{"id":125897,"date":"2020-04-25T14:22:30","date_gmt":"2020-04-25T17:22:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125897"},"modified":"2020-04-25T14:22:30","modified_gmt":"2020-04-25T17:22:30","slug":"o-papel-de-gado-e-soja-no-ciclo-de-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-papel-de-gado-e-soja-no-ciclo-de-desmatamento\/","title":{"rendered":"O papel de gado e soja no ciclo de desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Agricultura e pecu\u00e1ria pressionam a Amaz\u00f4nia h\u00e1 d\u00e9cadas e s\u00e3o fruto do modelo adotado pelo regime militar para &#8220;desenvolver&#8221; a regi\u00e3o, que j\u00e1 perdeu \u00e1rea de floresta equivalente a mais de duas Alemanhas.<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"storyimage fullwidth inlineimage\" data-aop=\"image\"><span class=\"image\" data-attrib=\"picture-alliance\/dpa\/AP\/L. Correa\" data-caption=\"Presente na Amaz\u00f4nia desde o s\u00e9culo 17, pecu\u00e1ria na regi\u00e3o foi incentivada pelo regime militar\" data-id=\"71\" data-m=\"{&quot;i&quot;:71,&quot;p&quot;:70,&quot;n&quot;:&quot;openModal&quot;,&quot;t&quot;:&quot;articleImages&quot;,&quot;o&quot;:1}\"><img loading=\"lazy\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/AAGvAAx.img?h=450&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f\" alt=\"Presente na Amaz\u00f4nia desde o s\u00e9culo 17, pecu\u00e1ria na regi\u00e3o foi incentivada pelo regime militar\" width=\"639\" height=\"360\" data-src=\"{&quot;default&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;80&quot;,&quot;h&quot;:&quot;45&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/AAGvAAx.img?h=450&amp;w=799&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;size3column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;35&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/AAGvAAx.img?h=352&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;},&quot;size2column&quot;:{&quot;load&quot;:&quot;default&quot;,&quot;w&quot;:&quot;62&quot;,&quot;h&quot;:&quot;35&quot;,&quot;src&quot;:&quot;\/\/img-s-msn-com.akamaized.net\/tenant\/amp\/entityid\/AAGvAAx.img?h=352&amp;w=624&amp;m=6&amp;q=60&amp;o=f&amp;l=f&quot;}}\" \/><\/span><span class=\"caption truncate\"><span class=\"attribution\">\u00a9 picture-alliance\/dpa\/AP\/L. Correa<\/span>\u00a0Presente na Amaz\u00f4nia desde o s\u00e9culo 17, pecu\u00e1ria na regi\u00e3o foi incentivada pelo regime militar<\/span><\/span><\/p>\n<p>A Floresta Amaz\u00f4nica passou por diversas tentativas de coloniza\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria do Brasil, mas foi durante o regime militar que o &#8220;desenvolvimento&#8221; da Amaz\u00f4nia se tornou uma prioridade para o governo, sob o lema &#8220;integrar para n\u00e3o entregar&#8221;. A ocupa\u00e7\u00e3o do bioma impulsionou o avan\u00e7o de fronteiras agr\u00edcolas por regi\u00f5es antigamente cobertas por florestas.<\/p>\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, apenas uma \u00e1rea pouco maior do que a de Portugal, que tem cerca de 92 mil quil\u00f4metros quadrados, havia sido desmatada na regi\u00e3o. Com o discurso de expandir e modernizar, o regime militar impulsionou obras de infraestrutura que se tornaram respons\u00e1veis pela devasta\u00e7\u00e3o do bioma. A constru\u00e7\u00e3o de estradas na floresta abriu caminho tanto para o chamado progresso como para o desmatamento, que, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2018 j\u00e1 atingia uma \u00e1rea superior a duas Alemanhas: 783 mil quil\u00f4metros quadrados na Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>Veja o Especial da DW Brasil sobre a Amaz\u00f4nia<\/p>\n<p>Cinco d\u00e9cadas depois, Sorriso, no Mato Grosso, se tornou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/o-avan%C3%A7o-ilegal-da-soja-sobre-a-floresta\/a-52242760\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"130\" data-m=\"{&quot;i&quot;:130,&quot;p&quot;:70,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:2}\">capital da soja<\/a>\u00a0e do agroneg\u00f3cio, e o pasto passou a ser a cobertura que ocupa 80% da \u00e1rea desmatada desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o agropecu\u00e1ria na regi\u00e3o ocorreu como um efeito domin\u00f3, diz o ge\u00f3grafo Herv\u00e9 Th\u00e9ry, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O modelo mais comum come\u00e7a com a abertura da floresta por madeireiros, que levam \u00e1rvores de maior valor econ\u00f4mico. Em seguida, chegam os pecuaristas e pequenos agricultores.<\/p>\n<p>&#8220;Os dois grupos s\u00e3o culpados pelo desmatamento, por\u00e9m, os grandes t\u00eam muito mais meios e fazem mais estragos. Os pequenos se instalam para produzir alimentos para a fam\u00edlia e para vender. Depois de um tempo, a fertilidade da terra diminui e eles precisam ir para outro lugar. Geralmente, colocam capim e vendem para os pecuaristas&#8221;, explica Th\u00e9ry.