{"id":128,"date":"2014-04-05T03:14:55","date_gmt":"2014-04-05T03:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=128"},"modified":"2014-06-01T20:00:59","modified_gmt":"2014-06-01T20:00:59","slug":"clima-nao-rima-com-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/clima-nao-rima-com-lucro\/","title":{"rendered":"Clima n\u00e3o rima com lucro"},"content":{"rendered":"<p style=\"color: #1b6390;\">Da Especula\u00e7\u00e3o Financeira \u00e0 Especula\u00e7\u00e3o com o Sistema Terra<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">&#8220;O negacionismo clim\u00e1tico tem em comum com a l\u00f3gica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/508704-os-custos-ocultos-dos-combustiveis\" target=\"_blank\"><strong>combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong><\/a>\u00a0ou o v\u00ednculo em geral facilmente identificado com a direita organizada&#8221;, escreve\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/517660-a-concentracao-de-co2-hoje-esta-beirando-400-partes-por-milhao-entrevista-com-professor-alexandre-costa\" target=\"_blank\"><strong>Alexandre Costa<\/strong><\/a>,\u00a0Ph.D. em Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas e Professor Titular da Universidade Estadual do Cear\u00e1, em artigo publicado por<strong>EcoDebate<\/strong>, 27-03-2014.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\"><strong>Eis o artigo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">O negacionismo clim\u00e1tico tem em comum com a l\u00f3gica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos\u00a0<strong>combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong>\u00a0ou o v\u00ednculo em geral facilmente identificado com a direita organizada.\u00a0Envolve tamb\u00e9m uma perspectiva irrespons\u00e1vel, um comportamento de risco e uma linha de racioc\u00ednio de que o \u201cestrago\u201d, em acontecendo o pior, pode ser repassado adiante, seja aos trabalhadores (que arcam sempre com o \u00f4nus de bancos \u201csocorridos\u201d pelo Estado ou de \u201cbolhas\u201d financeiras estouradas), seja \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras (a quem caber\u00e1 desatar o n\u00f3 da\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528370-brasil-ja-vive-a-crise-climatica-global\" target=\"_blank\"><strong>crise clim\u00e1tica<\/strong><\/a>\u00a0segundo os negacionistas quando estes fazem concess\u00e3o, por um minuto, de sua farsa e admitem que a\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509014-mudancadoclimaabalaeconomiaverdeeextincaodapobreza\" target=\"_blank\"><strong>mudan\u00e7a no clima<\/strong><\/a>\u00a0pode vir a provocar cat\u00e1strofes).<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">A financeiriza\u00e7\u00e3o do capital se completou na escala global. O pr\u00f3prio imperialismo, que no in\u00edcio e meados do s\u00e9culo era baseado fortemente nos Estados nacionais, que serviam, al\u00e9m de aparatos militares, como agentes econ\u00f4micos centrais via capitalismo de Estado por serem estes capazes de reunirem grandes somas de capital para investimentos em infraestrutura, sofreu mudan\u00e7as expressivas. Com fus\u00f5es, compra de participa\u00e7\u00f5es em outras companhias, flexibiliza\u00e7\u00e3o de regras econ\u00f4micas em diversos Estados nacionais, aparecimento de acordos comerciais, etc., corpora\u00e7\u00f5es globais se estabeleceram cada vez mais como for\u00e7a dominante, fortemente centradas nos bancos.<\/p>\n<p>Incorporados organicamente ao\u00a0<strong>mercado global<\/strong>\u00a0os pa\u00edses do Leste Europeu e quebradas barreiras comerciais e restri\u00e7\u00f5es aos fluxos de capital, por um certo per\u00edodo, a\u00a0<strong>reprodu\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong>\u00a0adquiriu um car\u00e1ter brutalmente especulativo. N\u00e3o que esse tra\u00e7o tenha desaparecido, mas o sistema, ap\u00f3s sucessivas crises, certamente percebeu a vulnerabilidade implicada em reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital instant\u00e2nea, meramente especulativa e sem lastro nos processos de produ\u00e7\u00e3o real de mercadoria (ap\u00f3s rompimentos consecutivos