{"id":12726,"date":"2014-12-23T10:53:37","date_gmt":"2014-12-23T10:53:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12726"},"modified":"2014-12-23T10:53:37","modified_gmt":"2014-12-23T10:53:37","slug":"fazenda-produz-70-mil-litros-de-leite-por-dia-com-sistema-de-carrossel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fazenda-produz-70-mil-litros-de-leite-por-dia-com-sistema-de-carrossel\/","title":{"rendered":"Fazenda produz 70 mil litros de leite por dia com sistema de carrossel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-12727\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Hoje em dia, muitas granjas leiteiras s\u00e3o t\u00e3o tecnificadas que acabam parecendo uma f\u00e1brica de leite. Esse \u00e9 o caso da Fazenda Colorado uma das maiores produtoras de leite tipo A do Brasil.<\/p>\n<p>Localizada pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Araras, a 180 quil\u00f4metros da cidade de S\u00e3o Paulo, ela possui<br \/>\n1.700 vacas em lacta\u00e7\u00e3o, que produzem m\u00e9dia de 41 litros de leite por vaca por dia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Colorado come\u00e7ou h\u00e1 50 anos, quando o empres\u00e1rio Lair Ant\u00f4nio de Souza comprou a fazenda Bom Jesus, tradicional produtora de caf\u00e9 e leite dessa regi\u00e3o. O filho dele, Carlos Alberto de Souza, diz que a fam\u00edlia faz quest\u00e3o de preservar o antigo est\u00e1bulo constru\u00eddo em 1923.<\/p>\n<p>Hoje a Colorado conseguiu reunir um rebanho de 3.700 animais, puros de origem da ra\u00e7a holandesa, preta e branca.<\/p>\n<p>As novilhas s\u00e3o mantidas em semiconfinamento, mas depois da primeira cria s\u00e3o transferidas para o barrac\u00e3o do confinamento, onde vivem as\u00a0 vacas em lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico veterin\u00e1rio S\u00e9rgio Soriano, diz que o desafio \u00e9 diminuir a temperatura do ambiente, que no ver\u00e3o pode alcan\u00e7ar at\u00e9 picos de 38 graus. \u201cA grande diferen\u00e7a para a vaca \u00e9 que ela gasta muita da energia que ela consome para se manter viva. Ent\u00e3o, em um ambiente estressante, com calor, mosca, ela acaba perdendo a capacidade de produzir leite para se manter\u201d, explica.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica usada por eles para diminuir a temperatura se chama ventila\u00e7\u00e3o cruzada. O ar entra atrav\u00e9s de uma cortina de \u00e1gua e \u00e9 sugado por exaustores gigantes que ficam na outra extremidade do barrac\u00e3o. Isso mant\u00e9m a temperatura ao redor dos 22 graus e renova o ar constantemente.<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m do conforto \u00e9 preciso tamb\u00e9m caprichar na comida. A dieta delas tem feno de capim, silagem de milho, mela\u00e7o de cana, farelo de trigo, soja, e um concentrado com v\u00e1rios outros nutrientes.<\/p>\n<p>Parte da comida \u00e9 produzida na pr\u00f3pria fazenda: s\u00e3o 570 hectares de milho e 60 hectares de capim da variedade tifton 85. O esterco produzido no barrac\u00e3o passa pelos biodigestores e se transforma no bioferlizante que irriga o capim. Bem adubado o tifton permite tr\u00eas cortes anuais, com uma produ\u00e7\u00e3o de onze toneladas por corte, por hectare.<\/p>\n<p>Depois do corte o material \u00e9 pr\u00e9 secado com duas horas de sol e j\u00e1 pode ser armazenado. A m\u00e1quina produz as bolotas de feno e em quest\u00e3o de segundos embala o material com lona pl\u00e1stica. Soriano explica um dos segredos de conserva\u00e7\u00e3o do capim no silo utilizado. \u201cUm dos aspectos que a gente sempre lembra e faz quest\u00e3o de orientar, \u00e9 a capacidade que o pl\u00e1stico tem de vedar esse material depois de compactado, porque se tiver entrada de oxig\u00eanio, vai ter crescimento de fungo, bact\u00e9ria e ele vai se deteriorar. Por\u00e9m, se