{"id":128659,"date":"2020-06-14T12:30:43","date_gmt":"2020-06-14T15:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=128659"},"modified":"2020-06-14T12:32:28","modified_gmt":"2020-06-14T15:32:28","slug":"entrevista-com-jose-tolentino-de-mendonca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-jose-tolentino-de-mendonca\/","title":{"rendered":"Entrevista com Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h1>\u201cEstamos numa mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d e precisamos do \u201cluto das nossas ilus\u00f5es\u201d.<\/h1>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2020\/06\/13_06_Jos_Tolentino-Mendona_Antonio0196_wikipdia.jpg\" width=\"640\" height=\"216\" \/><\/p>\n<p>\u00c0\u00a0<strong>Renascen\u00e7a<\/strong>, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596520-a-igreja-nao-tem-medo-da-historia-reitera-cardeal-tolentino-ao-comentar-a-abertura-dos-arquivos-do-pontificado-de-pio-xii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a<\/a>\u00a0fala sobre o mundo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/599897-precisamos-de-uma-etica-minima-compartilhada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00f3s-pandemia<\/a>\u00a0e a necessidade de uma nova reflex\u00e3o. Garante que n\u00e3o estamos assistindo uma simples \u201cmudan\u00e7a de tempo\u201d, mas antes a uma \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d. O presidente da comiss\u00e3o das cerim\u00f4nias do\u00a0<strong>10 de Junho<\/strong>\u00a0deixa um pedido aos pol\u00edticos: fa\u00e7am uma pol\u00edtica de causas, \u201ca eutan\u00e1sia ser\u00e1 uma derrota civilizacional para todos n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de\u00a0<strong>Gra\u00e7a<\/strong>\u00a0<strong>Franco<\/strong>, publicada por\u00a0<strong>Renascen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<h3>Eis a entrevista.<\/h3>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A vida \u00e9 esse rio que corre e n\u00e3o a previsibilidade absoluta que tantas vezes nos ocorre. \u00c9 a surpresa e que leva a nos perguntar qual a palavra que hoje deve ser dita \u2013 Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>D. Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a, desde que foi convidado para presidir ao \u201c10 de Junho\u201d, que caminho percorreu \u2013 das primeiras ideias at\u00e9 este momento, com uma pandemia pelo meio e o regresso \u00e0 crise econ\u00f4mica social?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma boa pergunta. O que acontece conosco e nos encontrou despreparados \u00e9 uma met\u00e1fora estupenda do que \u00e9 a vida. E a vida \u00e9 esse rio que corre e n\u00e3o a previsibilidade absoluta que tantas vezes nos ocorre. \u00c9 a surpresa e que leva a nos perguntar qual a palavra que hoje deve ser dita.<\/p>\n<p>Eu confesso que primeiro tinha pensado no meu discurso como um elogio \u00e0 l\u00edngua portuguesa. E durante muitos meses trabalhei nesse sentido. E foi excelente. Li coisas extraordin\u00e1rias. Aproveitei muito o meu lugar de bibliotec\u00e1rio, na biblioteca apost\u00f3lica, para encontrar algumas p\u00e9rolas. Com esta pandemia pensei que era imposs\u00edvel passar ao lado do que nos aconteceu e ainda acontece, porque as implica\u00e7\u00f5es continuam. H\u00e1 muito a pensar e muito a refletir. Decidi que o discurso podia ser, tamb\u00e9m, uma contribui\u00e7\u00e3o para essa reflex\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>No discurso do \u201810 de Junho\u2019 citou Simone Weil. Disse que h\u00e1 duas formas de amar um pa\u00eds: amar pela for\u00e7a e amar pela fragilidade. Deixa impl\u00edcito que o ama pela fragilidade. Que fragilidade absoluta \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 interessante o texto de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/598888-simone-weil-na-danca-do-amor-a-distancia-e-a-separacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Simone<\/strong>\u00a0<strong>Weil<\/strong><\/a>\u00a0porque ela o escreveu como uma esp\u00e9cie de