{"id":12534,"date":"2014-12-20T11:33:41","date_gmt":"2014-12-20T11:33:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=12534"},"modified":"2014-12-20T11:33:41","modified_gmt":"2014-12-20T11:33:41","slug":"sem-acordos-em-2014-agenda-ambiental-de-2015-sera-intensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sem-acordos-em-2014-agenda-ambiental-de-2015-sera-intensa\/","title":{"rendered":"Sem acordos em 2014, agenda ambiental de 2015 ser\u00e1 intensa"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Carlos Rittl<\/h2>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNos \u00faltimos anos o Brasil virou as costas para o meio ambiente como se tivesse feito o suficiente para promover desenvolvimento sustent\u00e1vel no pa\u00eds\u201d, critica o coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Clima.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" style=\"margin: 15px; vertical-align: top;\" src=\"http:\/\/i62.tinypic.com\/vsgn7o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"297\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Foto: Hype Science<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de mais um ano em que a agenda ambiental passou ao largo das decis\u00f5es pol\u00edticas, inclusive na <strong>20\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Quadro das<\/strong> <strong>Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 COP-20<\/strong>, que terminou no \u00faltimo domingo, \u201ccorre-se o risco de se chegar em Paris em 2015 sem condi\u00e7\u00f5es de sair com um bom acordo, e isso, diante da emerg\u00eancia do clima, \u00e9 inaceit\u00e1vel\u201d, menciona <strong>Carlos Rittl<\/strong> \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o texto final da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/538408-cop-20-o-desafio-de-uma-mudanca-sistemica-e-nao-somente-climatica-entrevista-especial-com-luciano-frontelle\" target=\"_blank\"><strong>COP-20<\/strong><\/a> pouco indica que aspectos ir\u00e3o nortear os compromissos de Paris no pr\u00f3ximo ano, onde se espera a elabora\u00e7\u00e3o do acordo que substituir\u00e1 o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/516652-prestes-a-expirar-protocolo-de-kyoto-ainda-nao-tem-sucessor-a-altura\" target=\"_blank\"><strong>Protocolo de Kyoto<\/strong><\/a> em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl<\/strong> \u00e9 membro do<strong> Observat\u00f3rio do Clima<\/strong>, uma rede de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que atua em <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong> e busca estimular pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil. A ONG tem acompanhado as implica\u00e7\u00f5es das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Brasil, apontando em seus relat\u00f3rios n\u00e3o somente os n\u00fameros referentes ao<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/537661-brasil-eleva-emissoes-sem-aumentar-riqueza-diz-observatorio-do-clima\" target=\"_blank\"><strong> aumento das emiss\u00f5es<\/strong><\/a>, mas destacando os problemas ambientais e sociais que est\u00e3o correlacionados com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Recentemente o <strong>Observat\u00f3rio do Clima<\/strong> publicou os dados sobre o aumento de 7,8% das <strong>emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/strong> no Brasil em 2013, alertando para a<strong> eleva\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es<\/strong> em um cen\u00e1rio de baixo crescimento econ\u00f4mico. \u201cAumentamos quase 8% das emiss\u00f5es, enquanto a din\u00e2mica do crescimento econ\u00f4mico foi muito baixa. Ou seja, n\u00e3o existiu uma associa\u00e7\u00e3o entre crescimento econ\u00f4mico e maior uso de energia que justificasse esse aumento de emiss\u00f5es\u201d. E dispara: \u201c\u00c9 um contrassenso imaginar que as emiss\u00f5es crescem enquanto a economia brasileira tem um dos \u00edndices mais baixos de crescimento na Am\u00e9rica Latina. Isso nos preocupa bastante, porque se tivermos uma din\u00e2mica de crescimento nos pr\u00f3ximos anos sem cuidar das emiss\u00f5es de forma estrat\u00e9gica, podemos seguir caminhos bastante perigosos num momento em que o mundo se esfor\u00e7a para reduzir emiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por telefone, <strong>Rittl<\/strong> comenta a agenda ambiental brasileira, chamando aten\u00e7\u00e3o para os tr\u00eas setores que mais emitem gases de efeito estufa e para a necessidade de desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas que favore\u00e7am uma <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3654&amp;secao=351\" target=\"_blank\"><strong>economia de baixo carbono<\/strong><\/a>. \u201cAs <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong> s\u00e3o, de fato, o maior desafio ao desenvolvimento de qualquer na\u00e7\u00e3o neste s\u00e9culo XXI. Essa quest\u00e3o precisa ser tratada como um tema estrat\u00e9gico para que se concilie o desenvolvimento e o crescimento atrav\u00e9s de um caminho de reduzir as emiss\u00f5es. Hoje temos uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de clima e planos setoriais para a redu\u00e7\u00e3o do <strong>desmatamento<\/strong>, plano setorial para a ind\u00fastria, para o transporte, mas o conjunto desses planos n\u00e3o se reflete nos grandes projetos que s\u00e3o previstos para o Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura, energia, agricultura e pecu\u00e1ria, e nas medidas que