratamento de gases se deu com a melhoria na queima e na capacidade de limpeza dos filtros. Al\u00e9m disso, houve razo\u00e1vel conhecimento sobre o comportamento desses gases, que, inclusive, influiu na pr\u00f3pria elabora\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Isso porque o que move as ag\u00eancias de prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 a seguran\u00e7a de que essas fontes poluidoras sejam controladas com rigor para minimizar poss\u00edveis impactos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Com esses cuidados, por fim, em dezembro de 2012, a Cetesb emitiu a primeira libera\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a provis\u00f3ria de funcionamento de uma URE, em Barueri (SP) &#8211; primeira desse tipo na Am\u00e9rica Latina. Quando funcionar, ter\u00e1 capacidade para processar at\u00e9 850 toneladas de lixo por dia, gerando 17 megawatts (MW) de energia, suficiente para abastecer 500 mil habitantes. O problema agora \u00e9 obter financiamento para viabiliz\u00e1-la. Alguns empres\u00e1rios buscaram tecnologias no mercado, compraram patentes e iniciaram testes. S\u00f3 n\u00e3o finalizaram suas inten\u00e7\u00f5es devido ao valor final da empreitada.<\/p>\n<p>No caso da URE de Barueri, nas primeiras tratativas com fornecedores de equipamentos, o valor parecia razo\u00e1vel; por\u00e9m, a avalia\u00e7\u00e3o dos riscos do empreendimento &#8211; que incluem opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o &#8211; faz com que o investimento chegue a R$ 400 milh\u00f5es para uma planta que consome at\u00e9 mil toneladas di\u00e1rias de res\u00edduos s\u00f3lidos, o que torna o neg\u00f3cio proibitivo. Com a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos equipamentos, por\u00e9m, o custo pode cair para algo entre R$ 260 milh\u00f5es e R$ 280 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 dificuldades tamb\u00e9m sob a \u00f3tica econ\u00f4mica. Lixo e energia s\u00e3o mercados fechados e complexos. Antes, \u00e9 preciso estruturar um modelo de neg\u00f3cio bom para ambos, que considere o lixo como combust\u00edvel e a energia como produto. Os detentores de contratos de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos com os munic\u00edpios s\u00e3o, em geral, propriet\u00e1rios de aterros e querem continuar com seu neg\u00f3cio. Por outro lado, segundo a lei, s\u00f3 empresas credenciadas pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) podem vender energia no mercado de leil\u00f5es. Portanto, conciliar os interesses e viabilizar o neg\u00f3cio \u00e9 um grande desafio comercial. Os di\u00e1logos entre as partes seguem adiantados, e \u00e9 prov\u00e1vel que, no in\u00edcio de 2014, esse obst\u00e1culo seja eliminado e o neg\u00f3cio esteja configurado.<\/p>\n<p>Mas qual ser\u00e1 seu modelo? As receitas obtidas com o servi\u00e7o de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil &#8211; hoje, de cerca de R$ 70 por tonelada di\u00e1ria &#8211; e as vendas de energia el\u00e9trica devem tornar o investimento de uma URE vi\u00e1vel. Com os pre\u00e7os mais atrativos, a discuss\u00e3o com o poder p\u00fablico sobre isen\u00e7\u00f5es fiscais, leil\u00f5es espec\u00edficos da energia gerada pela cogera\u00e7\u00e3o de queima de lixo com pre\u00e7o que a viabilize (estimado em R$ 200\/MW, contra um valor de mercado de R$ 150\/MW) fica mais f\u00e1cil. O pre\u00e7o da energia \u00e9 taxado pelo mercado, em especial pelos leil\u00f5es promovidos pela Aneel. A gera\u00e7\u00e3o de energia para uma usina de mil toneladas\/dia de lixo, por exemplo, varia entre 13 MW e 20 MW. Considerando a m\u00e9dia de 15 MW e o valor do MW a R$ 200, a URE, com certeza, atrair\u00e1 empres\u00e1rios do setor de energia.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 outras quest\u00f5es: a necessidade de contratos longos de, no m\u00ednimo, 15 anos, e um volume m\u00ednimo dispon\u00edvel de 800 toneladas di\u00e1rias de lixo. A pr\u00e1tica atual \u00e9 de contratos de 60 meses, o que impossibilita a venda de energia, que precisa ter garantias de fornecimento dos res\u00edduos s\u00f3lidos no tempo do contrato (15 anos) e no volume necess\u00e1rio. Assim, s\u00f3 cidades com 1 milh\u00e3o ou mais de habitantes poderiam ter as UREs, o que demanda um cons\u00f3rcio de munic\u00edpios que a pr\u00e1tica j\u00e1 demonstrou ser invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Esse conturbado cen\u00e1rio foi, certa vez, muito bem ilustrado em uma conversa sobre o assunto com um promotor de meio ambiente da regi\u00e3o de Campinas. Em uma reflex\u00e3o sobre o futuro dessa pr\u00e1tica no pa\u00eds, ele n\u00e3o acredita na viabilidade das UREs. Para ele, enquanto houver \u00e1reas dispon\u00edveis para aterros sanit\u00e1rios ou controlados, ser\u00e1 dif\u00edcil algu\u00e9m ter coragem para colocar em pr\u00e1tica a primeira usina de cogera\u00e7\u00e3o de energia proveniente do lixo, ambientalmente correta e com elevado padr\u00e3o de qualidade. Al\u00e9m disso, argumenta, a pol\u00edtica atual incentiva a reciclagem, n\u00e3o a queima do lixo.<\/p>\n<p>Como os especialistas costumam dizer: &#8220;Aqui, Deus recicla e o diabo incinera&#8221;.<\/p>\n<div class=\"img_thumb\" style=\"margin-bottom: 0px;\"><img src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/F_Eduardo_Pereira.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<p><em>*Francisco Eduardo Pereira \u00e9 fil\u00f3sofo pela Universidade de S\u00e3o Paulo, professor das Faculdades Cantareira, onde foi respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do projeto de agroneg\u00f3cios e meio ambiente, e especialista em solu\u00e7\u00f5es para problemas de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. \u00c9 conselheiro do Planeta Sustent\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Planeta Sustent\u00e1vel &#8211; National Geographic Brasil &#8211; Especial Lixo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, o processo de incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, com aproveitamento energ\u00e9tico ou gera\u00e7\u00e3o de vapor,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Hoje, o processo de incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, com aproveitamento energ\u00e9tico ou gera\u00e7\u00e3o de vapor,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12980"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}