medita\u00e7\u00e3o sobre o renascimento da Europa, ap\u00f3s a segunda Guerra Mundial. De fato, n\u00f3s podemos amar um pa\u00eds porque o mitificamos. Porque achamos que ele \u00e9 inc\u00f3lume. Mas num amor adulto, tamb\u00e9m podemos amar um pa\u00eds exatamente porque tudo o afeta. Porque ele precisa ser cuidado. Porque nesse pa\u00eds temos todos de ser respons\u00e1veis e correspons\u00e1veis. N\u00e3o nos basta apenas perguntar o que pode o pa\u00eds fazer por n\u00f3s, mas sobretudo perguntar o que cada um de n\u00f3s pode fazer por\u00a0<strong>Portugal<\/strong>. E esta \u00e9 uma hora prop\u00edcia para redescobrirmos o que \u00e9 esse Portugal, que n\u00e3o \u00e9 um super-pa\u00eds (porque n\u00e3o h\u00e1 super-pa\u00edses, como n\u00e3o h\u00e1 super-her\u00f3is), mas \u00e9 um pa\u00eds que expressa uma comunidade capaz de levar adiante os pr\u00f3prios sonhos, miss\u00f5es e desejos.<\/p>\n<p><strong>Mas \u00e9 poss\u00edvel amar um pa\u00eds que n\u00e3o sabe por onde vai?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria que n\u00e3o sabemos por onde vamos. Estamos juntos h\u00e1 quase nove s\u00e9culos e fizemos tantas jornadas. Olhando para a\u00a0<strong>Hist\u00f3ria de Portugal<\/strong>\u00a0n\u00e3o penso que seja um ziguezague. H\u00e1 uma ideia que todos partilhamos, h\u00e1 uma s\u00e9rie de coisas que ainda hoje continuam a ser a nossa b\u00fassola e claramente eu sinto que somos alguma coisa\u2026<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O Papa Francisco diz muitas vezes que n\u00f3s n\u00e3o vivemos apenas um tempo com mudan\u00e7as. Nem podemos olhar para a pandemia como mais uma mudan\u00e7a que nos aconteceu. N\u00e3o. \u00c9 uma mudan\u00e7a de tempo &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Mas no seu discurso diz que precisamos saber para onde queremos ir. Claramente est\u00e1 nos dizendo que esse rumo n\u00e3o \u00e9 claro.<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 um momento de interroga\u00e7\u00e3o. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/599907-uma-luta-com-o-senhor-isso-e-a-oracao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong><\/a>\u00a0diz muitas vezes que n\u00f3s n\u00e3o vivemos apenas um tempo com mudan\u00e7as. Nem podemos olhar para a pandemia como mais uma mudan\u00e7a que nos aconteceu. N\u00e3o. \u00c9 uma mudan\u00e7a de tempo. N\u00f3s estamos numa mudan\u00e7a de \u00e9poca. \u00c9 importante que pensemos como comunidade: de onde viemos, o que somos, e para onde queremos ir. Porque as decis\u00f5es \u00e9ticas nos planos econ\u00f4mico, cultural e humano, n\u00e3o podem ser consequ\u00eancias das circunst\u00e2ncias. Temos de ser n\u00f3s a dizer: queremos ir por aqui. Por isso parece-me muito importante aproveitar todas as oportunidades para fazermos uma reflex\u00e3o coletiva, para saber por onde gostar\u00edamos de ir.<\/p>\n<p><strong>Por onde gostaria que f\u00f4ssemos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu gostaria de um\u00a0<strong>Portugal<\/strong>\u00a0que se autocompreendesse hoje como uma comunidade de homens e mulheres livres, capazes de construir uma sociedade equilibrada. Uma sociedade com uma grande coes\u00e3o social. Porque me preocupa muito, e penso que preocupa a todos, a quest\u00e3o da coes\u00e3o social. Porque vemos a situa\u00e7\u00e3o do desemprego, a situa\u00e7\u00e3o dos idosos e, mais do que nunca, esta hora tem de ser uma hora de grande coes\u00e3o em que n\u00e3o podemos deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>E acha que existe esse risco?