{"id":128992,"date":"2020-06-20T12:42:15","date_gmt":"2020-06-20T15:42:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=128992"},"modified":"2020-06-20T12:42:15","modified_gmt":"2020-06-20T15:42:15","slug":"cientistas-brasileiros-identificam-especie-de-peixe-boi-extinta-ha-40-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-brasileiros-identificam-especie-de-peixe-boi-extinta-ha-40-mil-anos\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros identificam esp\u00e9cie de peixe-boi extinta h\u00e1 40 mil anos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/06\/02\/15911211285ed694e8117f8_1591121128_3x2_md.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o que reconstr\u00f3i a imagem do Trichechus hesperamazonicus, o peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Ilustra\u00e7\u00e3o que reconstr\u00f3i a imagem do Trichechus hesperamazonicus, o peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia &#8211;\u00a0Marco Anacleto<\/p>\n<p>Pesquisadores brasileiros identificaram uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/06\/extincoes-em-massa-estao-acelerando-dizem-cientistas.shtml\">esp\u00e9cie de peixe-boi que desapareceu<\/a>\u00a0h\u00e1 cerca de 40 mil anos. O\u00a0<em>Trichechus hesperamazonicus<\/em>\u00a0viveu no trecho do rio Madeira que passa pelo estado de Rond\u00f4nia, onde hoje n\u00e3o vive nenhum animal do mesmo g\u00eanero.<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil foi encontrado no final dos anos 1980 por garimpeiros\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/05\/desmatamento-da-amazonia-uma-tragedia-anunciada.shtml\">nas margens do rio<\/a>, mas a descoberta da esp\u00e9cie foi feita s\u00f3 agora, com a an\u00e1lise mais profunda do material \u2014uma mand\u00edbula e um peda\u00e7o do cr\u00e2nio\u2014 realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Museu Estadual de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>O achado foi publicado no peri\u00f3dico norte-americano Journal of Vertebrate Paleontology no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p>Desde que os vest\u00edgios do bicho foram encontrados, os cientistas sabiam que se tratava de um peixe-boi pelas caracter\u00edsticas que marcam os animais, como a s\u00e9rie dent\u00e1ria cont\u00ednua, explica Fernando Perini, bi\u00f3logo e professor da UFMG que participou dos estudos.<\/p>\n<p>Nas esp\u00e9cies de peixes-boi, os dentes s\u00e3o constantemente repostos. Dentes novos v\u00e3o surgindo na parte de tr\u00e1s da mand\u00edbula e empurram os dentes mais velhos e desgastados para fora da boca. Um tra\u00e7o bastante raro entre os animais.<\/p>\n<p>Apesar de viver na \u00e1gua, o peixe-boi n\u00e3o \u00e9 um peixe \u2014\u00e9 um mam\u00edfero aqu\u00e1tico. Existem, atualmente, tr\u00eas esp\u00e9cies diferentes viventes: o marinho (Trichechus manatus), que \u00e9 encontrado na Fl\u00f3rida (EUA), costa do Caribe e costa brasileira; o amaz\u00f4nico (Trichechus inunguis), que vive no rio Amazonas, nos estados do Par\u00e1 e Amazonas; e o africano (Trichechus senegalensis), que vive nos rios e na costa ocidental da \u00c1frica.<\/p>\n<p>O hesperamazonicus, ou peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia, \u00e9 a primeira esp\u00e9cie f\u00f3ssil de peixe-boi descrita na literatura cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cAo compararmos, vimos que esse animal n\u00e3o se encaixava entre as outras esp\u00e9cies conhecidas, apesar de ter algumas caracter\u00edsticas em comum com elas\u201d, diz Perini.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2020\/06\/02\/15911212255ed695498ca0a_1591121225_3x2_md.jpg\" alt=\"Montagem usa f\u00f3ssil do Trichechus hesperamazonicus para reconstruir cr\u00e2nio da esp\u00e9cie\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Montagem usa f\u00f3ssil do Trichechus hesperamazonicus para reconstruir cr\u00e2nio da esp\u00e9cie &#8211;\u00a0Fernando Perini<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie extinta possu\u00eda uma boca virada para frente, assim como o peixe-boi amaz\u00f4nico, o que facilita a coleta da vegeta\u00e7\u00e3o que flutua no rio. Mas, no hesperamazonicus, os dentes eram voltados para dentro e h\u00e1 um espa\u00e7o maior entre a mand\u00edbula e arcada dent\u00e1ria. Segundo Perini, isso sugere que a musculatura nessa \u00e1rea era maior e mais refor\u00e7ada do que nas esp\u00e9cies viventes.<\/p>\n<p>\u201cUma maior musculatura nessa regi\u00e3o pode estar relacionada ao tipo de vegeta\u00e7\u00e3o que o animal consumia. Se era mais fibrosa, ele precisava de um esfor\u00e7o maior para mastigar o alimento\u201d, explica o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>O animal vivia em lagos ou rios calmos, assim como seus parentes modernos. De acordo com Perini, uma mudan\u00e7a no regime das \u00e1guas na regi\u00e3o pode ter contribu\u00eddo para a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Hoje, o rio Madeira tem \u00e1guas velozes, incompat\u00edveis com as caracter\u00edsticas do peixe-boi. \u201cA regi\u00e3o amaz\u00f4nica tem passado por mudan\u00e7as nos regimes de rios nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos, \u00e9 um ambiente din\u00e2mico\u201d, diz Perini. \u201cA mudan\u00e7a na eleva\u00e7\u00e3o dos Andes ou outras mudan\u00e7as topogr\u00e1ficas transformaram rios mais calmos em cursos de \u00e1gua mais caudalosos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/03\/chuvas-e-secas-em-sao-paulo-estao-mais-intensas-com-aquecimento-mostram-dados.shtml\">Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao longo de mil\u00eanios<\/a>\u00a0podem tamb\u00e9m ter colaborado para a extin\u00e7\u00e3o do hesperamazonicus.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a hist\u00f3ria dos peixes-boi ainda \u00e9 pouco conhecida, mas a descoberta fornece novas pistas para entender a trajet\u00f3ria dos animais. Umas das possibilidades cogitadas pelos cientistas \u00e9 que a mudan\u00e7a no regime dos rios pode ter isolado bichos de uma mesma esp\u00e9cie em dois lugares diferentes e, com o isolamento, aconteceu a especia\u00e7\u00e3o \u2014processo pelo qual uma \u00fanica esp\u00e9cie d\u00e1 origem a outras.<\/p>\n<p>Uma das vers\u00f5es aceitas pela comunidade cient\u00edfica \u00e9 a de que os peixes-boi chegaram aos rios brasileiros por uma invas\u00e3o pelo mar. Com o conhecimento sobre a esp\u00e9cie f\u00f3ssil, surge a possibilidade de terem sido duas invas\u00f5es, na verdade. \u201cO que sabemos \u00e9 que \u00e9 muito prov\u00e1vel que essas esp\u00e9cies tenham existido todas ao mesmo tempo em algum momento\u201d, diz Perini.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o que reconstr\u00f3i a imagem do Trichechus hesperamazonicus, o peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia &#8211;\u00a0Marco<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ilustra\u00e7\u00e3o que reconstr\u00f3i a imagem do Trichechus hesperamazonicus, o peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia &#8211;\u00a0Marco","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128992"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}