de bolhas especulativas e quebras sucessivas de bancos, que foram socorridos novamente pelos Estados nacionais \u00e0s expensas das classes que vivem do trabalho, claro!). Um certo balan\u00e7o entre a \u2013 intr\u00ednseca, nesta etapa de desenvolvimento do capital \u2013 caracter\u00edstica especulativa e a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ou crescimento real mostrava-se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">A polui\u00e7\u00e3o em\u00a0<strong>Beijing<\/strong>, resultado principalmente da queima\u00a0de carv\u00e3o em usinas termel\u00e9tricas, tem levado a\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528798-onda-de-poluicao-provoca-escassez-de-mascaras-de-protecao-na-china\" target=\"_blank\">graves\u00a0problemas de sa\u00fade<\/a>. Mundialmente, a polui\u00e7\u00e3o do ar j\u00e1\u00a0mata mais do que\u00a0<strong>AIDS<\/strong>, diabetes e acidentes de carro\u00a0combinados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ex\u00e9rcitos produtivos imensos em potencial, particularmente o chin\u00eas, eram retirados da cama. Nesse novo encaixe econ\u00f4mico global, a\u00a0<strong>China<\/strong>, que chegou a experimentar<strong>taxas de crescimento do PIB<\/strong>\u00a0da ordem ou acima de 10% anuais por duas d\u00e9cadas, transformou-se no grande galp\u00e3o de f\u00e1brica mundial. Ao mesmo tempo, pa\u00edses como o Brasil expandiram a sua fronteira de agroneg\u00f3cio, servindo de fazenda global (grande parte da soja brasileira \u2013 transg\u00eanica \u2013 exportada para a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0vai para ser transformada em ra\u00e7\u00e3o para porcos, cuja cria\u00e7\u00e3o aumentou para suprir a demanda por mais consumo de carne pelos chineses). Esse novo ciclo de crescimento capitalista imp\u00f4s novas press\u00f5es sobre o sistema Terra e, como mostraremos, agu\u00e7ou brutalmente a crise ecol\u00f3gica no per\u00edodo recente.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Somente a ind\u00fastria petroqu\u00edmica, no\u00a0<strong>Delta do Niger<\/strong>, \u00e9\u00a0respons\u00e1vel por um n\u00famero enorme de conflitos ambientais,\u00a0conforme levantamento da\u00a0<strong>Universidade Aut\u00f4noma de\u00a0Barcelona<\/strong>, divulgado pelo site da<strong>\u00a0BBC<\/strong>.<\/p>\n<p>Resgata-se, aqui, a ideia de que o\u00a0<strong>crescimento capitalista<\/strong>\u00a0\u2013 a n\u00e3o ser que este fosse \u201cpuramente especulativo\u201d \u2013 implica em aumento da demanda por mat\u00e9ria-prima e energia. Como regra global, do\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>\u00a0\u00e0\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>, do Brasil e pa\u00edses andinos \u00e0\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>, da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0ao<strong>\u00a0\u00c1rtico<\/strong>, a combina\u00e7\u00e3o de ataques aos ecossistemas se d\u00e1 pela busca de novas jazidas de min\u00e9rios e de<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/1124-combustiveis-fosseis-podem-matar-oceanos-artigo-de-fernando-reinach\" target=\"_blank\"><strong>combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong><\/a>, pela constru\u00e7\u00e3o de novas grandes barragens para assegurar suprimento de \u00e1gua seja para gera\u00e7\u00e3o de energia, seja para os processos industriais e para irriga\u00e7\u00e3o (ou ainda abastecimento humano de grandes metr\u00f3poles) e pela expans\u00e3o da fronteira agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">\u00c9 o que fez com que o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o das terras continentais (excluindo as calotas polares) ultrapassasse os \u00be globalmente (limitando a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o humana a algumas \u00e1reas des\u00e9rticas ou semides\u00e9rticas e outras de\u00a0<strong>floresta tropical<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>boreal<\/strong>). Paralelamente, o\u00a0<strong>consumo de \u00e1gua doce<\/strong>\u00a0cresceu cerca de seis vezes nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas (enquanto a popula\u00e7\u00e3o pouco mais do que duplicou no mesmo per\u00edodo). Nesse quadro, o n\u00famero de conflitos ambientais n\u00e3o tem cessado de aumentar, vide este levantamento da\u00a0<strong>Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona<\/strong>divulgado pelo site da\u00a0<strong>BBC<\/strong>.