<\/strong><\/p>\n<p>Existe absolutamente. Nas nossas sociedades, hoje, pode-se ficar para tr\u00e1s por muitas raz\u00f5es: pode-se ficar para tr\u00e1s porque a sociedade muitas vezes se organiza em v\u00e1rias faixas et\u00e1rias. Pode-se ficar para tr\u00e1s simplesmente porque se entrou numa dada faixa et\u00e1ria. S\u00f3 por isso, pode-se ser olhado como improdutivo, como pouco \u00fatil, como de um tempo que j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>Nesse sentido \u00e9 f\u00e1cil ficar para tr\u00e1s. Como pode ficar para tr\u00e1s quem n\u00e3o pode pagar as suas contas e se pode deixar para tr\u00e1s os mais fr\u00e1geis, os doentes. Ou se pode deixar para tr\u00e1s (e hoje s\u00e3o os novos pobres) os jovens adultos, abaixo dos 35 anos, porque vivem de trabalho informal, sem qualquer horizonte de futuro e sem poderem olhar a vida com a possibilidade de constitui\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia. Sobre todos estes \u00e9 hoje preciso um olhar muito especial.<\/p>\n<p><strong>Esses podemos dizer que j\u00e1 v\u00e3o em botes. J\u00e1 nem v\u00e3o na barca. Como vai ser poss\u00edvel faz\u00ea-los subir de novo a bordo?<\/strong><\/p>\n<p>Essa ideia das m\u00faltiplas barcas \u00e9 muito importante. Porque se \u00e9 verdade que como humanidade estamos todos no mesmo barco, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que h\u00e1 muitas barca\u00e7as e n\u00e3o temos na verdade a mesma condi\u00e7\u00e3o. Isso deve nos corresponsabilizar muito. No meu discurso do\u00a0<strong>10 de Junho<\/strong>\u00a0trabalhei muito a ideia de comunidade e das ra\u00edzes. N\u00f3s temos de nos redescobrir como comunidade. E comunidade quer dizer que a nossa hist\u00f3ria \u00e9 esta rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 este patrim\u00f4nio que tem de ser algo em que nos revejamos. Sentir orgulho no que somos capazes de construir. E ao mesmo tempo saber que todos somos coprotagonistas.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Eu penso que esta pandemia constitui uma experi\u00eancia que tem de nos fazer refletir. Sem d\u00favida ter\u00e1 um impacto muito maior do que aquele que hoje prevemos porque \u00e9 verdadeiramente um acontecimento sist\u00eamico &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>D\u00ea-nos um motivo de orgulho?<\/strong><\/p>\n<p>Um motivo de orgulho, muito concreto foi no in\u00edcio da pandemia, a decis\u00e3o que se tomou de acolher os emigrantes que estavam com processos pendentes no\u00a0<strong>SEF<\/strong>. Isso foi um sinal de civiliza\u00e7\u00e3o. Claro que integrar esses imigrantes \u00e9 um processo muito mais complexo.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s vamos ao ritmo do sistema capitalista. Esse sistema vai deixando alguns para tr\u00e1s e tem um ritmo pr\u00f3prio e muito acelerado. O Papa tem pedido para repensarmos os nossos modelos. Acha que a reflex\u00e3o est\u00e1 sendo feita ou, pelo contr\u00e1rio, estamos sofrendo as consequ\u00eancias deste ritmo?<\/strong><\/p>\n<p>Eu penso que esta pandemia constitui uma experi\u00eancia que tem de nos fazer refletir. Sem d\u00favida ter\u00e1 um impacto muito maior do que aquele que hoje prevemos porque \u00e9 verdadeiramente um acontecimento sist\u00eamico. Abalou todo o sistema e tem reflexos muito importantes na forma de avaliar o que poder\u00e1 ser a economia e a organiza\u00e7\u00e3o do consumo. Todos os elementos da sociedade capitalista ter\u00e3o de acolher os reflexos e apelos que chegam desta situa\u00e7\u00e3o. Se n\u00f3s formos capazes de integrar todos esses novos elementos ent\u00e3o, como sociedade, damos um salto \u00e0 frente.<\/p>\n<p><strong>No seu discurso do \u201810 de Junho\u2019 pediu-nos que incorporemos no cotidiano as preocupa\u00e7\u00f5es pela Justi\u00e7a e pelo ambiente. A que coisas pr\u00e1ticas se refere?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma cultura. N\u00e3o se trata de uma decis\u00e3o pol\u00edtica ou at\u00e9 de um modelo econ\u00f4mico. \u00c9 toda uma vis\u00e3o. No fundo, trata-se de aceitar ou n\u00e3o aceitar. Numa sociedade n\u00f3s podemos aceitar a solid\u00e3o, a exclus\u00e3o, a desigualdade, como coisas normais ou at\u00e9 inevit\u00e1veis. Ou podemos n\u00e3o aceitar.