{"id":126021,"date":"2020-04-28T11:00:43","date_gmt":"2020-04-28T14:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=126021"},"modified":"2020-04-27T18:48:51","modified_gmt":"2020-04-27T21:48:51","slug":"unico-bioma-100-brasileiro-caatinga-esconde-riquezas-naturais-subestimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/unico-bioma-100-brasileiro-caatinga-esconde-riquezas-naturais-subestimadas\/","title":{"rendered":"\u00danico bioma 100% brasileiro, Caatinga esconde riquezas naturais subestimadas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"text-medium aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-126023\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para muito al\u00e9m de cactos e solo rachado, o semi\u00e1rido com maior densidade populacional do mundo abriga alto \u00edndice de esp\u00e9cies end\u00eamicas, mas perdeu mais de 40% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/h2>\n<p>Um grupo de aves brasileiras extintas na natureza ser\u00e1 reintroduzido em seu habitat natural nos primeiros meses de 2020. Uma delas \u00e9 a ararinha-azul, p\u00e1ssaro vistoso de pouco mais de 50 cm de comprimento que havia desaparecido na natureza em 2000 por conta da a\u00e7\u00e3o de ca\u00e7adores e traficantes de animais. O caso \u00e9 emblem\u00e1tico entre os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, mas este \u00e9 apenas o come\u00e7o.<\/p>\n<section class=\"map\">\n<figure><img src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/mapa_caatinga.svg\" alt=\"Mapa do bioma caatinga\" \/><figcaption class=\"text-medium\">A Caatinga \u00e9 a regi\u00e3o semi\u00e1rida com maior densidade populacional do mundo e funciona como zona de transi\u00e7\u00e3o entre Mata Atl\u00e2ntica e Amaz\u00f4nia, abrigando esp\u00e9cies dos dois biomas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/section>\n<p>End\u00eamica da Caatinga, o \u00fanico bioma brasileiro que ocorre de maneira exclusiva no pa\u00eds, a bela ararinha-azul pode ser vista como um s\u00edmbolo da biodiversidade da regi\u00e3o, subestimada ao longo da hist\u00f3ria. \u201cMuitos de n\u00f3s mais ao sul do pa\u00eds temos no imagin\u00e1rio coletivo a Caatinga como uma \u00e1rea pobre, de solos rachados e cactos, onde a vida quase n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u201d, diz Hugo Fernandes, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), que pesquisa mam\u00edferos de grande porte. \u201cNa verdade, este bioma negligenciado \u00e9 muito rico e tem um n\u00edvel de endemismo muito alto.\u201d A regi\u00e3o em que a Caatinga ocorre \u2013 todo o Nordeste do Brasil, mais um peda\u00e7o de Minas Gerais \u2013 ocupa um d\u00e9cimo do territ\u00f3rio nacional e foi protagonista na \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. Mesmo assim, sua riqueza animal e vegetal \u00e9 pouco conhecida pelo grande p\u00fablico. \u201cSem bairrismo, posso dizer que a Caatinga \u00e9 o mais brasileiro dos biomas\u201d, afirma Daniel Fernandes, coordenador-geral da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0<a href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252018000400010\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo publicado<\/a>\u00a0em 2018, o bioma conta com 371 esp\u00e9cies nativas de peixes, 98 de anf\u00edbios, 224 de r\u00e9pteis, 548 de aves e 183 mam\u00edferos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 flora, outro\u00a0<a href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252018000400014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">invent\u00e1rio taxon\u00f4mico<\/a>\u00a0indica a exist\u00eancia de quase 3,2 mil esp\u00e9cies, com uma taxa de endemismo de 23% \u2013 ou seja, mais de um quinto dessas plantas s\u00f3 existem por ali.<\/p>\n<section class=\"info-ararinha\">\n<div class=\"wrapper-2\">\n<h2 class=\"info-ararinha__title\">NOVA CHANCE<\/h2>\n<p class=\"caption\">Ararinhas-azuis criadas em cativeiro desembarcaram no Brasil em mar\u00e7o de 2020 para serem reintroduzidas na Caatinga depois de extintas na natureza. Os animais devem passar por um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o em criadouro de Cura\u00e7a (BA), e a expectativa \u00e9 que os primeiros indiv\u00edduos sejam libertados em 2021.