conseguir com duas ou tr\u00eas camadas, que \u00e9 o que a gente faz aqui, manter isso hermeticamente fechado, tranquilamente dura um ano\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A tarefa de misturar a silagem, o feno e todos os ingredientes do concentrado \u00e9 executada por outra m\u00e1quina, que funciona como se fosse uma\u00a0 f\u00e1brica de ra\u00e7\u00e3o ambulante. Foi importada da Alemanha e custou 700 mil reais. Carregada com o volumoso, depois a m\u00e1quina recebe os outros elementos que integram a dieta dos animais. Ela faz o balanceamento e mistura tudo na temperatura recomendada. Depois entra no confinamento para\u00a0 distribuir a ra\u00e7\u00e3o no cocho.<\/p>\n<p>Mas existem muitos outros manejos da fazenda que ainda dependem s\u00f3 do olho apurado do homem. Um deles \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o das vacas que est\u00e3o no cio. Na fazenda eles usam bast\u00f5es coloridos para marcar o dorso delas perto do rabo.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o mais clara do cio \u00e9 o movimento que as vacas\u00a0 fazem subindo umas nas outras. Nesse contato acabam apagando a marca da tinta. A\u00ed \u00e9 o sinal que est\u00e3o prontas para receber a insemina\u00e7\u00e3o, mas mesmo depois de inseminadas \u00e9 bom repetir a marca, como explica, o veterin\u00e1rio Alex Sica. \u201cCom este trabalho, n\u00f3s temos certeza que o animal que manifesta o cio, perde a tinta e esse animal \u00e9 reinseminado. Ent\u00e3o, a grande vantagem \u00e9 realmente em reinseminar os animais e aumentar a nossa taxa de servi\u00e7o, e consequentemente aumentando a nossa taxa de prenhez\u201d.<\/p>\n<p>Quando nascem, as bezerrinhas recebem o carinho da m\u00e3e e depois s\u00e3o colocados nessas baias de aquecimento. Enquanto isso, a vaca \u00e9 ordenhada para a retirada do colostro, primeiro leite depois parto. A veterin\u00e1ria Nat\u00e1lia Sobreira \u00e9 a encarregada de acompanhar os rec\u00e9m nascidos. \u201cO colostro assegura que ele recebeu a imunidade, porque a vaca n\u00e3o transmite pela placenta os anticorpos. Assim, ele ser\u00e1 um animal sadio e ter\u00e1 uma vida produtiva boa. Se o animal n\u00e3o mama, a gente passa a sonda para assegurar que ele realmente mamou o colostro\u201d, explica<\/p>\n<p>Depois do segundo dia de vida elas s\u00e3o transferidas para o bezerreiro, onde recebem sete litros de leite pasteurizado por dia e um pouco de concentrado. \u201cNa \u00faltima semana de aleitamento, a gente diminui a quantidade de leite gradativamente, enquanto ele vai comendo mais concentrado. Desta forma, nos \u00faltimos dias ele j\u00e1 est\u00e1 ingerindo por volta de 1,5 quilo de concentrado, que \u00e9 suficiente para manter ele hidratado\u201d, explica m\u00e9dico veterin\u00e1rio S\u00e9rgio Soriano. A desmama acontece ao 82 de vida, quando as bezerras\u00a0 s\u00e3o transferidas para o semi confinamento.<\/p>\n<p>Nas novilhas a fazenda s\u00f3 usa s\u00eamen sexado, isto \u00e9, material manipulado em laborat\u00f3rio, onde um programa de computador\u00a0 que garante maior percentagem de nascimento de f\u00eameas ao inv\u00e9s de machos. J\u00e1 que em uma fazenda de leite, o que interessa \u00e9 ter vacas e n\u00e3o bois.<\/p>\n<p>O material \u00e9 comprado de empresas especializadas, que possuem um computador preparado para separar os espermatoz\u00f3ides mais pesados, que s\u00e3o justamente aqueles que v\u00e3o produzir animais do sexo feminino.