{"id":125967,"date":"2020-04-27T11:18:54","date_gmt":"2020-04-27T14:18:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125967"},"modified":"2020-04-27T11:18:54","modified_gmt":"2020-04-27T14:18:54","slug":"sem-a-amazonia-agronegocio-e-geracao-de-energia-entram-em-colapso-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sem-a-amazonia-agronegocio-e-geracao-de-energia-entram-em-colapso-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sem a Amaz\u00f4nia, agroneg\u00f3cio e gera\u00e7\u00e3o de energia entram em colapso no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-125968\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ultrapassar o ponto de inflex\u00e3o que transformaria a Floresta Amaz\u00f4nica em uma savana seria \u201ccatastr\u00f3fico\u201d para os principais setores da economia brasileira, alertam especialistas. Os impactos alcan\u00e7ariam sobretudo o agroneg\u00f3cio e a gera\u00e7\u00e3o de energia, e poderiam repercutir na seguran\u00e7a alimentar internacional.<\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia natural de \u00e1gua no bioma amaz\u00f4nico beneficia com regularidade a agricultura, o transporte de commodities pelos rios brasileiros e a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica em in\u00fameras usinas ao longo dos rios que cortam a vasta regi\u00e3o. Agora, por\u00e9m, o ciclo hidrol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia est\u00e1 sob amea\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00e1gua sempre foi o sangue que d\u00e1 vida \u00e0 floresta tropical. Ela se infiltra no solo e nos aqu\u00edferos, flui pelos rios, sobe pelas \u00e1rvores e se desloca pelo c\u00e9u. O Rio Amazonas, alimentado por seus afluentes, derrama impressionantes 17 bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua no Oceano Atl\u00e2ntico por dia. E, num dia de sol, as \u00e1rvores da regi\u00e3o lan\u00e7am outras 20 bilh\u00f5es de toneladas no ar por meio da evapora\u00e7\u00e3o \u2013 um fluxo de umidade apelidado de \u201crios voadores\u201d. \u00c9 assim que a floresta \u00famida garante o regime pluviom\u00e9trico em enormes \u00e1reas da Am\u00e9rica do Sul, inclusive nas sedentas metr\u00f3poles brasileiras.<\/p>\n<p>Os cientistas h\u00e1 tempos v\u00eam alertando, por\u00e9m, que, se passarmos do limiar cr\u00edtico \u2013 um ponto de inflex\u00e3o causado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas regionais e globais, o aumento do desmatamento e a intensifica\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios florestais \u2013, as florestas podem come\u00e7ar a se autodestruir. Estudos revelam que h\u00e1 risco de at\u00e9 70% da Floresta Amaz\u00f4nica se transformar em \u00e1rea seca e degradada de savana ou vegeta\u00e7\u00e3o rasteira num prazo de 50 anos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24153903\/Base-map-showing-forest-loss-hotspots-across-the-Amazon-in-2019.-Image-courtesy-of-MAAP-with-data-from-UMD-GLAD-Hansen-UMD-Google-USGS-NASA-and-MAAP.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"535\" \/><figcaption>Principais pontos de degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia em 2019. Imagem: MAAP com dados de UMD GLAD, Hansen UMD Google USGS NASA e MAAP<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Ponto de inflex\u00e3o deve impactar ecossistemas e economias<\/h4>\n<p>A Floresta Amaz\u00f4nica e sua biodiversidade dependem de uma quantidade assombrosa de chuva para prosperar. Por isso, o agravamento das secas afeta boa parte da economia brasileira, baseada em commodities. A morte da maior floresta tropical do planeta teria imensas repercuss\u00f5es econ\u00f4micas para o agroneg\u00f3cio e as usinas hidrel\u00e9tricas. A Mongabay conversou com importantes cientistas que estudaram os efeitos de uma mudan\u00e7a \u00e9pica no maior ciclo hidrol\u00f3gico do mundo. O cen\u00e1rio \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, alguns rios importantes