{"id":126432,"date":"2020-05-05T09:01:18","date_gmt":"2020-05-05T12:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=126432"},"modified":"2020-05-05T09:01:18","modified_gmt":"2020-05-05T12:01:18","slug":"brasileiros-combinam-tecnicas-de-biotecnologia-para-vacina-contra-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasileiros-combinam-tecnicas-de-biotecnologia-para-vacina-contra-covid-19\/","title":{"rendered":"Brasileiros combinam t\u00e9cnicas de biotecnologia para vacina contra Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-126433\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Pesquisadores do Instituto Butantan v\u00e3o combinar t\u00e9cnicas inovadoras de biotecnologia para formular uma nova vacina contra Covid-19. O objetivo \u00e9 induzir no organismo, de modo mais efetivo, diferentes tipos de resposta imune contra o novo coronav\u00edrus (Sars-CoV-2).<\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia \u00e9 inspirada em um mecanismo usado por certas bact\u00e9rias para \u201cdespistar\u201d nosso sistema imune: elas liberam pequenas esferas feitas com o material de suas membranas como iscas para desviar a defesa do organismo. Essas ves\u00edculas, denominadas membranas pelos pesquisadores, t\u00eam a propriedade de ativar intensamente o sistema imunol\u00f3gico e, por isso, atraem c\u00e9lulas e mol\u00e9culas da defesa do organismo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores v\u00e3o aproveitar esse artif\u00edcio das ves\u00edculas de membrana e acoplar a elas prote\u00ednas de superf\u00edcie do novo coronav\u00edrus. Criadas em laborat\u00f3rio, essas ves\u00edculas atrairiam a defesa imune contra as prote\u00ednas de superf\u00edcie do Sars-CoV-2, induzindo uma mem\u00f3ria a ser mobilizada no caso de uma eventual infec\u00e7\u00e3o. A formula\u00e7\u00e3o estimularia n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos, mas tamb\u00e9m de outras c\u00e9lulas ligadas ao sistema imune, como macr\u00f3fagos e gl\u00f3bulos brancos.<\/p>\n<p>\u201cPara essa abordagem, juntamos duas estrat\u00e9gias diferentes que j\u00e1 v\u00ednhamos utilizando no desenvolvimento de vacinas contra outras doen\u00e7as. A nova t\u00e9cnica permite que as formula\u00e7\u00f5es contenham uma grande quantidade de um ou mais ant\u00edgenos do v\u00edrus em uma plataforma fortemente adjuvante, induzindo uma resposta imune mais pronunciada\u201d, diz Luciana Cezar Cerqueira Leite, pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>O estudo, apoiado pela FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), integra uma plataforma de pesquisa que envolve o desenvolvimento de vacinas para coqueluche, pneumonia, tuberculose e esquistossomose, com base em t\u00e9cnicas desenvolvidas para a BCG recombinante (usada para prevenir formas graves de tuberculose em crian\u00e7as). Recentemente, foi criada uma nova linha no projeto voltada ao desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19.<\/p>\n<p>\u201cNo mundo todo, e aqui no Brasil tamb\u00e9m, est\u00e3o sendo testadas diferentes t\u00e9cnicas. Muitas delas t\u00eam como base o que j\u00e1 estava sendo desenvolvido para outros v\u00edrus, como o que causou o surto de Sars em 2001. Esperamos que funcionem, mas o fato \u00e9 que ningu\u00e9m sabe se v\u00e3o realmente proteger. Neste momento de pandemia, n\u00e3o \u00e9 demais tentar estrat\u00e9gias diferentes. A nossa abordagem vai demorar mais para sair, mas, se aquelas que est\u00e3o sendo testadas n\u00e3o funcionarem, j\u00e1 temos os planos B, C ou D\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Muitas vacinas consistem em solu\u00e7\u00f5es com o pat\u00f3geno morto ou atenuado. S\u00e3o as chamadas vacinas celulares que, ao serem injetadas no indiv\u00edduo, t\u00eam por objetivo desenvolver a resposta imune contra o microrganismo, como anticorpos espec\u00edficos e outras c\u00e9lulas de defesa de modo seguro, sem sofrer as consequ\u00eancias da doen\u00e7a. Dessa forma o indiv\u00edduo fica imunizado, tendo uma \u201cmem\u00f3ria de combate\u201d do pr\u00f3prio sistema imune contra um determinado pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>\u201cAs vacinas celulares s\u00e3o formas simples, e