<\/p>\n<div class=\"info-ararinha__ilustra\">\n<div id=\"ilustraTrigger\" class=\"info-ararinha__timeline\">\n<div class=\"info-ararinha__evento\">\n<p class=\"info-ararinha__status aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\">EXTINTA<\/p>\n<p class=\"info-ararinha__legenda aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\">Morre \u00faltimo macho<br \/>\nlivre na natureza<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"info-ararinha__evento\"><img class=\"preenchida aos-init aos-animate\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/info_caatinga_ararinha-azul_preenchida.svg\" alt=\"\" data-aos=\"fade\" data-aos-delay=\"750\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\" \/><\/p>\n<p class=\"info-ararinha__ano aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\" data-aos-delay=\"750\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\">2021<\/p>\n<p class=\"info-ararinha__status aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\" data-aos-delay=\"750\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\">REINTRODUZIDA<\/p>\n<p class=\"info-ararinha__legenda aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\" data-aos-delay=\"750\" data-aos-anchor=\"#ilustraTrigger\">52 aves vindas<br \/>\nda Aleamanha<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<h2 id=\"terra-branca\">Terra branca<\/h2>\n<p>O nome Caatinga vem do tupi e se traduz em \u201cterra branca\u201d, uma refer\u00eancia ao modo como o sol penetrava no mato durante o per\u00edodo de seca, quando havia o desfolhamento das plantas. O termo, no entanto, traz uma mir\u00edade de significados, dentre eles tanto o bioma quanto um tipo espec\u00edfico de vegeta\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas fazem uma interpreta\u00e7\u00e3o comumente err\u00f4nea e confundem semi\u00e1rido e dom\u00ednio clim\u00e1tico com o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, diz Francisca Soares, coordenadora do programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia e Recursos Naturais da UFC. A pesquisadora explica que a regi\u00e3o comporta v\u00e1rios tipos de vegeta\u00e7\u00e3o diferentes. Um dos menos discutidos \u00e9 o carrasco, que Soares pesquisa desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. Caracterizado por \u00e1rvores arbustivas entre 2 e 5 metros de altura emaranhadas em tal densidade que \u00e9 dif\u00edcil caminhar por dentro, o carrasco era tido como uma esp\u00e9cie de cerrad\u00e3o \u2013 um dos tipos de vegeta\u00e7\u00e3o do bioma Cerrado \u2013 degradado.<\/p>\n<p>\u201cHavia pouco conhecimento. Demonstramos que o carrasco possui vegeta\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o flor\u00edstica pr\u00f3prias\u201d, explica ela. Na compara\u00e7\u00e3o com a vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga propriamente dita, o carrasco \u00e9 mais rico. \u201c\u00c9 uma fisionomia mais densa, h\u00e1 5 mil indiv\u00edduos por hectare, enquanto [no resto da] Caatinga s\u00e3o 2 mil.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma invers\u00e3o no tipo de plantas presentes. Por se tratar de um mato aberto, a Caatinga tem uma presen\u00e7a maior de herb\u00e1ceas \u2013 de 60 a 70 esp\u00e9cies por hectare, contra de 20 a 30 no carrasco. Se o objeto de compara\u00e7\u00e3o forem \u00e1rvores lenhosas de maior porte, os n\u00fameros se invertem: 50 a 70 esp\u00e9cies no \u00faltimo, contra 20 a 30 na primeira. \u201cA riqueza da Caatinga est\u00e1 no componente herb\u00e1ceo e do carrasco no componente lenhoso\u201d, afirma Soares, que cita o pau-branco, end\u00eamico do bioma, como uma \u00e1rvore caracter\u00edstica desta segunda vegeta\u00e7\u00e3o, assim como uma esp\u00e9cie de aroeira, o mofumbo e a caatingueira.<\/p>\n<article class=\"info-species has-trivia open ilustra-alt\">\n<div class=\"trivia-blob-vertical\"><\/div>\n<div class=\"wrapper-2\" data-enllax-ratio0=\"-0.5\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<div class=\"info-species__column cover\">\n<h2 class=\"title aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">CACTO MANDACARU<\/h2>\n<div class=\"ilustra aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><img class=\"ilustra-sci\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/fichas-especies\/mandacaru.svg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column main\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__item binomial aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">NOME CIENT\u00cdFICO: <\/span><span class=\"info-species__value\"><em>Cereus jamacaru<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item size aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">ALTURA: <\/span><span class=\"info-species__value\">At\u00e9 6 m<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column info-species__item trivia aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<div class=\"content\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__key\">CURIOSIDADE:<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Utilizado para alimenta\u00e7\u00e3o do gado, o mandacaru possui uma flor vermelha que desabrocha no meio da primavera e, segundo a sabedoria sertaneja, anuncia a chegada da chuva.