da Bacia Amaz\u00f4nica \u2013 Xingu, Tapaj\u00f3s e Madeira entre eles \u2013 podem ter sua vaz\u00e3o reduzida drasticamente na esta\u00e7\u00e3o seca, o que n\u00e3o impactaria apenas projetos ambiciosos de hidrel\u00e9tricas, mas tamb\u00e9m opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o que dependem das usinas para obter energia. Al\u00e9m disso, os cursos d\u2019\u00e1gua se tornariam menos naveg\u00e1veis para o transporte de min\u00e9rio e soja. As economias regionais seriam igualmente afetadas, prejudicando comunidades ind\u00edgenas e tradicionais que dependem dos rios para pescar, beber \u00e1gua e se deslocar.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24153949\/inpe-amazon-deforestation-20200209-1-768x512.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>\u00c1rea desmatada (em km2) em per\u00edodos entre agosto e janeiro nos \u00faltimos 12 anos. Fonte: Inpe<\/figcaption><\/figure>\n<p>No longo prazo, a economia do pa\u00eds pode sofrer bastante se medidas n\u00e3o forem tomadas com urg\u00eancia para evitar o ponto de inflex\u00e3o. Em 2019, as exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do Brasil ultrapassaram US$ 80 bilh\u00f5es, com soja e a\u00e7\u00facar entre os produtos mais vendidos. O agravamento das secas pode fazer com que as lavouras de soja em \u00e1reas de baixo risco sejam reduzidas 40% em 50 anos.<\/p>\n<p>Para reverter a tend\u00eancia atual, \u00e9 preciso conter as emiss\u00f5es globais de carbono e o desmatamento na Amaz\u00f4nia, e adotar a partir de j\u00e1 um ambicioso plano de reflorestamento, analisa o cientista clim\u00e1tico Carlos Nobre.<\/p>\n<p>Em vez disso, o governo brasileiro caminha na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. No primeiro ano do presidente Jair Bolsonaro no poder, o desmatamento atingiu seu maior n\u00edvel em 11 anos. Programas de conten\u00e7\u00e3o do problema tiveram pessoal e verbas cortados, assim como foram flexibilizadas regras para a exporta\u00e7\u00e3o de madeira. Os primeiros levantamentos atestam que a derrubada da floresta continua em ritmo acelerado em 2020.<\/p>\n<p>Embora as pol\u00edticas de desenvolvimento radicais de Bolsonaro para a Amaz\u00f4nia possam faz\u00ea-lo ganhar pontos com agropecuaristas em busca de lucro r\u00e1pido, tais iniciativas podem incentivar o aumento do desmatamento e apressar o ponto de inflex\u00e3o \u2013 o que seria devastador para a economia brasileira.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil deveria ser o pa\u00eds que mais luta [para proteger a Amaz\u00f4nia], porque \u00e9 quem tem mais a perder\u201d, diz Nobre.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24154037\/068-Tapajo%CC%81s-%C2%A9-Teresa-Moreira_TNC-copy-768x512.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>Rio Tapaj\u00f3s, um dos milhares de cursos d\u2019\u00e1gua que alimentam a Bacia Amaz\u00f4nica. Foto: \u00a9 Teresa Moreira \/TNC<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Ciclo da \u00e1gua na Amaz\u00f4nia est\u00e1 mudando<\/h4>\n<p>H\u00e1 dez anos, um produtor rural brasileiro com 30 anos de experi\u00eancia na Amaz\u00f4nia, em Rond\u00f4nia, aproximou-se do pesquisador e climatologista Marcos Costa, do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) da ONU, e perguntou: \u201cPor que a cada ano a chuva come\u00e7a um pouco mais tarde?\u201d<\/p>\n<p>Sem ter uma resposta, Costa decidiu investigar. Sua pesquisa confirmou a observa\u00e7\u00e3o do produtor: em m\u00e9dia, a esta\u00e7\u00e3o chuvosa da Amaz\u00f4nia estava come\u00e7ando a cada ano mais tarde, uma tend\u00eancia impulsionada pelo desmatamento regional e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Hoje, em \u00e1reas desmatadas do sul da Amaz\u00f4nia, o atraso sazonal das chuvas varia entre 15 e 30 dias em compara\u00e7\u00e3o com 1980, um per\u00edodo de apenas 40 anos de diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>E as coisas est\u00e3o piorando. De acordo com Costa, tamb\u00e9m a precipita\u00e7\u00e3o total come\u00e7a a diminuir. Um estudo da Nasa publicado em novembro revelou que a atmosfera sobre a Amaz\u00f4nia vem ficando mais seca nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. \u201cEsperamos algo ainda mais sombrio no futuro\u201d, comenta Costa. \u201cE isso tem impacto sobre a agricultura e a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica.\u201d<\/p>\n<p>A seca n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica tend\u00eancia nociva. Apesar de a Amaz\u00f4nia ter sofrido uma estiagem severa em 2005, 2010 e 2015, a regi\u00e3o teve marcas hist\u00f3ricas de inunda\u00e7\u00f5es em 2009, 2012 e 2014. As cheias danificaram propriedades, afogaram rebanhos, inundaram planta\u00e7\u00f5es, aumentaram o escoamento de agrot\u00f3xicos para os rios, impactaram a pesca, aumentaram surtos de doen\u00e7as e pioraram o isolamento de comunidades ribeirinhas dependentes do transporte fluvial. Na verdade, eventos extremos de varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u2013 de secas a chuvas recordes \u2013 est\u00e3o se tornando mais comuns.<\/p>\n<p>Apesar das temporadas de inunda\u00e7\u00e3o, a Amaz\u00f4nia revela-se cada vez mais \u00e1rida, a tal ponto que \u00e1rvores que precisam de muita \u00e1gua est\u00e3o sendo substitu\u00eddas por um tipo de vegeta\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0 seca. Isso significa menos evapora\u00e7\u00e3o, argumenta Yadvinder Malhi, especialista em florestas tropicais da Universidade de Oxford. E, eventualmente, \u201cuma vez que come\u00e7armos a ultrapassar esse ponto de inflex\u00e3o, veremos um decl\u00ednio nos rios e uma intensifica\u00e7\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos extremos\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24154346\/Teles-Pires-dam-under-construction-768x452.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"376\" \/><figcaption>Obra de usina hidrel\u00e9trica no Rio Teles Pires, no Mato Grosso. Foto: \u00a9 Fernando Lessa\/TNC<\/figcaption><\/figure>\n<h4>O d\u00e9ficit hidrel\u00e9trico<\/h4>\n<p>As usinas hidrel\u00e9tricas fornecem hoje dois ter\u00e7os da eletricidade do Brasil, convertendo-se em um dos principais motores do bem-estar financeiro do pa\u00eds. Em 2019, 31,6% da energia hidrel\u00e9trica produzida foi destinada ao setor industrial \u2013 inclusive para opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia e em outras regi\u00f5es. E 4,7% da energia gerada teve como destino o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Mas a variabilidade do clima j\u00e1 reduz a produ\u00e7\u00e3o de energia, aponta um relat\u00f3rio de 2019 da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Energia Hidrel\u00e9trica. O qu\u00e3o dr\u00e1stica \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o depende do estudo que se analisa. \u00c0 medida que a seca aumenta e a vaz\u00e3o dos rios diminui, o potencial hidrel\u00e9trico do Brasil pode cair mais de 80% antes de 2070. As hidrel\u00e9tricas da Amaz\u00f4nia podem perder em m\u00e9dia 40% de seu potencial de gera\u00e7\u00e3o de energia at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, de acordo com outras an\u00e1lises.<\/p>\n<p>Uma pesquisa liderada pelo renomado hidrologista Eduardo Martins, da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Pesquisa e Cultura, comparou resultados de 25 estudos e, embora houvesse alguma variabilidade, todos apontavam para a mesma dire\u00e7\u00e3o: as hidrel\u00e9tricas da Amaz\u00f4nia devem perder 20% da vaz\u00e3o dos rios at\u00e9 2070, e at\u00e9 60% em 2100 nos cen\u00e1rios clim\u00e1ticos mais pessimistas.