pretendemos tomar para fomentar a produ\u00e7\u00e3o industrial. Nenhum desses programas est\u00e1 vinculado \u00e0 l\u00f3gica do<strong> baixo carbono<\/strong>\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531025-falta-visao-de-longo-prazo-nas-politicas-para-o-clima\" target=\"_blank\"><strong>Carlos Rittl<\/strong><\/a> \u00e9 mestre e doutor em Biologia Tropical e Recursos Naturais. Foi coordenador do Greenpeace Brasil, como coordenador da Campanha de Clima, e do WWF-Brasil, como coordenador do Programa de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Energia. Atualmente \u00e9 coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual sua avalia\u00e7\u00e3o do texto final da COP-20? O acordo final tem recebido cr\u00edticas por ter sido muito vago. Concorda com essa avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; vertical-align: top;\" src=\"http:\/\/i57.tinypic.com\/kb6h39.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Foto: C\u00e2mara dos Deputados<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> De fato o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538505-cop20-texto-de-base-para-um-futuro-tratado-sobre-clima-agrada-governos-e-irrita-ongs\" target=\"_blank\"><strong>texto final da Confer\u00eancia<\/strong><\/a> \u00e9 fraco e deixa muito trabalho pela frente em 2015. Esperava-se que se definisse a estrutura do novo acordo que ser\u00e1 discutido em Paris no pr\u00f3ximo ano, mas infelizmente os pa\u00edses chegaram a um rascunho que tem muitos aspectos que n\u00e3o d\u00e3o clareza de onde vamos chegar em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos aspectos do texto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses precisar\u00e3o emitir no ano que vem acerca de quais ser\u00e3o suas <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525365-mundo-esta-cada-vez-mais-longe-da-meta-de-reducao-das-emissoes\" target=\"_blank\"><strong>metas de emiss\u00f5es<\/strong><\/a> pretendidas para estabelecer o novo acordo, acabaram deixando incerteza de como se chegar\u00e1 a Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Em quais aspectos os resultados foram fracos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Em tr\u00eas aspectos. O processo de negocia\u00e7\u00e3o da <strong>COP-20<\/strong> queria que se chegasse a um acordo no ano que vem para definir os futuros compromissos dos pa\u00edses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e tr\u00eas agendas foram tratadas: a parte de mitiga\u00e7\u00e3o, de adapta\u00e7\u00e3o e de financiamento clim\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere \u00e0s mitiga\u00e7\u00f5es, os resultados foram fracos porque as grandes negocia\u00e7\u00f5es se perderam na decis\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538017-cop-20-comeca-com-duvida-de-quem-paga-a-conta-do-clima\" target=\"_blank\"><strong>COP-20<\/strong><\/a>. Os pa\u00edses n\u00e3o explicitaram os compromissos que ir\u00e3o assumir para reduzir as emiss\u00f5es, qual ser\u00e1 a escala que as emiss\u00f5es v\u00e3o atingir, como isso se compara a emiss\u00f5es de anos anteriores, quais s\u00e3o os setores econ\u00f4micos que v\u00e3o <strong>gerar redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es<\/strong> e de que forma esses compromissos correspondem \u00e0 urg\u00eancia do clima do limite de dois graus; tampouco esclareceram a parcela de cada pa\u00eds para garantir esse limite de dois graus. Ent\u00e3o, ser\u00e1 dif\u00edcil, no pr\u00f3ximo ano \u2014 a n\u00e3o ser com a boa vontade de cada pa\u00eds \u2014 ter clareza do que cada pa\u00eds est\u00e1 pensando em fazer em termos de mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o houve pouco avan\u00e7o na agenda de perdas e danos. Esse \u00e9 um dos componentes que vem sendo negociado e n\u00e3o houve avan\u00e7o, somente uma men\u00e7\u00e3o ao mecanismo de perdas e danos, ligada aos impactos sofridos pelos pa\u00edses. Esse componente \u00e9 importante para pa\u00edses mais pobres, que n\u00e3o t\u00eam responsabilidade sobre os efeitos das <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, mas s\u00e3o atingidos por <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531380-lancado-sistema-com-informacoes-sobre-desastres-climaticos-e-seus-impactos\" target=\"_blank\"><strong>efeitos clim\u00e1ticos extremos<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos financiamentos que v\u00e3o financiar a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o em pa\u00edses em desenvolvimento, pretende-se aumentar o recurso dispon\u00edvel do <strong>Fundo Verde Clima<\/strong> \u2014 que \u00e9 um instrumento da <strong>Conven\u00e7\u00e3o da ONU<\/strong> para esse apoio \u2014 at\u00e9 se chegar ao compromisso que os pa\u00edses assumiram anos atr\u00e1s, de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais em 2020, mas tamb\u00e9m n\u00e3o houve avan\u00e7o sobre essa quest\u00e3o. O que houve foram recursos adicionais por pa\u00edses, mas isso n\u00e3o faz frente aos custos dos eventos extremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, houve pouco avan\u00e7o com rela\u00e7\u00e3o a esses tr\u00eas componentes, e se n\u00e3o houver um esfor\u00e7o de todos os pa\u00edses, corre-se o risco de se chegar em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530513-a-conferencia-de-2015-sobre-o-clima-\" target=\"_blank\"><strong>Paris em 2015<\/strong><\/a> sem condi\u00e7\u00f5es de sair com um bom acordo, e