{"id":128578,"date":"2020-06-13T14:00:29","date_gmt":"2020-06-13T17:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=128578"},"modified":"2020-06-13T09:10:35","modified_gmt":"2020-06-13T12:10:35","slug":"mapeamento-de-borboletas-na-mata-atlantica-identifica-areas-prioritarias-para-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mapeamento-de-borboletas-na-mata-atlantica-identifica-areas-prioritarias-para-conservacao\/","title":{"rendered":"Mapeamento de borboletas na Mata Atl\u00e2ntica identifica \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-128579\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Inseto \u00e9 considerado indicador biol\u00f3gico importante para entender o que ocorre no bioma<\/h4>\n<p>Ao mapear a\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de borboletas na Mata Atl\u00e2ntica<\/span>, pesquisadores constataram que as regi\u00f5es do bioma com\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">maior diversidade<\/span>\u00a0s\u00e3o a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, a Mata de Arauc\u00e1rias e algumas \u00e1reas espec\u00edficas situadas no Esp\u00edrito Santo, em Minas Gerais, na Bahia e em Pernambuco. De acordo com o estudo, portanto, esses seriam\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">locais priorit\u00e1rios para pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o<\/span>.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mapeou as regi\u00f5es com menor n\u00famero de esp\u00e9cies, com destaque para a\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">bacia do Rio S\u00e3o Francisco<\/span>. Para esses casos, foram propostas pelos cientistas medidas voltadas \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecycle.com.br\/4787-servicos-ecossistemicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">servi\u00e7os ecossist\u00eamicos<\/a>, ou seja, \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de ao menos parte dos benef\u00edcios propiciados pelo ecossistema, como ciclagem de nutrientes, regula\u00e7\u00e3o do clima e da qualidade do ar, controle da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ecycle.com.br\/4152-degradacao-do-solo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">eros\u00e3o do solo<\/a>\u00a0e poliniza\u00e7\u00e3o, entre outros. Os resultados completos do trabalho, que contou com\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/35237\/historia-natural-filogenia-e-conservacao-de-lepidopteros-neotropicais\/?q=2011\/50225-3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">apoio<\/a>\u00a0da FAPESP, foram\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/ddi.13007\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">divulgados<\/a>\u00a0na revista\u00a0<i>Diversity and Distributions<\/i>.<\/p>\n<p>O\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">mapeamento<\/span>\u00a0comprova que determinadas caracter\u00edsticas da paisagem, como o percentual de cobertura florestal e a inclina\u00e7\u00e3o do relevo, s\u00e3o fatores t\u00e3o importantes quanto o clima para explicar a atual\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies<\/span> de modo geral. Essa influ\u00eancia \u00e9 bastante conhecida em estudos de microescala e para pequenos grupos de animais e vegetais, mas uma novidade em pesquisas que abrangem grandes \u00e1reas geogr\u00e1ficas e esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Ao mostrar em quais regi\u00f5es do bioma o contexto paisag\u00edstico \u00e9 mais relevante do que o clim\u00e1tico, a pesquisa das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp) e Federal do Mato Grosso (UFMT) ressalta tamb\u00e9m o impacto da atividade humana e a import\u00e2ncia dos remanescentes florestais para a manuten\u00e7\u00e3o da riqueza de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cComo muitas paisagens na Mata Atl\u00e2ntica j\u00e1 foram alteradas e os grandes centros est\u00e3o pr\u00f3ximos \u00e0s regi\u00f5es mais ricas em esp\u00e9cies, o avan\u00e7o da a\u00e7\u00e3o humana sobre as paisagens naturais \u00e9 hoje a principal amea\u00e7a \u00e0 diversidade de borboletas no bioma\u201d, afirma \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp Jessie Pereira dos Santos, professor do Departamento de Biologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, as borboletas s\u00e3o indicadores biol\u00f3gicos importantes para o diagn\u00f3stico ambiental e o monitoramento da biodiversidade. \u201cEntender o que ocorre com elas ajuda na compreens\u00e3o do que acontece no bioma como um todo e no desenho de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<h2><i>Hotspots<\/i><\/h2>\n<p>O estudo mostra que os padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o encontrados para as borboletas s\u00e3o parecidos com os observados em outros grupos de organismos. Esse dado refor\u00e7a a exist\u00eancia dos centros de endemismo, que s\u00e3o regi\u00f5es com alta diversidade e maior n\u00famero de esp\u00e9cies exclusivas, ou seja, que n\u00e3o ocorrem em outros locais. A exist\u00eancia desses\u00a0<i>hotspots<\/i>\u00a0constitui uma das hip\u00f3teses da ci\u00eancia para explicar a grande diversidade do bioma.