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<h2 id=\"esp\u00e9cies-end\u00eamicas\">Esp\u00e9cies end\u00eamicas<\/h2>\n<p>Para se ter uma melhor ideia da biodiversidade do bioma, vale citar a Chapada Diamantina, um dos principais destinos de ecoturismo no pa\u00eds. \u201cNa parte baixa da Chapada, encontra-se a Caatinga. Nas encostas, uma vegeta\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica. E, no topo, o Cerrado\u201d, conta Adrian Antonio Garda, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Especializado em r\u00e9pteis e anf\u00edbios, o professor conta que o grupo que trabalha em seu laborat\u00f3rio tem artigos com a descri\u00e7\u00e3o de quatro novos sapos para publica\u00e7\u00e3o. Entre eles, um animal descoberto no topo da Chapada Diamantina que s\u00f3 existe por ali, primo de outra esp\u00e9cie end\u00eamica da Caatinga, o\u00a0<em>Corythomantis greeningi<\/em>.<\/p>\n<p>Assim como o primo j\u00e1 conhecido, o novo sapo tem uma caracter\u00edstica interessante: ele \u00e9 capaz de inocular veneno por meio de microespinhos no cr\u00e2nio. \u201cFoi a primeira esp\u00e9cie de sapo pe\u00e7onhento do mundo, e agora vemos que esse grupo na verdade s\u00e3o v\u00e1rias esp\u00e9cies\u201d, detalha Garda. A descri\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies de sapos faz com que a taxa de endemismo para o grupo aumente \u2013 dos 98 animais conhecidos no bioma hoje, 20 s\u00e3o encontrados apenas por l\u00e1. H\u00e1 tamb\u00e9m um endemismo alto entre serpentes (22 de 112 esp\u00e9cies conhecidas). Essa rela\u00e7\u00e3o d\u00e1 um salto quando se fala em lagartos e chega a quase 50%. \u201c\u00c9 impressionante\u201d, conta o professor da UFRN, que destaca a regi\u00e3o das Dunas do S\u00e3o Francisco, onde h\u00e1 um n\u00famero significativo de serpentes e lagartos end\u00eamicos. Entre eles, o\u00a0<em>Scriptosaura catimbau<\/em>. O pequeno lagartinho praticamente sem patas deixa desenhos na areia conforme se locomove, por isso o\u00a0<em>scripto<\/em>\u00a0no nome.<\/p>\n<p>Quando o quesito s\u00e3o nomes populares, no entanto, esses animais ficam devendo na imagina\u00e7\u00e3o. Garda aponta uma cita\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do zo\u00f3logo e sambista Paulo Vanzolini. \u201cO sertanejo\u201d, teria dito Vanzolini em refer\u00eancia \u00e0s pessoas que moravam no interior, \u201c\u00e9 um excelente bot\u00e2nico [plantas], um mastozo\u00f3logo [mam\u00edferos], um ornit\u00f3logo [aves] razo\u00e1vel e um p\u00e9ssimo herpet\u00f3logo [r\u00e9pteis]\u201d. Para Garda, \u201cas pessoas n\u00e3o t\u00eam interesse, s\u00f3 entendem melhor os bichos e plantas que t\u00eam alguma utilidade\u201d.<\/p>\n<article class=\"info-species has-trivia open ilustra-alt\">\n<div class=\"trivia-blob-vertical\"><\/div>\n<div class=\"wrapper-2\" data-enllax-ratio0=\"-0.5\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<div class=\"info-species__column cover\">\n<h2 class=\"title aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">CARNA\u00daBA<\/h2>\n<div class=\"ilustra aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><img class=\"ilustra-sci\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/fichas-especies\/carnauba.svg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column main\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__item binomial aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">NOME CIENT\u00cdFICO: <\/span><span class=\"info-species__value\"><em>Copernicia prunifera<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item size aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">ALTURA: <\/span><span class=\"info-species__value\">9 a 12 m<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column