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do crescimento da demanda \u201cde entrada\u201d no processo produtivo (entram mat\u00e9ria-prima, como constituinte material na produ\u00e7\u00e3o, e energia, necess\u00e1ria para que as transforma\u00e7\u00f5es que esta implica ocorram), h\u00e1 um fort\u00edssimo crescimento nos rejeitos do processo produtivo, atestando a ruptura do metabolismo existente entre a\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/508295-entrevista-especial-com-telma-monteiro\" target=\"_blank\"><strong>sociedade e o restante da natureza<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Esse metabolismo, como o de um ser vivo que obt\u00e9m o alimento e elimina seus excretas para que estes sejam reprocessados no ambiente, deveria permanecer num estado de equil\u00edbrio. Os fluxos de mat\u00e9ria e energia para dentro e para fora da sociedade (ou mais exatamente dos processos produtivos que a sustentam) deveriam se coadunar com a capacidade de reposi\u00e7\u00e3o de recursos e de processamento de rejeitos pelo ecossistema global.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Mas \u00e9 evidente que isso n\u00e3o se d\u00e1 no presente. Longe disso. A contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3998&amp;secao=369\" target=\"_blank\"><strong>ecossistema terrestre<\/strong><\/a>\u00a0\u00e9 global. S\u00e3o exemplos o\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528472-poluicao-objetos-de-plastico-jogados-em-igarapes-de-manaus-viajam-ate-oceanos\" target=\"_blank\"><strong>pl\u00e1stico nos oceanos<\/strong><\/a>; os metais pesados no solo, rios e penetrando por toda a biota via cadeia alimentar; o oz\u00f4nio (desej\u00e1vel em camadas elevadas da atmosfera mas extremamente prejudicial pr\u00f3ximo \u00e0 superf\u00edcie) produzido por rea\u00e7\u00f5es fotoqu\u00edmicas que se originam em motores e caldeiras de combust\u00e3o e que gera smog (como o que literalmente obstrui a vis\u00e3o em\u00a0<strong>Beijing<\/strong>\u00a0e outras grandes cidades da<strong>\u00a0China<\/strong>\u00a0e outros pa\u00edses)\u2026<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">A mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da atmosfera se d\u00e1 de forma m\u00faltipla: a quantidade de<strong>aeross\u00f3is<\/strong>\u00a0(particulado l\u00edquido e s\u00f3lido em suspens\u00e3o) se multiplicou brutalmente com os processos industriais, combust\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e queimadas; gases que n\u00e3o existem naturalmente agora fazem parte do ar que respiramos, particularmente os halocarbonetos (que incluem os\u00a0<strong>CFCs<\/strong>\u00a0respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio estratosf\u00e9rico e que, em seu conjunto, s\u00e3o gases de efeito estufa) e as concentra\u00e7\u00f5es de gases como \u00f3xido nitroso (resultante da decomposi\u00e7\u00e3o de fertilizantes e outros agroqu\u00edmicos nitrogenados), metano (emitido em associa\u00e7\u00e3o com atividades agropecu\u00e1rias) e, claro, di\u00f3xido de carbono, ou\u00a0<strong>CO2<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Al\u00e9m da\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523361-mudancas-climaticas-aguas-e-temperaturas-cada-vez-mais-altas\" target=\"_blank\">influ\u00eancia brutal sobre o clima<\/a>\u00a0(os tr\u00eas \u00faltimos citados s\u00e3o gases de efeito estufa), o excesso de\u00a0<strong>CO2<\/strong>\u00a0na atmosfera leva a que este se dissolva nos oceanos, acidificando-os (o pH j\u00e1 aumentou 0,1 desde o per\u00edodo pr\u00e9-industrial, o que implica em um aumento no n\u00edvel de acidez em quase 30%). \u00c0 contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, soma-se a contamina\u00e7\u00e3o radioativa, associada aos sucessivos testes nucleares e, claro, aos acidentes e vazamentos em reatores, como