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos a chegar neste modelo s\u00e3o os sojicultores, que compram \u00e1reas desmatadas utilizadas anteriormente para a cria\u00e7\u00e3o de gado. Ao longo dos anos, as fronteiras deste ciclo s\u00e3o pressionadas cada vez mais para o norte.<\/p>\n<h3>Pasto e gado<\/h3>\n<p>Um dos primeiros atores neste processo de expans\u00e3o sobre a floresta, a pecu\u00e1ria est\u00e1 presente na Amaz\u00f4nia desde o s\u00e9culo 17, quando foi introduzida por ordens religiosas. Apesar de ter uma presen\u00e7a hist\u00f3rica no bioma, de acordo com a ge\u00f3grafa Susanna Hecht, do Instituto Superior de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento, em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, a pecu\u00e1ria inicialmente era voltada para fornecer alimento e, apenas ap\u00f3s golpe militar de 1964, passou a ser utilizada para a ocupa\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Em suas pol\u00edticas de desenvolvimento da Amaz\u00f4nia, o regime militar ofereceu uma s\u00e9rie de incentivos legais e fiscais para a expans\u00e3o da atividade econ\u00f4mica no bioma. Grandes empresas tamb\u00e9m foram beneficiadas. Um exemplo emblem\u00e1tico foi a fazenda-modelo da montadora alem\u00e3 Volkswagen no sul do Par\u00e1, denunciada na imprensa internacional pelo desmatamento causado na regi\u00e3o no final da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 necessidade de pouca m\u00e3o de obra, \u00e0 facilidade de implementa\u00e7\u00e3o e a uma log\u00edstica mais simples para seu escoamento, a pecu\u00e1ria se tornou a atividade ideal na pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o do regime militar, explica Hecht. &#8220;Historicamente, a pecu\u00e1ria assumiu um papel importante de incorpora\u00e7\u00e3o de terra, tomando terras p\u00fablicas e as transformando em propriedades privadas, al\u00e9m de ser um mecanismo de especula\u00e7\u00e3o de terra&#8221;, pontua.<\/p>\n<h3>Soja<\/h3>\n<p>Anos depois, chegou a vez da soja entrar na Amaz\u00f4nia. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao avan\u00e7o de pesquisas agron\u00f4micas no desenvolvimento de sementes e t\u00e9cnicas que possibilitaram o cultivo do gr\u00e3o em regi\u00f5es tropicais. A expans\u00e3o da commodity come\u00e7ou no sul do pa\u00eds e seguiu avan\u00e7ando para o norte, entrando primeiro no Cerrado e, posteriormente, no bioma amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>&#8220;A demanda cont\u00ednua na d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000 criou uma din\u00e2mica de desmatamento em que a soja substituiu os pastos existentes, estimulando novos desmatamentos para a cria\u00e7\u00e3o de gado na Amaz\u00f4nia&#8221;, afirma a cientista pol\u00edtica Regine Sch\u00f6nenberg, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento da demanda mundial pelo gr\u00e3o, melhorias na rede de infraestrutura e, principalmente na BR-163, conhecida como rodovia da soja, que liga o Mato Grosso a Santar\u00e9m, no Par\u00e1, impulsionaram a expans\u00e3o da atividade na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por serem os \u00faltimos a chegar neste ciclo, os produtores de soja argumentam que n\u00e3o contribuem para o desmatamento. Na opini\u00e3o do ge\u00f3grafo Antonio Ioris, da Universidade de Cardiff, essa ret\u00f3rica \u00e9 uma fal\u00e1cia devido \u00e0 sinergia entre os setores.<\/p>\n<p>&#8220;Em termos ret\u00f3ricos, pega bem para o setor de gr\u00e3os dizer que n\u00e3o desmata. Nessa l\u00f3gica, eles tentam se eximir de responsabilidades. Mas, ainda que muitas vezes n\u00e3o seja o sojicultor que desmata a floresta, o pecuarista desmata sabendo que a terra vai ganhar valor e que poder\u00e1 vend\u00ea-la para o sojicultor&#8221;, explica Ioris.<\/p>\n<p>Nesse ciclo, pesquisadores destacam um dos principais fatores que contribuem para continuidade deste processo: a grilagem e posterior legaliza\u00e7\u00e3o destas terras. &#8220;Pode demorar um pouco mais ou um pouco menos, mas no final das contas essa terra acaba sendo regularizada, e quem est\u00e1 l\u00e1 ou seus familiares passam a ser os propriet\u00e1rios&#8221;, afirma a ge\u00f3grafa Neli Aparecida de Mello-Th\u00e9ry, da USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agricultura e pecu\u00e1ria pressionam a Amaz\u00f4nia h\u00e1 d\u00e9cadas e s\u00e3o fruto do modelo adotado pelo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Agricultura e pecu\u00e1ria pressionam a Amaz\u00f4nia h\u00e1 d\u00e9cadas e s\u00e3o fruto do modelo adotado pelo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125897"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125897\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}