info-species__item trivia aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<div class=\"content\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__key\">CURIOSIDADE:<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Conhecida como \u00e1rvore da vida, os frutos servem de alimento para animais, as ra\u00edzes s\u00e3o medicinais, o tronco vira madeira, as folhas fazem cabanas e artesanato e a cera \u00e9 usada em cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<h2 id=\"vida-aqu\u00e1tica\">Vida aqu\u00e1tica<\/h2>\n<p>Os peixes, por sua vez, costumam ser bastante \u00fateis. Com n\u00edvel de endemismo significativo (209 das 386 esp\u00e9cies observadas no bioma s\u00e3o exclusivas dali), os rios s\u00e3o um tesouro, n\u00e3o s\u00f3 pela vida que cont\u00e9m, mas tamb\u00e9m pela \u00e1gua rara nas \u00e1reas do semi\u00e1rido. No S\u00e3o Francisco, bacia mais famosa da regi\u00e3o, vale citar o end\u00eamico pacam\u00e3, uma esp\u00e9cie de bagre de corpo achatado e boca larga, que chega a mais de 70 cm e 5 kg.<\/p>\n<p>Mas, claro, novas esp\u00e9cies t\u00eam sido descobertas a todo momento. \u201cDe 2003, quando fizemos o primeiro levantamento de peixes da Caatinga, para o \u00faltimo, publicado em 2008, o n\u00famero aumentou em mais de 100 esp\u00e9cies\u201d, diz S\u00e9rgio Lima, do Laborat\u00f3rio de Ictiologia Sistem\u00e1tica e Evolutiva da UFRN. Recentemente, Lima contribuiu para a descri\u00e7\u00e3o de duas novas esp\u00e9cies de pequenos cascudinhos. Uma delas, encontrada na bacia do rio Para\u00edba, ganhou um nome curioso gra\u00e7as a uma lenda da regi\u00e3o \u2013\u00a0<em>Parotocinclus cabessadecuia<\/em>. Diz a hist\u00f3ria que, no Parana\u00edba, uma entidade foi amaldi\u00e7oada a viver como um monstro subaqu\u00e1tico at\u00e9 capturar sete virgens. O nome do bicho? Cabe\u00e7a de cuia. \u201cComo o cascudinho tem uma cabe\u00e7a arredondada formada por placas \u00f3sseas que parecem uma pequena cuia, serviu de inspira\u00e7\u00e3o\u201d, relata ele.<\/p>\n<p>Outra singularidade \u00e9 que os felinos habitantes da Caatinga s\u00e3o menores em rela\u00e7\u00e3o aos equivalentes de outras regi\u00f5es, explica Hugo Fernandes, da UFC. \u201cH\u00e1 um padr\u00e3o muito interessante. Como os recursos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o abundantes, nossos animais tendem a ser bem menores\u201d, afirma ele. \u201cAs on\u00e7as-pardas, apesar de termos poucas medidas, tem diferen\u00e7a entre 10 a 20 kg em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s on\u00e7as do Pantanal. As on\u00e7as-pintadas, hoje encontradas no bioma apenas dentro da Serra da Capivara, pesam entre 60 e 70 kg, enquanto um macho adulto no Pantanal chega a 140 kg.\u201d<\/p>\n<article class=\"info-species has-trivia open ilustra-alt\">\n<div class=\"wrapper-2\" data-enllax-ratio0=\"-0.5\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<div class=\"info-species__column cover\">\n<h2 class=\"title aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">ARARINHA-AZUL<\/h2>\n<div class=\"ilustra aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><img class=\"ilustra-sci\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/fichas-especies\/arara.svg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column main\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__item binomial aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">NOME CIENT\u00cdFICO: <\/span><span class=\"info-species__value\"><em>Cyanopsitta spixii<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item size aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">TAMANHO: <\/span><span class=\"info-species__value\">55 a 60 cm<\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item weight aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">PESO: <\/span><span class=\"info-species__value\">286 a 410 g<\/span><\/p>\n<div class=\"info-species__item status aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<hr class=\"info-species__divider\" \/>\n<p class=\"info-species__key\">RISCO DE EXTIN\u00c7\u00c3O (IBAMA):<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Extinta na natureza<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column info-species__item trivia aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<div class=\"content\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__key\">CURIOSIDADE:<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Estrela