os casos tr\u00e1gicos de\u00a0<strong>Tchernobyl<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Fukushima<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Ao se ter a humanidade (ou mais precisamente o capital) pressionando o ecossistema global como uma for\u00e7a de escala geol\u00f3gica, interferindo decisivamente (e em v\u00e1rios casos de forma dominante) nos ciclos biogeoqu\u00edmicos e alterando a pr\u00f3pria termodin\u00e2mica planet\u00e1ria, alguns cientistas propuseram que se caracterize o presente como uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, distinta do Holoceno (per\u00edodo de cerca de 10 mil anos de estabilidade clim\u00e1tica ao longo do qual a civiliza\u00e7\u00e3o humana floresceu): o Antropoceno, conforme a designa\u00e7\u00e3o proposta por\u00a0<strong>Crutzen<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Stoermer<\/strong>.<\/p>\n<table style=\"color: #1b6390;\" border=\"0\" align=\"justify\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi57.tinypic.com\/24vmuxx.jpg\" alt=\"\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Foto: EcoDebate<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Segundo o\u00a0<strong>IGBP<\/strong>, dentre os limites do sistema-Terra, tr\u00eas j\u00e1\u00a0foram ultrapassados (concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de\u00a0<strong>CO2<\/strong>,\u00a0remo\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e perda de biodiversidade), com\u00a0pelo menos outros dois j\u00e1 bem pr\u00f3ximos da fronteira.<\/p>\n<p>Alguns cientistas propuseram a exist\u00eancia de chamados limites ou fronteiras do sistema Terra, que deveriam ser respeitados(as) a fim de se manter a estabilidade do ecossistema global. Esses limites seriam: a\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/527084-a-mudanca-climatica-segundo-os-testemunhos-do-gelo-entrevista-especial-com-jefferson-simoes\" target=\"_blank\"><strong>mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/a>, a acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, a\u00a0<strong>degrada\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio estratosf\u00e9rica<\/strong>, os ciclos do Nitrog\u00eanio e F\u00f3sforo, o uso de\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528388-agua-a-cronica-da-falta-de-bom-senso\" target=\"_blank\"><strong>\u00e1gua doce<\/strong><\/a>, a mudan\u00e7a no uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo, a taxa de perda de biodiversidade, as emiss\u00f5es de aeross\u00f3is e a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Para alguns, os limites n\u00e3o chegaram a ser estimados quantitativamente, mas dos que o foram, pelo menos 3 j\u00e1 foram ultrapassados, a saber: o clima (a concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de\u00a0<strong>CO2<\/strong>\u00a0n\u00e3o deveria ter ultrapassado 350 partes por milh\u00e3o e beira os 400 ppm na m\u00e9dia anual), o\u00a0<strong>ciclo do Nitrog\u00eanio<\/strong>\u00a0(cuja remo\u00e7\u00e3o da atmosfera n\u00e3o deveria ter ultrapassado 35 milh\u00f5es de toneladas e j\u00e1 chega a 121 milh\u00f5es) e a taxa de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, que \u00e9 pelo menos 10 vezes maior do que a suportada pelo ecossistema global e de 100 a 1000 vezes maior do que a do per\u00edodo pr\u00e9-industrial.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Pelo menos outros dois limites se encontram muito pr\u00f3ximos de serem ultrapassados (a quantidade de F\u00f3sforo fluindo para os mares, que j\u00e1 \u00e9 cerca de 80% do valor \u201cpermitido\u201d e o n\u00edvel de acidez dos oceanos do planeta avaliado pela rela\u00e7\u00e3o com a satura\u00e7\u00e3o para a aragonita, mineral que comp\u00f5e as conchas, os exoesqueletos e v\u00e1rias estruturas de um sem n\u00famero de organismos marinhos, sendo que 80% da \u201cdist\u00e2ncia\u201d entre as condi\u00e7\u00f5es pre-industriais e o limite seguro j\u00e1 foi \u201cpercorrida\u201d).