{"id":125529,"date":"2020-04-20T07:00:59","date_gmt":"2020-04-20T10:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=125529"},"modified":"2020-04-19T23:21:18","modified_gmt":"2020-04-20T02:21:18","slug":"pandemias-invasoes-biologicas-e-o-mundo-que-queremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pandemias-invasoes-biologicas-e-o-mundo-que-queremos\/","title":{"rendered":"Pandemias, invas\u00f5es biol\u00f3gicas e o mundo que queremos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-125530\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O mundo globalizado em que vivemos \u00e9 marcado por um dram\u00e1tico aumento na atividade humana na Terra e por uma maior movimenta\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias ao redor do globo. Como consequ\u00eancia, outros seres vivos t\u00eam viajado junto conosco, muitas vezes pegando carona de forma acidental, ou em outras situa\u00e7\u00f5es sendo levadas propositadamente e introduzidas fora da sua \u00e1rea natural de ocorr\u00eancia. Muitas dessas esp\u00e9cies introduzidas acabam nem conseguindo sobreviver no novo ambiente. Mas algumas delas conseguem se dispersar e estabelecer novas popula\u00e7\u00f5es al\u00e9m do ponto onde foram introduzidas.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as chamadas esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, atualmente reconhecidas como uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade e respons\u00e1veis por imensos impactos econ\u00f4micos e dram\u00e1ticos impactos sociais em todo o mundo. Voc\u00ea certamente conhece ou j\u00e1 ouviu de muitas ou de algumas delas \u2013 o mexilh\u00e3o-dourado (<em>Limnoperma fortunei<\/em>), o javali (<em>Sus scrofa<\/em>), o mosquito-da-dengue (<em>Aedes aegypti<\/em>), a til\u00e1pia-do-nilo (<em>Oreochromis niloticus<\/em>) e boa parte das plantas ornamentais que usamos nos nossos jardins s\u00e3o exemplos de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras. Temos hoje mais de 450 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras no Brasil, algumas delas com import\u00e2ncia econ\u00f4mica e que devem ser manejadas corretamente por quem as produz para que tenhamos nossos objetivos de sustentabilidade atingidos.<\/p>\n<p>A dissemina\u00e7\u00e3o de um agente causador de doen\u00e7a infecciosa, como v\u00edrus e bact\u00e9rias, pode ter muito em comum com o processo de invas\u00e3o biol\u00f3gica. Em primeiro lugar, podemos transportar esses agentes para al\u00e9m da sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o natural e introduzi-los em novas \u00e1reas, nas quais eles n\u00e3o chegariam naturalmente. Por raz\u00f5es diversas, que v\u00e3o desde aumento da convers\u00e3o de \u00e1reas naturais at\u00e9 o tr\u00e1fico e consumo de animais silvestres, nosso contato com esses agentes tem sido mais frequente. Como n\u00f3s e as mercadorias que compramos e vendemos viajam cada vez mais e para lugares cada vez mais remotos, o n\u00famero de agentes viajando tamb\u00e9m aumenta.<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cA dissemina\u00e7\u00e3o de um agente causador de doen\u00e7a infecciosa, como v\u00edrus e bact\u00e9rias, pode ter muito em comum com o processo de invas\u00e3o biol\u00f3gica.\u201d<\/div>\n<p>Como as viagens s\u00e3o cada vez mais r\u00e1pidas, a chance de sobreviv\u00eancia em viagens mais curtas tende a ser maior do que em viagens mais longas. Uma vez chegando, o estabelecimento desses agentes nas novas \u00e1reas vai depender que consigam lidar com as condi\u00e7\u00f5es ambientais nessas regi\u00f5es de ocorr\u00eancia, o que inclui o potencial de encontrar outros tipos de hospedeiros. Uma vez sobrevivendo e conseguindo reproduzir, a pr\u00f3xima etapa \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o ou o espalhamento a partir de pessoas infectadas, com ou sem sintomas, dependendo do agente. A descri\u00e7\u00e3o que acabo de fazer \u00e9 muito semelhante a um processo de invas\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que nem todos os agentes s\u00e3o levados para fora da sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o natural para \u00e1reas distantes, e muitas doen\u00e7as acabam ficando contidas nas regi\u00f5es onde evolu\u00edram. Outra grande diferen\u00e7a que vejo entre os dois processos \u00e9 que o espalhamento de agentes causadores de doen\u00e7as infecciosas \u00e9 algo que chama muito mais a aten\u00e7\u00e3o das pessoas do que invas\u00f5es biol\u00f3gicas, que amea\u00e7am a biodiversidade, por raz\u00f5es \u00f3bvias. Por\u00e9m, quando nos referimos a invas\u00f5es biol\u00f3gicas, devemos tamb\u00e9m considerar o tema como algo de relev\u00e2ncia para a sa\u00fade p\u00fablica e para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, tendo em vista que v\u00e1rias das pragas nos nossos sistemas produtivos tamb\u00e9m s\u00e3o esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras.<\/p>\n<p>Infelizmente os impactos \u00e0 biodiversidade s\u00e3o deixados de lado de maneira geral, apesar de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras serem consideradas uma das cinco maiores causas de perda de biodiversidade, juntamente com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, convers\u00e3o de habitats, polui\u00e7\u00e3o e sobreexplora\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n<p>Mas o ponto para o qual quero chamar a aten\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com nossa capacidade de preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que quando conseguimos implementar estrat\u00e9gias preventivas contra a chegada de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, os custos s\u00e3o muito mais baixos do que depois que a esp\u00e9cie j\u00e1 se estabeleceu e se espalhou. H\u00e1 uma estimativa de que para cada um d\u00f3lar gasto em preven\u00e7\u00e3o, 14 d\u00f3lares que seriam gastos em controle s\u00e3o economizados. Al\u00e9m de representar uma economia imensa para os cofres p\u00fablicos que s\u00e3o mantidos por todos n\u00f3s, ainda n\u00e3o temos os impactos negativos associados aos processos de invas\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201c\u00c9 evidente que quando conseguimos implementar estrat\u00e9gias preventivas contra a chegada de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, os custos s\u00e3o muito mais baixos do que depois que a esp\u00e9cie j\u00e1 se estabeleceu e se espalhou\u201d.<\/div>\n<p>Transpondo essa l\u00f3gica para a pandemia da Covid-19, toda a discuss\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao achatamento da curva s\u00f3 existe porque deixamos o v\u00edrus chegar e se espalhar rapidamente, mas nunca paramos para discutir o que dever\u00edamos ter feito para que a curva nem existisse. N\u00e3o estou desmerecendo aqui todo o esfor\u00e7o que vem sendo feito para que a curva seja achatada, de modo a dar uma sobrevida ao nosso sistema p\u00fablico de sa\u00fade. Muito pelo contr\u00e1rio. Sabemos que prevenir \u00e9 muito mais barato e efetivo do que remediar, e a melhor forma de fazermos isso \u00e9 entendendo as causas e implementando medidas preventivas para que essas esp\u00e9cies nem viagem, nem cheguem, nem tenham a chance de se estabelecer em novos locais. Esse mesmo racioc\u00ednio \u00e9 v\u00e1lido tanto para doen\u00e7as infecciosas emergentes quanto para invas\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Neste sentido, devemos lan\u00e7ar m\u00e3o de evid\u00eancias cient\u00edficas sobre esses problemas sist\u00eamicos, de modo a encontrar formas de reduzir nossa press\u00e3o sobre sistemas naturais e implementar medidas de biosseguran\u00e7a que reduzam nossa vulnerabilidade. Considerando o caminho que temos trilhado at\u00e9 agora, \u00e9 muito prov\u00e1vel que uma pr\u00f3xima doen\u00e7a j\u00e1 esteja a caminho. Para podermos contar nossa hist\u00f3ria de outra maneira, precisamos reinventar nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza de modo a reduzir problemas sist\u00eamicos que ameacem o nosso pr\u00f3prio bem-estar. Essa reinven\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um dos nossos maiores desafios no presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo globalizado em que vivemos \u00e9 marcado por um dram\u00e1tico aumento na atividade humana<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":125530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coral.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O mundo globalizado em que vivemos \u00e9 marcado por um dram\u00e1tico aumento na atividade humana","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=125529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/125529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/125530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=125529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=125529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=125529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}