{"id":12585,"date":"2014-12-20T21:33:46","date_gmt":"2014-12-20T21:33:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12585"},"modified":"2014-12-20T21:34:15","modified_gmt":"2014-12-20T21:34:15","slug":"agua-mais-antiga-do-mundo-tem-entre-1-bilhao-e-25-bilhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agua-mais-antiga-do-mundo-tem-entre-1-bilhao-e-25-bilhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"\u00c1gua mais antiga do mundo tem entre 1 bilh\u00e3o e 2,5 bilh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/agua_antiga.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-12587\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/agua_antiga.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/agua_antiga.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/agua_antiga-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>N\u00e3o estamos s\u00f3s. A milhares de quil\u00f4metros de profundidade, onde h\u00e1 mais \u00e1gua do que em toda a superf\u00edcie do planeta, pequenas formas de vida podem estar se multiplicando. Estes organismos remontam a at\u00e9 2,5 bilh\u00f5es de anos e poderiam contar novos detalhes sobre a origem da Terra.<\/p>\n<p>Os seres desconhecidos viveriam em uma \u00e1rea superior \u00e0 soma de todos os oceanos, lagos, p\u00e2ntanos e rios do mundo. Sua origem seria fruto de uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua com a crosta continental. O resultado seria a libera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio, uma potencial fonte de alimento.<\/p>\n<p>Professora de Microbiologia da Universidade de Toronto, no Canad\u00e1, Barbara Sherwood Lollar pesquisou rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas subterr\u00e2neas dentro de 19 minas \u2014 uma delas, no pa\u00eds, de 2,4 quil\u00f4metros de profundidade. Com base em seu levantamento, ela acredita que grandes \u00e1reas da crosta profunda estariam abrigando vida. At\u00e9 hoje, poucos estudos abordam esta possibilidade.<\/p>\n<p>\u2014 Esta \u00e9 uma grande quantidade de rochas que, muitas vezes, ignoramos em dois aspectos: na sua possibilidade de contar acontecimentos do passado e as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas ali presentes, que poderiam mostrar eventuais condi\u00e7\u00f5es de vida \u2014 explica Barbara, autora chefe do estudo, publicado na revista cient\u00edfica \u201cNature\u201d.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio Gon\u00e7alves Tiago, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da USP, corrobora a tese da cientista canadense.<\/p>\n<p>\u2014 A produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio na crosta continental sempre foi negligenciada pela ci\u00eancia. Este trabalho pode ser uma prova de que a subst\u00e2ncia tamb\u00e9m est\u00e1 ali e, assim, permitiria a exist\u00eancia de alguma forma\u00e7\u00e3o de vida nesta regi\u00e3o profunda \u2014 avalia. \u2014 Seriam formas muito antigas, de at\u00e9 2,5 bilh\u00f5es de anos. Levando em conta que o planeta tem 6 bilh\u00f5es de anos, eles nos dariam uma documenta\u00e7\u00e3o in\u00e9dita sobre nossa origem.<\/p>\n<p>O pesquisador cogita que a crosta seria lar de formas de vida ainda mais primitivas do que organismos.<\/p>\n<p>\u2014 Um dos princ\u00edpios da biologia c\u00f3smica \u00e9 de que a Terra seria o resultado de uma chuva de mol\u00e9culas org\u00e2nicas que vieram do espa\u00e7o. Pode ser que encontremos estas mol\u00e9culas sob o oceano.<\/p>\n<p><strong>\u2018GIGANTE ADORMECIDO\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A cientista define as rochas profundas como um \u201cgigante adormecido\u201d, um dep\u00f3sito onde \u00e9 poss\u00edvel encontrar dados sobre hist\u00f3ricos da atmosfera terrestre. Perfura\u00e7\u00f5es cada vez maiores mostram que a \u00e1gua \u00e9 t\u00e3o antiga como a pr\u00f3pria crosta.<\/p>\n<p>\u2014 A maioria dos estudos sobre a vida na superf\u00edcie concentra-se em sistemas de oceano marinhos, como sedimentos ou fontes hidrotermais. Os processos de alta temperatura entre \u00e1gua e rocha que j\u00e1 conhecemos produz energia para vida microbiana \u2014 afirma. \u2014 At\u00e9 agora, no entanto, as pessoas n\u00e3o perceberam que rea\u00e7\u00f5es semelhantes podem ocorrer na crosta continental. \u00c9 por isso que tentamos acordar o gigante. Queremos mudar a compreens\u00e3o de como a superf\u00edcie da Terra pode ser habit\u00e1vel, e h\u00e1 muitos locais que ainda podem ser explorados e poderiam indicar formas de vida.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 rede BBC, Chris Ballentine, coautor da pesquisa de Toronto, afirmou que a idade da \u00e1gua \u00e9 apenas uma das surpresas reveladas pela perfura\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 impressionante como a \u00e1gua est\u00e1 preservada e mantida por tanto tempo. E pensar que, por baixo de nossos p\u00e9s, h\u00e1 muito mais do que apenas rochas. At\u00e9 agora, ningu\u00e9m considera que hidrog\u00eanio poderia ser produzido na crosta continental. Mostramos como isso est\u00e1 errado, e que ele est\u00e1 presente tanto ali como no resto do planeta.<\/p>\n<p>Barbara e Ballentine, por\u00e9m, admitem que ainda est\u00e1 cedo para saber se a regi\u00e3o estudada seria habit\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u2014 Queremos agora seguir o \u201cmapa do tesouro\u201d, ir a estes s\u00edtios e definir qual \u00e9 a extens\u00e3o dessas hidrosfera, ver a extens\u00e3o de cada era hist\u00f3rica, e tentar entender as diferen\u00e7as entre os tipos de vista que poderemos encontrar em cada fratura da crosta \u2014 enumera a pesquisadora. \u2014 E \u00e9 ainda mais excitante que, se entendermos o limite da vida, entenderemos tamb\u00e9m o que n\u00e3o vemos na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Outro estudo, apresentado esta semana pelo Programa Internacional de Descobrimento do Oceano, encontrou micro-organismos que vivem a 2,4 mil metros abaixo do n\u00edvel do mar, pr\u00f3ximo \u00e0 costa japonesa. Os organismos unicelulares sobrevivem neste ambiente com base em uma dieta de baixa caloria de compostos de hidrocarbonetos. Outro mecanismo fundamental para sua vida seria o metabolismo lento, de acordo com a pesquisadora Elizabeth Trembath-Reichert, do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Como os organismos expelem metano, um g\u00e1s de efeito estufa, ele poderia ter um grande impacto sobre o clima terrestre. Os pesquisadores tamb\u00e9m avaliam que, se eles s\u00e3o capazes de sobreviver em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas na Terra, poderiam adaptar-se a outros planetas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria geol\u00f3gica do planeta tamb\u00e9m j\u00e1 passou por Ju\u00edna, no interior do Mato Grosso. Um estudo publicado na \u201cScience\u201d por pesquisadores brit\u00e2nicos, americanos e brasileiros mostrou a exist\u00eancia na regi\u00e3o de diamantes a at\u00e9 600 quil\u00f4metros abaixo do solo, no manto interior da Terra. Nenhum outro lugar do planeta tem um grupo de minerais t\u00e3o significativo. Os diamantes s\u00e3o a mat\u00e9ria-prima ideal para pesquisas de geologia, devido \u00e0 sua longa durabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o estamos s\u00f3s. 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