isso, diante da emerg\u00eancia do clima, \u00e9 inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Tem sido recorrente a sensa\u00e7\u00e3o de que os acordos das Confer\u00eancias do Clima ser\u00e3o sempre postergados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Exatamente, mas o clima n\u00e3o espera a boa vontade dos pol\u00edticos; ele cobra e j\u00e1 vem cobrando um pre\u00e7o muito alto de todas as na\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sofrendo as <strong>consequ\u00eancias do aquecimento global<\/strong>. As consequ\u00eancias mais severas s\u00e3o sofridas pelas popula\u00e7\u00f5es mais pobres. \u00c9 uma pena que isso aconte\u00e7a, porque se tinha uma expectativa de que se sa\u00edsse com um acordo mais definido para o pr\u00f3ximo ano, e poderia se ter avan\u00e7ado mais em rela\u00e7\u00e3o aos compromissos de cada pa\u00eds. Obviamente n\u00e3o esper\u00e1vamos sair da Conven\u00e7\u00e3o com n\u00fameros, at\u00e9 porque o prazo para os pa\u00edses apresentarem as suas metas \u00e9 o pr\u00f3ximo ano, mas poder\u00edamos saber com clareza qual seria a parcela de responsabilidade de cada pa\u00eds ou como a parcela de responsabilidade seria distribu\u00edda entre os pa\u00edses. Mas agora n\u00e3o temos nada definido e tampouco sabemos o que ir\u00e1 nortear os compromissos de Paris. Por isso a agenda de 2015 dever\u00e1 ser muito intensa. A sociedade espera que os governos resolvam o problema do clima e assumam compromissos compat\u00edveis com a urg\u00eancia que se vive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Pode nos explicar em que consiste o conceito \u201cestagfla\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Os dados que publicamos mostram um aumento de 7,8% de emiss\u00f5es de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/522490-emissao-de-gases-de-efeito-estufa-nao-tem-reducao-efetiva-em-2012-mostra-estudo\" target=\"_blank\"><strong>gases de efeito estufa<\/strong><\/a> para o Brasil no ano de 2013, num cen\u00e1rio de baixo crescimento econ\u00f4mico. Aumentamos quase 8% das emiss\u00f5es, enquanto a din\u00e2mica do crescimento econ\u00f4mico foi muito baixa. Ou seja, n\u00e3o existiu uma associa\u00e7\u00e3o entre crescimento econ\u00f4mico e<strong> maior uso de energia<\/strong> que justificasse esse <strong>aumento de emiss\u00f5es<\/strong>. A inten\u00e7\u00e3o desse conceito \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o para a disparidade de um aumento significativo das emiss\u00f5es e o baixo crescimento econ\u00f4mico. \u00c9 um contrassenso imaginar que as emiss\u00f5es crescem enquanto a economia brasileira tem um dos \u00edndices mais baixos de crescimento na Am\u00e9rica Latina. Isso nos preocupa bastante porque se tivermos uma din\u00e2mica de crescimento nos pr\u00f3ximos anos sem cuidar das emiss\u00f5es de forma estrat\u00e9gica, podemos seguir caminhos bastante perigosos num momento em que o mundo se esfor\u00e7a para <strong>reduzir emiss\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais as implica\u00e7\u00f5es do baixo crescimento econ\u00f4mico previsto para o pr\u00f3ximo ano para a discuss\u00e3o clim\u00e1tica, especialmente no que se refere \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica brasileira? Como o baixo crescimento vai implicar na elabora\u00e7\u00e3o de uma agenda atenta \u00e0s quest\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Tudo depende da forma como a presidente e o governo v\u00e3o tratar das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o, de fato, o maior desafio ao desenvolvimento de qualquer na\u00e7\u00e3o neste s\u00e9culo XXI. Essa quest\u00e3o precisa ser tratada como um tema estrat\u00e9gico para que se concilie o desenvolvimento e o crescimento atrav\u00e9s de um caminho de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Hoje temos uma s\u00e9rie de pol\u00edticas de clima e planos setoriais para a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532045-brasil-e-exemplo-de-sucesso-na-reducao-do-desmatamento-diz-relatorio\" target=\"_blank\"><strong>redu\u00e7\u00e3o do desmatamento<\/strong><\/a>, plano setorial para a ind\u00fastria, para o transporte, mas o conjunto desses planos n\u00e3o se reflete nos grandes projetos que s\u00e3o previstos para o Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura, energia, agricultura e pecu\u00e1ria, e nas medidas que pretendemos tomar para fomentar a produ\u00e7\u00e3o industrial. Nenhum desses programas est\u00e1 vinculado \u00e0 l\u00f3gica do <strong>baixo<\/strong> <strong>carbono<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia j\u00e1 nos alerta sobre a gravidade do problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Somado a essas informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 podemos visualizar as consequ\u00eancias dos eventos extremos que acontecem hoje, os quais custam muito caro e levam \u00e0 morte de milhares de pessoas, sendo que um munic\u00edpio a cada cinco passa por situa\u00e7\u00f5es de calamidade por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ent\u00e3o, precisamos trazer o tema para a <strong>agenda ambiental<\/strong> do pa\u00eds e caso n\u00e3o se fa\u00e7a isso, corre-se o risco de continuar aumentando as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, porque est\u00e1 se investindo em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/1124-combustiveis-fosseis-podem-matar-oceanos-artigo-de-fernando-reinach\" target=\"_blank\"><strong>energias f\u00f3sseis<\/strong><\/a> enquanto o etanol foi deixado de lado \u00e0 medida que n\u00e3o houve mais pol\u00edticas claras de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/16967-substituicao-do-petroleo-pelo-etanol-deve-levar-25-anos\" target=\"_blank\"><strong>incentivo do uso de etanol<\/strong><\/a>. Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos reduzir mais as taxas de <strong>desmatamento na Amaz\u00f4nia<\/strong> e o <strong>desmatamento no<\/strong> <strong>Cerrado<\/strong> se mant\u00e9m ainda mais alto. Estamos perdendo cerca de 1 milh\u00e3o e 200 mil hectares entre <strong>florestas na Amaz\u00f4nia<\/strong> e \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o no Cerrado. Isso pode continuar daqui para frente e o Brasil pode aumentar as emiss\u00f5es, quando o mundo quer fazer um esfor\u00e7o para reduzi-las. Essa agenda tem que deixar de ser uma segunda op\u00e7\u00e3o e passar a ser priorit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel estimar que percentual do Cerrado e da Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e3o desmatados? Como o desmatamento interfere na produ\u00e7\u00e3o de energia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<table style=\"width: 200px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"vertical-align: top; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: small;\">&#8220;Ao destruir as florestas, pode-se agravar ainda mais a falta de \u00e1gua em determinados per\u00edodos&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> O <strong>desmatamento<\/strong> \u00e9 e foi, historicamente, muito importante no que diz respeito ao total das emiss\u00f5es brasileiras, porque, historicamente, houve uma destrui\u00e7\u00e3o das florestas brasileiras. A <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/cepat\/cepat-conjuntura\/500017-conjuntura-da-semana-amazonia-a-ultima-fronteira-de-expansao-do-capitalismo-brasileiro\" target=\"_blank\">Amaz\u00f4nia<\/a> <\/strong>e o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/536664-a-complexa-teia-hidrica-que-brota-do-cerrado-esta-ameacada-entrevista-especial-com-altair-sales-barbosa\" target=\"_blank\"><strong>Cerrado<\/strong><\/a>, juntos, representaram cerca de 36% de todas as emiss\u00f5es do Brasil: mais de 500 milh\u00f5es de toneladas de <strong>gases de efeito de estufa<\/strong> vieram do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o florestal. O efeito do desmatamento \u00e9 bastante direto no equil\u00edbrio tanto clim\u00e1tico local, regional, quanto no equil\u00edbrio do <strong>regime h\u00eddrico nacional<\/strong>. Quando se desmatam \u00e1reas de florestas ciliares nas beiras de nascentes, h\u00e1 perda de nascentes e assoreamento dos rios. O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531551-o-sistema-cantareira-risco-ou-oportunidade\" target=\"_blank\"><strong>sistema Cantareira<\/strong><\/a> de S\u00e3o Paulo teve mais de 70% da vegeta\u00e7\u00e3o do entorno de sua bacia distribu\u00edda ao longo do tempo. Se tivesse uma medida de recomposi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas a m\u00e9dio e longo prazo, hoje possivelmente n\u00e3o haveria essa crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos j\u00e1 mostram que n\u00e3o somente desmatamento local afeta a disponibilidade de \u00e1gua. No caso do Brasil, h\u00e1 uma circula\u00e7\u00e3o muito grande de umidade que \u00e9 bombeada pela <strong>floresta amaz\u00f4nica<\/strong> e que pelas correntes de vento circulam para o resto do pa\u00eds. O Sul e Sudeste do pa\u00eds dependem da circula\u00e7\u00e3o de umidade que vem da floresta amaz\u00f4nica. Ao destruir as florestas, pode-se agravar ainda mais a falta de \u00e1gua em determinados per\u00edodos. O desmatamento \u00e9 bastante grave e devemos reverter essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211;<\/strong> <strong>Recentemente o Observat\u00f3rio do Clima lan\u00e7ou os dados do Sistema de Estimativa de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa \u2013 SEEG, indicando para o alto \u00edndice de emiss\u00e3o de gases, mas o governo federal n\u00e3o reconheceu os dados. Como o Observat\u00f3rio do Clima contabiliza esses dados para chegar a essa conclus\u00e3o? Pode explicar as diferentes metodologias utilizadas pelo Observat\u00f3rio e pelos \u00f3rg\u00e3os do governo federal para avaliar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> N\u00f3s come\u00e7amos a produzir essas estimativas porque os dados mais recentes que temos dispon\u00edveis \u2014 quando eles s\u00e3o lan\u00e7ados \u2014 t\u00eam um lapso entre o momento em que s\u00e3o lan\u00e7ados e o per\u00edodo a que correspondem. O Brasil est\u00e1 produzindo o seu terceiro invent\u00e1rio sobre as <strong>emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/strong> para comunicar na <strong>Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong>, e esse per\u00edodo coberto pelo invent\u00e1rio terminou em 2010. Ocorre que o Brasil produziu estimativas de gases de efeito estufa at\u00e9 o ano de 2011\/2012, ou seja, os dados do governo t\u00eam sempre dois anos de atraso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atualidade. Por isso, come\u00e7amos a produzir dados para que tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de fazer uma an\u00e1lise mais pr\u00f3xima da realidade entre o rumo que as emiss\u00f5es est\u00e3o tomando, onde est\u00e3o