<\/p>\n<p>A mim interessa-me olhar o copo meio cheio. Interessa-me olhar o tanto que j\u00e1 hoje se faz. O esfor\u00e7o de muitos por viver de forma consciente nas pequenas decis\u00f5es da vida dom\u00e9stica. Na decis\u00e3o dos carros, na quest\u00e3o do lixo, no que compramos ou n\u00e3o compramos. \u00c9 uma microescala de decis\u00f5es perante a realidade que, se \u00e9 feita em consci\u00eancia, muda. E muda por qu\u00ea? Eu penso que do ponto de vista crist\u00e3o n\u00f3s percebemos que a mudan\u00e7a da realidade acontece no cora\u00e7\u00e3o de cada homem. Nessa convers\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A esperan\u00e7a obriga-nos a olhar para as sementes, para os rebentos, para a primeira folha verde e perceber que \u00e9 um movimento que se for acarinhado, se for valorizado, dar\u00e1 novos passos &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Na Europa, encontra esse mesmo movimento de mudan\u00e7a de paradigma?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o posso dizer que esse movimento n\u00e3o sopre. N\u00e3o posso dizer que n\u00e3o esteja acontecendo. N\u00e3o podemos apenas olhar para aquilo que ainda n\u00e3o h\u00e1. Temos de olhar para as sementes. A esperan\u00e7a obriga-nos a olhar para as sementes, para os rebentos, para a primeira folha verde e perceber que \u00e9 um movimento que se for acarinhado, se for valorizado, dar\u00e1 novos passos.<\/p>\n<p>Eu penso que nenhum gesto de amor pode ser considerado in\u00fatil. Seria uma coisa horr\u00edvel se pud\u00e9ssemos pensar que hoje todos aqueles que est\u00e3o se sacrificando pelos outros, que sa\u00edram de casa com a melhor das inten\u00e7\u00f5es e est\u00e3o fazendo gestos de gratuidade, que pensam primeiro nos outros e s\u00f3 depois neles, se pud\u00e9ssemos pensar que afinal tudo isso foi em v\u00e3o e sem nenhum impacto&#8230; N\u00e3o. O pequeno gesto de amor n\u00e3o pode ser considerado em v\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que mais o impressionou nesta pandemia?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das coisas mais dif\u00edceis desta pandemia foi o fato de as pessoas adoecerem e os familiares nunca mais as acompanharem na hora da doen\u00e7a e da sua fragilidade. As pessoas morriam e os familiares continuavam sem poder estar presentes. Isto \u00e9 de uma viol\u00eancia, enquanto sociedade, inimagin\u00e1vel. E esse luto tem de ser feito.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um luto que n\u00e3o \u00e9 apenas o luto da morte dos nossos semelhantes. \u00c9 o luto das nossas ilus\u00f5es. \u00c9 o luto de certa ideia de progresso, de vida no mundo, de um mundo massificado que hoje precisamos fazer o luto. Isto \u00e9, precisamos perceber porque \u00e9 que n\u00e3o podemos continuar determinados modelos, porque \u00e9 que temos de encontrar novos formatos, novas formas de conviv\u00eancia, novas formas de rela\u00e7\u00e3o e de estar no mundo. \u00c9 uma esp\u00e9cie de luto porque implica o reconhecimento que as coisas j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e3o como eram.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O luto \u00e9 um processo, o luto n\u00e3o \u00e9 um automatismo. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas de que passada esta turbul\u00eancia n\u00f3s vamos ter de encontrar a concretiza\u00e7\u00e3o de outra esperan\u00e7a para o futuro &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Mas no luto a sensa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que precisamos sobreviver \u00e0 perda. N\u00e3o \u00e9 o momento de conseguir imaginar coisas muito diferentes, para melhor.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Os lutos sociais s\u00e3o a compreens\u00e3o de que precisamos entrar noutra \u00e9poca da hist\u00f3ria. Faz-nos ultrapassar o esvaziamento. Neste momento, ao avaliarmos a pandemia s\u00f3 conseguimos ver os efeitos negativos. Temos de entrar num processo em que precisamos chorar juntos, metaforicamente. Precisamos passar por esta grande turbul\u00eancia, o p\u00f3s- pandemia, para depois percebermos o sentido que nos fez percorrer este caminho e que oportunidades surgiram, para a sociedade, enquanto faz\u00edamos esta estrada.<\/p>\n<p>O luto \u00e9 um processo, o luto n\u00e3o \u00e9 um automatismo. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas de que passada esta turbul\u00eancia n\u00f3s vamos ter de encontrar a concretiza\u00e7\u00e3o de outra esperan\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Falamos do \u201810 de Junho\u2019 e desta esperan\u00e7a que nos deixa. Mas n\u00e3o nos podemos esquecer que \u00e9 cardeal. Ainda nos custa ver o padre Tolentino como \u201cpapabile\u201d, podendo mesmo no pr\u00f3ximo conclave se tornar Papa. Isso \u00e9 uma coisa que j\u00e1 imaginou, que o assusta, ou em que prefere nem pensar?<\/strong><\/p>\n<p>Bom, o conclave n\u00e3o \u00e9 esse lugar em que todos entram \u201cpapabiles\u201d. Gra\u00e7as a\u00a0<strong>Deus<\/strong>, n\u00f3s temos um\u00a0<strong>Papa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Vida longa\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Vida longa, vida longa ao\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong>. Eu penso que os cen\u00e1rios de um futuro conclave est\u00e3o, sem d\u00favida, nos planos de\u00a0<strong>Deus<\/strong>, mas est\u00e3o muito longe das nossas expectativas e daquilo que lemos. E, depois, certamente a\u00a0<strong>Igreja<\/strong>, e o conjunto de cardeais, com essa responsabilidade, saber\u00e3o escolher a pessoa com as condi\u00e7\u00f5es. Saber\u00e3o escutar o Esp\u00edrito Santo e perceber para onde Ele quer conduzir a Igreja, no tempo futuro. Mas o presente \u00e9 de fato o deste\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0extraordin\u00e1rio, que congrega a todos, em torno da viv\u00eancia forte e intensa do\u00a0<strong>Evangelho<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O Papa Francisco, como todos os Papas, tamb\u00e9m tem sido criticado. Neste caso, a cr\u00edtica parece quase um desafio, por vezes dentro da pr\u00f3pria Igreja. Francisco passa, de mansinho, por essas cr\u00edticas, como se isso n\u00e3o o preocupasse muito. Com a proximidade que tem do Papa, acha que essas vozes desafiantes n\u00e3o o preocupam mesmo, ou h\u00e1 qualquer coisa para acontecer e que n\u00f3s n\u00e3o sabemos?<\/strong><\/p>\n<p>A diversidade de opini\u00f5es \u00e9 um patrim\u00f4nio, n\u00e3o \u00e9 um problema. \u00c9 uma coisa muito positiva numa realidade, t\u00e3o vasta, t\u00e3o polif\u00f4nica como \u00e9 a\u00a0<strong>Igreja<\/strong>. Naturalmente, a diversidade de opini\u00f5es e de contextos \u00e9 algo muito, muito, natural e deve assim ser olhada. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas de que o\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong>\u00a0\u00e9 um dos\u00a0<strong>Papas<\/strong>\u00a0mais populares desta \u00faltima s\u00e9rie de grandes\u00a0<strong>Papas<\/strong>\u00a0que n\u00f3s tivemos. E se n\u00f3s olharmos para o que t\u00eam sido as vota\u00e7\u00f5es dos s\u00ednodos, o que tem sido o acompanhamento das confer\u00eancias episcopais, n\u00e3o percebemos que n\u00e3o haja uma grande unidade em torno ao\u00a0<strong>Papa<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando se fala de um dissenso, n\u00f3s temos de enquadr\u00e1-lo, como aquilo que \u00e9. S\u00e3o vozes, certamente importantes, que \u00e9 preciso respeitar, mas que s\u00e3o, em termos de \u201crepresentatividade\u201d, um pequeno coeficiente de cat\u00f3licos. Porque, sem d\u00favida, a maioria da Igreja se rev\u00ea na voz prof\u00e9tica do\u00a0<strong>Papa<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A maior preocupa\u00e7\u00e3o do Papa Francisco \u00e9 nos ajudar a viver o Evangelho. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas: a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o de um homem religioso que percebe que \u00e9 a partir de Deus que a nossa vida se resolve &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Qual diria que \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, diante do mundo e de tudo o que acontece na pr\u00f3pria Igreja e para o qual nos pede ora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong>\u00a0\u00e9 nos ajudar a viver o Evangelho. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas: a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o de um homem religioso que percebe que \u00e9 a partir de Deus que a nossa vida se resolve. A nossa vida se entende. E que\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0\u00e9 uma fonte de Paz. N\u00f3s, lendo o pontificado do\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong>\u00a0percebemos como \u00e9 relevante (certamente na linha dos seus antecessores) mostrar como a religi\u00e3o tem uma import\u00e2ncia humana &#8211; que n\u00e3o pode ser descartada &#8211; e como as religi\u00f5es s\u00e3o uma fonte de Paz. S\u00e3o uma fonte de Amor.<\/p>\n<p>Todo o trabalho que o\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0<strong>Francisco<\/strong>\u00a0vem fazendo, na linha da fraternidade com as outras religi\u00f5es, o mundo isl\u00e2mico, o mundo judaico e os n\u00e3o crentes. \u00c9 uma categoria antiga, como o mundo, porque todos somos irm\u00e3os e a paternidade divina assim nos explica. Mas \u00e9 uma categoria que hoje precisa ser, politicamente e existencialmente, descoberta. E a\u00ed a Igreja est\u00e1 jogando uma cartada muito importante.<\/p>\n<p><strong>O D. Tolentino sempre foi conhecido pela pastoral cultural para os n\u00e3o crentes, mas dizia ainda recentemente que o problema estava mais nos \u201ccrentes que n\u00e3o tinham sentido de perten\u00e7a\u201d e n\u00e3o se reviam na estrutura eclesial. Como \u00e9 que se consegue recuperar esse sentido? Como faz\u00ea-los regressar a casa?<\/strong><\/p>\n<p>Quando avaliamos hoje o fen\u00f4meno religioso, percebemos que n\u00e3o estamos, verdadeiramente, perante uma crise de f\u00e9. A f\u00e9 continua. N\u00f3s encontramos junto das pessoas, das comunidades, um sentimento muito forte de cren\u00e7a, de percep\u00e7\u00e3o de um sentido, da convic\u00e7\u00e3o acerca de\u00a0<strong>Deus<\/strong>, do divino. O problema, muitas vezes, \u00e9 a perda do sentimento de \u201cperten\u00e7a\u201d. Porque ou falhou o acolhimento, ou existiu uma fissura qualquer, ou a pessoa, num determinado momento, se sentiu sozinha. Ou, e \u00e9 uma responsabilidade de n\u00f3s todos, estamos dentro de uma crise de transmiss\u00e3o e precisamos redescobrir novas formas de anunciar o evangelho. Uma nova forma pertinente que toque os cora\u00e7\u00f5es. Eu penso que esse \u00e9 o grande desafio para a Igreja: criar comunidades. Hoje n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar simplesmente em um consumo religioso.<\/p>\n<p><strong>E essas comunidades podem ser muito diferentes? N\u00f3s nos pautamos em certa homogeneiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica religiosa\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria que as comunidades foram sempre diferentes no tempo. Veja por exemplo as ordens religiosas, os institutos religiosos (cada um com o seu carisma). Se olhar as par\u00f3quias, todas elas t\u00e3o diferentes. S\u00e3o mais de uma par\u00f3quia, mas n\u00e3o h\u00e1 duas par\u00f3quias iguais. Penso que o mais importante \u00e9 apostar no acolhimento, na hospitalidade. Dialogar com a fome de\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0que existe no cora\u00e7\u00e3o humano. Colocar\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0no centro da nossa conversa. Fazer do Evangelho not\u00edcia. Isso \u00e9 algo que deve nos entusiasmar, a todos n\u00f3s crist\u00e3os, como atores de uma oportuna e necess\u00e1ria evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">N\u00e3o h\u00e1 encontro sem risco. Se eu n\u00e3o quero correr risco nenhum, eu nunca vou encontrar a pessoa como ela \u00e9. Jesus corria o risco de encontrar os pecadores, os exclu\u00eddos, os doentes, os inconvenientes, e \u00e9 na din\u00e2mica do encontro que a convers\u00e3o acontece &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Perdemos muito tempo com \u201cmoralismos\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 interessante. A f\u00e9 \u00e9 antes de tudo encontro. N\u00f3s olhamos para o\u00a0<strong>Evangelho<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Jesus<\/strong>\u00a0primeiro encontrava. N\u00e3o h\u00e1 encontro sem risco. Se eu n\u00e3o quero correr risco nenhum, eu nunca vou encontrar a pessoa como ela \u00e9.