<\/p>\n<p>Conforme a esta\u00e7\u00e3o seca se estende, o n\u00famero de meses de chuva em que as hidrel\u00e9tricas podem operar \u00e9 reduzido, com consequ\u00eancias econ\u00f4micas importantes para o pa\u00eds e as grandes empresas. A mega-hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Par\u00e1, que custou US$ 9,5 bilh\u00f5es (R$ 42,7 bi) e s\u00f3 entrou em opera\u00e7\u00e3o total em 2019, j\u00e1 est\u00e1 enfrentando uma redu\u00e7\u00e3o na vaz\u00e3o sazonal do Rio Xingu devido ao clima mais seco e ao desmatamento rio acima. Essa tend\u00eancia deve piorar, fazendo com que a hidrel\u00e9trica se torne economicamente invi\u00e1vel \u2013 um destino que poderia condenar a mina de ouro Belo Sun, que precisa de quantidades imensas de eletricidade para operar.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24154813\/5.-Principal-Belo-Monte-dam-copy-768x512.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>Barragem principal de Belo Monte, em 27 de dezembro de 2019. Foto: Pal\u00e1cio do Planalto.\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Brasil enfrenta um paradoxo energ\u00e9tico, avalia Roberto Schaeffer, especialista em economia da energia na Universidade de S\u00e3o Paulo: \u201cPa\u00edses que s\u00e3o muito dependentes de fontes renov\u00e1veis [como a energia hidrel\u00e9trica] podem ter de depender mais de combust\u00edveis f\u00f3sseis no futuro para lidar com os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel prova desta afirma\u00e7\u00e3o: em novembro, a operadora da usina de Belo Monte, a Norte Energia, pediu autoriza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica para construir usinas termoel\u00e9tricas ao lado da mega-hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>De acordo com as estimativas de Schaeffer, o setor energ\u00e9tico brasileiro precisar\u00e1 investir outros US$ 50 bilh\u00f5es (R$ 224 bi) at\u00e9 2035 para compensar as perdas de capacidade hidrel\u00e9trica por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Parte desse montante servir\u00e1 \u00e0 compra de eletricidade de outras fontes, entre elas, provavelmente, o carv\u00e3o mineral, gerador de gases de efeito estufa. \u201cA ideia ser\u00e1 tentar compensar a perda de energia a um custo m\u00ednimo\u201d, explica.<\/p>\n<p>A energia solar e a e\u00f3lica s\u00e3o alternativas poss\u00edveis, mas tamb\u00e9m necessitam de novos investimentos \u2013 e apresentam desafios pr\u00f3prios. A fonte solar, por exemplo, s\u00f3 fica dispon\u00edvel de 10 a 12 horas por dia, e deve ser armazenada em baterias caras. \u201cAlgumas dessas baterias precisam de metais pesados, ent\u00e3o teremos um aumento de demanda por minera\u00e7\u00e3o, com todos os seus impactos negativos\u201d, acrescenta Costa. \u201cO mundo tem uma abund\u00e2ncia de materiais para baterias de telefones celulares e laptops. Se esses min\u00e9rios come\u00e7arem a ser necess\u00e1rios para armazenar a nossa energia, isso pode gerar outro grande problema no longo prazo.\u201d<\/p>\n<p>Mais um efeito domin\u00f3: se a seca fizer com que mais fazendeiros precisem irrigar suas planta\u00e7\u00f5es, a medida poder\u00e1 reduzir ainda mais a vaz\u00e3o dos rios, piorando de vez a crise hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u201cDiante das altera\u00e7\u00f5es no regime hidrol\u00f3gico, o Brasil voltar\u00e1 \u00e0 energia suja em vez da energia limpa?\u201d, pergunta a economista Monica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional. Para preencher o v\u00e1cuo hidrel\u00e9trico, fontes de energia n\u00e3o-renov\u00e1veis, como o g\u00e1s natural ou o carv\u00e3o mineral, podem voltar a ser usadas, de acordo com o plano decenal oficial de energia do Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo quando o bioma amaz\u00f4nico chegar ao ponto de inflex\u00e3o e a vaz\u00e3o dos rios diminuir, com hidrel\u00e9tricas produzindo menos megawatts, ainda haver\u00e1 grande demanda por energia. No Brasil, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas resultam na eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas, sobretudo nas ilhas de calor urbanas, levando \u00e0 necessidade de maior uso de eletricidade para alimentar sistemas de ar condicionado e refrigera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24155015\/11-soy-copy-768x469.