<\/p>\n<p>Com o mapeamento, os pesquisadores quantificaram a contribui\u00e7\u00e3o da paisagem e do clima na distribui\u00e7\u00e3o de borboletas, confirmando que a perda do h\u00e1bitat natural \u00e9 a principal amea\u00e7a \u00e0 diversidade de esp\u00e9cies. O mapa principal mostra os locais em que os fatores ligados \u00e0 paisagem s\u00e3o mais preponderantes do que o clima na perda de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cPudemos tra\u00e7ar um panorama sobre a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza de um grupo grande de borboletas para toda a extens\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o restrita para grupos menores\u201d, diz Santos.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0<span class=\"Apple-style-span\"><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2651\/andre-victor-lucci-freitas\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Victor Lucci Freitas<\/a><\/span>, professor do Departamento de Biologia Animal da Unicamp e coautor do texto, uma das principais contribui\u00e7\u00f5es da pesquisa est\u00e1 na incorpora\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas de paisagem, como uso da terra, a fragmenta\u00e7\u00e3o florestal e outros processos causados pelo homem, em uma perspectiva macroecol\u00f3gica (a das rela\u00e7\u00f5es entre os organismos e seu ambiente em grandes escalas espaciais). Em geral, essas m\u00e9tricas s\u00e3o usadas em estudos de menor escala.<\/p>\n<p>Os efeitos da modifica\u00e7\u00e3o das paisagens, em especial, ainda careciam de estudos mais aprofundados nesse contexto. \u201cA pesquisa mostra que a influ\u00eancia da paisagem \u00e9 t\u00e3o importante quanto a do clima para determinar a distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em maior escala\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Entre borboletas presentes no bioma, as mais comuns s\u00e3o as\u00a0<i>Hermeuptychia<\/i>, pequenas borboletas marrons comuns na cidade, em terrenos abandonados e parques. H\u00e1 ainda as borboletas estaladeiras (g\u00eanero\u00a0<i>Hamadryas<\/i>), observadas em parques urbanos e que s\u00e3o reconhecidas pelo barulho de cliques quando voam, as \u201cborboletas azuis\u201d (g\u00eanero\u00a0<i>Morpho<\/i>) e as \u201cborboletas coruja\u201d (g\u00eanero\u00a0<i>Caligo<\/i>\u00a0e aparentadas), que possuem marcas em forma de olhos de coruja nas asas. As borboletas do coqueiro (g\u00eanero\u00a0<i>Brassolis<\/i>) tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidas por suas lagartas, que se alimentam de palmeiras e bananeiras. H\u00e1 tamb\u00e9m esp\u00e9cies mais raras ou peculiares, como as do g\u00eanero\u00a0<i>Pampasatyrus<\/i>.<\/p>\n<p>A lista de esp\u00e9cies de borboletas usada no estudo \u00e9 resultado do esfor\u00e7o de diversos pesquisadores brasileiros, com destaque para o levantamento feito por\u00a0<span class=\"Apple-style-span\"><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/178576\/keith-spalding-brown-junior\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Keith S. Brown Jr.<\/a><\/span>, que coordenou um\u00a0<span class=\"Apple-style-span\"><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/993\/lepidoptera-do-estado-de-sao-paulo-diversidade-distribuicao-de-recursos-e-uso-para-analise-e-monit\/%20vinculado\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a><\/span>\u00a0ao\u00a0<span class=\"Apple-style-span\"><a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Programa BIOTA-FAPESP<\/a><\/span>\u00a0relacionado ao tema.<\/p>\n<p>Das 279 esp\u00e9cies identificadas na literatura cient\u00edfica, 146 serviram de par\u00e2metro para o c\u00e1lculo dos modelos computacionais usados para gerar os mapas de distribui\u00e7\u00e3o das borboletas. Esse n\u00famero se refere \u00e0s esp\u00e9cies que tinham, pelo menos, 10 pontos de ocorr\u00eancia nos remanescentes atuais da Mata Atl\u00e2ntica, levantados na bibliografia e tamb\u00e9m em trabalho de campo. As outras 133 esp\u00e9cies foram consideradas end\u00eamicas ou raras, contadas apenas nos locais de ocorr\u00eancia e depois somadas aos mapas finais de riqueza.