{"id":129752,"date":"2020-07-04T14:30:17","date_gmt":"2020-07-04T17:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=129752"},"modified":"2020-07-03T19:04:48","modified_gmt":"2020-07-03T22:04:48","slug":"glandulas-de-veneno-como-as-de-serpentes-sao-vistas-em-anfibios-pela-1a-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/glandulas-de-veneno-como-as-de-serpentes-sao-vistas-em-anfibios-pela-1a-vez\/","title":{"rendered":"Gl\u00e2ndulas de veneno como as de serpentes s\u00e3o vistas em anf\u00edbios pela 1\u00aa vez"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-129753\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e apoiado pela Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo) descreveu pela primeira vez a presen\u00e7a de gl\u00e2ndulas de\u00a0pe\u00e7onha\u00a0na boca de um\u00a0anf\u00edbio. O animal sem patas que vive no ambiente subterr\u00e2neo, conhecido como cec\u00edlia ou cobra-cega, possui gl\u00e2ndulas associadas aos dentes que, quando comprimidas durante a mordida, liberam uma secre\u00e7\u00e3o que penetra nos ferimentos causados nas presas \u2013\u00a0minhocas,\u00a0larvas de insetos, pequenos anf\u00edbios e\u00a0serpentes\u00a0e mesmo filhotes de roedores. O estudo foi\u00a0publicado na\u00a0<em>iScience<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos analisando as gl\u00e2ndulas de muco que o\u00a0animal\u00a0tem na pele da cabe\u00e7a, para abrir caminho debaixo da terra, quando nos deparamos com essas estruturas. Elas se posicionam na base dos dentes e se desenvolvem a partir do mesmo tecido que lhes d\u00e1 origem, a l\u00e2mina dental, assim como ocorre com as gl\u00e2ndulas de pe\u00e7onha das serpentes\u201d, diz Pedro Luiz Mailho-Fontana, primeiro autor do estudo, que realiza est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Instituto Butantan com bolsa da Fapesp.<\/p>\n<p>Em artigo publicado em 2018 na\u00a0<em>Scientific Reports<\/em>, o grupo havia demonstrando que al\u00e9m de gl\u00e2ndulas de muco espalhadas pela pele do corpo, as cec\u00edlias possuem uma grande concentra\u00e7\u00e3o de gl\u00e2ndulas de veneno na pele da cauda, como forma de defesa passiva de predadores. Nesse sistema, que existe tamb\u00e9m nos\u00a0sapos,\u00a0r\u00e3s,\u00a0pererecas\u00a0e\u00a0salamandras, o predador se envenena ao morder o animal.<\/p>\n<p>Agora, os pesquisadores mostraram que as cec\u00edlias podem ser pe\u00e7onhentas, ou seja, seriam os primeiros anf\u00edbios a possu\u00edrem uma defesa ativa, quando o veneno \u00e9 usado para atacar, como fazem serpentes,\u00a0escorpi\u00f5es\u00a0e\u00a0aranhas. A secre\u00e7\u00e3o que sai das gl\u00e2ndulas serve ainda para lubrificar as presas e facilitar sua degluti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-3\" class=\"adv adv-article halfpage\" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CO_t7auKsuoCFQZzgQodhIwD5g\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgalileu\/Ciencia\/Biologia\/materia_7__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"Gl\u00e2ndulas venenosas s\u00e3o encontradas em anf\u00edbios pela primeira vez (Foto: Carlos Jared)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/csu0Sg6CCIxQD89iexQr-q1SQig=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/07\/03\/235803_web.jpg\" alt=\"Gl\u00e2ndulas venenosas s\u00e3o encontradas em anf\u00edbios pela primeira vez (Foto: Carlos Jared)\" width=\"639\" height=\"495\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/csu0Sg6CCIxQD89iexQr-q1SQig=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2020\/07\/03\/235803_web.jpg\" \/><figcaption>Gl\u00e2ndulas venenosas s\u00e3o encontradas em anf\u00edbios pela primeira vez (Foto: Carlos Jared)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAs serpentes acumulam a pe\u00e7onha em bolsas que, quando pressionadas pelos m\u00fasculos, \u00e9 injetada atrav\u00e9s dos dentes. Nas cascav\u00e9is e jararacas, por exemplo, esses dentes s\u00e3o ocos, semelhantes a agulhas de inje\u00e7\u00e3o. No caso das cec\u00edlias, a compress\u00e3o das gl\u00e2ndulas durante a mordida libera o veneno, que penetra no ferimento. \u00c9 o que fazem\u00a0lagartos\u00a0como o\u00a0drag\u00e3o-de-komodo\u00a0e o monstro-de-gila\u201d, diz Carlos Jared, pesquisador do Instituto Butantan e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>O trabalho integra o projeto \u201cDesvendando o cuidado parental nas cec\u00edlias: implica\u00e7\u00f5es nutricionais e toxinol\u00f3gicas em Siphonops annulatus\u201d, financiado pela Fapesp.