aumentando as emiss\u00f5es e onde est\u00e3o diminuindo, para que pud\u00e9ssemos avaliar o sucesso da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. Ent\u00e3o, a nossa inten\u00e7\u00e3o era essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano apontamos o aumento de 7,8% das emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2012, especialmente em dois setores: o uso da terra, que se refere ao <strong>desmatamento<\/strong> \u2014 somente na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> a taxa de desmatamento aumentou 29% em rela\u00e7\u00e3o ao desmatamento anterior e isso levou a um aumento de 16% das emiss\u00f5es de setores do uso da terra \u2014, e energia, indicando um aumento de 7,3% por causa do aumento do consumo de gasolina, diesel e por conta do acionamento de <strong>g\u00e1s natural<\/strong> e<strong> carv\u00e3o mineral<\/strong> na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/523121-matriz-energetica-brasileira-em-transicao-uma-aposta-nuclear-entrevista-especial-com-otavio-mielnik\" target=\"_blank\">matriz de eletricidade<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Metodologia adotada pelo Observat\u00f3rio do Clima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegamos a esses n\u00fameros utilizando dados p\u00fablicos do <strong>IBGE<\/strong>, da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira, de monitoramento das florestas, da produ\u00e7\u00e3o da agricultura e da floresta, da situa\u00e7\u00e3o do tratamento de res\u00edduos, e seguimos o quanto poss\u00edvel a metodologia do <strong>IPCC<\/strong> para gera\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rio. Como n\u00e3o estamos reproduzindo totalmente o invent\u00e1rio, porque isso requer uma an\u00e1lise muita detalhada e uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o de especialistas, acabamos tomando, na aus\u00eancia de algumas informa\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es metodol\u00f3gicas para seguir o caminho mais robusto poss\u00edvel para oferecer a toda a sociedade a informa\u00e7\u00e3o de melhor qualidade. Fizemos uma an\u00e1lise dos nossos dados e chegamos acima de 90% de confian\u00e7a sobre a qualidade deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que diferencia a metodologia utilizada pelo <strong>Observat\u00f3rio do Clima<\/strong> daquela utilizada pelo governo federal \u00e9 o fato de o governo apresentar, para o uso da terra (floresta e desmatamento), apenas o dado de emiss\u00f5es l\u00edquidas, ou seja, as estimativas de florestas em rela\u00e7\u00e3o ao que foi retirado da atmosfera pela pr\u00f3pria floresta, pela regenera\u00e7\u00e3o natural ou pelo reflorestamento. N\u00f3s apresentamos os dois dados e discutimos mais as estimativas de emiss\u00f5es, porque do ponto de vista de pol\u00edtica p\u00fablica, \u00e9 onde tem de focar, ou seja, saber quais s\u00e3o as <strong>fontes de emiss\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada governo, ao fazer o invent\u00e1rio nacional, pode caracterizar a categoria de uso da terra, que \u00e9 denominada floresta sob manejo, ou seja, florestas que est\u00e3o sob a interven\u00e7\u00e3o do homem e v\u00e3o aumentar a gera\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Ocorre que o Brasil decidiu categorizar, dentro dessas florestas sob manejo, todas as \u00e1reas de <strong>conserva\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong> e <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/535485-terras-indigenas-apresentam-os-menores-indices-de-devastacao\" target=\"_blank\"><strong>terras<\/strong> <strong>ind\u00edgenas<\/strong><\/a>. Ao fazer isso, o <strong>IPCC<\/strong> define que uma quantidade fixa de carbono seria retirada da atmosfera por hectare de \u00e1rea em floresta sob manejo. Ent\u00e3o, \u00e9 algo que do ponto de vista metodol\u00f3gico, para efeito de invent\u00e1rio, o Brasil pode fazer, ou seja, pode informar \u00e0 <strong>Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong> quais s\u00e3o suas \u00e1reas de floresta sob manejo e quais s\u00e3o as \u00e1reas somente de florestas para evitar que se gere uma base de dados que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Por exemplo, no ano passado, ao aplicar a metodologia do <strong>IPCC<\/strong>, s\u00f3 em<strong> florestas da Amaz\u00f4nia<\/strong> perdemos algo em torno de 500 mil hectares e, nos c\u00e1lculos do governo, chegar\u00edamos a emiss\u00f5es negativas na Amaz\u00f4nia, ou seja, \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos resolvido o problema de emiss\u00f5es na Amaz\u00f4nia, mesmo perdendo 500 mil hectares de floresta num \u00fanico ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos que h\u00e1 um problema nos dados, por isso apresentamos os dois dados, e n\u00e3o somente o dado das emiss\u00f5es menos as remo\u00e7\u00f5es por conta dessa artificialidade na metodologia. Como disse, o governo n\u00e3o faz nada que o <strong>IPCC<\/strong> n\u00e3o permita nas suas recomenda\u00e7\u00f5es ao produzir os invent\u00e1rios, mas como o que nos interessa \u00e9 discutir pol\u00edticas de clima e averiguar onde est\u00e3o os problemas, quais s\u00e3o as causas das emiss\u00f5es e os problemas relacionados \u00e0s emiss\u00f5es, como, por exemplo, o fato de o desmatamento gerar perda de energia, perda de qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es de dependem das florestas, e consequ\u00eancias como impactos do <strong>balan\u00e7o h\u00eddrico<\/strong>, consideramos que \u00e9 fundamental ter um enfoque nas discuss\u00f5es de emiss\u00f5es no Brasil a partir das causas, das fontes e os contextos associados a elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line \u2013<\/strong> <strong>Nesse sentido, os dados publicados pelos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529806-ipcc-novo-relatorio-e-alerta-para-governos-e-sociedade\" target=\"_blank\">relat\u00f3rios do IPCC<\/a> tamb\u00e9m est\u00e3o sempre dois anos desatualizados, porque o relat\u00f3rio desse ano apontou que o Brasil cumpriu a meta de desmatamento, embora os dados do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/537661-brasil-eleva-emissoes-sem-aumentar-riqueza-diz-observatorio-do-clima\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio do Clima <\/a>apontem um aumento do desmatamento neste ano? A metodologia que o Brasil utiliza, a partir das indica\u00e7\u00f5es do IPCC, deveria ser revista em algum ponto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Os m\u00e9todos do <strong>IPCC<\/strong> v\u00e3o sendo atualizados a partir do conhecimento cient\u00edfico que \u00e9 gerado e vai se transformando em recomenda\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rios nacionais de emiss\u00f5es de <strong>gases de efeito estufa<\/strong>. O que nos parece importante \u00e9 que haja uma reflex\u00e3o de como o Brasil define a categoria de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/509341-plano-de-manejo-invade-reserva-extrativista-entrevista-especial-com-osmarino-amancio\" target=\"_blank\">florestas sob manejo<\/a>. S\u00e3o florestas sob interven\u00e7\u00e3o e que geram a remo\u00e7\u00e3o fixa de determinada quantidade de <strong>carbono<\/strong> por ano, eternamente. Mas sabemos que de fato isso n\u00e3o acontece e que existem unidades de conserva\u00e7\u00e3o no pa\u00eds que sofrem desmatamento, do mesmo modo que terras ind\u00edgenas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio haver ajustes.<\/p>\n<table style=\"width: 200px;\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"vertical-align: top; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: small;\">&#8220;Houve uma queda do desmatamento de 18% este ano, mas que sequer recupera a taxa de desmatamento do ano passado, que foi de 29%&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/519943-fiscalizacao-por-satelite-diminui-em-59-o-desmatamento-na-amazonia\" target=\"_blank\"><strong>Brasil reduziu o desmatamento<\/strong><\/a> nos \u00faltimos dez anos nos leva a crer que o pa\u00eds ir\u00e1 cumprir com a sua meta de redu\u00e7\u00e3o de <strong>emiss\u00f5es de gases de efeito estufa<\/strong>. Est\u00e1 previsto na lei 12.187\/2009, que estabeleceu a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/14805-mudancas-climaticas-e-o-brasil-consequeencias-reais-solucoes-viaveis-entrevista-especial-com-carlos-nobre\" target=\"_blank\"><strong>Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong><\/a>, o compromisso que o Brasil assumiu com a comunidade internacional ao comunicar suas metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es junto \u00e0 <strong>Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong>. O Brasil caminha e vinha caminhando para o cumprimento da meta. Agora, o pa\u00eds estabilizou nesses \u00faltimos anos, desde 2009, num patamar de aproximadamente 4 mil Km\u00b2, e n\u00e3o conseguimos ultrapassar esse limite. Houve uma queda do desmatamento de 18% este ano, mas que sequer recupera a taxa de desmatamento do ano passado, que foi de 29%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desmatamento zero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um desafio para progredir at\u00e9 atingir a meta do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/518181-campanha-do-desmatamento-zero-vem-contrapor-codigo-florestal-entrevista-especial-com-kenzo-juca-ferreira\" target=\"_blank\"><strong>desmatamento zero<\/strong><\/a> previsto no <strong>Plano Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong>. Dever\u00edamos n\u00e3o s\u00f3 atingir a meta decidida junto \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o do Clima, mas voltar \u00e0quele objetivo estabelecido em 2008, de chegar em 2015 com desmatamento zero em todas as regi\u00f5es do Brasil. Entretanto, por enquanto estamos perdendo 1 milh\u00e3o e 200 mil hectares s\u00f3 na <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> e no <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4234&amp;secao=382\" target=\"_blank\"><strong>Cerrado<\/strong><\/a>, al\u00e9m de \u00e1reas da <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4360&amp;secao=389\" target=\"_blank\"><strong>Caatinga<\/strong><\/a> e da <strong>Mata<\/strong> <strong>Atl\u00e2ntica<\/strong>. Ent\u00e3o, temos de retomar essas metas para ver se vamos seguir um modelo de desenvolvimento que signifique a conserva\u00e7\u00e3o das florestas. Setores da agricultura e da pecu\u00e1ria reconhecem que n\u00e3o \u00e9 preciso nenhum hectare de floresta destru\u00edda para atender a demanda de produ\u00e7\u00e3o de alimento para o pa\u00eds e para a exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere \u00e0s emiss\u00f5es, \u00e9 preciso haver um aprimoramento da metodologia de forma que as recomenda\u00e7\u00f5es sejam feitas aos pa\u00edses para que eles aprimorem suas metodologias de invent\u00e1rio. \u00c9 necess\u00e1rio, contudo, que na