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es metodol\u00f3gicas, foram estudadas borboletas que se alimentam de frutas em decomposi\u00e7\u00e3o, dada a facilidade de prepara\u00e7\u00e3o de armadilhas usando isca de fruta fermentada, um m\u00e9todo de coleta passivo, que n\u00e3o depende da experi\u00eancia do coletor, e que permite a obten\u00e7\u00e3o de uma amostragem padronizada.<\/p>\n<p>O bioma foi dividido em cinco sub-regi\u00f5es, seguindo classifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 usada por outros pesquisadores: Bahia, Brejos Nordestinos, Pernambuco, Diamantina e Serra do Mar; e tr\u00eas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o: S\u00e3o Francisco, Florestas Interiores e Florestas de Arauc\u00e1ria.<\/p>\n<h2>Modelos baseados em paisagem, clima e sua combina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Combinando os dados da literatura com os de campo, os pesquisadores conseguiram destrinchar as contribui\u00e7\u00f5es individuais da paisagem e do clima para o n\u00famero de esp\u00e9cies que podem ser encontradas na Mata Atl\u00e2ntica utilizando o EcoLand, uma nova metodologia de an\u00e1lise desenvolvida pelos autores. Com ele, foi produzido um mapa que sobrep\u00f5e as proje\u00e7\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o da riqueza pelo clima e paisagem, conceito que engloba n\u00e3o s\u00f3 aspectos como relevo e outros elementos naturais, mas o uso da terra, a fragmenta\u00e7\u00e3o florestal e outros processos causados pela atividade humana.<\/p>\n<p>A riqueza de esp\u00e9cies \u00e9 quantificada como alta, m\u00e9dia e baixa, de acordo com a paisagem e o clima, separadamente, e depois combinada neste \u00fanico mapa. \u201cPor meio de diferentes combina\u00e7\u00f5es das proje\u00e7\u00f5es, a gente consegue avaliar, em diferentes localidades do espa\u00e7o geogr\u00e1fico, qual fator \u2013 paisagem ou o clima \u2013 prediz determinado valor de riqueza\u201d, conta Santos.<\/p>\n<p>O EcoLand mostra, por exemplo, que nos remanescentes florestais, onde se encontra a maior parte da Mata Atl\u00e2ntica preservada, h\u00e1 altos valores de riqueza de esp\u00e9cies apontados tanto pela paisagem quanto pelo clima. Por\u00e9m, existem grandes centros urbanos desenvolvidos nos arredores dessas regi\u00f5es. Nesses centros, a paisagem prediz uma riqueza mais baixa, mesmo que o clima indique o oposto.<\/p>\n<p>\u201cIsso nos mostra que a paisagem dessa localidade j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 suporte para altos valores de riqueza de esp\u00e9cies\u201d, explica. Um outro exemplo seria a regi\u00e3o Sul do pa\u00eds. \u201cNela, temos altos valores de riqueza para a paisagem, entretanto o clima n\u00e3o \u00e9 o mais adequado para o registro de valores altos de riqueza\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando observado separadamente, o modelo baseado no clima mostra que as \u00e1reas com maior riqueza de esp\u00e9cies s\u00e3o os complexos da Serra do Mar e da Mantiqueira, que chegam a abrigar at\u00e9 162 esp\u00e9cies. J\u00e1 as de menor riqueza, na bacia do rio S\u00e3o Francisco e tamb\u00e9m na transi\u00e7\u00e3o com o Cerrado e \u00e1reas pr\u00f3ximas da divisa com Paraguai e Argentina, registram menos de 50 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O modelo baseado exclusivamente na paisagem indica que as \u00e1reas mais ricas em esp\u00e9cies s\u00e3o as por\u00e7\u00f5es de Mata Atl\u00e2ntica no interior de Santa Catarina e do Paran\u00e1, que inclui a regi\u00e3o das Arauc\u00e1rias e pontos isolados na Serra do Mar e Bahia. Nas \u00e1reas de maior riqueza, foram encontradas at\u00e9 190 esp\u00e9cies. A regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco e Pernambuco s\u00e3o os locais onde foi encontrado o menor n\u00famero de esp\u00e9cies nesse modelo.<\/p>\n<p>Ao unir ambos os modelos em um \u00fanico mapa, por meio do EcoLand, o mapeamento mostra que a maior parte das \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica apresenta valores m\u00e9dios de riqueza de esp\u00e9cies. As \u00e1reas em que h\u00e1 uma elevada variedade de esp\u00e9cies s\u00e3o o complexo da Serra do Mar e o da Serra da Mantiqueira, com alguns pontos de destaque no nordeste da Bahia e de Pernambuco, assim como no interior do continente. As mais baixas est\u00e3o no noroeste de toda a regi\u00e3o estudada, predominantemente na regi\u00e3o da bacia do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Quando ambos os modelos s\u00e3o conjugados, observa-se tamb\u00e9m que, nas adjac\u00eancias das \u00e1reas em que se encontram os n\u00edveis mais altos de riqueza, encontram-se aquelas nas quais h\u00e1 uma alta riqueza no modelo baseado no clima e baixa riqueza no modelo baseado em paisagem. \u201cAqui est\u00e3o, provavelmente, as \u00e1reas em que a riqueza de borboletas \u00e9 mais afetada pelas mudan\u00e7as de paisagem e pela fragmenta\u00e7\u00e3o florestal e essas \u00e1reas est\u00e3o espalhadas por praticamente todas as sub-regi\u00f5es, exceto a do S\u00e3o Francisco\u201d, apontam no artigo. Esse dado refor\u00e7a a import\u00e2ncia de se preservar as florestas e os remanescentes florestais para a manuten\u00e7\u00e3o das diversas esp\u00e9cies. Cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o brasileira se encontra em \u00e1reas que eram de Mata Atl\u00e2ntica, que hoje tem aproximadamente 11% da sua cobertura original.