\u00a0<strong>Jesus<\/strong>\u00a0corria o risco de encontrar os pecadores, os exclu\u00eddos, os doentes, os inconvenientes, e \u00e9 na din\u00e2mica do encontro que a convers\u00e3o acontece. O moralismo o que \u00e9 que faz? O moralismo coloca-se como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o: se isto acontecer, ent\u00e3o existe o encontro. Ora, o amor de\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0\u00e9 um\u00a0<strong>Amor<\/strong>\u00a0<strong>incondicional<\/strong>. N\u00e3o quer dizer que a convers\u00e3o n\u00e3o seja necess\u00e1ria. \u00c9.\u00a0<strong>Jesus<\/strong>\u00a0diz \u00e0 pecadora: vai e n\u00e3o voltes a pecar. Mas, a verdade \u00e9 que primeiro a encontrou. Num encontro desarmado, verdadeiro, sincero. E \u00e9 esse testemunho do amor de\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0que faz a diferen\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o do homem. N\u00e3o tenho d\u00favida: o que nos salva \u00e9 experi\u00eancia do amor de\u00a0<strong>Deus<\/strong>\u00a0que n\u00f3s possamos fazer.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 descreveu a sua espiritualidade como um caminho de \u201cinf\u00e2ncia espiritual\u201d e acrescenta que h\u00e1 uma inoc\u00eancia, uma descoberta, um caminho que se percorre. Quando entrou na c\u00faria n\u00e3o sentiu uma perda dessa inoc\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante desmistificar a c\u00faria no sentido de que n\u00e3o passa de um grupo grande de trabalho que assiste as necessidades do\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0nos mais variados cargos. O testemunho que posso dar dos meus colegas \u00e9 o de que s\u00e3o pessoas de trabalho, de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<strong>Igreja<\/strong>. Pessoas de ora\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o verdadeiramente vivendo o seu sacerd\u00f3cio como uma miss\u00e3o de entrega. Por isso n\u00e3o senti o fim da idade da inoc\u00eancia. Sinto-me, pelo contr\u00e1rio, numa vida adulta com tudo aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar. Porque a vida \u00e9 m\u00faltipla, a vida n\u00e3o tem apenas uma cor, tem muitas cores, muitos problemas. Quem tem experi\u00eancia de\u00a0<strong>Governo<\/strong>\u00a0sabe que a maior parte do seu tempo \u00e9 gerindo problemas, gerindo quest\u00f5es. Para isso est\u00e1 ali. Mas, isso \u00e9 feito a partir do\u00a0<strong>Evangelho<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Quando o Papa Bento XVI renunciou, ficamos todos com a ideia de que haveria uma grande reforma a ser feita e para a qual ele j\u00e1 n\u00e3o tinha for\u00e7as. Uma reforma que Francisco herdou. Essa reforma, em curso, \u00e9 um trabalho herc\u00faleo ou est\u00e1 acabada?<\/strong><\/p>\n<p>Essa reforma est\u00e1 em curso. No sentido de que \u00e9 uma quest\u00e3o de atitude. \u00c9 a maneira como se vive o estar na c\u00faria. Da\u00ed os discursos do\u00a0<strong>Papa<\/strong>, mesmo aqueles que parecem mais instigadores, ou mais dif\u00edceis de engolir, s\u00e3o palavras importantes para desinstalar. Penso que \u00e9 importante desinstalar. O\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0sente muito essa responsabilidade de fazer com que os seus colaboradores, mais pr\u00f3ximos, vivam de uma forma muito desinstalada. E escutando a voz da\u00a0<strong>Igreja<\/strong>\u00a0no seu conjunto, sobretudo a voz daqueles que est\u00e3o mais distantes.