com frequ\u00eancia eficazes, de se obter um imunizante, por\u00e9m, essas abordagens nem sempre funcionam, principalmente para pat\u00f3genos com grande variabilidade antig\u00eanica ou organismos mais complexos, com mecanismos de evas\u00e3o do sistema imune mais sofisticados\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias<\/strong><\/p>\n<p>O grupo do Butantan prop\u00f5e a combina\u00e7\u00e3o de duas estrat\u00e9gias para o desenvolvimento de uma vacina acelular. De um lado, tem-se as prote\u00ednas recombinantes de ant\u00edgenos de superf\u00edcie do novo coronav\u00edrus, que t\u00eam o papel de deflagrar a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos espec\u00edficos contra o Sars-CoV-2. De outro lado, utiliza-se ves\u00edculas de membrana externa (Outer membrane vesicles conhecidos como OMVs) como matriz suporte dos ant\u00edgenos, para que a part\u00edcula mimetize o v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cAs ves\u00edculas de membrana externa podem modular a resposta imunol\u00f3gica, em geral, aumentando e melhorando a prote\u00e7\u00e3o. Muitas vacinas t\u00eam o hidr\u00f3xido de alum\u00ednio como principal adjuvante. No nosso caso, usaremos as OMVs para uma apresenta\u00e7\u00e3o do ant\u00edgeno com forte poder adjuvante embutido, que garante uma resposta melhor\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para isso, a vacina em desenvolvimento no Butantan usar\u00e1 uma plataforma inovadora de apresenta\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos chamada Multiple antigen presenting system (MAPS), desenvolvida por um colaborador da Universidade Harvard (Estados Unidos) e usada em uma formula\u00e7\u00e3o experimental contra o pneumococo.<\/p>\n<p>Basicamente, o complexo molecular \u00e9 montado por um sistema de acoplamento semelhante ao usado para detec\u00e7\u00e3o na rea\u00e7\u00e3o de ELISA (ensaio de imunoabsor\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica), muito usada em diagn\u00f3sticos. Esse tipo de teste de laborat\u00f3rio \u00e9 usado para detectar anticorpos contra um determinado pat\u00f3geno e assim diagnosticar doen\u00e7as. No processo desenvolvido em Harvard, um ou v\u00e1rios ant\u00edgenos s\u00e3o ligados a polissacar\u00eddeos das c\u00e1psulas das bact\u00e9rias, como se fossem pe\u00e7as de encaixar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma plataforma que permite a liga\u00e7\u00e3o n\u00e3o covalente de prote\u00ednas de forma muito eficiente, permitindo saturar a superf\u00edcie da OMV com as prote\u00ednas do v\u00edrus, tornando-as bastante imunog\u00eanicas\u201d, disse Cerqueira Leite \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A ideia de usar as OMVs partiu da observa\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia que determinadas bact\u00e9rias gram-negativas adotam para escapar do sistema de defesa do hospedeiro. \u201cQuando infectam organismos, as bact\u00e9rias produzem essas ves\u00edculas a partir de sua pr\u00f3pria membrana externa. O intuito \u00e9 atrapalhar a resposta do sistema imunol\u00f3gico. Anticorpos e outras c\u00e9lulas relacionadas ao sistema imune ficam tentando matar as ves\u00edculas em vez de atacar as bact\u00e9rias, que ficam livres para se multiplicar no organismo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na nova formula\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a dessas ves\u00edculas extracelulares tem a fun\u00e7\u00e3o de estimular a resposta imunol\u00f3gica. \u201cElas s\u00e3o muito imunog\u00eanicas. Estudos recentes mostram que t\u00eam grande capacidade de ativar c\u00e9lulas dendr\u00edticas e macr\u00f3fagos\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Butantan v\u00e3o combinar t\u00e9cnicas inovadoras de biotecnologia para formular uma nova vacina<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":126433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/covid-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores do Instituto Butantan v\u00e3o combinar t\u00e9cnicas inovadoras de biotecnologia para formular uma nova vacina","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126432\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}