{"id":125692,"date":"2020-04-19T00:00:04","date_gmt":"2020-04-19T03:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125692"},"modified":"2020-04-22T12:50:50","modified_gmt":"2020-04-22T15:50:50","slug":"maior-branqueamento-de-corais-da-historia-preocupa-pesquisadores-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maior-branqueamento-de-corais-da-historia-preocupa-pesquisadores-no-rn\/","title":{"rendered":"Maior branqueamento de corais da hist\u00f3ria preocupa pesquisadores no RN"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-header\">\n<header class=\"td-post-title\">Apesar de n\u00e3o matar o coral, o branqueamento o deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 morte, colocando o ecossistema em risco<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\">\n<figure id=\"attachment_786326\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-786326\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-786326 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1898.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"482\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-786326\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Natalia Roos\/Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>O processo de branqueamento dos recifes de corais na regi\u00e3o de Rio do Fogo, no Rio Grande do Norte, registrado nos \u00faltimos meses, foi o maior da hist\u00f3ria. A mudan\u00e7a dos tons dos corais de terrosos para branco tem preocupado os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cRegistros anteriores, de 2010, mostraram que 70% da \u00e1rea monitorada tinha sido afetada. Hoje constatamos um impacto superior a 80%\u201d, contou ao G1 o bi\u00f3logo e pesquisador Guilherme Longo.<\/p>\n<p>O branqueamento dos corais, de acordo com o especialista, ocorre por conta do aumento da temperatura da \u00e1gua. O que preocupa os pesquisadores, por\u00e9m, \u00e9 a frequ\u00eancia e a intensidade das ondas de calor.<\/p>\n<div class=\"td-a-rec td-a-rec-id-content_inline td_uid_2_5ea05a4726000_rand td_block_template_1\">\n<p><span class=\"td-adspot-title\">APOIE A ANDA E A NOSSA CAMPANHA<\/span><\/p>\n<div class=\"td-all-devices\"><a href=\"https:\/\/doe.anda.jor.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-755273 \" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/ANDA_topo_FiqueEmCasa.jpg\" alt=\"\" width=\"628\" height=\"87\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cEssas ondas s\u00e3o fen\u00f4menos naturais que podem acontecer por v\u00e1rios motivos, como a intensifica\u00e7\u00e3o da corrente quente ou pela altera\u00e7\u00e3o das correntes mar\u00edtimas. O problema \u00e9 que antes isso acontecia duas ou tr\u00eas vezes por d\u00e9cada e agora ocorre praticamente todos os anos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cPercebemos uma magnitude impressionante no processo de branqueamento e um dos maiores indicadores foi uma esp\u00e9cie que costuma ser extremamente resistente, mas tamb\u00e9m branqueou\u201d, completou.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es naturais sejam retomadas. Mas, para isso, \u00e9 preciso que a onda de calor se dissipe. Segundo o pesquisador, n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer al\u00e9m de minimizar impactos que podem ser controlados. Dentre eles, a polui\u00e7\u00e3o dos recifes, o turismo e a pesca. \u201cQuando a gente consegue regular esses impactos, deixamos os corais na melhor condi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para lidar com fen\u00f4menos globais\u201d, disse.<\/p>\n<figure id=\"attachment_786330\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-786330\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-786330 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1902.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"482\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-786330\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Natalia Roos\/Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c\u00c9 muito preocupante, mas n\u00e3o consideramos que seja o fim. Vamos acompanhar de perto para entender quais corais v\u00e3o se recuperar, afinal, cada esp\u00e9cie tem uma capacidade diferente de recupera\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O branqueamento \u00e9 o processo de expuls\u00e3o de algas por parte dos corais. Mas isso n\u00e3o ocorre sem raz\u00e3o. Os corais abrigam migroalgas de maneira natural e, al\u00e9m de fazer fotoss\u00edntese, elas fornecem nutrientes para esses animais.<\/p>\n<p>\u201cParte da nutri\u00e7\u00e3o vem da alga e a outra parte da captura de pequenos animais e part\u00edculas da \u00e1gua. S\u00e3o essas as duas fontes de alimento dos corais\u201d, explicou Guilherme. \u201cQuanto maior a temperatura da \u00e1gua, mais vezes as microalgas se multiplicam no corais, fazendo mais fotoss\u00edntese, o que gera uma produ\u00e7\u00e3o intensa de oxig\u00eanio. Isso come\u00e7a a incomodar o coral que, para n\u00e3o se prejudicar, expulsa as algas. Dessa forma, ele perde basicamente metade da nutri\u00e7\u00e3o\u201d, completou.<\/p>\n<p>Essa expuls\u00e3o altera a colora\u00e7\u00e3o dos corais, o que explica o nome desse processo ser branqueamento. \u201cA cor do coral depende da densidade das microalgas. Quando ele perde as algas, o tecido, que \u00e9 super fino, fica transparente e exp\u00f5e o esqueleto\u201d, disse.