da anima\u00e7\u00e3o Rio (2011), a ararinha-azul hoje s\u00f3 existe em cativeiro. Cerca de 110 indiv\u00edduos est\u00e3o na m\u00e3o de colecionadores e institutos de pesquisa no Brasil, Alemanha, Qatar, Espanha e Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<h2 id=\"invasores\">Invasores<\/h2>\n<p>Uma das \u00e1rvores mais emblem\u00e1ticas da Caatinga \u00e9 a carna\u00faba, palmeira end\u00eamica do bioma. Ela \u00e9 uma \u00f3tima refer\u00eancia do potencial de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico sustent\u00e1vel da biodiversidade. \u201cComo h\u00e1 um longo per\u00edodo de seca, a flora tem uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es para sobreviver. A carna\u00faba, por exemplo, tem uma cera que impermeabilizada suas palhas, evita a transpira\u00e7\u00e3o e faz com que ela perca menos \u00e1gua no per\u00edodo seco\u201d, explica Daniel Fernandes, da Associa\u00e7\u00e3o Caatinga.<\/p>\n<p>Essa cera, o \u00f3leo de carna\u00faba, est\u00e1 por todos os lados \u2013 \u00e9 utilizada pelo setor de cosm\u00e9ticos, de tintas e polimentos automotivos, da ind\u00fastria aliment\u00edcia e de dispositivos para computadores. Tal cen\u00e1rio faz com que a esp\u00e9cie tenha uma import\u00e2ncia social e econ\u00f4mica significativa para habitantes das regi\u00f5es onde ela \u00e9 explorada. No passado, o \u00f3leo chegou a ser o quinto item de exporta\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1. Hoje, est\u00e1 na oitava posi\u00e7\u00e3o. \u201cA extra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma sustent\u00e1vel, retira-se a palha e deixa-se o olho. Em seguida, tudo rebrota\u201d, detalha Fernandes. \u201c\u00c9 uma atividade que gera emprego para cerca de 100 mil pessoas no Cear\u00e1, Rio Grande do Norte e Piau\u00ed, justamente no per\u00edodo da seca.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo assim, a carna\u00faba corre risco. A unha-do-diabo, uma trepadeira origin\u00e1ria de Madagascar, foi trazida ao Brasil para ser utilizada como ornamento, mas chegou \u00e0 natureza e se adaptou muito bem \u00e0 Caatinga. Ela se instala sobre a vegeta\u00e7\u00e3o local, como a carna\u00faba, cria sombras que impedem a fotoss\u00edntese e acaba por mat\u00e1-la. \u201cN\u00f3s ainda n\u00e3o temos dados quantificando a perda de produtividade, mas j\u00e1 vemos v\u00e1rias \u00e1reas de carnaubais morrendo ou totalmente ocupadas pela unha-do-diabo\u201d, observa a professora Francisca Soares, da UFC. Enquanto a trepadeira de Madagascar se espalha, Soares alerta para outra esp\u00e9cie ex\u00f3tica: o nim, uma \u00e1rvore asi\u00e1tica utilizada na arboriza\u00e7\u00e3o de cidades como Fortaleza, com alto potencial invasivo. Nem sempre, no entanto, os invasores v\u00eam de longe. Diversos pesquisadores estudam qual o impacto da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco nas bacias do Para\u00edba do Norte, Jaguaribe e Piranhas-A\u00e7u. Al\u00e9m de mudar o regime h\u00eddrico, com a transforma\u00e7\u00e3o de rios tempor\u00e1rios em perenes, h\u00e1 uma expectativa em entender se esp\u00e9cies de peixes chegar\u00e3o a essas outras regi\u00f5es e qual o impacto isso traria para as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Uma pesquisa de doutorado de modelagem de nicho ecol\u00f3gico orientado pelo professor S\u00e9rgio Lima, da UFRN, sugeriu que h\u00e1 um potencial que 20% das esp\u00e9cies do S\u00e3o Francisco se estabele\u00e7am nessas outras bacias. No projeto de transposi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 barreiras ecol\u00f3gicas que deveriam impedir esse movimento. Por\u00e9m, no Para\u00edba do Norte, banhado pelo canal leste da transposi\u00e7\u00e3o, o \u00fanico com obras terminadas, j\u00e1 foram encontrados peixes do S\u00e3o Francisco. \u201cIsso sugere que as barreiras n\u00e3o s\u00e3o 100% efetivas\u201d, afirma Lima. \u201cO objetivo n\u00e3o \u00e9 assumir uma postura contr\u00e1ria \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o, mas fazer estudos, ter cautela.