{"id":125787,"date":"2020-04-24T10:00:21","date_gmt":"2020-04-24T13:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125787"},"modified":"2020-04-24T04:58:25","modified_gmt":"2020-04-24T07:58:25","slug":"uma-populacao-de-asteroides-de-origem-interestelar-habita-o-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-populacao-de-asteroides-de-origem-interestelar-habita-o-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides de origem interestelar habita o Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-125788\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Estudo realizado no Instituto de Geoci\u00eancias e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE-Unesp), em Rio Claro, identificou 19 asteroides do tipo Centauro de origem interestelar. Os Centauros s\u00e3o objetos que orbitam o Sol na regi\u00e3o compreendida entre os planetas gigantes do Sistema Solar.<\/p>\n<p>Artigo a respeito, intitulado \u201c<strong><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/494\/2\/2191\/5822028\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">An interstellar origin for high-inclination Centaurs<\/a><\/strong>\u201d, foi publicado nesta quinta-feira (23\/04)\u00a0na revista\u00a0<i>Monthly Notices\u00a0<\/i>da Royal Astronomical Society. A pesquisa contou com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/101243\/ressonancias-orbitais-em-configuracoes-com-inclinacao-mutua-arbitraria\/?q=2018\/08620-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cO Sistema Solar formou-se h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos em um ber\u00e7\u00e1rio de estrelas, com os seus sistemas de planetas e asteroides. A proximidade entre as estrelas favorecia fortes intera\u00e7\u00f5es gravitacionais que levavam \u00e0 troca de material entre os sistemas. Assim, alguns objetos atualmente no Sistema Solar devem ter-se formado em torno de outras estrelas. No entanto, at\u00e9 recentemente, n\u00e3o tinha sido poss\u00edvel distinguir os objetos interestelares capturados daqueles formados em torno do pr\u00f3prio Sol. A primeira identifica\u00e7\u00e3o foi feita por n\u00f3s em 2018\u201d, diz a autora do estudo,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/681727\/maria-helena-moreira-morais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maria Helena Moreira Morais<\/a><\/strong>, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Graduada em f\u00edsica-matem\u00e1tica pela Universidade do Porto (Portugal) e doutorada em din\u00e2mica do Sistema Solar pela University of London (Reino Unido), Morais \u00e9 atualmente professora do IGCE-Unesp e realizou o estudo agora publicado em parceria com Fathi Namouni, pesquisador do Observatoire de Nice, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A primeira identifica\u00e7\u00e3o a que Morais se refere, a do asteroide Ka`epaoka`awela, foi objeto de reportagem\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/asteroide-extrassolar-orbita-o-sol-ha-45-bilhoes-de-anos\/27851\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>publicada<\/strong><\/a>\u00a0na\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0em 2018.<\/p>\n<p>O nome Ka`epaoka`awela significa, em l\u00edngua havaiana, \u201cO travesso de J\u00fapiter\u201d, porque esse asteroide se mant\u00e9m sempre pr\u00f3ximo de J\u00fapiter, mas orbitando o Sol no sentido oposto ao dos planetas. \u201cQuando o identificamos como um objeto originado fora do Sistema Solar, n\u00e3o sab\u00edamos se ele era um caso isolado ou membro de uma vasta popula\u00e7\u00e3o de asteroides imigrantes. No estudo mais recente, reconhecemos 19 Centauros de origem interestelar\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Assim como o Ka`epaoka`awela, os Centauros identificados na pesquisa t\u00eam \u00f3rbitas muito inclinadas em rela\u00e7\u00e3o ao plano orbital dos planetas. \u201cPara investigar a origem desses objetos, constru\u00edmos uma simula\u00e7\u00e3o computacional que funciona como\u00a0m\u00e1quina do tempo, fazendo retroceder suas trajet\u00f3rias at\u00e9 4,5 bilh\u00f5es de anos no passado. Essa simula\u00e7\u00e3o permitiu-nos identificar onde esses objetos se encontravam naquela \u00e9poca\u201d, explica Morais.<\/p>\n<p>Os planetas e asteroides originados no pr\u00f3prio Sistema Solar formaram-se a partir de um fino disco de g\u00e1s e poeira que orbitava o Sol. Por essa raz\u00e3o, todos eles se moviam no plano do disco h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos. Se os Centauros em quest\u00e3o tivessem se originado no Sistema Solar, eles tamb\u00e9m deveriam mover-se no plano do disco naquela \u00e9poca. \u201cNo entanto, nossa simula\u00e7\u00e3o mostrou que, h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos, esses objetos giravam em torno do Sol em \u00f3rbitas perpendiculares ao plano do disco. E o faziam em uma regi\u00e3o afastada dos efeitos gravitacionais do disco original\u201d, informa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Essas duas observa\u00e7\u00f5es mostram que esses Centauros n\u00e3o pertenciam originalmente ao Sistema Solar e devem ter sido capturados de estrelas pr\u00f3ximas durante a fase de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p><b>Ber\u00e7\u00e1rio de estrelas<\/b><\/p>\n<p>A descoberta no Sistema Solar de uma popula\u00e7\u00e3o de asteroides de origem interestelar \u00e9 um passo importante para compreender, por meio de futuras observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e possivelmente de miss\u00f5es espaciais, as diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre objetos formados no Sistema Solar e objetos vindos de fora. \u201cO estudo dessa popula\u00e7\u00e3o poder\u00e1 fornecer informa\u00e7\u00e3o sobre o ber\u00e7\u00e1rio estelar em que o Sol se formou, o processo de captura de objetos interestelares no Sistema Solar primordial e a import\u00e2ncia do material interestelar no enriquecimento qu\u00edmico do Sistema Solar\u201d, diz Morais.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao enriquecimento qu\u00edmico, vale lembrar que o Universo primordial era constitu\u00eddo essencialmente de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio. Os elementos naturais mais pesados que integram a tabela peri\u00f3dica formaram-se por fus\u00e3o nuclear no interior das estrelas e se espalharam depois pelo espa\u00e7o. A regi\u00e3o em que se localiza o Sistema Solar foi enriquecida quimicamente por esses elementos, que ajudaram a compor o pr\u00f3prio corpo humano.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>An interstellar origin for high-inclination Centaurs<\/i>\u00a0pode ser acessado em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/494\/2\/2191\/5822028\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/494\/2\/2191\/5822028<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado no Instituto de Geoci\u00eancias e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE-Unesp), em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":125788,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/asteroide.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo realizado no Instituto de Geoci\u00eancias e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE-Unesp), em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125787"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}