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"391\" \/><figcaption>Irriga\u00e7\u00e3o numa planta\u00e7\u00e3o de soja: 90% da agricultura brasileira depende da estabilidade das chuvas, deixando o setor em risco \u00e0 medida que as secas na Amaz\u00f4nia se agravam. Foto: Fl\u00e1via Milhorance.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Brasil: uma economia agropecu\u00e1ria dependente da natureza O ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia tornar\u00e1 a agricultura mais dif\u00edcil e mais cara, um investimento mais arriscado, alertam os cientistas. \u00c1reas rurais consideradas hoje de baixo risco, por exemplo, passar\u00e3o a ser empreendimentos de alto ou m\u00e9dio risco nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, de acordo com pesquisa do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Carlos Nobre explica: o Brasil \u201cj\u00e1 est\u00e1 no limite de produtividade [agr\u00edcola]. Se perdemos o controle do aquecimento global, estaremos falando de o Cerrado ficar invi\u00e1vel para a agricultura\u201d. O Cerrado hoje \u00e9 a fronteira agr\u00edcola que se expande mais rapidamente no pa\u00eds \u2013 um \u201crolo compressor\u201d de soja, algod\u00e3o, milho e pecu\u00e1ria, com exporta\u00e7\u00f5es vitais para a economia brasileira.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que esse rolo compressor econ\u00f4mico \u2013 que fornece grandes quantidades de soja para alimentar o gado na Uni\u00e3o Europeia, China e Reino Unido \u2013 depende de chuva abundante.<\/p>\n<p>Nobre ressalta que o ponto de virada da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 meramente uma abstra\u00e7\u00e3o futura: seus impactos j\u00e1 est\u00e3o sendo sentidos no Mato Grosso, importante produtor de soja cujo territ\u00f3rio cobre parte da Amaz\u00f4nia e do Cerrado. O estado j\u00e1 passa por mudan\u00e7as alarmantes no ciclo hidrol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Grandes companhias do agroneg\u00f3cio est\u00e3o percebendo essas mudan\u00e7as: a Amaggi, maior produtora de soja privada do mundo, j\u00e1 observa \u201cmais concentra\u00e7\u00e3o de chuva numa quantidade menor de dias\u201d. A companhia est\u00e1 buscando tecnologia para mitigar os impactos dessa nova condi\u00e7\u00e3o. \u201cO mercado procurou cultivos que s\u00e3o resistentes a per\u00edodos mais longos de seca\u201d, anuncia a empresa. \u201cS\u00e3o recursos tecnol\u00f3gicos que permitem a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as de precipita\u00e7\u00e3o que podem ocorrer entre uma safra e outra, mantendo os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, s\u00f3 funcionar\u00e1 at\u00e9 certo ponto. Os cientistas alertam que o aumento da seca intensificar\u00e1 o risco econ\u00f4mico dos fazendeiros. \u201cAt\u00e9 agora, j\u00e1 houve um decl\u00ednio de 100 mil\u00edmetros de chuva. Quando se tem 1.500 mil\u00edmetros por ano, perder 100 n\u00e3o parece ser um absurdo. Mas vai piorar\u201d, diz o pesquisador Eduardo Assad, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa). \u201cSe a precipita\u00e7\u00e3o anual cair para 1.000 mil\u00edmetros, a produ\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 poss\u00edvel, mas as lavouras ficar\u00e3o muito vulner\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24155344\/9-soy-copy-768x474.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"395\" \/><figcaption>Cientistas se apressam para desenvolver variedades de soja resistentes ao calor e \u00e0 seca, mas muitos deles duvidam que possam estar \u00e0 frente de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que avan\u00e7am com rapidez. Foto: Fl\u00e1via Milhorance.