{"id":126100,"date":"2020-04-29T14:30:32","date_gmt":"2020-04-29T17:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=126100"},"modified":"2020-04-28T20:38:44","modified_gmt":"2020-04-28T23:38:44","slug":"estudo-pode-ajudar-a-identificar-pacientes-com-cancer-mais-propensos-a-desenvolver-caquexia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-pode-ajudar-a-identificar-pacientes-com-cancer-mais-propensos-a-desenvolver-caquexia\/","title":{"rendered":"Estudo pode ajudar a identificar pacientes com c\u00e2ncer mais propensos a desenvolver caquexia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-126101\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estima-se que at\u00e9 80% dos pacientes com c\u00e2ncer em est\u00e1gio avan\u00e7ado podem desenvolver caquexia \u2013 s\u00edndrome metab\u00f3lica caracterizada pela perda severa de peso e de massa muscular, que pode levar \u00e0 morte. Ainda n\u00e3o se sabe, contudo, por que o quadro \u00e9 mais prevalente em certos tipos de tumores, ou por que nem todos os pacientes com c\u00e2ncer desenvolvem essa s\u00edndrome.<\/p>\n<p>A resposta pode estar na gen\u00e9tica tumoral. Ao analisar 12 tipos de c\u00e2ncer, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificaram padr\u00f5es de express\u00e3o de prote\u00ednas secretadas pelos tumores que se correlacionam com a preval\u00eancia de caquexia e com a m\u00e9dia de perda de peso para cada tipo tumoral.<\/p>\n<p>A pesquisa teve\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/155689\/analises-omics-na-caquexia-associada-ao-cancer-uma-abordagem-integrativa-para-identificacao-de-bi\/?q=14\/13941-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP e foi coordenada por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/48766\/robson-francisco-carvalho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Robson Francisco Carvalho<\/a><\/strong>, professor do Instituto de Bioci\u00eancias de Botucatu (IBB-Unesp). Participaram do estudo pesquisadores da University of Southern, da Dinamarca, e da\u00a0Faculdade de Medicina\u00a0da\u00a0Universidade de\u00a0Antioquia, da Col\u00f4mbia. Os resultados foram publicados no\u00a0<i>Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle<\/i>.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a condi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais prevalente em pacientes com tumores de p\u00e2ncreas, es\u00f4fago, cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, est\u00f4mago, c\u00f3lon e reto, sendo menos observada em pessoas com c\u00e2ncer de mama e pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>\u201cFatores indutores, derivados principalmente do tumor, j\u00e1 tinham sido associados com o desenvolvimento da caquexia, por\u00e9m, ainda n\u00e3o era poss\u00edvel associ\u00e1-los com essa varia\u00e7\u00e3o na preval\u00eancia e na gravidade da s\u00edndrome. No tumor de p\u00e2ncreas, por exemplo, que tem alta preval\u00eancia de caquexia, encontramos altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o de 14 de 25 genes que codificam fatores indutores. J\u00e1 no tumor de pr\u00f3stata, que possui baixa preval\u00eancia da s\u00edndrome, n\u00e3o identificamos altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o em nenhum desses 25 genes\u201d, diz\u00a0Carvalho.<\/p>\n<p><strong>Bases de dados<\/strong><\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo se baseiam na an\u00e1lise de dados cl\u00ednicos e moleculares dispon\u00edveis em dois bancos de dados p\u00fablicos: The Cancer Genome Atlas (<strong><a href=\"https:\/\/portal.gdc.cancer.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TCGA<\/a><\/strong>) e Genotype-Tissue Expression (<strong><a href=\"https:\/\/www.gtexportal.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">GTEx<\/a><\/strong>). Para delinear um perfil espec\u00edfico dos tumores, o grupo usou 4.651 amostras de 12 tipos de c\u00e2ncer e as comparou com 2.737 amostras de tecidos normais correspondentes.<\/p>\n<p>Cada c\u00e9lula ou tecido produz um conjunto de mol\u00e9culas de RNA \u2013 chamado transcriptoma \u2013 que \u00e9 respons\u00e1vel por \u201ctransmitir\u201d as informa\u00e7\u00f5es codificadas pelos genes e, nesse caso, orientar a s\u00edntese de prote\u00ednas. \u201cA partir de an\u00e1lises do transcriptoma, comparamos o perfil de express\u00e3o g\u00eanica de prote\u00ednas secretadas entre tumores e tecidos normais\u201d, explica\u00a0Carvalho.<\/p>\n<p>Essa an\u00e1lise inicial identificou novos fatores espec\u00edficos de cada tipo tumoral com potencial de explicar a varia\u00e7\u00e3o na preval\u00eancia e gravidade da caquexia no c\u00e2ncer. O banco de dados\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.proteinatlas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Human Protein Atlas<\/a><\/strong>\u00a0forneceu as informa\u00e7\u00f5es de todos os genes de prote\u00ednas secretadas pelas c\u00e9lulas humanas \u2013 j\u00e1 foram descritas 2.933 mol\u00e9culas desse tipo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a an\u00e1lise dos genes dessa lista de prote\u00ednas, o grupo focou a investiga\u00e7\u00e3o em genes que codificam os 25 fatores de crescimento e citocinas j\u00e1 conhecidos como fatores indutores de caquexia. Entre eles est\u00e3o a CXCL8, IL1B, LIF, TGFA e IL6. Essas mol\u00e9culas j\u00e1 tinham sido avaliadas em trabalho anterior, em amostras sangu\u00edneas de pacientes caqu\u00e9ticos com c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas.<\/p>\n<p>\u201cAssim, identificamos importantes correla\u00e7\u00f5es entre o perfil de express\u00e3o de fatores indutores de caquexia \u2013 espec\u00edficos para cada tipo tumoral \u2013 condizentes com a preval\u00eancia da s\u00edndrome e m\u00e9dia de perda de peso nesses tipos de c\u00e2ncer\u201d, conta Carvalho.<\/p>\n<p>No c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas, cujos\u00a0pacientes em geral sobrevivem pouco, a perda de peso m\u00e9dia \u00e9 de 13,7 quilogramas (kg). No de pr\u00f3stata, em que\u00a0os pacientes t\u00eam alta sobrevida, n\u00e3o chega a 2 kg. \u201cTamb\u00e9m identificamos importantes correla\u00e7\u00f5es entre o perfil de express\u00e3o de fatores indutores de caquexia em cada tipo tumoral e o pior progn\u00f3stico [menor sobrevida]\u00a0do paciente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em pacientes no est\u00e1gio final da s\u00edndrome, denominado caquexia refrat\u00e1ria, a sobrevida \u00e9 menor do que tr\u00eas meses.<\/p>\n<p><b>Biomarcadores<\/b><\/p>\n<p>Os genes descritos no artigo t\u00eam potencial para servirem de biomarcadores do risco de desenvolver caquexia, condi\u00e7\u00e3o complexa, cujo tratamento ainda \u00e9 um desafio para a ci\u00eancia. \u201cIsso sugere que cada tipo de tumor requer um tratamento espec\u00edfico contra a s\u00edndrome. Conhecer esse perfil poder ajudar o m\u00e9dico a identificar pacientes com progn\u00f3stico desfavor\u00e1vel, o que impacta em decis\u00f5es importantes sobre o tratamento\u201d, explica\u00a0Carvalho.<\/p>\n<p>O grupo da Unesp j\u00e1 havia feito uma descoberta relevante nesse campo. \u201cNo ano passado, avaliando a caquexia em casos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, identificamos que a prote\u00edna IL8 secretada pelo tumor pode induzir a atrofia de c\u00e9lulas musculares\u201d, conta\u00a0Carvalho.<\/p>\n<p>Realizado em colabora\u00e7\u00e3o com grupo de pesquisa da Dinamarca, e com o apoio da FAPESP, o estudo anterior foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/522396\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0no peri\u00f3dico\u00a0<i>Cancers<\/i>. \u201cAo analisar a express\u00e3o de genes de prote\u00ednas secretadas no tumor de pacientes com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o e reduzida muscularidade identificada por tomografia computadorizada, tamb\u00e9m identificamos um conjunto de mol\u00e9culas capazes de predizer o progn\u00f3stico da doen\u00e7a\u201d, completa.<\/p>\n<p>Mas a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desse conhecimento ainda \u00e9 desafiadora. \u201cUma vez que identificamos esse conjunto de biomarcadores da caquexia com importante valor progn\u00f3stico, talvez seja poss\u00edvel, no futuro, desenvolver um painel para avaliar a express\u00e3o desses genes no tecido tumoral\u201d, diz\u00a0Paula Paccielli Freire, que desenvolveu a investiga\u00e7\u00e3o durante seu doutorado no IBB-Unesp.<\/p>\n<p>O grupo agora tem realizado a an\u00e1lise de dados de sequenciamento de RNA de c\u00e9lula \u00fanica (do ingl\u00eas\u00a0<i>single-cell RNA-Seq<\/i>), que analisa o transcriptoma de c\u00e9lulas individuais em tumores com alta preval\u00eancia de caquexia. At\u00e9 ent\u00e3o, os trabalhos de transcriptoma s\u00f3 permitiam o uso de amostras da massa tumoral, que cont\u00e9m uma mistura complexa de diversos tipos celulares. \u201cCom o avan\u00e7o da tecnologia de sequenciamento de RNA de c\u00e9lula \u00fanica, estamos identificando exatamente qual c\u00e9lula est\u00e1 secretando um determinado fator indutor de caquexia\u201d, explica\u00a0Carvalho.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>The expression landscape of cachexia-inducing factors in human cancers<\/i>, de Robson Francisco Carvalho, Paula Paccielli Freire, Geysson Javier Fernandez, Diogo de Moraes, Sarah Santiloni Cury, Maeli Dal Pai-Silva, Patr\u00edcia Pintor dos Reis e Silvia Regina Rogatto, pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/32125790\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/32125790<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estima-se que at\u00e9 80% dos pacientes com c\u00e2ncer em est\u00e1gio avan\u00e7ado podem desenvolver caquexia \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":126101,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cancer.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estima-se que at\u00e9 80% dos pacientes com c\u00e2ncer em est\u00e1gio avan\u00e7ado podem desenvolver caquexia \u2013","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126100"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126100"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126100\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}