\u201d<\/p>\n<article class=\"info-species has-trivia open ilustra-alt\">\n<div class=\"trivia-blob-vertical\"><\/div>\n<div class=\"wrapper-2\" data-enllax-ratio0=\"-0.5\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<div class=\"info-species__column cover\">\n<h2 class=\"title aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">MOC\u00d3<\/h2>\n<div class=\"ilustra aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><img class=\"ilustra-sci\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/fichas-especies\/moco.svg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column main\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__item binomial aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">NOME CIENT\u00cdFICO: <\/span><span class=\"info-species__value\"><em>Kerodon rupestris<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item size aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">TAMANHO: <\/span><span class=\"info-species__value\">At\u00e9 40 cm<\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item weight aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">PESO: <\/span><span class=\"info-species__value\">At\u00e9 1 kg<\/span><\/p>\n<div class=\"info-species__item status aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<hr class=\"info-species__divider\" \/>\n<p class=\"info-species__key\">RISCO DE EXTIN\u00c7\u00c3O (IBAMA):<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Vulner\u00e1vel<\/p>\n<div class=\"scale\">\n<div class=\"scale__dots\">\n<div class=\"scale__dot \">CURIOSIDADE:<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column info-species__item trivia aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<div class=\"content\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__value\">Por emitir sons de alarme ao se sentir amea\u00e7ado, o moc\u00f3 \u00e9 alvo f\u00e1cil de ca\u00e7adores, uma de suas principais amea\u00e7as. Tanto sua carne quanto sua pelagem s\u00e3o cobi\u00e7adas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<h2 id=\"explora\u00e7\u00e3o-hist\u00f3rica\">Explora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/h2>\n<p>Problemas de conserva\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, entretanto, n\u00e3o s\u00e3o novos. Com a perda de mais de 40% na \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, segundo dados do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA), a Caatinga \u00e9 um bioma que sofre investidas humanas desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, quando foi a primeiro trecho interiorano explorado no pa\u00eds. Conforme o primeiro ciclo econ\u00f4mico se estabelecia baseado na cria\u00e7\u00e3o de gado \u2013 o que demandava abertura de pasto \u2013, a coloniza\u00e7\u00e3o se intensificava. Para se ter uma ideia, atualmente a Caatinga \u00e9 a regi\u00e3o semi\u00e1rida com maior densidade populacional do mundo.<\/p>\n<p>\u201cO bioma era muito mais rico do que hoje em dia, mas o n\u00edvel de pobreza extrema causou uma press\u00e3o de ca\u00e7a nunca antes vista no Brasil\u201d, explica Hugo Fernandes, que pesquisa a explora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da fauna da Caatinga. S\u00e9culos atr\u00e1s, as on\u00e7as-pintadas e queixadas eram comuns, assim como as antas. Hoje, tais esp\u00e9cies j\u00e1 n\u00e3o se encontram mais por ali.<\/p>\n<p>Hoje, pesquisadores trabalham com iniciativas que incluem a\u00e7\u00f5es educativas com popula\u00e7\u00f5es locais para reduzir a ca\u00e7a de determinadas esp\u00e9cies amea\u00e7adas, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/10\/tatu-bola-luta-pela-sobrevivencia-em-regiao-esquecida-entre-o-piaui-e-o-ceara\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tatu-bola da caatinga<\/a>. Para exemplificar a dificuldade dessa tarefa, no entanto, Fernandes cita o caso do moc\u00f3, um pequeno roedor end\u00eamico que pesa menos de 1 kg. \u201cEle se reproduz muito, tem um per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o supercurto, territ\u00f3rio pequeno: n\u00e3o tinha nenhum motivo para estar sob risco. Mas a press\u00e3o da ca\u00e7a \u00e9 t\u00e3o forte que o moc\u00f3 est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta o professor.