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisa de Assad na Embrapa levou a novas variedades de soja adaptadas \u00e0 falta d\u2019\u00e1gua e a mais calor, mas o melhoramento gen\u00e9tico \u00e9 um caminho longo e caro \u2013 e n\u00e3o \u00e9 suficiente por si s\u00f3. \u201cOk, podemos desenvolver uma soja que tolere mais 2 oC. Mas, e se a temperatura aumentar 3 oC?\u201d, pergunta ele. Novos modelos de sensibilidade clim\u00e1tica que ainda est\u00e3o sendo testados para o ano que vem mostram um poss\u00edvel aumento de temperatura em 2100 de at\u00e9 5,6 oC. Ningu\u00e9m ainda desenvolveu uma soja que sobreviva a esse calor.<\/p>\n<p>O desmatamento agrava o problema. \u201cO efeito de uma savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia seria catastr\u00f3fico. N\u00e3o faz sentido falar em aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com a taxa de desflorestamento que temos hoje\u201d, conclui Assad. A derrubada das \u00e1rvores seca rapidamente a paisagem, intensificando a estiagem e diminuindo a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O economista Juliano Assun\u00e7\u00e3o, diretor-executivo da Climate Policy Initiative Brasil, concorda. \u201cO desmatamento representa uma imensa perda de recursos. O interesse econ\u00f4mico [do agroneg\u00f3cio] nas \u00e1reas [desmatadas] \u00e9 muito limitado\u201d, diz ele, argumentando que um quarto das \u00e1reas desmatadas recentemente do Brasil \u00e9 mais tarde abandonado. \u201cO desmatamento \u00e9 uma atividade ilegal com muito pouca import\u00e2ncia econ\u00f4mica e baixa produtividade\u201d, explica Assun\u00e7\u00e3o, embora seja uma atividade que beneficie muito os especuladores de terra e os grileiros.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da capacidade agr\u00edcola brasileira n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o apenas nacional. A popula\u00e7\u00e3o global deve explodir para mais de 8 bilh\u00f5es em 2023 \u2013 da\u00ed a necessidade de produzir mais alimentos. Um estudo prev\u00ea que a demanda por alimentos deve aumentar em at\u00e9 98% at\u00e9 2050, e um Brasil mais seco ter\u00e1 bastante dificuldade em atender esses novos consumidores.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24155633\/768-crops.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption>O ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia, que intensificar\u00e1 as secas, n\u00e3o prejudicar\u00e1 apenas o agroneg\u00f3cio em grande escala, mas tamb\u00e9m os agricultores familiares brasileiros que alimentam a maior parte do pa\u00eds. Foto: \u00a9 Kevin Arnold \/ TNC.<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Menos \u00e1gua e mais demanda<\/h4>\n<p>Fazendeiros que buscam se adaptar \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das chuvas por meio da irriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e3o facilidade no novo cen\u00e1rio. Hoje, menos de 10% das planta\u00e7\u00f5es brasileiras s\u00e3o irrigadas, mas, com a redu\u00e7\u00e3o das chuvas e o crescimento da demanda, \u00e9 prov\u00e1vel que aumentem as tens\u00f5es e conflitos por \u00e1gua. \u201cTodos estar\u00e3o competindo por um recurso escasso\u201d, diz Roberto Schaeffer.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Norte do Brasil j\u00e1 testemunhou um aumento da irriga\u00e7\u00e3o de mais de 240% entre 2006 e 2017. E, obviamente, quanto mais \u00e1gua deixa os rios e vai para as grandes planta\u00e7\u00f5es, menos sobrar\u00e1 para a gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica, o transporte e as comunidades tradicionais da floresta.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os rios perdem volume, especialistas avaliam que os pequenos produtores ser\u00e3o os que provavelmente mais ir\u00e3o perder no \u201ccabo de guerra\u201d pela \u00e1gua da Amaz\u00f4nia. \u201cFicou mais dif\u00edcil plantar culturas que demandam um per\u00edodo de crescimento completo de seis meses. Ent\u00e3o os agricultores t\u00eam de optar por cultivos de ciclo mais curto. A vida ficou bem mais prec\u00e1ria\u201d, comenta Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Bentes, coordenador da Sociedade para a Pesquisa e Prote\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente (Sapopema), uma pequena ONG com sede na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Bentes viu agricultores optando por cultivos que n\u00e3o dependem de um ciclo completo de seis meses, como a ab\u00f3bora, para se adaptarem \u00e0 chuva intermitente. Como pode ser cultivada em poucos meses, a produ\u00e7\u00e3o quase dobrou no \u00faltimo ano. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de ab\u00f3bora na regi\u00e3o de Santar\u00e9m aumentou de 100 toneladas em 2018 para 180 toneladas em 2019\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cCom mudan\u00e7as nos ciclos das chuvas, alteram-se os padr\u00f5es de colheita e plantio. Grandes fazendeiros podem se adaptar, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para pequenos agricultores que usam a terra para sobreviver\u201d, explica Monica deBolle. Mudan\u00e7as no clima atingir\u00e3o com impacto bem maior as fam\u00edlias pobres e podem causar uma crise de migra\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que est\u00e1 acontecendo na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24155852\/1-bolsonaro-dec-27-2019-belo-monte-inauguration-768x434-768x434.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"361\" \/><figcaption>Em 27 de novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro celebra o t\u00e9rmino oficial da constru\u00e7\u00e3o da mega-hidrel\u00e9trica de Belo Monte, inaugurando sua \u00faltima turbina. Especialistas temem que a usina nunca se torne economicamente vi\u00e1vel devido ao agravamento da seca e ao desmatamento a montante do Rio Xingu, que reduziu sua vaz\u00e3o. Foto: Pal\u00e1cio do Planalto.<\/figcaption><\/figure>\n<h4>A morte da Amaz\u00f4nia: riscos pol\u00edticos e sociais<\/h4>\n<p>Em seu primeiro ano no governo, Bolsonaro negou a mudan\u00e7a clim\u00e1tica; seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores acredita que o aquecimento global \u00e9 uma farsa para que o poder econ\u00f4mico deixe o Ocidente e a China possa conquistar a domina\u00e7\u00e3o mundial. O governo tamb\u00e9m fechou os olhos para a ci\u00eancia e o risco iminente do ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O presidente at\u00e9 agora mostrou desd\u00e9m pela pol\u00edtica ambiental brasileira do passado \u2013 um exemplo para o mundo, pois reduziu drasticamente o desmatamento \u2013 e \u00e9 um defensor ferrenho do desenvolvimento agressivo da Amaz\u00f4nia, com planos para expandir a minera\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e o agroneg\u00f3cio em reservas ind\u00edgenas, e de construir novas estradas e hidrel\u00e9tricas, iniciativas que poder\u00e3o antecipar rapidamente esse ponto de virada irrevers\u00edvel para o equil\u00edbrio do bioma.<\/p>\n<p>Alguns produtores agr\u00edcolas pragm\u00e1ticos veem como prioridade a estabilidade do clima regional, mas outros ignoram a ci\u00eancia, considerando-a um mito, diz Juliano Assun\u00e7\u00e3o. \u201cTodos os dias eu me pergunto por que [partes do lobby ruralista] est\u00e3o lutando contra a agenda ambiental com tanta for\u00e7a, uma vez que ela \u00e9 t\u00e3o relevante para a agricultura\u201d, diz ele. \u201c\u00c9 dif\u00edcil entender qual \u00e9 a l\u00f3gica por tr\u00e1s disso. A agenda ambiental est\u00e1 associada a atividades econ\u00f4micas relevantes. Ent\u00e3o, por que est\u00e3o desorganizando uma pol\u00edtica que funciona, a um custo t\u00e3o alto para a sua reputa\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>De fato, esse custo tende a ser bastante alto. A agenda antiambiental praticamente inegoci\u00e1vel de Bolsonaro pode atrapalhar o fechamento do maior acordo comercial do mundo, entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia. A oposi\u00e7\u00e3o ao pacto comercial est\u00e1 crescendo na UE, por causa dos inc\u00eandios do ano passado na Amaz\u00f4nia e das pol\u00edticas do presidente.