<\/p>\n<p>Concretamente, n\u00e3o apenas se prev\u00ea para muito breve a publica\u00e7\u00e3o de um novo texto de organiza\u00e7\u00e3o da c\u00faria, como j\u00e1 tem, nos \u00faltimos tempos, sa\u00eddo um conjunto de leis que ajudar\u00e3o a encontrar novas formas de organiza\u00e7\u00e3o com maior transpar\u00eancia, com maior efic\u00e1cia. A \u00faltima lei que saiu, por exemplo, \u00e9 uma lei sobre os contratos que os v\u00e1rios servi\u00e7os da Santa S\u00e9 fazem com entidades externas para realizar a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Para garantir transpar\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Transpar\u00eancia, mas tamb\u00e9m garantia de efic\u00e1cia colaborativa daquela pequena m\u00e1quina que dia a dia se mexe.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">A liberdade \u00e9 viver. Saciar o cora\u00e7\u00e3o de vida. Essa \u00e9 a nossa liberdade. A liberdade de uma sociedade \u00e9 privilegiar a vida. Empenhar-se em torn\u00e1-la poss\u00edvel. Uma lei como a da Eutan\u00e1sia \u00e9 uma derrota civilizacional para todos n\u00f3s &#8211; Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Que mensagem deixa aos cat\u00f3licos portugueses?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma mensagem de grande esperan\u00e7a. Portugal tem um lugar muito especial no cora\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Igreja<\/strong>. Pela hist\u00f3ria de uma na\u00e7\u00e3o que soube ser piv\u00f4 na abertura da Europa e que hoje pode desempenhar um papel tamb\u00e9m muito importante na renova\u00e7\u00e3o da Europa e isso \u00e9 uma coisa para a qual Portugal \u00e9 muito convocado. \u00c9 um pa\u00eds mariano, que tem essa grande responsabilidade de nos focar na dimens\u00e3o materna da pr\u00f3pria f\u00e9. A minha palavra \u00e9 a esperan\u00e7a: sejamos crist\u00e3os, cat\u00f3licos, empenhados verdadeiramente a viver o evangelho com aquela fantasia da caridade de que nos falava\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/599779-nova-biografia-retrata-lado-sombrio-do-reinado-de-joao-paulo-ii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>S\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>Jo\u00e3o<\/strong>\u00a0<strong>Paulo<\/strong>\u00a0<strong>II<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>E aos pol\u00edticos portugueses? No discurso do \u201810 de Junho\u2019 n\u00e3o deixou nenhum recado\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Sentir a pol\u00edtica como a causa mais nobre. Fazer uma pol\u00edtica de causas. Uma pol\u00edtica que coloque no centro da sua a\u00e7\u00e3o a pessoa humana.<\/p>\n<p><strong>Estamos neste momento fazendo o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para salvar os mais velhos, ao mesmo tempo em que estamos legislando sobre a eutan\u00e1sia. O que considera que ainda pode resultar desta pandemia sobre o valor de qualquer vida?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um desafio inescus\u00e1vel esse de percebermos que toda a vida tem o mesmo valor. N\u00f3s n\u00e3o podemos dizer que a vida de um idoso, de um doente, de uma pessoa afetada por uma depress\u00e3o profunda tem menos valor. E esse reconhecimento, de que toda a vida humana tem um valor infinito, at\u00e9 ao fim, deve ajudar-nos a perceber que as leis que fazemos devem ser leis que favore\u00e7am a vida\u2026 e n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><strong>E onde fica a liberdade?<\/strong><\/p>\n<p>A liberdade \u00e9 viver. Saciar o cora\u00e7\u00e3o de vida. Essa \u00e9 a nossa liberdade. A liberdade de uma sociedade \u00e9 privilegiar a vida. Empenhar-se em torn\u00e1-la poss\u00edvel. Uma lei como a da Eutan\u00e1sia \u00e9 uma derrota civilizacional para todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEstamos numa mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d e precisamos do \u201cluto das nossas ilus\u00f5es\u201d. \u00c0\u00a0Renascen\u00e7a, o\u00a0Cardeal Tolentino<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cEstamos numa mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d e precisamos do \u201cluto das nossas ilus\u00f5es\u201d. \u00c0\u00a0Renascen\u00e7a, o\u00a0Cardeal Tolentino","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128659"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128659\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}