<\/p>\n<p>O grupo foi o primeiro a demonstrar,\u00a0em um trabalho publicado na\u00a0<em>Nature<\/em>\u00a0em 2006, que os filhotes das cec\u00edlias da esp\u00e9cie Boulengerula taitanus alimentam-se exclusivamente da pele da m\u00e3e nos primeiros dois meses de vida. Em 2008, o grupo descreveu o mesmo comportamento na esp\u00e9cie\u00a0<em>Siphonops annulatus<\/em>,\u00a0em artigo na\u00a0<em>Biology Letters<\/em>.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o de um grupo que vive em ambientes aqu\u00e1ticos, as cec\u00edlias passam toda a vida em t\u00faneis subterr\u00e2neos. Por isso, possuem olhos reduzidos, que percebem a luz, mas n\u00e3o formam imagens. S\u00e3o ainda os \u00fanicos vertebrados que possuem tent\u00e1culos, pr\u00f3ximos aos olhos, que reconhecem o ambiente pelo toque e por receptores qu\u00edmicos.<\/p>\n<p><strong>Veneno<\/strong><\/p>\n<div id=\"pub-materia-4\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CJnx8KyKsuoCFUKcgQod7xkALg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgalileu\/Ciencia\/Biologia\/materia_8__container__\">An\u00e1lises bioqu\u00edmicas mostraram que a secre\u00e7\u00e3o que sai da boca do animal durante a mordida cont\u00e9m fosfolipase A2, uma enzima bastante comum no veneno de animais como como abelhas, vespas e serpentes.<\/div>\n<\/div>\n<p>A atividade dessa enzima na secre\u00e7\u00e3o das cec\u00edlias, inclusive, mostrou-se maior do que a existente na pe\u00e7onha da\u00a0cascavel. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar por essa caracter\u00edstica, por\u00e9m, se o animal \u00e9 mais ou menos pe\u00e7onhento do que a serpente.<\/p>\n<p>O grupo vai realizar agora novos testes usando t\u00e9cnicas de biologia molecular para caracterizar com mais precis\u00e3o a secre\u00e7\u00e3o das gl\u00e2ndulas dentais das cec\u00edlias e confirmar seu car\u00e1ter pe\u00e7onhento. Futuramente, inclusive, as prote\u00ednas encontradas poderiam ser testadas para usos biotecnol\u00f3gicos, como o desenvolvimento de f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>No estudo, foram analisadas quatro esp\u00e9cies de cec\u00edlias. Em uma delas, Typhlonectes compressicauda \u2013 a \u00fanica que vive em ambiente aqu\u00e1tico \u2013 as gl\u00e2ndulas foram encontradas apenas na mand\u00edbula do animal, a parte inferior da boca, e n\u00e3o na maxila, a parte superior.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam que, assim como aconteceu ao longo da evolu\u00e7\u00e3o de algumas serpentes aqu\u00e1ticas, esse grupo de cec\u00edlias perdeu tais estruturas, pois a \u00e1gua do ambiente realiza naturalmente a lubrifica\u00e7\u00e3o das presas. A esp\u00e9cie manteve, por\u00e9m, as gl\u00e2ndulas da mand\u00edbula, provavelmente com pe\u00e7onha.<\/p>\n<p>Com a maioria das 214 esp\u00e9cies conhecidas vivendo sob o solo em regi\u00f5es de floresta \u00famida da Am\u00e9rica do Sul, \u00cdndia e \u00c1frica, as cec\u00edlias s\u00e3o alguns dos animais menos conhecidos pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Mais do que novos dados sobre o animal, o estudo traz importantes informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o de anf\u00edbios e r\u00e9pteis. \u201cPara serpentes e cec\u00edlias, a cabe\u00e7a \u00e9 a \u00fanica ferramenta para explorar o ambiente, lutar, comer e matar. \u00c9 poss\u00edvel que essa tenha sido uma press\u00e3o evolutiva para que esses animais sem patas desenvolvessem pe\u00e7onha\u201d, diz Marta Maria Antoniazzi, pesquisadora do Butantan e outra coautora do estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e apoiado pela Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":129753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/serpente.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Butantan e apoiado pela Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129752"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/129753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}