<\/p>\n<p>O veterin\u00e1rio ressalta a contribui\u00e7\u00e3o do uso do s\u00eamen sexado no crescimento do rebanho. \u201cIsso garante que 80% das novilhas que parem na Colorado pela primeira vez, elas v\u00e3o parir uma bezerra f\u00eamea e isso contribui demais para o crescimento do rebanho, j\u00e1 que quase 35% dos partos de uma fazenda de leite eles v\u00eam de animais da primeira cria, ent\u00e3o com isso a gente consegue rapidamente aumentar o rebanho e melhorar os \u00edndices de descarte, facilitando assim a melhora gen\u00e9tica do rebanho\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outra t\u00e9cnica que tem ajudado muito a aumentar o rebanho da fazenda \u00e9 a coleta e transfer\u00eancia de embri\u00f5es. Nos \u00faltimos dez anos, a fazenda passou de mil para 1.700 vacas em lacta\u00e7\u00e3o. Com um rebanho desse tamanho, eles tiveram que modernizar a sala de ordenha. O equipamento importado dos Estados Unidos funciona como um carrossel.<\/p>\n<p>O sistema ordenha 72 vacas em menos de 15 minutos. Com ele, a fazenda est\u00e1 extraindo 70 mil litros de leite por dia. As vacas n\u00e3o recebem ra\u00e7\u00e3o na ordenha. Caminham sozinhas para o carrossel quando sentem necessidade de aliviar o leite do \u00fabere.<\/p>\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rias apenas de tr\u00eas a quatro pessoas para manejar os animais na hora da ordenha. As tetas s\u00e3o higieniza\u00e7\u00e3o com um desinfetante a base de iodo. O teste de mastite \u00e9 feito no piso escuro do carrossel. Depois as tetas s\u00e3o enxugadas com papel toalha e est\u00e3o prontas para receber as teteiras.<\/p>\n<p>Todas as vacas t\u00eam um aparelho preso na pata traseira, que emite um sinal para o computador, que identifica o animal e monitora seu desempenho.<\/p>\n<p>Enquanto o carrossel gira, o leite vai sendo sugado e canalizado diretamente para o latic\u00ednio que fina ao lado do carrossel. L\u00e1 o produto \u00e9 pasteurizado, homogeneizado\u00a0 e envasado, como leite tipo A. A fazenda se encarrega da comercializa\u00e7\u00e3o em padarias e supermercados.<\/p>\n<p>Quando a vaca chega perto do final do giro do carrossel, o computador registra sua produ\u00e7\u00e3o e libera a teteira automaticamente. Esse \u00e9 o primeiro sinal de que sua jornada est\u00e1 terminando. O segundo \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o de um tambor de pl\u00e1stico. Ao encostar a cabe\u00e7a nele, \u00e9 o sinal de que \u00e9 hora de sair e dar lugar para outro animal da fila.<\/p>\n<p>O investimento no barrac\u00e3o e na ordenhadeira foi de 17 milh\u00f5es de reais. \u201cN\u00f3s pegamos financiamento atrav\u00e9s do BNDES, com juros adequados para a agricultura. A ideia \u00e9 pagar em cinco anos\u201d, conta o fazendeiro Carlos Alberto de Souza.<\/p>\n<p>Uma boa parte dos funcion\u00e1rios vive na col\u00f4nia da fazenda. A sucess\u00e3o familiar \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o. Pedro Ernandes, por exemplo, herdou o emprego do pai dele, que hoje est\u00e1 aposentado. \u201cMinha m\u00e3e nasceu aqui na fazenda. N\u00f3s nascemos aqui, estudamos juntos, casamos e trabalhamos aqui\u201d, conta Pedro Ernandes, trabalhador rural.<\/p>\n<p>Ricardo, o filho mais novo de Pedro \u00e9 operador de m\u00e1quinas e Rodrigo pilota os computadores da fazenda. Isso mostra que uma fazenda leiteira, por mais tecnificada que seja, vai depender sempre da dedica\u00e7\u00e3o do homem para funcionar.<\/p>\n<p>Ao todo, a Colorado emprega 270 funcion\u00e1rios fixos que se revezam em tr\u00eas turnos para fazer funcionar essa f\u00e1brica de leite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje em dia, muitas granjas leiteiras s\u00e3o t\u00e3o tecnificadas que acabam parecendo uma f\u00e1brica de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12727,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/vacas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Hoje em dia, muitas granjas leiteiras s\u00e3o t\u00e3o tecnificadas que acabam parecendo uma f\u00e1brica de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12726"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}