<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">A situa\u00e7\u00e3o de outros tr\u00eas est\u00e1 longe de ser confort\u00e1vel: avalia-se que\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529467-a-guerra-da-agua-ja-comecou\" target=\"_blank\">dois ter\u00e7os da \u00e1gua doce globalmente dispon\u00edvel<\/a>\u00a0j\u00e1 esteja comprometida com atividades humanas, principalmente agropecu\u00e1ria e processos industriais e de gera\u00e7\u00e3o de energia, al\u00e9m do uso dom\u00e9stico, a concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio na estratosfera, n\u00e3o pode cair em mais do que 2,4% e, como citamos, ultrapassamos os tr\u00eas quartos na propor\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o das terras continentais. Dois limites (referentes \u00e0s emiss\u00f5es de aeross\u00f3is e \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do ecossistema global) n\u00e3o foram estimados quantitativamente.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Cada chamin\u00e9 de termel\u00e9trica \u00e9 um\u00a0canh\u00e3o apontado contra a atmosfera.\u00a0A\u00a0<strong>queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0uma declara\u00e7\u00e3o de guerra ao futuro.<\/p>\n<p>A ultrapassagem perigosa dos<strong>\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/518133-o-antropoceno-e-os-limites-da-terra\" target=\"_blank\">limites do Sistema Terra<\/a><\/strong>\u00a0funciona, nesse sentido, com a mesma l\u00f3gica especulativa aplicada ao sistema financeiro, ao mercado de a\u00e7\u00f5es e outros. Como muitos capitalistas no pr\u00f3prio mercado financeiro, globalmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, o capital age de forma arriscada, irrespons\u00e1vel, na pr\u00e1tica se baseando na expectativa de que as probabilidades se materializem a seu favor. Especula-se com as (extremamente baixas) chances de que se possa ultrapassar a concentra\u00e7\u00e3o segura de\u00a0<strong>CO2<\/strong>\u00a0ou de oz\u00f4nio estratosf\u00e9rico e, com a \u201cgra\u00e7a\u201d de alguma tecnologia ainda n\u00e3o existente, se possa ou retornar a patamares seguros no futuro ou resistir aos impactos. A aposta, baseada apenas no desejo, nas possibilidades de \u201cadapta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 falsa, ignora as leis da F\u00edsica e a din\u00e2mica biogeoqu\u00edmica dos sistemas naturais.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">N\u00e3o considera, ao contr\u00e1rio do que se deveria, as chances muit\u00edssimo maiores de que as mudan\u00e7as ora em curso marchem no rumo da irreversibilidade e que sejam profundamente danosas, a curto, m\u00e9dio e longo prazo para a humanidade e, porque n\u00e3o dizer, toda a complexa teia de vida que recobre o planeta. Uma esquerda em conson\u00e2ncia com seu tempo, neste\u00a0<strong>s\u00e9culo XXI<\/strong>, precisa fugir dessa l\u00f3gica antimaterialista, irrespons\u00e1vel e especulativa, dessa f\u00e9 cega em alguma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica milagrosa, de que se tem o \u201ccontrole da situa\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 preciso pensar de maneira radicalmente distinta da l\u00f3gica do capital, n\u00e3o s\u00f3 acerca das rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, humanos, mas acerca da nossa rela\u00e7\u00e3o com o restante da natureza.\u00a0<strong>Clima n\u00e3o rima com lucro<\/strong>. Capital n\u00e3o rima com natureza.<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\" align=\"justify\">Fonte:\u00a0<a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529669-clima-nao-rima-com-lucro-da-especulacao-financeira-a-especulacao-com-o-sistema-terra-por-alexandre-costa\" target=\"_blank\">Unisinos<\/a><br \/>\n29.03.2014<\/p>\n<p style=\"color: #1b6390;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Especula\u00e7\u00e3o Financeira \u00e0 Especula\u00e7\u00e3o com o Sistema Terra &#8220;O negacionismo clim\u00e1tico tem em comum<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"sabrina","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/sabrina\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Da Especula\u00e7\u00e3o Financeira \u00e0 Especula\u00e7\u00e3o com o Sistema Terra &#8220;O negacionismo clim\u00e1tico tem em comum","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}