<\/p>\n<p>Evitar os riscos clim\u00e1ticos \u00e9 \u201cde interesse do agroneg\u00f3cio\u201d, resume Marcos Costa, do IPCC. Mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o sazonal e total podem impactar a produtividade, os lucros e at\u00e9 a seguran\u00e7a alimentar, escreveu ele em um artigo de 2019.<\/p>\n<p>Narrativas ambientais arriscadas \u2013 como o ponto de inflex\u00e3o da Amaz\u00f4nia ou os planos de desenvolvimento de Bolsonaro para a regi\u00e3o \u2013 podem tamb\u00e9m afastar investidores do agroneg\u00f3cio e aumentar a amea\u00e7a de boicotes de consumidores internacionais, acredita Monica deBolle. \u201cA for\u00e7a geopol\u00edtica brasileira \u00e9 o meio ambiente\u201d, diz ela. \u201cAt\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, est\u00e1vamos numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada.\u201d<\/p>\n<p>O atual problema de imagem do Brasil n\u00e3o \u00e9 apenas ambiental, mas tamb\u00e9m social e econ\u00f4mico, acrescenta deBolle, observando que uma por\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica vive do extrativismo. \u201cCom a floresta morrendo, a subsist\u00eancia acaba. O que acontecer\u00e1 com essas pessoas numa situa\u00e7\u00e3o em que a floresta come\u00e7ar a desaparecer?\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/imgs.mongabay.com\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2020\/02\/24160148\/amazon-rainforest-copy.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\" \/><figcaption>A aparente abund\u00e2ncia de \u00e1gua da Amaz\u00f4nia alimenta a floresta, a agricultura e a infraestrutura energ\u00e9tica do Brasil. Mas, a menos que algo seja feito, essa fonte poder\u00e1 secar, devastando a economia do pa\u00eds. Foto: Rhett A. Butler \/Mongabay.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 a de que as posi\u00e7\u00f5es extremas de Bolsonaro gerem uma rea\u00e7\u00e3o ainda mais dura dentro e fora do pa\u00eds nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos de seu mandato, \u00e0 medida que ele faz press\u00e3o para explorar a floresta, colocando o Brasil e o planeta em risco.<\/p>\n<p>De acordo com um relat\u00f3rio recente do Observat\u00f3rio do Clima, nenhuma das metas brasileiras para o Acordo do Clima de Paris de 2015 foi cumprida \u2013 e as metas de desmatamento de 2020 j\u00e1 foram ultrapassadas. \u201cO que acontece no Brasil n\u00e3o fica s\u00f3 no Brasil\u201d, alerta a ONG. A morte da Amaz\u00f4nia pode ter impactos globais, com o Brasil sozinho colocando em risco o principal objetivo do Acordo de Paris: estabilizar o aquecimento global em 1,5oC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um desafio que cabe apenas aos brasileiros, diz Roberto Schaeffer. \u201cN\u00e3o se trata s\u00f3 do que pode ser feito aqui. Mesmo que o Brasil reduza violentamente suas emiss\u00f5es [contendo o desmatamento], e a China e a Europa n\u00e3o reduzam as suas, isso n\u00e3o resolve o problema.\u201d A mudan\u00e7a clim\u00e1tica global continuar\u00e1 empurrando a Amaz\u00f4nia rumo ao ponto de inflex\u00e3o, s\u00f3 que mais lentamente.<\/p>\n<p>\u201cO que o mundo pode fazer [para salvar a Amaz\u00f4nia] \u00e9 simples: cumprir as promessas feitas por aquelas pessoas respeit\u00e1veis de terno e gravata no Acordo de Paris\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ultrapassar o ponto de inflex\u00e3o que transformaria a Floresta Amaz\u00f4nica em uma savana seria \u201ccatastr\u00f3fico\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":125968,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ultrapassar o ponto de inflex\u00e3o que transformaria a Floresta Amaz\u00f4nica em uma savana seria \u201ccatastr\u00f3fico\u201d","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125967"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125967\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}