<\/p>\n<p>O mapeamento sugere que \u00e1reas com alta riqueza de esp\u00e9cies para ambos os modelos, como a Serra do Mar, devem ser vistas como foco central nas pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o. Aconselha tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da restaura\u00e7\u00e3o do ambiente natural, especialmente nos locais em que o modelo registra um baixo n\u00edvel de riqueza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paisagem e alto em rela\u00e7\u00e3o ao clima. Recomenda, ainda, a implementa\u00e7\u00e3o de corredores ecol\u00f3gicos para regi\u00f5es em que a floresta foi, em grande parte, derrubada, mas ainda existem pequenos fragmentos de mata, como a Bahia.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam no artigo a import\u00e2ncia de \u00e1reas com alta riqueza de esp\u00e9cies considerando apenas a paisagem, que podem vir a ser importantes em um contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, caso da regi\u00e3o da Arauc\u00e1ria. Para os locais de valores altos e m\u00e9dios de riqueza, as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o da riqueza de borboletas. \u201cEntretanto, nas regi\u00f5es com menores valores, em vez de indicar a\u00e7\u00f5es mais intensas, n\u00f3s mudamos o foco da pr\u00e1tica. Em vez da conserva\u00e7\u00e3o das borboletas [a riqueza \u00e9 baixa para pensar em investir em conserva\u00e7\u00e3o nestas \u00e1reas], o ponto focal passa a ser o bem-estar da sociedade, por meio da restaura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos b\u00e1sicos\u201d, explica Santos.<\/p>\n<p>S\u00e3o servi\u00e7os ligados \u00e0 qualidade de vida das pessoas que habitam as regi\u00f5es, como poliniza\u00e7\u00e3o, eros\u00e3o e fertiliza\u00e7\u00e3o do solo, decomposi\u00e7\u00e3o, controle do clima, regula\u00e7\u00e3o e abastecimento h\u00eddrico, emiss\u00e3o de gases etc. \u201cEmbora a restaura\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat possa levar ao resgate de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, isso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel ou de f\u00e1cil investimento, da\u00ed nossa sugest\u00e3o\u201d, pondera Santos.<\/p>\n<p>O mapeamento resultante do EcoLand resgata tamb\u00e9m os centros de endemismo j\u00e1 apresentados para outros\u00a0<i>taxa<\/i>\u00a0(plural da palavra t\u00e1xon, as categorias usadas no sistema de classifica\u00e7\u00e3o dos seres vivos, como, por exemplo, reino, g\u00eanero e esp\u00e9cie) na Mata Atl\u00e2ntica. \u201cObtivemos padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o da diversidade que se assemelham aos observados para outros grupos de organismos, o que refor\u00e7a as hip\u00f3teses que buscam explicar a origem da diversidade nesse bioma\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Por fim, os pesquisadores deixam um alerta. \u201cMesmo que o cen\u00e1rio de perda da diversidade pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas seja preocupante, a perda de h\u00e1bitat natural se configura como a principal amea\u00e7a \u00e0 diversidade. A a\u00e7\u00e3o conjunta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas pode gerar cen\u00e1rios ainda mais alarmantes\u201d, ressalta Santos.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Effects of landscape modification on species richness patterns of fruit-feeding butterflies in Brazilian Atlantic Forest<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/ddi.13007\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/ddi.13007<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inseto \u00e9 considerado indicador biol\u00f3gico importante para entender o que ocorre no bioma Ao mapear<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":128579,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/borboleta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Inseto \u00e9 considerado indicador biol\u00f3gico importante para entender o que ocorre no bioma Ao mapear","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}