{"id":126397,"date":"2020-05-04T14:30:49","date_gmt":"2020-05-04T17:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=126397"},"modified":"2020-05-04T10:28:29","modified_gmt":"2020-05-04T13:28:29","slug":"mecanismos-de-controle-nos-permitem-esconder-ativamente-uma-recordacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mecanismos-de-controle-nos-permitem-esconder-ativamente-uma-recordacao\/","title":{"rendered":"Mecanismos de controle nos permitem esconder ativamente uma recorda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h4 class=\"entry-title\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-126398\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/memoria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/memoria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/memoria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Podemos aprender a esquecer?<\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Podemos aprender a esquecer? Dispomos de mecanismos de controle que nos permitem esconder ativamente uma recorda\u00e7\u00e3o; recorrer a esse processo, no entanto, pode prejudicar a mem\u00f3ria geral.<\/p>\n<p>Se uma panela quente cai do fog\u00e3o, \u00e9 muito prov\u00e1vel que sua primeira rea\u00e7\u00e3o seja fazer um gesto para segur\u00e1-la, mas no \u00faltimo momento retire a m\u00e3o para evitar a queimadura. Isso ocorre porque o controle executivo pode intervir para interceptar a a\u00e7\u00e3o, quebrando a cadeia de comandos autom\u00e1ticos. Algumas pesquisas recentes sugerem que o mesmo pode ser verdade quando se trata do reflexo da recorda\u00e7\u00e3o \u2013 o que significa que o c\u00e9rebro pode parar a recupera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de registros dolorosos.<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias s\u00e3o inseridas em uma teia de informa\u00e7\u00f5es interligadas. Como resultado, uma lembran\u00e7a pode acionar outra, fazendo-a aflorar sem esfor\u00e7o consciente. \u201cQuando recebemos um est\u00edmulo que funciona como lembrete, a resposta autom\u00e1tica da mente \u00e9 nos fazer \u201cum favor\u201d, buscando conte\u00fados associados\u201d, diz o neurocientista Michael Anderson, pesquisador da Universidade de Cambridge.<\/p>\n<h5>\u201cO problema \u00e9 que \u00e0s vezes somos lembrados do que n\u00e3o queremos.\u201d<\/h5>\n<p>Estudos de imagem j\u00e1 haviam indicado que as \u00e1reas frontais do c\u00e9rebro podem amortecer a atividade do hipocampo, uma estrutura crucial para a mem\u00f3ria, suprimindo assim a recupera\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Buscando aprender mais sobre o assunto, Anderson e seus colegas investigaram o que acontece depois que a a\u00e7\u00e3o do hipocampo \u00e9 interceptada. Os cientistas deram a 381 estudantes universit\u00e1rios a tarefa de decorar pares de palavras vagamente relacionadas.<\/p>\n<p>Mais tarde, mostraram um voc\u00e1bulo aos volunt\u00e1rios e pediram, primeiro, que recordassem o outro e, em seguida, fizessem o oposto: ativamente n\u00e3o pensassem na outra palavra.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, entre uma tarefa e outra, eram mostradas aos participantes imagens incomuns, como um pav\u00e3o de p\u00e9 em um estacionamento.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature Communications, os pesquisadores descobriram que a capacidade dos participantes de recordar posteriormente os pav\u00f5es e outras imagens estranhas foi cerca de 40% menor se tivessem sido instru\u00eddos a evitar mem\u00f3rias de palavras antes ou depois de ver as imagens, em compara\u00e7\u00e3o com os ensaios em que os estudantes tinham sido convidados a se lembrar das palavras.<\/p>\n<p>A descoberta fornece evid\u00eancia adicional de que dispomos de um mecanismo de controle de lembran\u00e7as e sugere que tentar esconder ativamente uma recorda\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pode afetar negativamente a mem\u00f3ria geral.<\/p>\n<p>Os pesquisadores chamam o fen\u00f4meno de \u201csombra amn\u00e9sica\u201d porque, aparentemente, bloqueia a lembran\u00e7a de eventos n\u00e3o relacionados, que aconteceram enquanto a atividade do hipocampo estava diminu\u00edda.<\/p>\n<p>Atualmente, Anderson e a neurocientista Ana Catarino pesquisam a possibilidade de treinar pessoas para suprimir mem\u00f3rias. Eles est\u00e3o conduzindo uma experi\u00eancia na qual acompanham atividade cerebral dos participantes e, em tempo real, os informam sobre atividade amortecida de seu hipocampo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores levantam a hip\u00f3tese de que, uma vez aperfei\u00e7oado, esse processo possa ajudar as pessoas a aprender como controlar o que querem esquecer, de forma seletiva. O que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro \u00e9 que destino dar \u00e0 carga emotiva que acompanha as recorda\u00e7\u00f5es dolorosas.<\/p>\n<h5>Lembran\u00e7a vai, emo\u00e7\u00e3o fica<\/h5>\n<p>Para Sigmund Freud, o criador da psican\u00e1lise, a mente tem uma esp\u00e9cie de \u201cdep\u00f3sito\u201d onde s\u00e3o guardadas as mem\u00f3rias e pensamentos reprimidos: o Inconsciente. Freud elaborou suas teorias muito antes de qualquer pesquisa neurocient\u00edfica, mas os estudos mais modernos comprovam que ele tinha raz\u00e3o. A inst\u00e2ncia ps\u00edquica inconsciente realmente existe, e tem um papel muito maior do que se pensava.<\/p>\n<p>Isso leva muitos cientistas a considerar que n\u00e3o basta simplesmente esquecer uma mem\u00f3ria traum\u00e1tica, por exemplo, pois a \u201cimpress\u00e3o emocional\u201d dela continua a existir. Podemos aprender a esquecer por\u00e9m mais indicado, portanto, seria recorrer a um processo psicoter\u00e1pico para aprender a lidar com essa experi\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podemos aprender a esquecer? Podemos aprender a esquecer? 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