{"id":12958,"date":"2018-08-05T00:00:41","date_gmt":"2018-08-05T03:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12958"},"modified":"2018-08-05T14:51:43","modified_gmt":"2018-08-05T17:51:43","slug":"projeto-lobos-da-canastra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-lobos-da-canastra\/","title":{"rendered":"Projeto Lobos da Canastra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Projeto na Serra da Canastra constr\u00f3i galinheiros para salvar a esp\u00e9cie guar\u00e1 da extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"autor\">Por La\u00eds Duarte<\/span><\/p>\n<article id=\"materia-parsed-corpo\" class=\"texto\">\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-790\" style=\"max-width: 790px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"lobo_guara_vida_fazenda (Foto: Adriano Gambarini)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/VwI2XINHctQGTVBO7X5IkuEosIc=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/01\/07\/lobo_guara_vida_na_fazenda.jpg\" alt=\"lobo_guara_vida_fazenda (Foto: Adriano Gambarini)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-790\" style=\"max-width: 790px;\"><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 790px;\">Lobo-guar\u00e1 figura nas listas dos animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o no Brasil (Foto: Adriano Gambarini)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o sol se p\u00f5e entre as montanhas da Serra da Canastra, nos confins das Minas Gerais, cobre de ouro imensid\u00f5es de terras. A vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, dourada, a perder de vista, esconde esp\u00e9cies que s\u00f3 existem ali, \u00e0s margens da nascente do S\u00e3o Francisco, a 320 quil\u00f4metros de Belo Horizonte. A Canastra guarda mesmo joias incalcul\u00e1veis. Plantas que s\u00f3 nascem em seu solo e em nenhum outro lugar do mundo, gente apegada \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, \u00e1gua fresca jorrando farta nos rios \u2013 e o lobo-guar\u00e1.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos esse lobo magro, elegante em suas longas e negras pernas, figura nas listas dos animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o no Brasil. \u00c9 t\u00edmido, solit\u00e1rio, discreto. Mas, apenas por ser lobo, ganhou fama de mau. Mesmo perdendo espa\u00e7o em tantos cantos do pa\u00eds, com a diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de Cerrado, na Canastra ele encontra ref\u00fagio. O parque nacional instalado desde a d\u00e9cada de 1970 garantiu prote\u00e7\u00e3o para que a esp\u00e9cie crescesse e se reproduzisse; por\u00e9m, lobos n\u00e3o reconhecem limites e, de vez em quando, um ou outro pula a cerca. Cai em propriedades vizinhas, onde n\u00e3o \u00e9 visto com bons olhos.<\/p>\n<p>Ele gosta mesmo \u00e9 de frutas. Tanto que at\u00e9 batizou uma em particular, a fruta-do-lobo, sua preferida. Mas tamb\u00e9m fazem parte da dieta pequenos roedores e aves, como a codorna silvestre. Como essas presas andam cada vez mais sumidas, acaba atacando as galinhas da regi\u00e3o. Em S\u00e3o Roque de Minas, uma das cidades que circundam a serra, galinha ainda \u00e9 caipira,\u00a0 criada solta no terreiro.<\/p>\n<p>Vira presa f\u00e1cil para o visitante. E, assim, o lobo vira a dor de cabe\u00e7a dos fazendeiros preju\u00edzo. \u00c9 bem verdade que ele n\u00e3o age sozinho. Gamb\u00e1s, jaguatiricas, fur\u00f5es, iraras e gavi\u00f5es tamb\u00e9m comem as galinhas, mas quem normalmente leva a culpa \u00e9 o lobo. Em retalia\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas causadas na propriedade, n\u00e3o s\u00e3o raros os que decidem ca\u00e7ar o invasor.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"aves_galinha_galinheiro (Foto: Adriano Gambarini)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/GrpOQCcXdjdpSr3KPLfSWSfDwrc=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/01\/07\/aves_galinha_galinheiro.jpg\" alt=\"aves_galinha_galinheiro (Foto: Adriano Gambarini)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 780px;\">Galinheiro antifurto (Foto: Adriano Gambarini)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 encontramos lobos doentes, baleados, atropelados e at\u00e9 mortos\u201d, diz Jean Pierre Santos, mineiro de nome franc\u00eas. Cresceu no sobe e desce das montanhas, acompanhando os pais, funcion\u00e1rios do parque desde a funda\u00e7\u00e3o. Santos sempre soube reconhecer os rastros dos bichos, os sons de cada esp\u00e9cie, porque sempre esteve entre elas. Tanto conhecimento adquirido na lida no mato rendeu emprego ao lado de alguns dos maiores ambientalistas do Brasil e do mundo. Estimulado por eles, foi natural que entrasse na faculdade de biologia. Estudou, formou-se. Teve