negocia\u00e7\u00e3o de compromissos que o Brasil ir\u00e1 assumir na <strong>Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong>, a contabilidade de emiss\u00f5es n\u00e3o seja a mesma do terceiro invent\u00e1rio por conta da quest\u00e3o de que as estimativas de remo\u00e7\u00f5es s\u00e3o superestimadas. Sobre a possibilidade de agregar outras informa\u00e7\u00f5es no que tange aos invent\u00e1rios, o Brasil deve definir as a\u00e7\u00f5es que v\u00eam tomando e agregando informa\u00e7\u00f5es de contexto que v\u00e3o al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es sobre as emiss\u00f5es, que transformam seus invent\u00e1rios na comunica\u00e7\u00e3o nacional, ou seja, \u00e9 preciso apresentar os n\u00fameros e as fontes dos n\u00fameros agregados ao que vem sendo adotado de medidas pol\u00edticas para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Ao levar o seu terceiro invent\u00e1rio e comunic\u00e1-lo \u00e0 <strong>Conven\u00e7\u00e3o do Clima<\/strong>, tem de associ\u00e1-lo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o nacional, que tem um relat\u00f3rio mais amplo e que diz respeito \u00e0s a\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o implementadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Al\u00e9m do desmatamento, quais s\u00e3o hoje as principais causas que contribuem para a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa no Brasil e com quais medidas o pa\u00eds poderia se comprometer para reduzir essas emiss\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> No passado o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/30302-estudo-mapeia-emissao-de-co2-desmatamento-da-amazonia-polui-mais-que-a-industria-paulista\" target=\"_blank\"><strong>desmatamento<\/strong><\/a> chegou a representar at\u00e9 75% das <strong>emiss\u00f5es de CO\u00b2<\/strong>. Hoje em dia a diferen\u00e7a entre o desmatamento e as a\u00e7\u00f5es de outros setores diminuiu bastante, porque as emiss\u00f5es dos outros setores subiram bastante. No ano de 2012 o desmatamento era respons\u00e1vel por 34% das emiss\u00f5es, energia, 32%, e <strong>agricultura e pecu\u00e1ria<\/strong>, 30%. Esses tr\u00eas setores ainda s\u00e3o os principais emissores e as emiss\u00f5es s\u00e3o complementadas com produ\u00e7\u00e3o industrial e tratamento de res\u00edduos. No ano de 2013, o desmatamento correspondeu a 36% das emiss\u00f5es, a energia, a 30%, e a agricultura e pecu\u00e1ria, a pouco mais de 26%. O <strong>Cerrado<\/strong> e a <strong>Amaz\u00f4nia<\/strong> s\u00e3o as principais fontes de emiss\u00f5es, e o setor de transporte \u00e9 a maior fonte de emiss\u00e3o do setor de energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Energia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, pela falta de pol\u00edticas adequadas para o setor de energia, para <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/521710-biocombustiveis-e-a-submissao-economica-entrevista-especial-com-sergio-schlesinger\" target=\"_blank\"><strong>biocombust\u00edveis<\/strong><\/a> e pela manuten\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os artificiais da gasolina, aumentou o consumo desse combust\u00edvel gerando uma emiss\u00e3o maior por parte desse setor. Ainda que o setor de energia represente uma fatia pequena nas emiss\u00f5es, o Brasil vem aumentando o uso de fontes t\u00e9rmicas na matriz energ\u00e9tica, acionando todas as t\u00e9rmicas a carv\u00e3o, a g\u00e1s natural, \u00f3leo diesel. Ou seja, fontes que eram para ser usadas apenas em momentos de emerg\u00eancia, v\u00eam sendo acionadas durante quase o ano todo, e isso representa uma emiss\u00e3o maior do setor de energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agricultura e pecu\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na agricultura e pecu\u00e1ria, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/534720-agropecuaria-brasileira-como-reverter-as-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-artigo-de-marina-piatto-e-ciniro-costa-junior\" target=\"_blank\"><strong>pecu\u00e1ria<\/strong><\/a> \u00e9 a principal fonte de emiss\u00e3o. \u00c9 preciso aumentar a efici\u00eancia da pecu\u00e1ria no pa\u00eds, porque em algumas regi\u00f5es tem menos de um animal por hectare, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de baix\u00edssima efici\u00eancia e adota t\u00e9cnicas do s\u00e9culo XVII, sem muita moderniza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso medidas que deem efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria e que levem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Hoje tem um plano importante de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532209-programa-agricultura-de-baixo-carbono-desembolsou-apenas-53-do-previsto-para-o-ano-safra-2013-2014\" target=\"_blank\"><strong>agricultura de baixo carbono<\/strong><\/a>, mas \u00e9 um plano que representa somente 3% do investimento total para a agricultura no pa\u00eds, enquanto o Plano Safra, que \u00e9 anual, soma 97% dos investimentos de agricultura e pecu\u00e1ria no pa\u00eds, sem estar, necessariamente, desenvolvendo pr\u00e1ticas de baixo carbono. Temos de transformar o <strong>Plano Safra<\/strong> em um <strong>plano de baixo carbono<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fontes renov\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<table style=\"width: 200px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"vertical-align: top; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: small;\">&#8220;A China deve chegar em 2017 com 70 gigawatts de energia solar na sua matriz&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, tem que haver pol\u00edticas mais claras para os <strong>biocombust\u00edveis<\/strong>, pol\u00edticas para diversificar e aumentar o uso de modais alternativos e investir em fontes de energia e eletricidade a partir de<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-arquivadas\/31921-fontes-renovaveis-ja-sao-473-da-matriz-energetica-brasileira\" target=\"_blank\">fontes renov\u00e1veis<\/a><\/strong>, mais do que se investe hoje. Houve um investimento importante em energia e\u00f3lica, mas em outros setores, a exemplo da utiliza\u00e7\u00e3o de <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/510213-energia-solar-no-brasil-um-desafio-entrevista-especial-com-emilio-lebre-la-rovere-\" target=\"_blank\">fonte solar<\/a> na<\/strong> <strong>matriz energ\u00e9tica<\/strong>, o processo \u00e9 muito lento. Neste ano o Brasil fez o primeiro leil\u00e3o em escala nacional de energia solar, contratando mais de 1 gigawatt de energia solar para os pr\u00f3ximos anos; houve muito interesse dos investidores, mas a velocidade com que esse setor deve crescer no pa\u00eds \u00e9 muito lenta em compara\u00e7\u00e3o ao que outros pa\u00edses v\u00eam fazendo. Os EUA v\u00eam se tornando l\u00edder nesse setor, e s\u00f3 no ano passado geraram 23 mil novos empregos por conta do desenvolvimento da tecnologia, e a China deve chegar em 2017 com 70 gigawatts de energia solar na sua matriz. Ent\u00e3o, s\u00e3o pa\u00edses que est\u00e3o investindo em fontes que ser\u00e3o importantes para as suas necessidades e ser\u00e3o os exportadores de tecnologias que ser\u00e3o compradas por pa\u00edses como o Brasil, que tende a se desenvolver muito devagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Que avalia\u00e7\u00e3o faz da agenda ambiental brasileira? Qual ser\u00e1 o grande desafio do governo Dilma no pr\u00f3ximo mandato em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agenda ambiental?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Rittl \u2013<\/strong> Nos \u00faltimos anos o Brasil virou as costas para o meio ambiente como se tivesse feito o suficiente para promover desenvolvimento sustent\u00e1vel no pa\u00eds. O Brasil precisa mudar essa l\u00f3gica: tem de assumir um compromisso de que n\u00e3o reduzir\u00e1 as \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o, de que colocar\u00e1 em pr\u00e1tica a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/529990-o-desafio-de-garantir-uma-lei-de-protecao-ambiental-entrevista-especial-com-alessandro-soares\" target=\"_blank\"><strong>Pol\u00edtica Nacional dos Res\u00edduos S\u00f3lidos<\/strong><\/a>, al\u00e9m de estar atento para os <strong>recursos h\u00eddricos<\/strong> e avan\u00e7ar em pol\u00edticas de clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A impress\u00e3o que se tem \u00e9 de que as florestas e os rios s\u00e3o obst\u00e1culos e devem ser dominados \u2014 n\u00e3o devem ser dominados, mas fazer parte do <strong>desenvolvimento<\/strong> <strong>sustent\u00e1vel<\/strong>. Estudos mostram que a qualidade de vida em ambientes preservados \u00e9 melhor do que naqueles em que as florestas e os rios foram destru\u00eddos. O meio ambiente tem de ser uma agenda transversal e todos os ministros devem ter responsabilidade sobre essa agenda em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"vertical-align: top; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"42\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: small;\">&#8220;O meio ambiente tem de ser uma agenda transversal, e todos os ministros devem ter responsabilidade sobre essa agenda em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje S\u00e3o Paulo tem dois grandes rios, o Tiet\u00ea e o Pinheiros, com um volume de \u00e1gua que poderia ser importante para o abastecimento num <strong>momento de<\/strong> <strong>crise<\/strong> <strong>h\u00eddrica<\/strong>, mas eles est\u00e3o completamente polu\u00eddos. Ao mesmo tempo, a Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo acaba de aprovar uma lei que permite a diminui\u00e7\u00e3o de florestas no entorno das nascentes. Al\u00e9m disso, a vota\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/508298-pec-215-as-bancadas-ruralista-e-evangelica-contra-os-povos-indigenas-entrevista-especial-com-cleber-cesar-buzatto\" target=\"_blank\"><strong>PEC<\/strong><\/a> que tira os direitos dos povos ind\u00edgenas sobre seus territ\u00f3rios e passa para o Congresso a prerrogativa de reconhecer sobre esses territ\u00f3rios, s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es de que estamos caminhando na contram\u00e3o num momento de crise grav\u00edssima ambiental. Com a tend\u00eancia de esse cen\u00e1rio piorar, \u00e9 necess\u00e1rio que o Brasil reveja o caminho que quer tomar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0 <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Carlos Rittl \u201cNos \u00faltimos anos o Brasil virou as costas para o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Carlos Rittl \u201cNos \u00faltimos anos o Brasil virou as costas para o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12534"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12534"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12534\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}