<\/p>\n<figure id=\"attachment_786325\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-786325\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-786325 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1897.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"482\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-786325\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Natalia Roos\/Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>O branqueamento, no entanto, n\u00e3o mata o animal, mas o deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 morte. \u201cBranqueamento n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de morte, mas claramente prejudica o animal, que fica suscept\u00edvel a doen\u00e7as, sens\u00edvel a infec\u00e7\u00f5es e aos agentes patog\u00eanicos e dependente da captura de animais para n\u00e3o morrer de fome\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cO branqueamento dos corais funciona como uma febre: \u00e9 um sintoma de que algo est\u00e1 errado, mas que se a situa\u00e7\u00e3o mudar, ele se recupera. Portanto, \u00e9 revers\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Guilherme, \u00e9 importante manter a sa\u00fade dos corais. \u201cEssas esp\u00e9cies t\u00eam fun\u00e7\u00e3o importante em estruturar o recife. Se voc\u00ea perde essa complexidade e deixa o ambiente homog\u00eaneo, os peixes podem ser prejudicados, perdendo abrigo e alimento\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cPense nos recifes como cidades: os corais s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es. A aus\u00eancia deles interfere nos servi\u00e7os oferecidos, afetando diversas camadas como o turismo, por exemplo\u201d, comparou o pesquisador.<\/p>\n<figure id=\"attachment_786329\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-786329\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-786329 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1901.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"193\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-786329\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/De Olho nos Corais<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Estudo<\/strong><\/h3>\n<p>Junto de outros pesquisadores de v\u00e1rias universidades brasileiras, Guilherme tra\u00e7ou o hist\u00f3rico dos animais marinhos para buscar respostas sobre a recupera\u00e7\u00e3o e a perspectiva para conserva\u00e7\u00e3o dos corais do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 entender se os recifes do Brasil est\u00e3o prontos para mudan\u00e7as no clima e fen\u00f4menos globais. Para isso reconstru\u00edmos o passado dos corais, h\u00e1 150 anos, com pesquisas em museus e entrevistas com pescadores. Tamb\u00e9m analisamos as vertentes do futuro, utilizando modelos matem\u00e1ticos e simula\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os especialistas monitoram as esp\u00e9cies.\u00a0\u201cAnalisamos col\u00f4nias espec\u00edficas com frequ\u00eancia e fazemos v\u00eddeos bem detalhados que depois, no laborat\u00f3rio, se transformam em um modelo tridimensional. \u00c9 como se fosse uma tomografia da col\u00f4nia que nos permite quantificar com precis\u00e3o a sa\u00fade do coral\u201d, acrescentou.<\/p>\n<figure id=\"attachment_786327\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-786327\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-786327 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/1899.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"643\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-786327\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/De Olho nos Corais<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m criaram um projeto por meio do qual moradores e turistas podem fotografar os corais e divulgar as imagens nas redes sociais. \u201cA costa brasileira \u00e9 muito extensa e os estudos n\u00e3o devem se limitar \u00e0 \u00e1rea de monitoramento, por isso criamos um projeto de ci\u00eancia cidad\u00e3 chamado \u2018De olho nos corais\u2019, disponibilizado no Instagram\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma conseguimos analisar a sa\u00fade dos corais em outras regi\u00f5es e garantimos um monitoramento amplo\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Para Guilherme, a participa\u00e7\u00e3o da comunidade \u00e9 essencial. \u201cO envolvimento das pessoas nessa causa \u00e9 important\u00edssimo e nesse sentido o turismo se faz pe\u00e7a fundamental. Al\u00e9m de fomentar a economia local e incentivar projetos de pesquisa, as pessoas t\u00eam a chance de conhecer esse ecossistema e a fragilidade dele\u201d, disse. \u201cEsse conhecimento gera uma mudan\u00e7a no comportamento das pessoas. \u00c9 o famoso conhecer para conservar\u201d, concluiu.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o matar o coral, o branqueamento o deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 morte, colocando<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apesar de n\u00e3o matar o coral, o branqueamento o deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 morte, colocando","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125692"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125692\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}