convite para se mudar, mas decidiu manter ali, firmes, suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>H\u00e1 13 anos faz parte do projeto Lobos da Canastra, do Instituto Pr\u00f3-Carn\u00edvoros, que pesquisa lobos, on\u00e7as e jaguatiricas pa\u00eds afora. E logo percebeu que seria imposs\u00edvel sensibilizar o produtor rural a proteger o lobo se ele continuasse tendo preju\u00edzos na cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMatutou\u201d um bom tempo, como ele mesmo diz, at\u00e9 chegar \u00e0 conclus\u00e3o: para salvar a vida dos lobos, s\u00f3 mesmo protegendo as galinhas. Prop\u00f4s a dez fazendeiros construir galinheiros e manter as aves cercadas durante todo o dia. N\u00e3o um galinheiro qualquer&#8230; Idealizou um projeto amplo, coberto, para que os animais n\u00e3o sofressem com o forte calor do ver\u00e3o e ainda tivessem espa\u00e7o para circular sossegados. Como se n\u00e3o bastasse, instalou poleiros e ninhos, posto que os ovos tamb\u00e9m costumavam \u201cdesaparecer\u201d.<\/p>\n<p>Para viabilizar o projeto, conseguiu financiamento do governo dos Estados Unidos, apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o da Natureza Disney e do Ibama para comprar o material: fortes vigas de madeira, telhas e tela refor\u00e7ada, para evitar que jaguatiricas e iraras puxem as aves para o lado de fora. Cada galinheiro custa cerca de R$ 1.400. Em troca, o produtor rural se compromete a preservar a mata ciliar e as \u00e1rvores do Cerrado que ainda existirem na fazenda, cumprir a legisla\u00e7\u00e3o ambiental e, claro, manter as galinhas presas. E n\u00e3o \u00e9 que deu certo?<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"serra_da_canastra (Foto: Adriano Gambarini)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TH2erUtp7d2K3z3tCgQSIfqemEo=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/01\/07\/serra_da_canastra.jpg\" alt=\"serra_da_canastra (Foto: Adriano Gambarini)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-780\" style=\"max-width: 780px;\"><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 780px;\">Vista da Serra da Canastra (Foto: Adriano Gambarini)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;As galinhas protegidas n\u00e3o ficam apenas livres dos ataques dos predadores, mas tamb\u00e9m s\u00e3o menos vulner\u00e1veis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, adoecem menos &#8220;, conta Santos.<\/p>\n<p>Seu On\u00e9sio Leite da Silva tem propriedade em S\u00e3o Roque de Minas desde 1998. A fazenda sobrevive da fabrica\u00e7\u00e3o de queijos e da venda de ovos e frangos. Chegou a perder 50 galinhas por ano predadas pelo lobo e seus companheiros de ca\u00e7ada. Cansou-se de ver o lobo se servindo de sua cria\u00e7\u00e3o, mas nunca reagiu. \u201cEu n\u00e3o ca\u00e7o porque fico com pena. Quando eles atacam as galinhas, s\u00f3 querem matar a fome.\u201d<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas meses, ele e a mulher aceitaram o desafio de prender as aves. H\u00e1 tr\u00eas meses, os ataques acabaram. \u201cEstou gostando muito. Antes, elas dormiam nas \u00e1rvores. Quando chovia, ficavam muito molhadas. Algumas ficavam doentes e morriam. Est\u00e3o mais saud\u00e1veis\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>Outros fazendeiros engrossam a lista dos satisfeitos. Depois dos primeiros galinheiros \u00e0 prova de lobos prontos, a ideia de criar aves em cativeiro ganhou adeptos. J\u00e1 tem at\u00e9 lista de espera pela constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os mais apressadinhos instalaram cercas por conta pr\u00f3pria. Desde o in\u00edcio do ano, mais 50 estruturas est\u00e3o sendo montadas usando material recicl\u00e1vel. Os resultados animam propriet\u00e1rios rurais e ambientalistas.<\/p>\n<p>\u201cDesde a constru\u00e7\u00e3o dos primeiros galinheiros, tivemos uma mudan\u00e7a positiva na aceita\u00e7\u00e3o dos lobos na regi\u00e3o e uma queda significante no n\u00famero de animais ca\u00e7ados. Pelas nossas estimativas, um s\u00f3 galinheiro salva a vida de quatro a cinco lobos. \u00c9 uma ferramenta de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, explica o coordenador do projeto, Rog\u00e9rio Cunha de Paula, do Centro de Conserva\u00e7\u00e3o dos Carn\u00edvoros do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto na Serra da Canastra constr\u00f3i galinheiros para salvar a esp\u00e9cie guar\u00e1 da extin\u00e7\u00e3o Por<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Projeto na Serra da Canastra constr\u00f3i galinheiros para salvar a esp\u00e9cie guar\u00e1 da extin\u00e7\u00e3o Por","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12958"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}