<\/p>\n<article class=\"info-species has-trivia open ilustra-alt\">\n<div class=\"trivia-blob-vertical\"><\/div>\n<div class=\"wrapper-2\" data-enllax-ratio0=\"-0.5\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<div class=\"info-species__column cover\">\n<h2 class=\"title aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">ESCRIV\u00c3O<\/h2>\n<div class=\"ilustra aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><img class=\"ilustra-sci\" src=\"https:\/\/specials.fnghub.com\/ng\/br\/natgeo-ilustra-biomas\/assets\/images\/fichas-especies\/escrivao.svg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column main\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__item binomial aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">NOME CIENT\u00cdFICO: <\/span><span class=\"info-species__value\"><em>Scriptosaura catimbau<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"info-species__item size aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\"><span class=\"info-species__key\">TAMANHO: <\/span><span class=\"info-species__value\">At\u00e9 5 cm<\/span><\/p>\n<div class=\"info-species__item status aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<hr class=\"info-species__divider\" \/>\n<p class=\"info-species__key\">RISCO DE EXTIN\u00c7\u00c3O (IBAMA):<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Pouco preocupante<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"info-species__column info-species__item trivia aos-init aos-animate\" data-aos=\"fade\">\n<div class=\"content\" data-enllax-ratio0=\"-.25\" data-enllax-type0=\"foreground\">\n<p class=\"info-species__key\">CURIOSIDADE:<\/p>\n<p class=\"info-species__value\">Apesar de ser um r\u00e9ptil sem pernas, o Scriptosaura catimbau n\u00e3o \u00e9 uma cobra, mas um lagarto descrito pela ci\u00eancia apenas em 2008.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>Al\u00e9m de representarem uma riqueza por si s\u00f3, essas esp\u00e9cies s\u00e3o testemunhas da hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o dos biomas. Encravada na Caatinga cearense, a Serra do Baturit\u00e9 possui uma vegeta\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 da Mata Atl\u00e2ntica. Por ali acontece um fen\u00f4meno curioso. Habitam a Serra tanto a saripoca-de-gould, um tucano normalmente encontrado apenas na Amaz\u00f4nia, quanto um outro p\u00e1ssaro chamado sa\u00edra-militar, exclusivo da Mata Atl\u00e2ntica. \u201c\u00c9 um elemento puramente amaz\u00f4nico e um elemento puramente atl\u00e2ntico convivendo no meio da Caatinga\u201d, diz o ornit\u00f3logo Weber Gir\u00e3o. \u201cA floresta reflete uma \u00e9poca em que Mata Atl\u00e2ntica e Amaz\u00f4nia se encontravam onde hoje \u00e9 a Caatinga, antes de retrocederem por mudan\u00e7as do clima. Gra\u00e7as \u00e0 altitude, essa regi\u00e3o mostra onde essas matas se beijaram.\u201d<\/p>\n<p>Gir\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelos esfor\u00e7os contra a extin\u00e7\u00e3o do soldadinho-do-araripe, p\u00e1ssaro end\u00eamico da Caatinga descrito na d\u00e9cada de 1990. \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie facilmente reconhec\u00edvel e extremamente carism\u00e1tica \u2013 com as cores branco, preto e vermelho \u2013, o que fez com que se tornasse um s\u00edmbolo de orgulho da regi\u00e3o\u201d, explica o bi\u00f3logo. Estima-se que existam menos de mil soldadinhos-do-araripe na natureza, todos na Chapada do Araripe, no Cear\u00e1, uma \u00e1rea sob forte press\u00e3o e que tem perdido territ\u00f3rio. \u201cDe s\u00edmbolo de orgulho, ele pode virar um s\u00edmbolo de vergonha, de extin\u00e7\u00e3o\u201d, diz Gir\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao redor da Chapada do Araripe est\u00e3o cidades populosas do estado, como Crato e Juazeiro do Norte, na regi\u00e3o metropolitana do Cariri. O curioso \u00e9 que todos esses munic\u00edpios s\u00e3o abastecidos com \u00e1gua do aqu\u00edfero da Chapada do Araripe. Ou seja, se o habitat do soldadinho-do-araripe sumir e levar consigo o p\u00e1ssaro, vai ser poss\u00edvel sentir na pele o tamanho do problema. \u201cCuidar do meio-ambiente\u201d, afirma Gir\u00e3o, \u201ctamb\u00e9m \u00e9 cuidar da qualidade de vida das pessoas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muito al\u00e9m de cactos e solo rachado, o semi\u00e1rido com maior densidade populacional do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":126023,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/vcaatinga.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para muito al\u00e9m de cactos e solo rachado, o semi\u00e1rido com maior densidade populacional do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126021"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126021\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/126023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}